Kiss Me
22 Tecidos rasgados do céu
Notas iniciais
Arrastaram-me para o telhado do dormitório e quem quer que seja atirou-me ao chão.
Tentei debater-me durante todo o caminho mas não deu em nada. Para ser sincera só fez com que eu caísse e me arrastassem literalmente pelos degraus a cima.
O que é que se está a passar?
Será que aqueles três me montaram uma emboscada?
Não… não pode ser.
Está demasiado escuro para eu conseguir ver mais do que uma silhueta alta e um pouco entroncada a despir o que me pareceu ser uma camisa.
Estendi as mãos para lhe tentar tocar e ver se descobria alguma coisa ou então magoá-lo, mas ele agarrou-me nos braços, passou-os por detrás da minha cabeça e prendeu-me os pulsos com a camisa.
Merda!
Não consigo mexer os braços.
Começo a espernear para ver se o consigo aleijar, mas ele senta-se em cima dos meus joelhos, imobilizando-me por completo enquanto me tapa os olhos com qualquer coisa, nem sei para quê porque mesmo com eles abertos não via nada.
Tentei gritar, mas as minhas tentativas falhadas não se ouviram por cima da música ensurdecedora da festa.
Parei de me debater assim que senti as mãos dele no meu pescoço.
É desta que vou morrer. Não que alguém se importasse com isso.
Abri a boca e concentrei-me na minha respiração, esperando pelo aperto fatal que nunca chegou porque em vez disso as mãos dele continuaram a descer e ele tirou-me o vestido.
Sinto-me exposta.
Claro que me sinto exposta! Estou deitada de roupa interior num telhado, com as mãos atadas e os olhos vendados, como é que não me haveria de sentir exposta?
As mãos dele continuam a percorrer o meu corpo, acabando por me despir completamente.
Tenho de admitir que noutras circunstâncias até acharia isto bastante excitante, mas agora estou demasiado assustada para pensar noutra coisa que não seja em como sair daqui.
Fechei as pernas e tentei pousar os pés no chão para me tentar levantar com o balanço dos braços mas ele apanhou-me as mãos no ar e puxou-as outra vez para onde elas estavam, fazendo com que a minha cabeça batesse no chão com força.
Merda!
Isto dói.
Já não estava muito bem antes, mas agora que tenho a cabeça a latejar não consigo pensar em fugir, só vejo dor à minha frente.
Apesar de estar vendada sinto um sorris na cara dele. Deve-lhe dar prazer ver-me assim, nua, despida de qualquer uma das minha barreiras, completamente à sua mercê, com todos os meus defeitos expostos ao mundo e totalmente indefesa.
Ele deitou-se em cima de mim, prendendo-me ao chão com o seu peso, pressionando todas as minha feridas e fazendo com que doessem ainda mais e eu arrependi-me de todas as vezes que caí e de todos os cortes que fiz.
Sinto-o a mexer no meu corpo sem piedade nenhuma, amassando-me e apalpando-me com tanta força que começo a gritar de dor.
Ele tenta beijar-me e eu fecho a boca, então ele morde-me.
Morde-me em todo o lado: Lábios. Maxilar. Pescoço. Ombros. Clavículas.
Sinto as marcas a pulsar e algumas gotas de sangue a escorrer.
Apercebi-me de uma coisa dura contra as minhas coxas. Merda, merda, merda! Agora estou mesmo fodida, literalmente.
Ele levantou-se. Deve estar a tirar as calças. Aproveito para fechar as pernas o máximo que consigo até me sentir completamente comprimida.
As mãos dele pousam levemente nas minhas coxas, acariciando-me as pernas.
Que mudança de atitude tão brusca.
Estou tentada em ceder à pressão e deixar de oferecer resistência, mas enquanto pondero esta hipótese ele encaixa as mãos entre os meus joelhos e abre-me completamente. Fogo! Ou ele tem muita força ou eu estou muito mal. Odeio-me por ter bebido tanto!
Tento fechar as pernas outra vez mas ele deita-se em cima de mim, voltando a imobilizar-me, só que agora ajeita-se um pouco e entra dentro de mim com tanta força que me faz gritar, um grito rouco e desesperado por ajuda, por alguém que me tire deste suplício, mas que eu sei que nunca vai chegar.
À medida que ele se mexe e dá estocadas cada vez mais rápidas e fortes a dor aumenta de tal modo que tudo na minha cabeça deixa de funcionar.
Tento mexer os braços mas ele agarra-os, sai de cima de mim, vira-me ao contrário e bate-me com força. Puxa-me pela cintura fazendo com que eu ficasse em cima dos meus joelhos todos esfolados e prende a camisa a alguma coisa e agora é que não posso mesmo mexer as mãos.
Volta a bater-me antes de entrar em mim outra vez e me foder completamente e com tanta força que eu comecei a chorar e a soluçar, mas nem isso o fez parar.
Quando acabou de se satisfazer deve-se ter vestido, depois desprendeu-me e foi-se embora sem dizer uma única palavra, deixando-me completamente desfeita no meio do chão.
A música já tinha acabado quando me tentei levantar.
Tirei a venda dos olhos e vi que era um lenço que uma rapariguinha qualquer devia ter perdido. O sol já estava a nascer e então pude confirmar o meu estado lastimável.
Agarrei nas minha coisas que estavam espalhadas pelo telhado e vesti-me à pressa.
Não encontrei as minhas botas, devo tê-las deixado no quarto do Fred.
Saio do edifício e vou a deambular pelo campus à procura do meu dormitório. Cada passo que dou é um suplício total, nem sei como é que me consigo mexer, mas lá dou a porta e após minutos agoniantes de espera consigo com que o Tiago me abra a porta.
Mal ele viu o estado em que eu estava agarrou em mim, levou-me para dentro e tratou de mim.
Não disse uma palavra enquanto limpava as minhas feridas e me olhava com uns olhos frios.
Por fim colocou-me na cama e deitou-se ao meu lado, aconchegando-me.
Agarrei-me às mãos dele e senti-me uma merda, ainda mais do que o que normalmente sentiria. Sinto-me usada e desfeita.
Não acredito que acabei de perder a minha virgindade para alguém que nem sei quem é. Supostamente deveria ser um momento perfeito e inesquecível. Quer dizer, inesquecível vai ser… infelizmente vou-me lembrar disto para o resto da minha vida.
Fechei os olhos e não lhe disse mada, nem nunca vou dizer. Ele não pode saber o que se passou.
Ninguém pode.
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