Kiss Of Blood

2 Capítulo 2 - Fuga


Notas iniciais
Esse capítulo, pessoalmente acho bem mais interessante. Ou seja, quem não gostou do primeiro, aconselho continuar lendo. E pra quem gostou, boa leitura também!

Willian estava na praia. Observando o movimento das ondas, sentindo a brisa marítima e o doce frio da noite. A lua cheia estava linda. Ela fazia um grande reflexo claro na àgua. A única iluminação de toda a praia. Porém ele enxergava com perfeição cada detalhe. Willian estava refletindo sobre sua vida, sua trágica vida. Mas a vida que ele escolheu ter. De repente, ele teve fome. Devia estar com sorte, pois não demorou muito, seus “alimentos” chegou.


Um casal de namorados vagava ao longe naquela mesma praia. Estavam de mãos dadas e se beijavam e abraçavam frequentemente. Ambos descalços, o homem carregava as sandálias da moça e as suas. Não tinham mais do que 20 anos. Willian admirou-se pela moça, que era muito bonita.

– Olhe querida, a lua está tão bonita quanto você. – disse o rapaz. A moça riu.

– Foi por isso que eu me apaixonei por você, lindo. – ela respondeu.

– Te amo.

– Eu também – Eles foram interrompidos por um ruído. Olharam à sua volta. Parecia que não havia ninguém mais.

– Que lindo, um casal apaixonado. – Os dois ouviram sussurrar em suas mentes.

– Quem está aí? – perguntou o rapaz ficando na frente dela, para protegê-la. – Apareça covarde!

– Sou eu – Willian apareceu na frente deles de braços abertos, um sorriso estampado. – Prazer, meu nome é Willian Hurt.

O rapaz que era forte estava tremendo de medo.

– O que você quer conosco? Vai nos roubar? Estamos sem dinheiro!

– Ah! – bufou. – Não se preocupe, eu não quero seu dinheiro. Não preciso dele. E nem quero você!

Willian lentamente se aproximou dos dois. O homem após um tempo percebeu que ele se aproximava dele. Tremia demais.

– Por favor diga o que você quer, moço! Não temos nada a oferecer! Apenas essas sandálias velhas...

– Cale a boca! – gritou irritado. Continuava se aproximando. A medida que chegava mais perto, mais o homem tremia. A mulher também parecia tremer, porém escondia seu rosto na camisa do namorado. Medo. Sangue quente. É disso que Willian gostava. Porém, por mais que quisesse aproveitar aquele momento de prazer, estava com muita fome. Sua barriga doía e seus músculos começavam a pedir por alimento. – Já basta.

Essas foram as últimas palavras que aquele homem ouviu. Willian em um brusco movimento segurou o pescoço do homem e girou-o, quebrando. Houve um estalo e logo, o corpo caiu na areia... Morto. A mulher deu um grito de horror quase instantaneamente.

– É a você quem eu quero senhorita – disse Willian delicadamente. – E eu não vou te machucar, se você não gritar nem correr. Fique quieta, tá bem? Isso vai ser rápido...

Mas ela continuava em pânico. Tentou correr, mas Willian a puxou pela perna rapidamente. A moça caiu e bateu a cabeça em uma pedra na areia. Ele segurou o corpo desmaiado em seus braços e suavemente mordeu seu pescoço, bebendo seu sangue.



Willian acordou esplêndido. Era provavelmente umas seis horas da tarde. Espreguiçou-se e levantou da cama. Saiu do quarto, do hotel onde estava hospedado. Ele desceu as escadas e foi para o restaurante. Willian não tinha opção, a não ser comer frutas e outras comidas humanas de lá. Pegou um jornal em uma das mesas e começou a ler.

Foi achado nesta manhã de domingo, o corpo de dois jovens mortos. Uma das vítimas, uma mulher, de 25 anos, que andava na praia com o namorado, de 28. O casal parece ter sido assassinado, mas até agora a polícia não pôde explicar o que aconteceu. O homem foi encontrado com o pescoço quebrado, a mulher tinha perdido muito sangue, com duas pequenas feridas no pescoço. Se alguém tiver alguma testemunha, ou pista, entrar em contato com a polícia local.”

Willian deu uma alta gargalhada. Fria e cruel. Idiotas, pensou. Nunca irão descobrir. Mas de qualquer forma, ele não podia arriscar. Não por que tivesse medo é claro, mas simplesmente por que era ocupado demais para perder tempos com coisas do tipo, ser preso. Mesmo que eles o descobrissem, nunca o pegariam. Sempre funcionava assim! Ele deu um profundo suspiro, levantou-se e preparou suas coisas para viajar.

O Sol já estava bem fraco. Willian esperava o trem na estação. Ele não fazia idéia para onde ia, mas ali não poderia ficar. Foi à bilheteria e disse:

– Me dê um bilhete para o local mais próximo, por favor.

– Old Town. – disse a senhora entregando-lhe.

Old Town, ele já havia ido para essa cidade. A famosa Old Town pensou. Lá até é bem divertido, eu devo estar com sorte. Uma cidade abandonada pelas leis, onde a raça mais forte predomina. Eu adoro aquele lugar!

