Knight In Shining Armor
1 One Shot
Cavaleiro de armadura brilhante.
Shadows dance around me as I race alone.
I’ll never rest until she is in my arms.
So close and yet so far away
A simple kiss to bring her back
To make this story ends...
Not all knights in shining armor
Can make your dreams come true...
***
A porta do quarto se abriu e ele pôde vê-la deitada; a cabeça enterrada no travesseiro. O aparelho de som tocava incessantemente a mesma música, o volume ao máximo.
Chris Redfield se aproximara, sentando-se na beirada na cama e curvando-se para beijá-la na nuca — e ela mostrou um rosto de olhos inchados, por lágrimas que teimavam em cair. O quase-sempre-presente rabo-de-cavalo desfeito. E os cabelos, outrora lisos, encontravam-se revoltosos e grudados pela face molhada. Ela emagrecera um pouco, também...
Ele abaixou o volume, reprimindo um “você está horrível” que, sabia, pioraria e muito a situação. Passou a mão pelos cabelos dela.
— Escutar uma música tão barulhenta assim não lhe fará muito bem, Claire. — a voz carregada de uma piedade que ele imaginou prejudicá-la.
Ela voltou-se novamente ao travesseiro, apoiando o queixo sobre ele.
— Eu gosto da música, Chris — disse sem ao menos olhá-lo. — Ela me traz algumas lembranças que eu gostaria que não se perdessem — “ou que não tivessem se perdido”, pensou Chris ao ouví-la. — E estas lembranças não me fazem mal algum.
Ele sorriu por um instante.
— Na verdade... estava me referindo aos seus tímpanos, maninha — disse, numa tentativa mais que frustrada de fazer humor. — Mas entendo o motivo de estar assim.
Claire nada disse, e um silêncio mortalmente frio se abateu entre os dois. Fora Chris quem o quebrara.
— Bom — ele disse ao se levantar. — Tenho que encontrar a Jill agora, então vou deixá-la por um instante. Você vai ficar bem?
Ela voltou-se para ele, assentindo com a cabeça. Um sorriso forçado surgira no canto dos lábios, mas morrera com a mesma velocidade que aparecera.
— Tudo bem. Eu estou bem — mentiu. — Dê lembranças minhas à Jill.
Chris dirigiu-se para fora — Direi a ela que mandou um oi. — E completou com um sincero “sinto muito pelo Steve”, antes de fechar a porta atrás de si.
Claire permaneceu imóvel por um tempo. Sua mente vagando por Rockfort Island, trazendo à memória a única coisa que valera a pena naquele lugar aterrorizante.
A música, agora, tocara mais uma vez o seu refrão.
— “Nem todos os cavaleiros em armaduras brilhantes podem realizar seus sonhos” — e ela sorriu ao lembrar-se de algo que um certo ruivo a dissera horas antes de morrer para salvá-la. — Eu discordo.
Já não era mais hora para lágrimas.
Desligou o aparelho e deitou-se na cama, admirando, sonhadora, o teto do quarto. Adormeceu por fim e, quando mais tarde Chris subiu para vê-la, surpreendeu-se com um pequeno sorriso que permanecia estampado em seu rosto. Um nó se formou em sua garganta e uma lágrima desceu por um dos olhos quando ele sorriu também.
Beijou-lhe no rosto, sem acordá-la, desejando uma boa noite.
Seu sorriso dava uma pista para o que ele deveria estar sonhando.
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