Kiss Me, Fuck

1 Kiss me, fuck


Eu já podia sentir o meu coração dando saltinhos de alegria só de vê-lo de longe. E eu odeio quando isso acontece. Quero dizer, eu sei que somos namorados e tudo. E que nós formamos um casal... digamos assim, exótico, mas, sério, eu não posso deixar a merda do meu coração sair pulando por um CARA! Porque, simplesmente, isso faz parte das minhas regras. Essa é a quarta regra de uma garota barra-pesada “nunca deixe que um cara te abale”.

E, por mais que ele seja daqueles caras certinhos que não tem nenhuma nota abaixo da média no boletim, ele é mesmo gostoso. Quero dizer, total. Eu não percebi isso até o feliz dia em que ele largou o seu suéter velho e mergulhou na piscina da casa dele só de shorts. Tipo assim, ele faz levantamento de peso com aqueles livros todos, é? Porque, vou dizer, é o que parece. Claro, ele não chega a ter “tudo aquilo”, mas é do tipo magro, alto e que, SIM!, tem uma barriga sarada. Sem contar aquele cabelo louro-escuro que ele tem...

Enfim, você deve estar se perguntando como é que eu fui parar na casa dele num domingo ensolarado e como consegui vê-lo naqueles trajes. Bem, eu estava com as garotas do meu grupo fazendo a “ronda” pelo bairro dele. Tipo, eu nem sabia que ele morava naquele bairro. Fiquei encarregada de jogar pedras e pular o muro da residência dele. SOZINHA. É, normalmente a gente se divide em duplas para bagunçar os jardins dos outros, mas dessa vez eu fui sozinha. E, por fim, foi bom ter sido a única a assistir o banho de piscina do Hardy de cima do muro alto da casa dele.

O resto, melhor eu não relatar. Porque, tipo, foi humilhante. Eu rasguei o capuz da minha blusa e, de quebra, perdi o meu pingente escrito “fuck” que era meu favorito.

Um mês depois a gente começou a ficar. Ele estava a cada dia menos nerd e era atraente até mesmo quando ficava jogando no game-boy nos intervalos das aulas. Eu percebi o que estava sentindo por ele: estava apaixonada, totalmente atraída por aquele corpo que ele escondia atrás das camisetas de Star Wars.

- Hey Vicki! — ele chegou sorrindo e eu mandei a porra do meu coração parar quieto. Evitei dar um sorriso muito grande também.

- Hardy-Rock, ei. — ele já até se acostumou com o apelido que dei para ele.

- Já estudou hoje? A prova de amanhã é importante!

- Qual é, Hardy, é Álgebra! Você sabe bem o quanto odeio essa merda.

Encostei minhas costas no murinho do estacionamento e cruzei os braços. Ele estava pensando em prova numa hora dessas? Ali no meio de tantos carros eu queria outra coisa...

- É, eu sei. — o olhar dele abaixou para minhas bolas, que nesse caso não eram meus olhos. — Eu... sei...

- Olha, essa prova vai ser fácil, vou tirar de letra. Qualquer coisa, você vai sentar-se na minha frente para eu poder colar.

Ele levantou a cabeça e fez cara de não ter gostado da ideia. Eu abri o zíper do meu casaco branco de moletom devagar. Ele voltou a olhar meus peitos.

- Você sabe o que eu acho sobre colar nas provas finais...

- Sei... Eu sei. — respondi sorrindo.

Eu estava pouco me lixando se o que eu estava começando a fazer fosse exageradamente vulgar. Estava tentando ser sensual, e isso sempre dava certo, não era agora que daria errado. Hardy passou a mão pelos cabelos revirando os olhos e voltando a fitar a estampa do busto da minha camiseta rosa. Ou talvez continuasse a fitar o que estava por trás da camiseta.

- Por que acha que a prova vai ser fácil? — a voz dele estava até falhando. Garotos são tão tontos...

- Porque eu quero que seja fácil, seu idiota. — eu disse.

- E... Hum, eu posso te beijar agora?

O sorrisinho continuava malicioso no meu rosto. Ele parecia uma criança na frente de uma vitrine de doces: babava, só faltando me molhar.

- Você não deve fazer uma pergunta dessas, cara.

- Desculpe, eu sou um idiota. — ele me olhava agora.

- Você é um idiota porque me ama.

- Então, acho que não quero deixar de ser um idiota.

Eu o puxei para mim e deixei que ele fizesse o serviço final: Hardy tinha uma mão na minha cintura e outra mais abaixo. Por fim, ele me beijou. E eu estava pouco me lixando se dessa vez a porra do meu coração estivesse a mil por hora.