Kiss The Rain
32 A mentira de Mey
Notas iniciais
Desculpem pela demora, blábláblá
Boa leitura...
Bill’s POV
Por que era tão difícil para ela aceitar que eu quero ajudar? Será que eu era o único que passava noites em claro pensando em Madeleyne? Apenas eu me culpava por não tê-la protegido? Talvez sim, fui o único que ficou imóvel enquanto ela sumia por entre o nada.Nada... Esse era o problema! Nada havia me segurado, Madeleyne sumiu no nada, minha mente se resumia à nada! Tudo estava tão nada...
Eu precisava fazer algo, nem que fosse por conta própria. Eu precisava encontrar Madeleyne! Aqueles olhos, eu me odiaria para sempre se aqueles olhos não fossem meus, se eu não conseguisse ser o que aqueles olhos precisavam para transbordarem de alegria e sentimentos, me culparia pelo resto da vida se eu não conseguisse deixar aqueles olhos apaixonados por mim. Eu sou bom o bastante para fazer com que eles me olhem com amor? Amor... Já nem entendo mais as coisas que digo, as coisas que penso, as imagens que vejo, os sonhos que tenho, as atitudes que tomo.Mas é assim que me sinto mais eu, quando eu não consigo me entender, por que nos últimos dias, todas as vezes que estava “consciente” era como se eu estivesse afogado em mim mesmo e algo me manipulasse, como se fosse um boneco de cordas.
Ouvi algumas batidas tímidas na porta, tão tímidas quanto a pessoa que adentrava lentamente pelo quarto escuro.
- Bill, já está melhor? – Perguntou Gustav, retirando o pano úmido que estava em minha testa.
- Por que o Tom me amarrou aqui mesmo? – Indaguei-o, ignorando sua pergunta.
- Você e a Mey, por que fez aquilo? Ela teve que tomar mais dois pontos, está com ciúme do seu irmão, por que se for isso, saiba que é um motivo idiota. – Disse Gustav, soltando as amarras que seguravam meus pulsos.
- Não, eu não sei o que fiz, pode me dizer? Por favor Gustav, tem que acreditar em mim. Não era eu! – Gustav suspirou, enquanto checava as horas em seu relógio.
- Eu acredito em você, sei que não fez aquilo, pelo menos não consciente.
Consciente? … Era isso então? Eu estava mesmo sendo manipulado? Era tudo parte de um pequeno teatro de marionetes?
- Bill, quero que fale com Josefine, peça à ela que te ensine a ser um mediador. Não creio no que vou dizer, mas está tudo virado de cabeça para baixo. Quem sabe assim você consegue controlar essa coisa que tenta te manipular. – Disse Gustav, virando as costas e rumando até a porta.
Eu já havia falado tantas vezes com aquela mulher, discutimos até altas horas da noite e ela apenas me ignorava, sua única resposta era um olhar frio e desdenhoso.
***
Manson caminhava descontroladamente de um lado para o outro, Trix o observava com tédio, há dias que Josefine não dava notícias sobre o “caso Madeleyne” , já estava em todos os jornais e revistas.Depois de quase duas semanas começou-se a perceber a falta da garota, mas isso pouco importava, o que incomodava os dois irmãos era o fato de Josefine ter sumido desde então.
- Eu disse, essa velha acha que pode nos enganar, Trix! – Resmungou Manson, batendo contra o vidro da mesinha de centro.
- Se acalme Manson, não é motivo para destruir o apartamento da Jose! – Manson jogou um olhar frio contra a irmã, bufou com força e logo desapareceu.
- Tão típico seu, sempre que se aborrece, faz “puff” no ar e some! Patético. – Disse Trix para as paredes.
“- Eu sei que Jose não iria nos trair, eu sei... Ela prometeu... Pelo Adryen...” – Pensou Trix, abrindo um pequeno pingente em formato de coração, admirando a foto de um lindo rapaz de olhos verdes, pele branca e cabelo negro.
“- Eu vou te ajudar, irmãozinho, eu prometi que faria isso”
***
Josefine terminava de arrumar todos os seus objetos espirituais, quando uma doce melodia preencheu o apartamento, conhecia-a muito bem. Quem no mundo não conhecia a adaptação de “Kiss the rain”, tocada por Madeleyne?
