Kiss Of Blood

8 Capítulo 8 - Insistência


Notas iniciais
Aqui está... Acho que ficou um pouco longo. Mas espero que gostem!

Emily estava exausta e com medo. Porém mais confiante. Já estava entendendo melhor o que se passava. Sabia como lidar melhor com a situação. Era segunda-feira. A primeira vez que falou com Willian, uma sexta-feira. Teve suas respostas esclarecidas no sábado. No domingo, falou com ele pela segunda vez, só que mais tranquila. Agora ela estava indo para a escola pelo ônibus de sempre. Ao olhar para aquelas pessoas, sentia dó, ao invés de desprezo ou estranheza, como antes.

Elas não estão com raiva ou nada parecido, apenas medo, umas das outras. Emily repetia em sua mente.

Seguiu repetindo isso. Entrou em sua sala de aula. Teve um choque. Olhou para seus colegas de classe e, entre eles viu Willian Hurt sentado ao lado da cadeira dela.

Emily tentou manter o auto-controle tentando não demonstrar o medo, a frustração e a raiva que sentia. Sentou rígida em sua cadeira e fingiu que ele não estava ali, que aquilo não era real. Tentava esconder sua tremedeira, mas não conseguia parar.

Olá novamente, Emily. – Willian sussurrou mentalmente a ela. Emily continuou com a expressão séria olhando para o professor que já havia começado a dar a aula. Ignorando aquelas palavras.

É um prazer lhe rever também... Bem, saiba que eu ainda espero sua resposta a respeito da proposta que fiz.

Emily não estava aguentando de medo. Seus pensamentos começaram a deixá-la mais nervosa. Então ela controulou-os: ele é um vampiro, é perigoso. E está insistindo em me perseguir. Eu não vou ceder a ele, nunca!

Não pense nisso. Eu posso ser muito pior do que você consegue imaginar. Renda-se, Emily. É sua melhor opção.

Emily cerrou o punho. E ficou mais frustrada ao lembrar-se do que leu.Sobre vampiros terem Poderes Mentais.

Renda-se! Renda-se! Renda-se! – ele sussurrava.

Era quase o som de um martelo batendo freneticamente em um metal. Soava mais alto e mais sedutor. A voz dele, quase estava atravessando a consciência dela, infiltrando-se. E a fazendo obedecer.

– Ah! – Emily soltou um grito longo e alto.

– Emily, o que a senhorita está fazendo? – O professor perguntou-a. Ele provavelmente controlava sua voz, pois seu olhar era de fúria. Não era apenas ele, como a turma inteira a encarava. Ela tapou a boca, morrendo de vergonha.

Ouviu Willian rir baixinho cobrindo a boca.

– É... Nada, professor. Eu estou bem. Preciso ir ao banheiro, se me permite. – o professor basicamente lhe empurrou para fora de sala.

Ela saiu da sala mais aliviada, porém ainda com muita vergonha. Mas isso não é importante. O importante é que tenho de achar uma solução... Preciso livrar-me dele. Pensou. Mas isso era praticamente impossível.

Ela entrou no banheiro feminino. Ficou de frente ao espelho. Tomando a respiração e o autocontrole. O medo a deixava. Estava ficando tranquila. Levantou o rosto e viu seu reflexo no espelho. Sentiu uma respiração atrás dela. Virou-se e levou um susto. Gritou. Willian estava atrás dela.

Emily correu para a uma das divisórias sanitárias e trancou-a. Subiu em cima de um vaso sanitário, que estava com a tampa fechada. Agarrou os braços por volta dos joelhos. O sanitário era imundo. Pichações nas paredes. E um fedor horrível.

– Por favor, me deixe em paz! – gritou, quase em choramingo.

Mas ninguém respondeu. O silêncio era ainda pior que qualquer resposta. Ela ouviu passos lá fora. Depois, simplesmente pararam. Ela tranquilizou-se e desceu seus pés, pronta para sair. Nesse momento, uma mão gelada agarra um dos pés. Unhas grandes e pontudas, que a machucam. Só poderiam ser de Willian. Emily grita, porém a toa. Ninguém pode ouvir-la.

– Saia daí! – ele grita, ainda segurando os pés dela.

– Não! – ela responde.

A mão dele aperta-a com força. Quando ela acha que seus pés vão quebrar, ela muda de ideia.

– Está bem! Eu saio!

Lentamente, a mão dele a soltou. Ela destrancou a porta e a abriu. Um Willian sorridente a esperava.

