Kiss Of Blood
7 Capítulo 7 - Resolução
Notas iniciais
Quando acordou, aos poucos a memória voltava a Emily. Da noite passada. Porém, vagamente. Mas... Vampiros? Essa história não existe! Que besteira... Então olhou no seu pescoço. Dois furos profundos na pele feitos por dentes caninos. E em volta, um leve hematoma roxo escuro. Algumas manchas de sangue pelo pijama e pelo edredom. Emily ficou apavorada. Se aquilo fosse verdade então... Não, não podia ser! Ela desceu as escadas correndo. Encontrou um pai furioso. Ele gritou com ela chamando-a a atenção por chegar depois de ele estar dormindo. Emily estava prestes a mentir... Mas ela não gostava de mentir. Nem era boa nisso. Desistiu. Apenas ficou ouvindo calada a bronca do pai. Aguento o máximo que pôde, logo correu para chorar em seu quarto. Aliviar a sensação. Ela tinha um segredo fatal, porem não podia confessar para o próprio pai.
Emily foi à biblioteca da cidade. Precisava ter suas questões respondidas. Pediu alguns livros ao bibliotecário que a olhava pelos cantos dos olhos com desconfiança. Era um senhor de idade, parecia mudo, entregou-a os livros que ela pediu sem falar uma palavra. Ele entregou-a um livro sobre mitos e lendas, e outro sobre vampiros.
Emily leu-os com muita dificuldade, pois a linguagem era antiga e muito complicada. Por sorte, estava com um dicionário ao seu lado. Ela leu por primeiro, o livro sobre mitos e lendas. Viu no sumário a parte que lhe interessava: “Vampiros: verdade ou mito?”. Lá estavam relatados alguns fatos reais de mortes misteriosas pelo mundo todo – cadáveres encontrados sem uma gota de sangue, ou com furos que pareciam causados por dentes – ou por pessoas em Hospícios que afirmam terem sido atacadas – tudo isso deu arrepios em Emily. As diferenças nas lendas contadas, as características gerais que vários povos diferentes descreviam etc. Qualquer um que lesse e não acreditasse em vampiros, teria pelo menos, pesadelos.
Emily com forme lia, ia ficando cada vez mais apavorada. Pois, as maiorias das características, lá citadas, infelizmente combinavam com o que ela vira na noite anterior.
Ela leu o segundo livro, que falava especificamente e somente de vampiros. A linguagem igualmente adulta e complexa. Aquilo era tão cansativo, que Emily começava a ficar com sono, e seus olhos, vez ou outra cerravam... Mas ao final leu-o por inteiro. Havia também as características físicas, os Poderes, sobre a Transformação, explicações científicas impressionantes sobre eles, onde habitam, e também – o mais interessante aos olhos de Emily – como matar ou afastar um vampiro.
Não que ela quisesse matar Willian, mas pelo menos aprender como deixá-lo longe por qualquer precaução...
Subitamente, uma ideia surgiu na mente de Emily. Algo que até poderia parecer insano, mas ela estava quase certa disso. Estava quase juntando as peças do quebra-cabeça.
O aspecto da cidade. A antiguidade, o abandono, todas aquelas características que ela nunca vira em nenhum lugar do mundo. Principalmente as pessoas. Os olhares. O desânimo, desgosto, e todos os seus jeitos estranhos. Os vizinhos dela. A comida cheia de alho. O garoto e seu conselho. Os homens que por pouco iriam machucá-la. Por fim, o fato de ter conhecido um vampiro e ter conversado com ele. Os livros que ela lera. Tudo aparecia na sua mente, esclarecendo os fatos. Emily finalmente chegou a uma conclusão. Talvez um pouco precipitada e sem provas, mas que provavelmente era real.
Não havia somente Willian de vampiro daquela cidade. Old Town era uma cidade infestada deles. Escondiam-se em meio à população. Emily perplexa olhou para o bibliotecário. Ele retribuiu com o olhar de sempre. Nesse momento, ela percebeu. Era um olhar de medo. Provavelmente avaliando, ou reprovando-a. Aquelas pessoas não tinham maldade no coração, elas apenas sentiam medo umas das outras, desconfiança. Pessoas sem esperanças, que moram em volta do perigo e se acostumaram a ele.
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