Km 45

1 Capítulo Único


Notas iniciais
História em resposta ao Desafio Brega do grupo ShikaTema BR no Facebook, que consiste em escolher um cantor pré-selecionado de uma lista e escrever uma fic baseada em uma música deste.

Sérgio Reis - Km 45

“Nunca se permita chegar a um lugar em que sua mente não tenha estado 5 minutos antes” Shikamaru não sabia mais de onde exatamente surgira esse lema, mas desde que o ouvira, percebeu que se identificava muito com ele. Não que ele precisasse se esforçar muito para se preparar mentalmente ao futuro, ele era um estrategista e sua mente trabalhava naturalmente todas as possibilidades. E neste momento, mesmo que seus pés dispensassem indicações, ele desenhava mentalmente o caminho que iria percorrer em alguns instantes.

No quilômetro 45 da Castelo

Pra quem vai no sentido interior

Sua mente repassava os passos, os já andados e os que ainda viriam. Desde que saíra de Konoha sua mente repassava o caminho até o País do Ferro, e dentro deste até Quartel General da União Shinobi e o quarto ao que se dirigia agora após cruzar pelas portas de entrada do edifício.

Cruzando os portões de Konoha, ele seguiria por alguns metros pela trilha, antes de virar à direita e seguir seu caminho por entre a floresta. Ele cruzaria por inúmeras árvores e plantas, incontáveis cerejeiras das quais só se veriam flores em 3 dias durante o ano. Ele contaria os 76 pinheiros que havia pelo caminho, cujas alturas demonstram a longevidade desta espécie e fazia com que fossem associados à sabedoria. Ele observaria com cuidado os apenas 4 cactos presentes em seu caminho desde o País do Fogo. Eles eram robustos e resistentes, e lhe lembravam do deserto e suas adversidades. Ele veria os Três Lobos crescerem e se aproximarem nos 45 quilômetros de campo aberto que atravessaria até chegar a base destes, e então estaria no País do Ferro.

Quem olhar para a direita, vê um portão amarelo

É ali, é ali que mora o amor

Dali ele seguiria até a base da União Shinobi, que era onde estava neste momento. Agora lhe faltava seguir pelos corredores, esquerda, escada, direita e esquerda novamente, até chegar ao quarto que buscava, uma porta amarelada que estaria a sua direita. E onde atrás desta esperava encontrar alguém.

Mas, apesar de desejar profundamente o encontro, não havia pressa no seu caminhar. Sua mente percorria o caminho em antecedência por mero hábito. Ele sabia não haver motivos para se apressar: onde há confiança, há calmaria; onde se está bem, há segurança. E a cada passo que dava, ele podia sentir aquele calor do reencontro a preenchê-lo, o ar entrando em seus pulmões, e a tranquilidade o inundando. E por mais estimado que fosse o seu destino, essa calma apenas lhe dava mais certeza de que estava no caminho certo. Com a pessoa certa.

A distância não existe pra quem ama

Ela tem toda beleza das manhãs

A verdade é: Ele nunca se imaginara um dia vivendo algo assim. Seu eu mais novo apenas esperava uma vida mediana, vagarosa e imutável. Mas como diz o ditado, “a árvore quer sossego, mas o vento não para de soprar”. E o vento continuou soprando sobre ele... E o fez desistir de sua vida uniforme e monótona. Como ele disse a Kakashi, “é como desistir de uma coisa, mas encontrar algo ainda melhor, mais valioso”. E hoje, ele podia dizer que havia encontrado.

Ele descobrira todos os sabores do vento. Descobrira que tranquilidade não significava ser imperturbável. Que conforto não vinha de poder prever o que o esperava a frente. Porque por mais que sua mente visualizasse o caminho antecipadamente, vivê-lo era sempre uma experiência única. Assim como um dos cactos que passara estava em flor, também sua vida teria seus momentos inesperados.

E seus braços que, ao me ver, pro amor me chama

Nosso amor tem as cores da romã

Exatamente como neste momento. Sua mente repassou várias vezes o instante em que viraria neste corredor e veria a porta que buscava mais à frente. Mas ao invés disso, ali estava Temari, apoiada no batente da porta de seu quarto. Ao vê-lo, ela sorriu, aquele sorriso que era uma mescla entre convencido e inocente, mas totalmente sincero. Aquele sorriso que era para ele como o escaldante sol do deserto. Que iluminava e aquecia seu coração.

Inconscientemente, um sorriso brotou em seu rosto também. Um sorriso calmo e tranquilo, que se deixa levar pelo vento. Seus olhos estavam fixos naquele mar verde-água que também o encarava, e ele não podia evitar desejar mergulhar naquele mar. Que por mais imprevisível que fosse, lhe fazia se sentir completo. Se sentir como seu verdadeiro eu, pura e simplesmente.

E acima de tudo, o fazia se sentir acolhido. Ele pode ver ela se desencostar da parede e, se fosse possível, seu sorriso aumentar enquanto lhe estendia a mão. Sem pensar muito, ele tomou sua mão, sentido os dedos finos e o toque suave desta.

Apesar de sempre estar repassando seus próximos passos, Shikamaru nunca conseguiria enxergar tudo que o esperava a sua frente. Se alguém um dia tivesse dito que ele acabaria noivo de Temari da Suna, ele jamais acreditaria. No entanto, aqui estava ele. Vivendo uma das partes mais reconfortantes de sua vida. E mesmo sem nunca ter previsto, Shikamaru não mudaria absolutamente nada se tivesse oportunidade. Porque, no final das contas... O vento sempre continuaria a soprar.

É ali, é ali que mora o amor

É ali, é ali que mora o amor

Notas finais
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E lembre-se que a escolha dos vencedores será feita por votação! Entra lá no grupo pra participar!
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