– Você tomou a atitude certa. Eu poderia quebrar seu pé em um segundo. E aposto que é muito doloroso – ele disse. Sempre com seu tom de sarcasmo.

Abriu os braços, esperando ela se aproximar. Emily engoliu em seco e fechou os olhos, mas foi até ele. Ele a envolveu com um braço, e com o outro, acariciou seu rosto. Revezando entre o dorso, e a palma da mão fria, na testa, nos olhos, nas bochechas até descer para os lábios. Ele aproximava os seus nos dela...

– Pare – ela jogou o rosto para o lado rapidamente. – Por favor. Eu lhe peço... – gemia ela. Mas não conseguia mover-se para fugir. Aquela força dele prendia-a.

– Mas por quê? Eu sei que você está gostando. Seu coração bate acelerado. E não é apenas por medo... – Ele estava deslizando a mão sobre o as costas dela. Acariciando-a.

Emily concentrou-se em sair daquela sedução. Largá-lo. Ela reuniu forças e... Pegou um objeto em seu bolso. Um objeto que trouxe, como forma de prevenção a um ataque como este. Abriu o frasco de água benta enquanto ele estava distraído e espirrou em seu rosto. Willian gritou de dor. O rosto com queimaduras pela água sagrada. Emily aproveitou a oportunidade para correr. Fugiu sem olhar para trás. Foi pelo corredor da escola. Mas algo a segurou. Ela gritou. Não era Willian, era o diretor da escola.

Willian estava há alguns passos atrás deles. Tapando a queimadura do rosto e gemendo. Mas Emily conseguiu ver um mínimo sorriso naqueles lábios queimados. Estaria ele fingindo?

– Emily e o aluno novato, agora lá na minha sala – ordenou o diretor.


Os dois sentaram-se nas poltronas. O diretor também se sentou na sua.

– Senhorita Grace, posso saber por que fez isso com este aluno?

Emily não conseguiu responder. A sua vontade era de contar a verdade. Sobre quem o "aluno novato" era. E sobre o que ele fez com ela. Mas provavelmente o diretor sabia de tudo isso. Mas assim como todas as pessoas faziam, ele fingia que nada estava acontecendo.

– A senhorita não sabe as regras desta escola? Água benta, assim como outros objetos religiosos são extremamente proibidos. E principalmente machucá-los! – ao dizer isso, ele só comprovava o pensamento dela.

Garota inteligente. – Willian disse mentalmente. Estava com um sorriso sarcástico estampado.

– Emily, eu quero que você peça desculpas a este jovem.

– Me desculpe você diretor, mas eu não vou pedir. Ele também me feriu! – O diretor ficou furioso.

Bateu na mesa com força e levantou-se da cadeira. Apontou o dedo indicador para ela, em ameaça.

– Minha cara, acho que você não está entendo a situação! – suas palavras eram ponderadas.

– Sim, diretor. Eu entendo perfeitamente – ela desafiou-o.

Willian pareceu surpreso, mas ao mesmo tempo admirado. Ficou apenas apreciando a cena.

– Willian, faça o que bem entender com esta jovem. Ela não teme a morte – falou diretor indiferente.

Emily engoliu em seco. Estava se esforçando ao máximo para ser corajosa, mas aqueles dois estavam dando medo a ela. O diretor tinha o dever de proteger seus alunos. Mas aquele tinha medo. Era apenas mais uma das vítimas da submissão.

– Não se preocupe diretor. Deixe-a comigo e ela aprenderá a temer... – respondeu Willian sorrindo, levantou-se e puxou Emily pelo braço.


– Sua confiança é baseada em que eu lhe disse que não a mataria certo? – perguntou Willian quando os dois andavam pela escola em direção à saída. Ele carregava a mochila dela. Não que ela, quisesse, mas ele simplesmente a pegou.

– Bem, talvez. Mas mesmo que você me matasse, estaria me fazendo um favor – Emily respondeu.

– Compreendo... – disse ele pensativo. – Não são todos que pensam assim. Aposto que você têm um bom motivo.

– Sim. Eu tenho.

– E qual seria? – Emily não respondeu. – Ah... Prefere não me contar...

Ele havia ouvido ela dizer isso nos seus pensamentos.

– Pode parar de fazer isso, por favor?

– Sim, eu poderia. Se eu quisesse.

Eles seguiram andando na direção da casa de Emily. Se ela tivesse opção, iria só. Porém, ela não podia fugir. Sabia que ele era mais rápido.

– Você ontem não me respondeu sobre como soube que eu não podia entrar em sua casa. E como soube sobre a água benta? – Willian perguntou.

