Kiss Of Blood
17 Infiltração
Steven acordou cedo. Tanto por que estava com dificuldades para dormir, esperando ansiosamente pelo dia da invasão, quanto por que tinha de fazer uma coisa. Ele vestiu-se cautelosamente para não acordar seus colegas. Subiu a longa escadaria. Chegou a Catedral. Destrancou as portas, e saiu caminhando.
Ele foi até um canil. Onde costumava deixar seu cão, Spock. Pois, na Catedral era proibida a entrada de animais. Spock era da raça Pastor Alemão. Bem grande, um adulto. A pelagem castanha, o focinho preto, orelhas grandes e pontudas, cauda comprida. Ao ver Steven, ele abanou-a de felicidade. Ele o pegou no colo e o abraçou. Spock lambeu seu rosto, e Steven riu. Eles dois, eram bons amigos. Um amava e fazia companhia ao outro.
Steven passeou com ele em uma praça. Esperando chegar a hora da viagem. Ele e seus colegas haviam recebido o bilhete para Old Town. Ao meio dia, eles partiriam de trem. Ele passou algum tempo apenas jogando um fresbee para Spock correr até ele, pular no ar, o pegar, logo ele o trazia de volta e o soltava da boca – todo babado – nas mãos de Steven.
Quando chegou a hora, Steven prendeu seu cão na coleira e eles foram até a Estação Ferroviária. Seu amigo, John trouxe a sua mala. O trem apitou tres vezes antes de partir. Logo, ele começou a andar. Era uma locomotiva a vapor. Steven sentou em seu banco, junto de outros tres colegas. Peter, John e Sarah. Spock foi dentro de uma jaula para cães, que ficava no mesmo local que as malas. A viagem foi longa e cansativa. Mas na companhia de seus colegas, Steven conseguiu se distrair.
Filnalmente, depois de horas, eles haviam chegado. Faltava pouco tempo para o entardecer. Steven desceu do trem carregando sua mala e a jaula onde estava Spock. No instante em que pisou na plataforma, sentiu um calafrio. Acompanhado de uma sensação ruim. Sensação de perigo, o mesmo que tem quando está próximo de um inimigo. Spock começou a se agitar, abanar o rabo e latir. Steven pronunciou algumas palavras para acalmá-lo, mas de pouco adiantou. Os seus companheiros também desceram do trem, junto com algumas poucas pessoas. Tirando os recém-chegados, não havia mais ninguém naquela estação.
– Eu estou com um mau pressentimento sobre este lugar – Steven sussurrou para John.
– Você não é o único, Steve – ele concordou.
A cidade tinha um cheiro ruim. De mofo, podridão, a coisas velhas e a cadáveres. Steven conseguia captar perfeitamente. Não gostou desse lugar, de jeito nenhum. E ao que parecia, Spock muito menos. Ele e seus colegas iam morar em casas alugadas. A Ordem dos Missionários houvera providenciado todos os detalhes. Menos a beleza. Pelo menos, a casa de Steven era um casarão velho e muito sujo. Mas havia um quintal, pelo menos. Onde Spock ia ficar.
Steven passou a noite arrumando e limpando sua casa. Cortando a grama e construindo uma pequena casa para seu cão de madeira. Passaram-se horas e a noite chegou. Aquele era um dia de descanso. Mas no seguinte, eles entrariam em ação. Iriam se infiltrar entre os humanos e vampiros daquela cidade. Então, Steven foi dormir cedo.
Steven acordou. O sol ainda estava saindo, lentamente. Ele pegou o bilhete em sua mala. Passou os dedos por ele, apalpando-o. Leu o que estava escrito. Aquele era o nome do local onde ia infiltrar-se. Ele vestiu uma roupa normal de um adolescente. Colocou óculos escuros. Pôs a ração e água em um pote, para Spock beber e comer, enquanto seu dono estivesse fora. Logo, Steven saiu de casa.
Old Town High School
Estava escrito em letras grandes na entrada. Havia um pátio, e uma escada que dava para o prédio principal. O prédio era todo formado de tijolos laranja. Steven subiu as escadas segurando no corrimão. Ouviu a voz de alguns adolescentes, e pode perceber que alguns falavam dele. Comentários do tipo: “você conhece esse cara?”, “que pessoa estranha”, “nunca vi ele por aqui antes e você?”, e por aí vai. O que na opinião dele, foi meio grosseiro. Mas ele ignorou-os. Foi até uma porta escrita “Secretaria”.
