Kiss Of Blood
9 Capítulo 9 - Amiga
Lyla já olhava para seu amigo com um sorriso maroto. Como quem dizia “eu sei com quem você esteve até essa hora para chegar feliz assim”.
– Lyla, cala a boca!
– Mas eu não falei nada! – ela riu.
– Mas pensou.
– Me conta como foi hoje? Não estou sentindo cheiro de sangue em seus lábios...
– É por que eu decidi ganhar o coração dela honestamente. – Lyla encarou-o boquiaberta.
– Isso... É... Sério?
Willian riu.
– Claro que não, idiota! Eu nunca faria isso. Simplesmente só conversamos hoje. E pelo que parece ela já sabe meios de me afastar. Estou fazendo ela não querer me afastar.
– E pelo visto, está conseguindo não é?
– Claro que estou. Eu sempre consigo. – novamente, riu.
– Quando vai me apresentar ela? – perguntou Lyla depois de um longo silêncio.
– Não sei, por que eu faria isso?
– Educação?! Você me conta suas histórias e eu fico curiosa de conhecê-la!
– Não vejo problema em você conhecer a Emily...
Lyla sorriu.
Willian no dia seguinte foi à escola. Estava claro a todos que ele não queria saber nem um pouco sobre os estudos, é claro. Até por que há séculos já tinha completado sua formação e desde então, nunca mais havia pisado em uma escola.
Mas ele foi, por causa da Emily. Não somente para admirar sua beleza por mais tempo, como para vigiá-la caso fizesse algo que ele não gostaria, e quem sabe, protegê-la dos outros. Funcionários, alunos, professores, eles eram uma grande maioria. O olfato de Willian ficava louco naquela escola. Old Town Highschool. Criatividade não era uma característica marcante daquelas pessoas. Willian riu ao ter esse pensamento. Ele estava no meio da aula sobre o corpo humano.
Lá estava Emily. Na cadeira da frente à dele. Ela mexeu nos cabelos, tirando-os de cima do pescoço. Aquele pescoço lindo, branco era convidativo. Cheio de veias e artérias, que por sua vez, cheias de sangue. Willian lembrou-se do sabor. Adocicado, um leve toque amargo. Ele estava quase, literalmente, babando. A saliva enchia sua boca, mas ele controlou-se para não deixar escapar.
A conversa do dia anterior, fez Willian perceber que ela estava cada vez se entregando mais a ele. E dela parecer aos poucos gostar dele. Pelo menos, ela não o odiava. Mesmo que ele gostasse de quando ela se irritava. Aquilo lhe dava uma enorme satisfação. E também lhe dizia que seu sonho, em breve se tornaria realidade.
Willian puxou Emily pelo braço na saída. Ele sussurrou em seu ouvido segurando seu queixo.
– Emily, tem uma pessoa que quer te conhecer. Ela é minha amiga. Lyla é o nome dela.
– Sim, claro. – Emily pensou um pouco e hesitante perguntou sussurrando: – Vampira?
– Isso – respondeu.
Emily pareceu ficar com um pouco de medo. Ele observou os sintomas do temor, quase sentindo prazer.
– Vamos, ela nos espera no cemitério.
Willian podia perceber que pelas pulsações de Emily, estava apavorada. Ele não iria tranquilizá-la. Aquele medo dela, aquela fraqueza, fragilidade, tudo parecia tão... Sensual.
– Por que o sorriso? – perguntou Emily com a respiração ofegante.
– Nada, eu estou sorrindo? – disse inocentemente. Eles estavam dentro do carro emprestado de Lyla. – Chegamos senhorita medrosa.
O cemitério estava vazio naquele horário, obviamente. O silêncio, o frio, a lua, a escuridão, a neblina, tudo isso encantava Willian. O lugar era simplesmente perfeito na opinião dele. Não foi a toa que Lyla marcou naquele local, ela devia achar o mesmo.
– Boa noite – sussurrou uma voz, que parecia vir de todos os lados. Guiada pelo vento.
