Kisses and Guns
1 Primeiro dia.
Notas iniciais
Sim, essa autora iniciou mais uma história, essa história já está totalmente escrita, e eu vou editando a medida que eu estou postando pra ficar cada vez melhor, mas eu amo essa história e ao longo dela vocês vão perceber que tem abertura para uma ou duas continuações, mas eu estou me adiantando, por que ainda não pensei nisso. Enfim. Eu espero que vocês gostem tanto quanto eu.
Kisses!
Entrei no apartamento, era obviamente o que eu podia pagar e eu não podia pagar muito, a cozinha era minúscula, e o quarto ficava espremido ali perto, o banheiro perto demais da cozinha, mais era finalmente algo meu. O silêncio que pairava nos poucos metros quadrados tornava o lugar quase luxuoso. Ontem tinha sido meu aniversário de dezoito anos, muitas garotas no meu lugar teriam se embebedado e curtido a noite toda, mas eu juntei minhas poucas peças de roupa, minha arma e o carro que eu tinha me esforçado para comprar e tinha fugido. Engulo seco pensando que muita coisa podia ter dado errado. Mas eu tinha planejado muito.
Faltavam poucos dias para começar a faculdade, amanhã eu começaria também no emprego novo que era o que eu fazia basicamente na outra cidade, e eu esperava pegar muitos turnos extras para que eu pudesse comprar algumas roupas já que as minhas estavam obviamente gastas.
Eu estava sozinha no mundo. No momento em que minha mãe foi enterrada eu sabia disso, meu pai gostava de beber, e quando ela sucumbiu ao câncer ele sucumbiu à bebida e achou seu caminho para as drogas, ele escolheu o caminho fácil. O caminho dos fracos. Ele foi covarde e não pôde conviver com a perda. Ele escolheu entorpecer a dor enquanto eu tive que enfrentar a dor sozinha.
Aos quinze anos eu tive que batalhar para comer já que meu pai vendia qualquer coisa a sua frente para obter mais drogas, tive que comprar uma arma quando ele me bateu por que não tinha mais nada em casa que desse dinheiro, eu fiquei boa em me tornar invisível nos últimos anos, e agora eu estava livre. E apesar de tudo que me cercava estar gasto e velho era um motivo de felicidade. Deus! Uma tonelada podia muito bem ter sido tirada das minhas costas. Guardei minhas coisas no armário e os poucos mantimentos que eu tinha comprado no caminho. E comecei a colocar as trancas extras que eu tinha comprado para a porta e verifiquei as janelas. Eu era definitivamente paranoica. Mas quando se viveu o que eu vivi nos últimos anos, todo cuidado era pouco.
No outro dia fui para o trabalho, que era de secretária de um médico, e ele trabalhava muito e eu tinha esperança que ele precisasse que eu fizesse horas extras, o dinheiro para mim era um luxo, no fim do dia passei um uma papelaria e comprei alguns materiais escolares, o bom de eu ter conseguido uma bolsa na faculdade é que eu não teria despesas com o material didático. E nem com mensalidades. Isso me daria algo a mais para comprar comida. A semana passou lenta e eu me dediquei a trabalhar e fazer alguns reparos na minha casa. Era incrível como um pouco de tinta e algum trabalho podiam fazer com uma casa.
Na segunda-feira seguinte acordei as seis, as aulas começavam as sete e meia e eu queria estar muito desperta, eu tinha escolhido um curso de administração. Era seguro e era algo que eu podia fazer. Eu admito que estava nervosa.
Cheguei bem na hora por lá, eu também não queria ter tempo para me socializar com ninguém, o sol estava despontando quando entrei no campus, o verão estava no fim o que para mim era uma coisa boa, eu era definitivamente uma pessoa de inverno.
As pessoas ao redor emitiam empolgação eu também, mais eu tinha aprendido a ser controlada. Esconder emoções? Passar despercebida? Minha especialidade.
Mal cheguei a porta do campus ouvi o ronco alto de uma moto, me virei para ver três harleys impressionantes que deviam somar mais do que eu ganharia em toda a minha vida, as pessoas pararam e eu olhei ao redor para ver se algo importante estava acontecendo mais não estava, eram as pessoas nas motos que estavam chamando atenção. O primeiro a desmontar era o mais alto dos três, ele devia ter 1,95 de altura, tinha cabelos muito pretos bem cortados em baixo e maior em cima, sua pele era bronzeada e ele tinha um rosto bonito, feroz na verdade, sua boca era cheia e por que merda eu olhei a boca dele? Deus! Eu passei muito tempo mesmo em uma concha!
Ele era forte, apesar de ele usar um a jaqueta de couro eu podia ver seus músculos. Os outros dois não eram muito mais baixos, apenas alguns centímetros. Um era loiro e o outro tinha um cabelo preto também. Ouvi risadinhas, suspiros e de repente os comentários subiram, os homens olhavam eles com uma mistura de raiva e inveja e as mulheres mordiam os lábios e piscavam os cílios. Rolei os olhos, como se a visão de motoqueiros fosse apagar meu cérebro! Eles eram algum tipo de celebridade? Eu não via televisão com frequência, mas ele bem poderiam ser. Não é só a postura deles, mas a reação das pessoas. Eles eram alguma dessas boy bands que estavam pipocando de todo o lugar hoje em dia? Eles certamente não pareciam cantores inofensivos. Algo neles me dizia para ficar longe.
Não me importei em continuar andando quando a faculdade toda parecia em transe, afinal eu não seria notada de qualquer forma.
Não que eu fosse insegura, quero dizer eu gostava da minha aparência, minha pele era pálida e meu cabelo muito preto o que destacava meus olhos verdes também pálidos, eu sempre gostei dos meus olhos, era a única coisa que minha mãe tinha me deixado. Mas eu não podia competir com as meninas daqui, com suas roupas caras e que marcavam seus corpos, e eu não estava interessada em tentar, Deus, a última coisa que eu precisava era de um homem.
Um sinal irritante tocou e eu me movi ainda mais rápido, o campus era enorme e ali tinha várias opções de cursos, dos mais caros aos mais baratos. A sala se encheu rapidamente e eu não pensei muito sobre isso. Depois de cinco minutos o professor, que era um doutor em matemática financeira, e tinha uma voz suave e muito calma e apesar de eu querer estar desperta sua voz estava me fazendo querer fechar os olhos. Controla-se! É o primeiro dia! Uma menina entrou pela porta sem fôlego algum tempo depois.
— Oh, me desculpe!
— Você é? – o professor pergunta com certo sarcasmo.
— Amélia! Sinto muito pelo atraso. – O professor por de cor por alguns segundos.
— Filha do Senhor Verdenius?- Ele pergunta hesitante. A menina faz uma cara de desgosto.
— É.
— Sim, claro. Pegue um assento querida. –ele diz meio gaguejando e ela revira os olhos. Acho que ela é alguém importante e eu só quero ficar longe das pessoas importantes. No entanto ela vem em minha direção e desliza na cadeira vazia ao meu lado.
– Oi! – pisquei algumas vezes.
— Olá.
— Acordei atrasada. Deus! Estou morrendo de fome! – sorri para ela. Com seus cabelos loiros e seus olhos azuis brilhantes ela era quase infantil. Era impossível não sorrir. – Prazer sou Amélia.
— Alexandra.
— Você é nova aqui na cidade?
— Sim.
— Uh, é... legal. – pelo seu tom não parece.
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