Correu até o piano, mas para seu descontentamento, encontrou apenas Bill, tocando solitário o instrumento frio.
O rapaz parou de tocar, lentamente virou-se para Josefine, sorriu por alguns instantes e logo desmaiou.
“- Helen, sua ordinária!” – Pensou Josefine, arrastando Bill pela sala.
***
- Tom, eu já disse que posso ir sozinha. – Disse Mey, abrindo a porta do apartamento que dividia com Madeleyne.
- Eu insisto, posso te ajudar a procurar os objetos. – Tom não havia desgrudado de Mey nem que fosse por um segundo, desde os “surtos” de Bill.
Se sentia dividido, precisava ajudar o irmão, mas sempre que tentava, este o atacava com milhares de ofensas e olhares frios, como ajudar alguém que não quer ser ajudado?
“- E se o Bill estiver ficando louco? Se ele não consegue engolir toda essa coisa de espíritos? Nem eu mesmo acredito nisso, nem sei por que estou ajudando Josefine... Mas tem a Mey também, ela poderia ficar no apartamento, assim não teria que me preocupar tanto com ela e poderia ajudar o Bill, céus! O que houve com ele?!...”
- Tom! Acorda garoto, me dá a chave. – Disse Mey, puxando a camiseta de Tom.
- Ah, claro! Eu estava pensando numa coisa. – Disse Tom, retirando o molho de chaves do bolso.
- No que? – Disse Mey, procurando pela chave do apartamento, em meio à tantas chaves.
- Eu não sei bem como funcionam as coisas por aqui, mas a Trix disse algo outro dia. – Disse Tom, com uma voz tão baixa que por pouco Mey não o escutou.
- O que ela disse? – Perguntou Mey, revirando os olhos ao ouvir o nome da criatura.
- Essa escola onde você estuda, quando termina? – Perguntou Tom, procurando pelo interruptor de luz.
“- Calma Mey, calma... Não precisa se preocupar, logo eles vão embora e você não precisa se preocupar, não precisa!" – Pensou Mey, fingindo estar procurando alguma coisa.
- Essa escola é um pouco diferente das outras, ela tem um curso preparatório, para a faculdade, sabe... – Disse Mey, rumando até o quarto de Madeleyne.
- Ah, tinha uma escola assim em Leipzig, minha mãe queria que eu e Bill tivéssemos estudado lá. – Tom foi até o quarto de Mey, que estava identificado por uma plaquinha na porta.
O quarto de Mey era realmente a cara dela, todas as paredes estavam cobertas por posters e mais posters do Tokio Hotel.
Haviam grandes cortinas vermelhas e brancas nas duas janelas, e haviam pelo menos três prateleiras repletas de livros, de diversos gêneros, principalmente sobre vampiros.
Notou que havia um livro sobre a cama, pegou-o e percebeu que alguma coisa caiu deste, indo parar em baixo da cama. Ajoelhou-se para pegá-lo e percebeu que era a carteira de identidade de Mey.
Observou-a por um tempo, leu os nomes dos pais de Mey, até perceber uma coisa errada na carteira...
Tom rumou até a porta da frente, sentou-se no corredor enquanto esperava por Mey.
Algum tempo depois ela apareceu, trazendo alguns objetos de Madeleyne, que haviam sido pedidos por Josefine.
- Tom, está tudo bem? – Perguntou Mey, trancando o apartamento.
- Quando é seu aniversário? – Perguntou Tom, levantando-se do chão e segurando a caixa com os objetos.
- Daqui a três meses eu faço vinte, por que? – Indagou Mey, entregando a chave para Tom.
- Eu pensei que depois dos dezesseis viesse o dezessete, não o vinte. – Disse Tom, com um ar frio e indiferente.
- Se quer mentir sua idade, trate de esconder sua carteira de identidade, Meyko. – Tom entregou a carteira de identidade para Mey, que surpreendeu-se. Afinal, ela não esperava que Tom descobrisse, pelo menos não tão cedo.
- Tom?! – Mey falou, mas sua voz saiu falha, trêmula. Por pouco não saiu palavra alguma.
