Knight
1 Ganância
Notas iniciais
Aquele deserto, mesmo sendo pequeno, aos olhos daquele simples homem era enorme.
A cor amarelada contrastava com o forte vermelho sangue que se espalhava pelo chão.
O sangue dos seus inimigos e dos seus amigos.
Tinha ganhado a guerra, mas a que preço? Ficar sozinho no meio daquela carnificina.
Corpos espalhados até o horizonte, vidas e histórias, jogados fora como se não fossem nada.
Tudo que um dia já foi algo, hoje não é nada.
Não sentia a felicidade, apenas sentia a dor imensa.
O homem se levantava de onde estava sentando se erguendo com dificuldade.
Por um momento ele vacila quase caindo no chão, entretanto sua prateada espada lhe da apoio.
Seu capacete sufocante fora retirado com a mão livre, sendo jogado longe.
O rosto do homem ficava amostra, estava completamente acabado.
Sua face mostrava a mais pura definição de tristeza.
Angustiado, em seu rosto era possível ver uma tentativa de segurar o choro, fútil.
Suas lagrimas agora se misturavam com seu suor, suas antigas cicatrizes de guerra, cobertas de uma mistura que simbolizava seu cansaço e sua tristeza.
Um pouco de sangue seco sujava seu rosto, havia um leve ferimento na testa, sendo essa a causa do sangramento.
Seus cabelos negros como a noite, estavam úmidos por conta do suor.
Os seus olhos cinza escuros ardiam, não sabia se por causa do sol que estava se despedindo ou pelas lágrimas.
Quem estava certo nisso? E quem estava errado? Não entendia seus próprios sentimentos.
Sentimentos esses que no passado eram apenas determinados a conseguir tudo.
Querendo apenas dominar tudo, ficar acima de todos, criaria um mundo sem guerras, sem conflitos.
Mas se ele queria um mundo sem guerra, porque havia feito uma?
Suas memórias estavam nebulosas, não parecia o mesmo de anos atrás.
Um rapaz justo e ingênuo, que lutava sempre por uma causa maior.
Lutava por aqueles que não tinham vez, aqueles que eram ignorados.
No final o mesmo começara a ignorar os fracos.
Não era mais a mesma pessoa.
Tomado pelas lágrimas, caíra de joelhos no chão olhando a sua espada.
Lâmina prateada, alguns adornos, runas encravadas.
Era uma bela espada, toda essa decoração para mostrar superioridade, poder e sua honra.
Não havia mais tal honra... Apenas um desejo de poder.
Ele fecha seus olhos sentindo uma forte pontada em seu peito.
O mesmo apontava a lâmina afiada pro seu coração.
Sentia sua visão ficar turva, as lágrimas pareciam pesar mais.
Iria pagar pelos seus pecados, pagava pelas famílias que destruiu, lares e até mesmo cidades por sua ganância.
Não havia mais sentido, tinha virado um monstro.
E assim, o seu "eu" do passado, elimina o seu "eu" do futuro.
Por um pequeno momento, naquele pequeno instante ele lembrou de seu motivo de continuar em pé.
Do motivo de continuar lutando.
Aquele sorriso que fazia seu coração acelerar, aquelas bochechas vermelhas que achava tão fofas.
Ficava corada pelo simples simples motivo de ter seus olhos encontrados aos dele.
Não era a mais forte, não era a mais inteligente, mas seu coração era enorme.
No departamento de enfermagem lá estava ela, toda atrapalhada recebendo uma bronca por ter esbarrado nele.
Parecia um motivo bobo, ele mesmo achava extremamente idiota apenas pelo motivo de ser um cavaleiro de alto escalão.
Desde aquele dia a garota tentava ao máximo evita-lo, entretanto o homem apenas a procurava mais.
Ela se mostrava cada vez mais gentil, cada vez mais próxima.
O homem no começo apenas sentia uma atração por sua estranha animação e energia.
Logo seu amor estava tão intenso que não se importava mais se a menina era uma goblin, um homem ou um monstro.
Apenas queria ficar com a garota com todas as forças.
Seu amor era recíproco, a menina devolvida o amor e ainda cada vez mais forte.
Entretanto o homem começará a ficar cego pelo poder, a deixando de lado.
Apenas queria treinar, batalhar.
A menina ficava quieta sem pedir nada, como um cachorro treinado.
Por um momento achava isso ótimo, não precisava mais se incomodar com uma pessoa fraca.
Aquela pessoa fraca que o amava mais que tudo.
Mais que qualquer coisa, mesmo sendo tratada igual a lixo pela pessoa que ama.
Aquele seria o jeito mais fácil para Ele, iria se matar, iria tirar o peso dos ombros.
Entretanto iria apenas esconder sua própria sujeira em vez de tentar combate-la.
A espada cai de suas mãos, batendo de forma leve na areia.
Ajoelhado na frente da espada olhando para o céu estrelado que refletia na mesma.
Iria corrigir seus erros, iria voltar para onde ainda a alguém que o espera.
Até sentir uma extrema dor em seu peito, que começava a alastrar por toda suas costas.
O homem se curva, colocando as mãos na areia.
Seu sangue começa a pingar, e assim a dor só piorava.
Por um momento o homem vira o rosto vendo a face de um homem o olhando nos olhos.
O rosto deste homem mostrava uma forte satisfação por ter aplicado o golpe, seus olhos demonstravam ódio ao olhar para seu inimigo.
Atrás do mesmo haviam muitos outros homens o olhando com desdém.
— É seu fim Ragnarok!
O homem pronúncia, fazendo os homens atrás de si gritarem de glória.
A espada crava em seu peito é retirada, fazendo mais sangue escorrer, caindo no chão sem forças.
— Assim acaba seu reino de tirania! POR UMA NOVA ERA!
O homem grita alto erguendo a espada coberta de sangue.
— POR UMA NOVA ERA! — Seus seguidores repetiram.
Não iria desistir, o cavaleiro machucado tenta se levantar, com o seu amor em mente.
Até ver o corpo da mesma sendo arrastado.
A mulher estava nua, completamente ferida, seus olhos estavam sem brilho algum.
Ela olhava para ele, o homem que, no fundo ela ainda amava.
Mas não tinha certeza se era recíproco.
Sua face era o desenho do desespero, olhando para a única alma amigável, era possível ver um pedido de ajuda em seu olhar.
O homem que a segurava a erguia pelos cabelos.
— você ama a garota tanto quanto a dor?
Assim o líder dos guerreiro com sua espada afiada, corta a cabeça de sua amada.
Em um ataque de fúria o cavaleiro se levanta, sendo facilmente derrubado perto do corpo de quem mais amava.
— Agora sofra, sua punição por tudo.
E assim o líder e seus seguidores começaram a andar se afastando dos dois.
O cavaleiro abraçava o corpo de sua amada e com um sorriso no rosto fala.
— es...tá tão...gela..da..
As lágrimas caiam, seu sangue quente escorria ainda mais.
Sentia o corpo de seu amor esfriar, enrijecer.
A segurava mais perto do seu corpo, tentando esquenta-la, como se ainda acreditasse que podia salvá-la.
Sua visão estava turva, iria logo desaparecer sua consciência.
Entrelaça seus dedos com os duros e frios da moça, fechando os olhos com um sorriso.
— eu..te a..mo
Notas finais
Até a próxima história~
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