– Bom dia. O que dejesa? – perguntou uma voz. Era da secretária do colégio.
A voz. O jeito de falar, o cheiro. Não, ela não era humana. Steven sabia reconhecer muito bem. Mas ele tinha uma missão muito maior a cumprir, não poderia se importar com apenas uma.
– Bom dia. Eu gostaria de me matricular nesta escola – respondeu controlando a voz.
– Ah, que bom! Um aluno novo! – ela disse entusiasmada. Mas Steven traduziu aquelas palavras em “Ah, que bom! Carne fresca!”. – Qual seu nome?
Ele pensou por um tempo. Estava tentando recordar o nome escrito no papel de sua mala.
– Steven... Steven Haunt – mentiu.
Na verdade seu nome era Steven Hunter. Mas caso dissesse a verdade, as coisas ficariam muito complicadas para ele.
A secretária escreveu o nome dele em um papel. Depois entregou para ele assinar. Ele assinou e devolveu a ela. Ela pediu os documentos dele. Ele entregou os documentos falsos que a Ordem havia providenciado. Em alguns minutos ele já estava matriculado.
– Pronto senhorio. Muito obrigada por escolher nossa escola. A aula está prestes a começar. Vá para sua sala imediatamente. Boa aula! – falou ela com um sorriso no rosto. Ele sorriu de volta e saiu da secretaria.
Steven entrou na sala. A aula já havia começado. Ele escutou o professor falando. Assim que abriu a porta, o professor se interrompe.
– Olá! Seja bem-vindo. Classe, este é nosso aluno novo – Steven acenou para a classe. – Diga-nos seu nome.
– Eu sou Steven... – ele pensou um pouco. – Steven Haunt.
A turma o comprimentou com um “seja bem-vindo”. Pela voz deles, ele pode perceber que aquela simpatia não era sincera. Assim como a do professor.
As aulas se passaram. Steven já havia completado sua formação na escola. E passar por aquilo novamente era... Entediante. Mas ele teve que lembrar a si mesmo do motivo pelo qual estava ali.
Chegou o momento do intervalo. Steven foi à lanchonete. Pegou a comida e bebida disponível no grande refeitório. Ele estava indo sentar em alguma mesa vazia, quando aconteceu um pequeno incidente. Ele esbarra com uma pessoa. A bandeja contra com o centro do corpo dela. Steven percebe que é uma garota, pelo grito de susto assim que o chocolate gelado atinge sua blusa, e escorre por toda a roupa. A bandeja cai e espalha a comida.
– Oh meu Deus, me desculpe! – eles falaram em unissono.
Steven sorri. A voz dela é encantadora. Doce, delicada e meiga.
– Não, por favor. Desculpe a mim. Eu que não a vi – falou Steven.
– Tudo bem... – Ela diz e ajuda-o a pegar os talheres e os pratos que não quebraram.
– Emily! – grita uma voz masculina e irritada – O que você está fazendo? Deixa isso aí! Ele que jogou em você!
O homem se aproxima e puxa a garota, que Steven imagina se chamar Emily.
– Não, Willian! Para! Eu estou ajudando ele! – ela protesta, mas está sendo levada.
Steven agarra o braço do homem, com força. Ele sente. A pele gelada.
– Largue ela – ele diz calmamente.
O homem a solta. Ele se aproxima de Steven.
– Quem você pensa que é, novato?! – Willian cospe as palavras com ira. – Ela é minha, entendeu?
– Você estava a machucando – ele responde tranquilamente.
– E eu machuco quanto quiser! – grita. – E se você a proteger, ou se ao menos... Tocar nela. Vai se ver comigo! – ele ameaça.
Steven. Você está perdendo a cabeça. Lembre-se do seu objetivo. Não chame a atenção. Ele falou para si mesmo mentalmente.
– Me desculpe. Eu não quero causar problemas.
Willian soltou um som, parecido com um rosnado. Depois se retirou levando Emily.
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