Kiss Of Blood

5 Capítulo 5 - Encontro


Emily depois daquele dia ficou traumatizada. Pediu a seu pai que a buscasse todos os dias. Mal queria ir de ônibus. Porém Benison era um homem muito ocupado, sempre trabalhando. E ela ainda não contara nada a ele sobre o que lhe aconteceu. Então, às vezes ela tinha que ir a pé. Principalmente quando se atrasava do ônibus que era muito pontual. E, além disso, o ônibus escolar só fazia uma viagem, nunca voltava mais tarde à escola para buscar alunos atrasados. E esse foi um desses dias.

Estava com o mesmo medo, o mesmo pressentimento daquele dia, em que foi perseguida. Uma sensação de que estava sendo vigiada. Dessa vez, Emily sabia que poderia não ser falsa. Porém não tinha muito que fazer a não ser andar de pressa. Estava quase correndo.

– Ei menina! – gritou uma voz masculina distante. – Para onde vai com tanta pressa?

Emily não quis responder, imaginando que era algum “palhaço” brincando com sua cara. Ela olhou para os lados discretamente, entretanto não viu ninguém. Ela ouviu passos.

– Eu falei com você. Não vai me responder? – Ela se virou e o viu. Era um homem careca, barbudo e gordo, que estava andando atrás dela. Emily virou seu rosto para frente.

“Não fale com estranhos”, repetiu em sua mente.

– É gatinha. Vá com calma – disse outra voz, áspera. Masculina também. O homem estava ao lado do careca. Ambos a seguiam.

Emily estava de cabeça baixa, tentando ignorá-los. Ao levantar, viu um deles na sua frente. Ele usava óculos escuros. Tinha um nariz grande e fino.

– Eu mandei você parar – disse encarando ela. Emily tentou correr na direção contrária, mas o careca pegou-a. Ele sorriu exibindo seus dentes sujos. Tinha um hálito horroroso de carne pobre e sangue. Os caninos eram afiados e maiores que o normal. Ela gritou.

– Me solte! O que vocês querem?

– Você sabe! – disse o de nariz cumprido e deu uma gargalhada aguda.

– Espere. Antes de matá-la, quero aproveitar desse corpo inocente dela. – disse o careca gordo.

– Fique à vontade.

Matá-la”, aquela palavra a desesperou.

Não! Por favor, me solte! – ela se debatia nos braços dele.

– Garota boba. Parece que não sabe como as coisas funcionam aqui... – disse o de óculos. – Nós mandamos, e vocês fazem o que nós quisermos, entendeu?

– Do que você está falando? –perguntou confusa. – Eu só quero ir pra casa! – disse Emily choramingando.

O careca estava carregando-a para um beco. Ele começou a desabotoar suas calças. Emily estava quase para vomitar, tanto de nervosismo quanto de nojo. Ela gritava freneticamente, mas ninguém parecia ouvi-la. Aquele homem era muito forte, e estava machucando seu braço. Ele abaixou a calça. Estava tirando a roupa íntima, e então...

Um grito. A voz áspera do outro homem. O barbudo levantou suas calças imediatamente. Uma névoa os cercavam. A mesma daquele dia, lembrou-se Emily. A espressão de medo do homem, mudou. Ele escancarou a boca exibindo seus enormes caninos, feroz. E soltou um som gutural, animal.

Emily sentiu a aura do ambiente mudar. Ficando mais sombrio e mais frio. Algo se aproximava. Só podia ser o que se aproximou dela há uns dias.

– Saia daqui! Eu já estou com ela! É minha! – gritava ele para o vazio. Silêncio total.

Emily vê um rápido vulto e depois o homem desaparece. Ela sai do beco e olha em volta. A alguns metros vê o corpo dele caído no chão. Ela olha melhor... Vê a cabeça separada de seu corpo. Uma imensa poça de sangue embaixo. Emily fica entra em pânico. Deu um grito e saiu correndo e sem parar. Estava sentindo aquilo. Continuava sendo perseguida. Olhou para trás e viu o vulto negro sob a névoa cinza-escuro. Aquilo ainda a acompanhava. Ela esbarrou em um latão de lixo. Derrubando tudo dentro e no asfalto frio e exalando seu fedor. Emily começou a tremer. Olhou para cima e viu uma pessoa.

Era um homem. Jovem, com aparência de mais ou menos 20 anos. O mais bonito que Emily já vira na sua vida. Seus olhos escuros como a noite atraiam-na. Sua pele era pálida. Seus lábios com um tom fraco de vermelho, chamativos. Seus cabelos lisos e negros combinavam a cor dos olhos. A parte da frente caía sobre seus olhos, e a parte de trás, chegava até o pescoço. Músculos aparentemente normais. Braços magros, abdômen definido – pelo que ela podia ver através da blusa preta – e pernas magras. Emily estava sem ar, tamanha sua admiração.

– Levante-se, linda senhorita – disse ele estendendo-lhe a mão. Sua voz era suave e educada.

Ela tentou falar, mas as palavras saíram quase em um sussurro ou arquejo. “Obrigada”, ela queria dizer. Mas então um sentimento de perigo eminente toma conta dela. Estava dividida entre medo e paixão. Porém assim que tocou sua mão, ela sentiu. Era aquela mão. Aquela, que ela tocara há alguns dias. A mão do que a perseguira. Igualmente gelada e rígida como a de um defunto. Mas não podia ser ele...

– De onde você veio? – Ela perguntou com a voz falhando e o corpo tremendo.

Ele riu. Uma risada maligna e cruél.

– Eu estive seguindo você há um tempo. Ainda não percebeu querida?

Emily arregalou os olhos, surpresa. O garoto segurou seus braços com força, prendendo-a com uma força descomunal, que ela nem conseguia se mover.

– Mas dessa vez, você não fugirá.

Seus olhos ficaram arregalados e vermelho-brilhantes e ferozes; os dentes caninos ficaram maiores. Ele mordeu o pescoço dela. Perfurou a pele. Chegou aos vasos sanguíneos. Começou a sugar seu sangue. Ele ficou um tempo bebendo. Emily sentiu uma leve dor quando ele a mordeu, seguida de um prazer enquanto ele drenava seu sangue. Mas o que ele era? Um canibal? Seu corpo começou a enfraquecer, sua visão escurecia, as pernas cediam. Ao perceber isso, ele parou. Tirou a boca ensanguentada do pescoço, dando uma pausa na sucção. Das quatro feridas causadas pelos caninos dele, sangue escorregava.

Ela ainda conseguiu fazer uma última pergunta com sua voz fraca:

– O que você... É?

– Eu sou... Um vampiro – ele pronunciou a última palavra devagar, como se estivesse sentindo prazer ao falar aquilo.

Emily sentiu um calafrio. Ela tentou fugir, mas ele a segurou com mais firmeza.

– Eu te salvei, há poucos minutos e é assim que você me retribui?! – diz com a boca cheia de sangue. – Dê-me um pouco mais do seu sangue. É delicioso!

Emily começava a ver turvo. As imagens iam se misturando virando uma sopa de sombras. Então tudo escureceu, e ela caiu.

Notas finais
Ok, a partir de agora eu só postarei o próximo capítulo se eu tiver pelo menos 3 comentários neste e uma recomendação. Gente vamos lá, nem que seja "a história tá horrível", "a história está ótima", "adorei o capítulo", "odiei o capítulo". Não custa nada!