Kiss and Get High
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Essa fic já estava escrita fazia uns seis meses mas eu pretendia escrever uma continuação para este capitulo, mas o medo de cagar em algo tão bom (pelo menos eu acho que está bom hehe) foi bem maior e decidi deixar como estava... Espero que vocês gostem ♥
Era a terceira vez que o moreno havia saía de casa para comprar cigarros, em uma semana o dono daquele bar sujo já reconhecia o rosto do menino de cabelos pretos. Ao mesmo tempo em que entregava o dinheiro para o homem velho e pegava a cartela de cigarro, reparou no ambiente em que estava, mesmo sendo um domingo aquele lugar estava cheio, reconheceu algumas caras feias das vezes anteriores, homens que provavelmente vinham todos os dias naquele lugar para continuar o vicio do álcool.
“Será que estou me tornando um deles?” pensou enquanto saia do estabelecimento.
Andava com passos largos e apressados para a pequena praça alguns quarteirões do bar e mesmo morando em um bairro residencial, havia algumas festas underground que rolavam nas pequenas casas. Pescou o pequeno isqueiro que estava em um dos bolsos da jaqueta cinza e pesada que usava, acendeu o cigarro que já estava preso em seus lábios, o isqueiro era num tom azul claro e nele havia escrito uma frase com caneta permanente.
I'll burn your name into my throat
(Vou queimar seu nome na minha garganta)
I'll be the fire that'll catch you.
(Vou ser o fogo que te pegará)
Chegando à praça, sentou um dos bancos mais afastados, porém com visão para a pista de skate. O relógio já passava da meia noite e mesmo assim ainda havia alguns adolescentes com seus skates e bicicletas no local, alguns rostos conhecidos de meninos que, de vez enquanto, encontrava-os nas festas que o pessoal costumava dar nos finais de semana ou até mesmo nos corredores do colégio, cumprimentou alguns deles quando os mesmo o reconheciam e às vezes chegava a bater um papo causal que durava no máximo cinco minutos, "faz tempo que você não aparece nas festas", "sumido, aparece mais algumas vezes", "aconteceu alguma coisa? Faz quase duas que não te vejo", ele já havia preparado algumas desculpas esfarrapadas para estas perguntas como "estava viajando", isso foi o máximo que ele conseguiu inventar, não poderia falar a verdade para pessoas que nem sabiam seu nome e não passavam de meros conhecidos, "estava tendo crises de pânico, não consegui levantar da cama nem para tomar banho". Jamais contaria a verdade, pensou.
Deu algumas tragadas no cigarro e o amassou no cinzeiro da lixeira que havia ao lado do banco, em seguida pegou novamente a cartela de cigarros e o isqueiro, acendeu outro palito e o aspirou profundamente sentindo o calor da fumaça chegando aos seus pulmões, segurou a fumaça no órgão e depois a soltou pela boca formando uma nuvem cinza-transparente na frente do seu rosto. Olhou para a pista de skate e questionava-se mentalmente se deveria perguntar a algum deles o que tinha acontecido no colégio durante aquela semana que ele não havia aparecido no local, mas ele realmente se importava com isso? Ou se importava tanto que evitava pensar? Afinal esse não era um dos motivos para suas inúmeras crises de choro durante o mês? Balançou a cabeça para se livrar destes pensamentos infernais.
Olhou para o isqueiro e reconheceu a frase que havia escrito nele, "Pierce The Veil, hum?", logo a melodia da musica veio em sua cabeça e sem perceber, cantarolava um dos trechos de Caraphernelia, um dos maiores sucesso da sua banda de hardcore favorita, porém reconhecia que a letra de mão não era dele, lembrava-se de poucos detalhes daquela noite.
FLASHBACK ON
Era possível notar a bagunça que os adolescentes faziam em meio à árvores do bosque no alto da cidade, alguns estavam sentados com um violão cantando qualquer musica clichê que todos eles conheciam enquanto fumavam e bebiam, outros corriam por entre as arvores com garrafas de cervejas nas mãos, haviam no máximo 20 pessoas naquele espaço iluminado apenas pela lua e pelas luzes distantes dos prédios do centro. Em uma das árvores mais afastadas da multidão, Akaashi conversava com outro cara sobre bandas que ambos gostavam, mas não se lembrava como a conversa havia começado.
—Impossível você não conhecer essa banda – disse o mais novo encostado no tronco enquanto procurava o fone de ouvido em um dos bolsos da calça jeans.
—Conheço de nome, mas nunca ouvi o som deles – o homem mais velho se apoiava com o braço na árvore e olhava o outro mexendo na pasta de músicas do celular, a cabeça estava baixa e sua mente e olhos estavam concentrados lendo os inúmeros nomes de musicas que rolavam a tela do aparelho.
