Willian não poderia estar mais satisfeito. Orgulhoso de si próprio. Era como se tivesse conquistado o maior prêmio de sua vida. Emily. Dês de que a vira, o desejo tomou conta dele. Ele tinha a vontade de possuí-la. Que ela fosse sua. E agora, isso simplesmente se realizou!

Eu sabia! Eu sabia que algum dia ela cederia! Isso está definitivamente começando a ficar interessante. Pois, eu sempre ganho afinal...

Willian finalmente estava a sós com Emily. A garota parecia confusa, não sabia como tinha chegado ali. Eles estavam em um casarão antigo e abandonado. O espaço era grande. Havia uma divisão de quartos e salas, os móveis eram: camas imundas e quebradas, guarda-roupas também quebrados, e as janelas foram tapadas com tábuas e cortinas rasgadas e sujas – o que para Willian era perfeito, pois assim a luz do Sol não o incomodaria. Aquilo foi o melhor que ele achou. Era um ótimo “esconderijo” para eles.

– Onde nós estamos?

– Essa é temporariamente a nossa casa. É bem simples, mas é o melhor que temos por enquanto. Em breve, podemos comprar uma mansão bem longe daqui, para a eternidade que passaremos juntos. Mas por enquanto, moraremos aqui. – disse ele com um sorriso nos lábios.

Willian percebeu que Emily sentia raiva. Agora ela estava compreendendo a situação. Ele havia raptado-a do hospital e trazido-a para aquele lugar horroroso. Porém, ela após um tempo percebeu que nada que pudesse fazer adiantaria. Ele era mais forte que ela, mais rápido. Não havia ninguém ali que pudesse ajudá-la. Estavam longe de tudo. Willian escolheu aquele local de propósito. Ele queria os dois a sós.

– E onde fica isso?

– Há muitos quilômetros de Old Town. Não se preocupe. Você nunca chegaria antes de mim. Posso ver que você está pensando em fugir. Mas você não vai. E nem iria querer desonrar sua promessa não é mesmo? Assim como eu cumpri a minha parte, você também cumprirá a sua. E o fará até que a morte nos separe. Ou você poderia repensar na minha proposta e se tornar igual a mim.

Ele não estava usando o controle mental. Apenas uma chantagem emocional.

Emily ficou calada. Ela estava impotente perante a situação. Willian sabia que ela dentro de sua mente pensava “jamais farei isso”, mas de nada custava oferecer. Lágrimas caíram dos olhos dela. Ele se aproximou e limpou-as com seus dedos gelados.

– Não chore querida. Em pouco tempo você se acostumará e até vai se divertir comigo. Você vai mudar sua visão de mim algum dia.

Emily baixou a cabeça quando percebeu que sua única opção era aceitar aquilo.

– Mas... E o meu pai? E Sophia? Eles irão sentir minha falta!

– Eu posso dar um jeito neles...

Emily passou para uma expressão de pavor. Ela não gostou da ideia de ser apagada da memória deles.

– É assim que tem que ser querida. Nem tudo na vida sai como nós planejamos ou queremos. Acho que você já é grandinha o suficiente para saber disso. Vidas perfeitas só existem em contos de fadas. Mas você pode sim ser feliz para sempre. Nós podemos isso! – exclamou ele, fazendo carinho delicadamente em seu rosto.

Emily voltou a chorar. Willian aproximou seu rosto mais ainda do dela. Ela virou o rosto, recusando seu beijo.

– Não pense nisso, Emily. Você prometeu. Seus lábios são meus!

Ela tentou virar o rosto. Willian segurou-o com força. E aproximou seus lábios dos dela. Emily fechou os olhos para não ver aquilo, não por que estava gostando. Willian olhava diretamente a ela.

– Relaxe, minha querida. É sua melhor opção... – ele dizia. Não havia outra saída. Mas estava claro que ela não cederia tão facilmente.

