Kiss Of Blood

3 Capítulo 3 - Perseguição


Era o primeiro dia de aula de Emily. Se ela estava empolgada? Não, nem um pouco. Talvez ansiosa, mas não empolgada. Dês de que entrou naquela cidade nada a excitou. Mas, pensou, eu devo ter sempre esperaças. Quem sabe alguma coisa consegue melhorar?

Foi para sua escola. Pegou o ônibus escolar e desceu. Isso era uma novidade para ela. Na sua antiga cidade ela só ia de carro para a escola. Talvez por que seu pai estivesse ficando cada vez mais ocupado e com menos dinheiro. Provavelmente ele estivesse tentando recuperar o dinheiro que economizara na compra da casa barata que tinham.

Logo ao entrar no ônibus, ela percebeu uma coisa estranha: o jeito como os adolescentes olhavam para ela. Olhavam como se ela fosse uma estranha, uma espécie desconhecida.

Mas que gente estranha. Nunca viram ninguém novo por aqui? Ignorou esse fato e passou horas, pelo menos tentava ignorar. Na hora do intervalo finalmente, um garoto falou com ela enquanto os dois arrumavam seus armários.

– Não ligue para essa gente aqui – o garoto sussurrou. – Somos assim com todo mundo novo. Estamos apenas saber a que grupo você perdence. Se está do nosso lado, ou não. Após um tempo você se acustumará, e nós também.

Emily ficou confusa. O que ele estava querendo dizer com “estamos apenas querendo saber a que grupo você pertence”? E como assim se estou do lado deles? Qual grupo e qual lado seria? As perguntas borbulhavam em sua mente, mas ela não se atreve a perguntar. Tinha medo da resposta. E pensou que não era tão importante.

– Nossa... Obrigada pelo conselho. Eu sou Emily, prazer. – disse ela mudando de assunto e estendeu a mão para que ele a apertasse.

Porém o garoto não a apertou, mas olhou para ela de um jeito como se aquilo fosse a coisa mais estranha do mundo. O garoto tinha o mesmo jeito bizarro de todos dali. Ele era bem magro, mal alimentado. E tinha olheiras horríveis, roxas quase pretas.

– Olha não me leve a mal, mas eu só estou te ajudando. Não tenho interesse em fazer amizade. Além disso, é só por que tenho certeza de que não é mais um deles. Aí vai mais um conselho: não confie em ninguém!

Emily estava chocada. Não acreditava: sua vida não estava melhorando. Quando ela pensou que poderia ter algum amigo ali, o garoto lhe fala que ela não pode ter nenhum. Ele dizia em tom de advertência, o que assustou ainda mais a ela. “Um deles”? Qual o problema dessas pessoas?


Na sala de aula, nada mudava. Até mesmo os professores que lhe acolheram, apresentando-a pareciam sempre estar escondendo algo e no fundo desconfiados. E sempre a olhavam daquele jeito. Como se procurassem algo nela, assim como sua vizinha fizera. As aulas conseguiam ser mais chatas que de sua antiga escola, onde ela passava conversando com Sophia.

Ah Sophia. Sinto tanto sua falta! Queria que você visse como essas pessoas são. Queria que você estivesse comigo agora. Eu não me sentiria tão só... E aposto que nem você.

Finalmente aquele inferno acabou! Dizia Emily em sua cabeça ao sair da escola. Nesse momento ela lembrou-se de que um dos professores havia passado uma redação valendo pontos.

Sim, logo em seu primeiro dia – com a razão de estar atrasada de acordo com as aulas da nova escola – já tinha redações valendo pontos para serem feitas. Voltou para sua sala correndo. Já está vazia. Silêncio perfeito para escrever!

Ao final ela fez sua redação. Quando olhou para o relógio, tomou um susto: ela passara mais de trinta minutos escrevendo, perdeu a noção de tempo. Já eram seis da tarde. Desesperada, correu para fora da escola. Mas as portas estavam todas trancadas. Procurou por alguma saída, – bateu em várias portas – até encontrar uma nos fundos. Como eu sou distraída!, lamentou-se.

Emily na ida, não havia percebido o quão longe sua casa era da escola. Andou tanto que até começava a escurecer, e nem estava na metade do caminho.

Nossa. Como é sinistra essa cidade... Mais ainda à noite.

Emily de repente sentiu frio. Um calafrio correu por sua pele. Uma estranha sensação de que estava sendo seguida. Ela ouviu passos atrás dela. Bruscamente virou-se, mas a ninguém viu. Ah meu Deus, eu devo estar imaginando coisas. Mas esse lugar não ajuda! Andou mais alguns passos. Novamente, ouviu. Virou-se e não via ninguém atrás dela.

Era uma noite de lua cheia, que brilhava forte e iluminava o céu estrelado. A cidade não tinha postes de iluminação, mas sim lampiões, e estes eram poucos e distantes. Estava uma leve neblina pelo asfalto. Aos poucos foi ficando mais densa e maior. Emily estava com muito, muito medo. Por dentro sentia uma imensa sensação de perigo por perto. A mesma que sentira assim que tocara os pés nessa cidade. Ela viu um vulto passando à sua frente. Alguém estava por perto, e a observava. Disso ela tinha certeza. Não era sua imaginação.

– Quem está aí? – Ela gritou girando para todos os lados, desesperada. Porém não ouviu resposta, só o silêncio sinistro.

Nesse momento, a névoa estava tão densa que não se podia ver um palmo à frente. Será que estou maluca?

Emily olhou para trás e viu o contorno de alguém em meio à névoa. O contorno era como uma sombra, não se podia distinguir formas. Ela gritou, e no mesmo instante tapou a boca para o repreender o grito. Correu. Ao olhar para trás, viu que aquilo não estava mais lá. Quando finalmente parou para retomar o folego, sentiu algo tocar seu braço. Eram dedos a segurando. Mas a névoa ali alcançava e ela não pode ver de quem pertencia, mas era uma mão. Uma mão pálida e gelada.

Assim que a mão largou-a, ela correu. Finalmente pôde ver sua casa. Correu o mais rápido possivel. Tremendo, pegou a chave em sua mochila e com muita dificuldade pela tremedeira, abriu-a. Ao chegar a casa sua respiração estava frenética. Quase sem ar.

Seu pai estava trabalhando em um quarto que ele reservara para ser seu escritório. Ela não poderia contar pra ele, algo a dizia isso. E além do mais, o que eu ia falar? Que tava sendo seguida? Ele não acreditaria... Meu pai nunca acredita em mim. Vou o deixar trabalhar. Ela subiu as escadas e foi para seu quarto. Ligou para uma pessoa que com certeza azreditaria nela: Sophia.

– Emily! Eu pensei que você tinha se esquecido da nossa promessa...

– Não amiga. – interrompeu-a. Seu tom de voz urgente.

– Que voz é essa amiga? Está tudo bem?

– Não. Você não acreditaria no que me acabou de acontecer...

– Me conta!

Emily contou todos os detalhes a ela. Mas algumas coisas como o medo sentiu, eram inexplicáveis.

Notas finais
Gente por favor comentem! Eu aceito críticas positivas E NEGATIVAS. E caso vocês não gostem ou não entendam algo podem me perguntar ou me falar. Qualquer erro de português me alertem também! Sério o comentário de vocês pode ser importante para mim! Obrigado :)