—Aqui – pegou um dos fones e encaixou gentilmente na orelha do homem a sua frente, colocou o outro na sua própria, clicou no play e aumentou o volume aos poucos, alto o bastante para que os sons externos fossem abafados pela voz e os instrumentos da banda, ele repetia baixinho alguns versos da letra enquanto seu olhar focava em qualquer ponto no horizonte, sentiu seu corpo ficar pressionado no tronco da árvore e quando se deu conta, seus lábios já tinham sidos tomados pela boca do seu "novo amigo".
Alguns segundos após o selinho desajeitado, o mais velho sugava levemente seu lábio inferior como se estivesse pedindo permissão para aprofundar o beijo, que logo aconteceu, sentia as mãos firmes em seu corpo, uma segurava o rosto e a outra apertava a cintura com intuito de juntar ainda mais os corpos, enquanto seus braços contornavam o pescoço longo do outro. Hardcore não era um bom ritmo para se ouvir enquanto você beija alguém, pensava o mais novo, mesmo que o ritmo da música fosse pesado e corriqueiro, o beijo acontecia numa velocidade lenta. As músicas foram passando e seus lábios não se desgrudavam, apenas às vezes para puxar o ar, mas voltavam rapidamente para o ato, como se estivessem necessitados daquilo.
O ritmo do beijo foi ficando desengonçado, ao separarem as bocas era possível notar os lábios inchados e a respiração ofegante dos dois, Akaashi sentia seu rosto quente, porém não sabia o motivo certo, talvez o efeito das varias garrafas long neck de cerveja que havia tomado finalmente tinha subido para seu cérebro, sua vista estava meia torta e tentava focar no rosto do homem a sua frente, via apenas um sorriso sem vergonha e olhos brilhantes. O mais novo segurou a mão do outro, que se assustou com o toque, e o puxou para baixo a fim de sentar na grama, sentou-se ao lado de sua mochila que estava apoiada em um dos lados da árvore e olhou para cima ainda vendo o homem em pé, que se sentou ao seu lado. Ficaram em silencio durante alguns segundo apenas ouvindo a música que rolava nos fones de ouvido.
—Você se importa? — perguntou o homem segurando um cigarro de maconha entre os dedos, Akaashi balançou a cabeça negativamente – Tem um isqueiro? Acabei perdendo o meu – perguntou enquanto olhava timidamente para o outro, a expressão fez Akaashi soltar um sorriso tímido, fuçou nos bolsos ate achar o objeto e entregou a ele.
Ao pegar o isqueiro, acendeu o cigarro e ofereceu para o menor, que apenas abriu os lábios rosados para primeira tragada, sentiu a seda em seus lábios e aspirou profundamente já esperando sentir uma leveza fora do comum que só aquele tipo de substância podia oferecer.
Ao poucos o assunto entre os dois homens foi surgindo, Akaashi descobriu que o outro fazia faculdade de Engenharia Mecatrônica e estava cursando o terceiro semestre já, descobriu também mais sobre seu gosto musical e quais eram seus filmes favoritos, que ele morava na cidade vizinha por causa da faculdade, porém estava sempre por ali por causa dos seus pais, que dividia um pequeno apartamento com Kuroo, um antigo colega que havia se formado ano passado, havia descoberto tudo sobre ele menos a coisa mais importante, seu nome.
—Você tem alguma caneta permanente ai? — perguntou de forma descontraída e mole para o mais novo, que o olhou ainda mais confuso, soltando alguns risinhos, abriu a bolsa e pegou seu estojo escolar entregando a caneta ao outro.
Sem conseguir entender muito bem o que o homem queria, o viu apalpando seus bolsos a procura do isqueiro e logo que o achou, começou a escrever algo que Akaashi não decifrava pela visão turva. O mais velho encostou a ponta do nariz na concha da orelha outro enquanto entregava o isqueiro, puxou o ar profundamente a fim de sentir o do mais novo, porém os cheiros de maconha e cerveja se misturavam, o homem sorria presunçosamente enquanto cantarolava um verso na música que tocava enquanto eles se beijavam horas atrás, "I'll burn your name into my throat, I'll be the fire that'll catch you".
FLASHBACK OFF
Depois de minutos perdidos em seus pensamentos, Akaashi voltava para a realidade quando sentiu a presença de outra pessoa perto de si, olhou para o lado e via pernas longas vestidas por uma calça de moletom larga, porém marcando levemente as coxas, olhou para cima e reconhecia o olhar brilhante e expressivo, os cabelos platinados com a raiz preta eram inconfundíveis para o menor.
—Finalmente te encontrei. – ouviu o homem a sua frente dizer num tom rouco.
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