– Você tem duas opções – disse Willian esticando o braço mostrando o quarto horripilante e vazio. Havia uma cama quebrada, nenhuma janela, as paredes com a tinta descascando, uma lâmpada quebrada e só. Era praticamente uma prisão. – Ou dorme aqui, nesse quarto escuro, ou... Dorme no meu quarto, na minha cama. Se quiser eu te mostro, é bem melhor.

– Não. Não precisa Willian Hurt. Estou bem, muito obrigada. – disse ela tentando reunir o máximo de confiança possível.

Willian sorriu gentilmente. Ele sabia que ela não aguentaria muito tempo naquele lugar. Uma hora ou outra, ela imploraria para dormir com ele.

Ele esperou ela se deitar na cama. Só então, ele fechou a porta dizendo em um tom mal-intencionado:

– Boa noite e tenha bons sonhos!

Willian ficou na porta espreitando. Ele ali podia pelo menos ter um contato com a mente de Emily e consequentemente, evitar uma fuga ou vigiá-la. Ele ficaria lá até ela dormir. Viu-a encolher-se na cama através dos olhos dela própria. Ele podia ver o que ela via e sentir o que sentia. Quase uma incorporação, porém pela mente.

Emily encolheu-se na cama. Ela fechou os olhos apertando-os fortemente. Estava óbvio que queria abri-los e não estar mais ali, estar em sua cama horrível, não nessa pior ainda. Por pior que fosse sua moradia em Old Town, aquilo ali não tinha comparação. Era quase um barraco abandonado. Ela queria chegar a sua casa e abraçar seu pai, dar-lhe um beijo de boa-noite e então finalmente dormir tranquilamente. Começou a chorar baixinho. Se ali tivesse um travesseiro, ela sem dúvida estaria com a cabeça enterrada nele. Como uma avestruz que se esconde do perigo enterrando sua cabeça. Aquilo era sem dúvida uma situação de perigo, não eminente. Mas Emily tinha medo do que poderia acontecer com ela, caso não fizesse a vontade dele. Ela precisava sair dali rapidamente. Fugir? Impossível! Mas então como faria? Ela não sabia...

“Impossível”. Willian ficou satisfeito ao ver que ela estava muito ciente do que lhe aconteceria. E aquele medo dela seria necessário. Com isso, ele podia dormir em paz, sabendo que ela sabia que não teria chances. Ele subiu para seu quarto para ter seu merecido descanso.

Emily demorou muito para cair no sono. Ela estava preocupada demais para relaxar. Remexia-se na cama com cuidado para não quebrá-la. Preocupada pensando em como escapar. Até que... Uma voz surgiu em sua mente. Na realidade, uma lembrança. “Eu posso te ajudar se precisar. Você só precisa me chamar, ou então pensar em meu nome. Lembre-se disso quando estiver em apuros”. E ela estava realmente em apuros.

Lyla. Por favor, estou precisando da sua ajuda neste momento. O Willian me sequestrou e eu mal sei onde estou! Por favor, me socorra!

Após falar isso mentalmente, ela caiu em um sono profundo.

Emily estava com Willian. Os dois estavam sob a luz forte do luar a beira de um precipício de rochas. A baixo a eles estava um mar escuro, pela noite e muitas pedras. Era um lugar belíssimo. Ela virou-se para o Willian. Ele sorria encantadoramente. Mas estava diferente. Parecia mais jovem, sua pele não estava pálida, seu cabelo estava diferente – um pouco mais curto e pendendo para o lado, mas espetado, e não liso – e seus dedos, ao tocarem os dela, não eram frios. Eles entrelaçaram-se uns nos outros. Ele realmente parecia mais... humano.

– Onde nós estamos?

– Em um lugar longe do mundo – ele respondeu com sua voz jovial.

Emily riu.

– Você está diferente, amor.

– Não estou. Seus olhos é que estão.

Emily não entendeu o que aquilo queria dizer. Mas deu de ombros.

– Que lugar lindo. Perfeito!

– Ah, então você escolheu bem, pois combina com você.