- O que deu na sua cabeça? Achou que eu era idiota o suficiente pra não descobrir, e você prometeu, prometeu! E ainda assim, mentiu pra mim. É isso que eu ganho por tentar ser gentil e carinhoso demais com uma garota, foi a mesma coisa com a Karen. – Tom exclamava e gesticulava com raiva, frustração. Sentia como se estivesse segurando aquele prédio inteiro nas costas, na verdade, os dois sentiam um enorme peso sobre seus ombros.
- Para Tom! Eu não sou a Karen, sei que eu errei, mas é bem diferente, ela levou o seu dinheiro, eu menti por que gosto de você! – Mey exclamou, derramando algumas lágrimas desesperadas, tentava se aproximar de Tom, mas este recuava com ódio.
- Mas você é uma criança, Meyko! Uma criança! O que deu na sua cabeça? – Tom cerrou o punho, parecia querer socar aquelas paredes, mas não o faria, a discussão já chamava a atenção de algumas senhoras que caminhavam ao fundo do corredor.
- Eu não sou criança, já sei cuidar de mim, sou tão responsável quanto você! – Mey exclamou, apontando o indicador para Tom.
- Então tá, já que é tão responsável, então se cuide sozinha, não espere que eu vá te consolar de novo.
- Afinal, qual é o problema? Logo você vai embora do Japão e pouco vai importar a idade das garotas que você pegou por aqui. – Disse Mey, apontando para o nada, como se ali, no nada, houvessem milhares de garotas.
- Deixa eu explicar de novo, crianças custam a entender as coisas... Você só tem dezesseis anos, eu tenho vinte e três, sou um homem adulto, você é praticamente uma criança...
- Tudo bem. – Disse Mey, abaixando o rosto.
- Isso significa que... o que disse? – Tom perguntou, virando-se repentinamente para Meyko.
- Que está tudo bem, é tudo por que acha que não tenho maturidade, então tá... Só não esquece, foram mulheres da sua idade que te traíram e levaram o teu dinheiro. – Meyko virou as costas, rumando até o elevador.
TOM’s POV
Eu não conseguia mais enxergar aquela garota de rosto inocente, essa nem é a melhor hora para ficar aqui pensando nessas idiotices filosóficas, deve ser muita convivência com os dramas de Bill.
Os números iluminados do elevador iam decrescendo, enquanto que, o silêncio incômodo apenas aumentava. Eu não queria estar naquela situação, sabe quando você quer abraçar alguém, se aproximar dessa pessoa e simplesmente poder tocá-la? E daí você lembra que por algum motivo, tem que colocar uma máscara de indiferença e frieza, fingindo não se importar com ela, mas no fundo dói por que o que realmente se quer, é achar um jeito de praticamente colocar aquela pessoa dentro de você, pra que nada faça ela deixar de sorrir? Eu e essas besteiras filosóficas de novo, tenho que me lembrar de ajudar o Bill com os seus problemas, pra voltar a ser como antes, talvez seja assim mesmo, não é?
Essa imagem que a mídia criou sobre mim, já me acostumei tanto à ela que talvez eu seja assim realmente, talvez não... Eu sou assim.Tom Kaulitz, o sexgott. Da última vez que tentei ser diferente, fui usado, traído, recebi de volta as coisas que fiz com outras garotas, mas não importa. Aconteceu apenas por que me deixei de lado... Bill também nunca será feliz se colocar uma garota a frente do seu bem estar, não é preciso colocar ninguém à sua frente quando se está apaixonado, ninguém!
Foi até bom ter descoberto a idade de Mey, teria poblemas se a levasse para a cama. O que deu na minha cabeça pra achar que eu estava fascinado por ela? Só a achava especial por que ainda não havia dormido com ela, só pode ter sido isso! Sempre nos encantamos por aquilo que não temos, por isso o Bill está surtando desse jeito.
Se eu já tivesse deixado a Mey deitada por baixo de mim, talvez eu estivesse com outra garota, com certeza! Preciso de regras. É disso que preciso.
Nada de sexo sem verificar a carteira de identidade das garotas. Romantismo e carinho? Apenas um buquê de rosas ou uma taça de vinho com morangos. Consolo? Eu compro um cachorro para a garota, compro quantos ela quiser, mas que não espere que eu acorde no meio da noite pra ver o por que de ela estar chorando...
Mas antes, tenho que encontrar uma garota. Isso! Chega de Mey pra mim, chega de mentiras.
Fale com o autor