Emily se arrepiou. Houve um tempo em silêncio. O que deixou ela mais tensa. Willian não se manifestou. Ele estava se divertindo de vê-la assim.
Uma figura distante apareceu por trás da névoa.
– Então você que é a namorada do Will, não é? – perguntou.
– Não! – respondeu Emily quase automaticamente. Assim que Lyla apareceu, e Emily a pode ver, intimidou-se e respondeu suavemente – Não sou.
Lyla gargalhou.
– Eu não quero me meter na história de ninguém. Mas escute bem, humana, eu vou lhe avisando: se você magoar o meu menino, eu prometo te fazer sofrer, ok? – ameaçou ela sorrindo simpaticamente.
Willian que observava a conversa delas só ria.
– Chega de ciúmes Lyla. Emily, ela só está brincando – disse sorrindo.
– Gente, vamos passear. A noite está maravilhosa e este é um lindo lugar – disse Lyla.
Emily estava com medo demais para falar qualquer coisa, simplesmente ficou calada por todo o caminho.
– Os vampiros são bonitos... – ela elogiou desviando o olhar para a lua cheia brilhante.
Principalmente Lyla esta noite, observou Willian. Ela vestia um longo vestido branco, que arrastava o tecido no solo.
– Sim, nós somos – concordou Lyla, sem nenhuma exibição. Apenas falando um fato. – É uma característica marcante. Algo que ajuda a atrair as pessoas.
– Para depois matá-las, certo? – perguntou Emily. Silêncio. Ela se deu conta de que poderia ter falado besteira. Mas logo, ela responde friamente:
– É claro. Faz parte.
– Vocês não conseguem se alimentar sem matar?
– Sim. Mas não é tão divertido.
Willian viu que Emily estava ficando mais apavorada. Ele teve a curiosidade de escutar o pensamento dela:
“Ah meu Deus. Estou entre dois vampiros sanguinários. Preciso ir para casa! Não sei o que vou ter que mentir para o meu pai agora...”.
– Não precisa, eu posso cuidar dele por você – disse ele com segundas intenções.
– Não! Pode deixar que eu cuido disso, Willian Hurt – respondeu Emily.
– Por favor, ignore o jeito do meu amigo. No fundo ele te ama, algum dia ele vai admitir isso. Você verá. – disse Lyla.
– Essa conversa está me deixando entediado – disse Willian um pouco irritado. – Agora vamos para sua casa. Já está tarde para um humano.
Lyla dirigiu o carro, Willian foi à frente com ela enquanto Emily foi ao banco de trás. Após alguns minutos chegaram à sua casa. Aquele casarão velho e muito mal preservado.
– Chame seu pai – ordenou Willian.
– O que você pretende fazer com ele?
– Confie em nós, chame-o – Lyla dizia em um tom tranquilizador.
Emily obedeceu. Após alguns minutos o pai dela desceu e abriu a porta.
– Olá senhor, Benison. Boa noite – Willian falou educadamente.
– Boa noite. Como sabe meu nome? E quem são vocês? – ele perguntou confuso.
– Nós somos uns amigos da Emily e viemos deixá-la em casa. Meu nome é Willian Hurt, prazer em conhecê-lo.
Benison estava encostado perto da janela e Willian falava por ela.
– O senhor pode se aproximar mais um pouco? – Benison o fez. Willian rapidamente, segurou com força a cabeça dele para não escapar. Ele ficou imobilizado. – Fique parado. Não vai doer nada.
Willian se concentrou, fechou os olhos. Estava com as mãos pousadas sobre as duas têmporas do homem. Depois suavemente retirou sua mão da cabeça dele.
– Pronto. Eu retirei a memória dele temporariamente. Ele não vai se lembrar dessas últimas horas da noite. Mas daqui a pouco vai voltar a normalidade. Então aproveite, faça-o dormir e vá dormir você também. Boa sorte. – ele piscou para Emily e Lyla acenou do banco dela.
Eles partiram com o carro preto noite à dentro.
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