Emily riu novamente. Era tão estranho aquilo tudo. Willian assim, aquela paisagem, aquele momento. Os dois estavam inteiramente felizes. Nada de sofrimento ou negação. Eles admitiam que se amam. Era perfeito demais até. Então tudo sumiu. Primeiro o que mudou foi a voz dele. Deixou de ser aquela voz doce e delicada e passou para a normal: grave, imponente e irônica. Ele soltou sua risadinha casual.

– Ah, então é assim que você imagina o nosso futuro? Aceite, Emi. Eu nunca serei assim! Essa é apenas sua visão boba. Agora deixe eu escolher...

Da feita que ele disse isso, o cenário mudou. Transformou-se em um labirinto formado por paredes de rochas. Emily estava lá. Correndo, junto com Willian. Eles corriam atrás de algo. Ou melhor: de alguém. Emily viu-se. Ela estava incrivelmente linda. Porém havia algo de sobrenatural e estranho em sua beleza. Até que percebeu que não era mais humana. Sua pele pálida, olhos vermelhos sedentos por sangue, caninos grandes e afiados, garras no lugar de unhas e um sorriso cruel e psicopata como o de Willian.

– Está esperando o quê? Corra atrás dele! Vai! – assim que ele disse, ela correu. Mas não em sua velocidade normal, em uma quase supersônica. Empurrou a vítima com toda a força – o que era muita. E ele voou para longe como um boneco. Bateu em uma parede e desmaiou na hora. Emily correu até o corpo desacordado e agachou-se. Ela puxou o pulso do garoto e mordeu-o com seus caninos, que excitados ficam ainda maiores. Ela bebe o sangue. E o pior: tem um sabor delicioso! Doce, amargo. Indescritível. Um que ela nunca provara antes.

– Está gostando querida? Eu não falei que você adoraria?

Emily não responde. Ela apenas bebe descontroladamente aquele líquido maravilhosamente perfeito. Mas aí algo acontece. Aos poucos tudo vai se transformando. Willian vai desaparecendo devagarzinho. O corpo e o sangue também. Lyla aparece no sonho.

– Emily, vamos tente acordar! Eu sei que a influência dele é forte, mas seja forte também! Vamos! – fala desesperada alertando Emily.

Ela faz um esforço, mas não consegue sair daquele local. Lyla está a sua frente, porém em uma cor fraca e mal-definida, parecendo que está longe. Vai desaparecendo aos poucos. Até que completamente e Willian aparece ali.

– O que está acontecendo? Têm algum Poder disputando contra o meu! – falou furioso.

Emily fica confusa sem entender nada. Ele desaparece novamente.

– Vai Emily! Acorda! – fala uma voz em sua mente. – É para o seu bem! Você me chamou e agora estou tentando lhe salvar! – ela gritava.

Emily faz um enorme esforço para acordar. Mas a Força de Willian é grande. E ela tem a sensação de estar sendo puxada para dentro daquele pesadelo. Então finalmente consegue abrir os olhos devagar. Lyla está a sua frente. Movendo ela de um lado ao outro na cama, tentando despertá-la. Então ela se levanta rapidamente e olha ao redor.

– O que está acontecendo Lyla?

– Eu vim te ajudar. Willian estava influenciando seus sonhos. Eu precisei acordá-la. E também, por que você precisa sair daqui imediatamente, antes que ele perceba! Vai, corre! Chame um taxi, qualquer coisa. Você precisa fugir. Agora! – ela grita.

Mas já é tarde. Elas escutam passos no andar de cima. Willian acordou também. E está indo para o quarto de Emily. Lyla se cala, mas faz sinal para ela fugir. Porém assim que abre a porta, vê Willian descendo as escadas. E olhando furiosamente para elas. Ele se prepara para atacar quando Lyla o ataca antes. Ela o derruba no chão.

Corre! – Lyla grita uma última vez...

E esse é a última palavra que ela ouve da boca de Lyla.