Em alguns minutos o trem chegou. Havia poucas pessoas. Subiu e deixou sua mala com roupas ao seu lado no banco. Esse era um dos raros momentos em que ele podia observar a luz do sol, tinha que aproveitar. Há muitos anos atrás, ele adorava o pôr-do-sol. Porém, sua vista agora doía.


Já era noite quando ele chegou. A cidade estava deserta e completamente silenciosa iluminada apenas pela luz da Lua e alguns lampiões distantes. A velha cidade que eu me lembro. Andou pelas ruas, procurando por alguém. Ao longe viu uma pessoa que reconheceu.

Lyla! – chamou pela sua amiga mentalmente.

Willian! – ela respondeu. Virou-se e os dois se abraçaram. Em um rápido movimento, ela girou o braço dele de modo a ponto de quebrá-lo e segurou seu pescoço. – O que você quer?

– Nada, amiga. Espere, eu só quero conversar. Juro, eu dessa vez não quero te machucar. Acalme-se! – Lyla olhou desconfiada, mas soltou-o.

– Ah, bem. Nesse caso, me perdoe. Só estava prevenida para que não acontecesse o da última vez que o vi – disse sorrindo. – Mas afinal, o que te trouxe aqui?

– O tédio. Essa cidade é uma das minhas prediletas. Aqui é o lugar mais emocionante do mundo, é claro que só pra nós. – Eles riram baixinho.

– Aposto que andou aprontando pelo mundo a fora não foi? – Willian sorriu maliciosamente. – Típico. Willian faz besteira, Willian foge.

– Ei! Eu não fugi. Simplesmente me mudei. E não foi por isso, eu realmente estava entediado.

– É claro... De qualquer forma, seja bem vindo à Old Town. O lugar melhor lugar do mundo! O que acha de nos divertimos?

– Boa idéia!

Os dois partiram à procura de alguém solitário pelas ruas. Estava difícil de encontrar a caça. Por fim, encontraram. Era um adolescente. Ele estava fumando um cigarro, pelo visto, escondido dos pais. Willian olhou para Lyla sorrindo. Lyla tinha cabelos loiros e ondulados, sua pele da mesma cor que a dele, pálida. Seus olhos eram azuis escuros. Seus lábios, vermelhos como sangue. Irresistivelmente linda.

Ela fez sinal para que ele ficasse parado. Vamos nos juntar à escuridão, ele disse. Assim o fizeram. O garoto ouviu passos se aproxiamando, porém não sabia de onde vinham.

– Lendas, são apenas lendas. Mitos, mentiras. – o rapaz repetiu para si tentando se acalmar.

– Não, garoto. – Willian falou em voz alta. – São reais.

Will, cale a boca. Você vai estragar tudo!

Lyla, eu quero me divertir. – respondeu mentalmente a ela.

– Seja quem você for se quer me assustar está conseguindo.

– Ah, isso é bom! Eu gosto de sentir medo no seu sangue. Mas não precisa fugir. Nós podemos não te machucar.

– Pare!

Lyla estava começando a se divertir. Era esse espírito do qual ela tanto gostava em Willian. O jeito como ele joga com suas vítimas.

– Conheça a minha amiguinha, Lyla. Meu nome é Willian Hurt.

Lyla sorriu mostrando seus afiados caninos ao garoto. Ele sentindo-se ameaçado tentou fugir. Willian rapidamente segurou seu braço, mas o garoto queimou-o com o cigarro. Ele gritou, mas logo conteve o grito. A queimadura já estava cicatrizando.

– Haha! Você vai precisar de muito mais fogo para me machucar, garoto.

– Então vocês existem mesmo! – estava boquiaberto, tamanho seu espasmo.

– Cale a boca! – Rapidamente Lyla segurou os braços dele imobilizando-o e tapou sua boca. – O que fazemos com ele, Will?

Ele pensou um pouco depois respondeu:

– Deixe-o ir – Lyla ficou surpresa. Mas logo entendeu. E simplesmente disse:

– Isso mesmo, você está livre garoto, vá. Corra pela sua vida.

Se conhecia Willian, já sabia exatamente o que ele faria a seguir. Não precisava que ele falasse por sua mente com ela.

Willian correu atrás do rapaz. Não usava toda sua velocidade, de propósito. O garoto estava muito desesperado, corria como um animal foge de seu caçador. Mas de pouco adiantou depois que Willian o alcançou agarrando-o com suas unhas que se transformaram em garras. As garras fizeram um ferimento em sua costa, que o fez cair no chão sangrando e gritando. Lyla correu até eles.

– Ei, não vai me esperar? – disse.

Mas Willian não havia esperado. Ele já começara a sugar o sangue que escorria pelas costas da vítima. Deliciando, saboreando. Aquele sangue parecia especialmente bom. Bem, o sabor de cada sangue realmente é diferente, pensou Willian. Lyla se juntou a ele, mas fez um furo no pulso do garoto usando seus afiadíssimos caninos brancos. Willian percebeu que era o momento ideal: aproximou seus lábios cheios de sangue aos de Lyla que retribuiu o beijo. Aquele não era um beijo qualquer. Era o tipo de beijo predileto de Willian. Um beijo de sangue.