– Eu fui à biblioteca de Old Town. Lá tinham todas as informações que eu queria saber. Até que essa cidade não é uma completa porcaria. Eles têm livros. – Emily resmungou. Willian gargalhou.

– Bem, já que você descobriu esses segredinhos, vou lhe contar um outro. Está vendo aqueles garotos da nossa sala? – ele apontou para um grupo de amigos composto por três rapazes. Eles tinham um jeito estranho e se vestiam como góticos. – Eles são vampiros.

Emily parou de andar. Ficou com o corpo rígido, pela surpresa.

– Ah, e está lembrada do faxineiro? Aquele velho resmungão que limpa a escola? Ele também. A professora Margaret, Guller, Felix... – e Willian sitou muitos outros nomes de professores e alunos. Pessoas que estavam muito próximas a Emily e que ela nunca maginaria. Sim, sua teoria estava certa.

– Mas não precisa ter medo deles – disse Willian. – Enquanto você não fizer nada a eles, e eles não estiverem com fome, você estará salva. Existem humanos demais nessa cidade. Você é só mais uma. A propósito aqueles dois homens dos quais eu lhe salvei também eram.

Apesar dela já desconfiar, ainda era uma surpresa. Depois de revelar isso, Willian e Emily conversaram por muito tempo. Pois o caminho era longo até sua casa. Mas Emily não sabia se aquilo tudo era de fato bom, ou ruim. Eles estavam tendo uma conversa... amigável. E se nós fossemos apenas amigos? Seria uma coisa terrível? Ela se questionava. Mas não há muito o que fazer. Ele está me perseguindo. Não posso fugir. Então acho que vai depender de como eu encarar as coisas a partir de agora.

– Agora você está começando a pensar corretamente, querida. – Willian piscou para ela. Emily revirou os olhos. Não o suportava penetrando seus pensamentos. Muito menos chamando-a de "querida". Ela estava observando o quanto ele é bonito naquele instante. Observando os perfeitos traços do rosto dele. Seus pequenos e perfeitos lábios, olhos negros que lembravam a noite, as sobrancelhas perfeitamente desenhadas. Ele todo parecia surreal. Foi quando sua mente retomou o controle. E ela lembrou-se que cada rastro de perfeição, foram transformados para atrair as vítimas.

Willian era perigoso, de fato. Mas em alguns momentos ela ficava confusa quanto ao que sentia.

– Acho que você poderia mudar Willian. Você poderia sim ser alguém diferente.

– Não, Emily. Eu nunca mudarei. Eu sou o que sou. Faço o que faço. Você aprenderá a me aceitar.

Emily continuou andando pensativa. Não queria discutir. Mas a verdade é que ela nunca aceitaria alguém assim. Faltava pouco para a casa deles.

– Bem, querida. Até amanhã – Willian despediu-se.

Emily seguiu pensativa até dentro de seu quarto. Sua situação era tão estranha, tão constrangedora. Ela precisava desabafar com alguém... Mas quem? Seu pai? Não, ele nunca a ouvia! Só trabalhava o dia todo... Ligou para a única pessoa que sabia que poderia incondicionalmente confiar. Pegou o telefone e discou o número de Sophia.

– Alô, quem fala? – atendeu Sophia sonolenta.

– Ei Sô, é a Emily! – respondeu animada.

– Oi Emi, tudo bom?

– Ah, sim. – respondeu por costume. – Quer dizer, mais ou menos. Eu vou lhe contar por que. Mas por favor. Prometa acreditar em mim. Senão, não sei o que fazer... Você é a única pessoa com quem posso contar.

– Eu prometo. Você sabe que eu sempre cumpro, minha promessas.

Emily contou a ela toda a história. Do dia após a perseguição. Do seu “encontro” com Willian. De como ele era bonito. Até aí foi fácil. O difícil foi ela tentar descrever o que ele fizera com aqueles dois homens que a seguiam. Que ele bebera o sangue dela. Emily somente conseguiu por Sophia ser sua melhor amiga, mas ainda assim com muita dificuldade. Sophia estava com a respiração ofegante. Emily continuou com seu desabafo. Contou sobre a conversa deles. Sobre a pesquisa dela na biblioteca e outros detalhes até aquela noite. A conta telefônica deve ter vindo alta, pois as duas passaram umas boas horas conversando naquela noite.

Notas finais
Não é um dos melhores capítulos, na minha opinião. E na de vocês? Eu devo postar os próximos? Comentem por favor!