Kiss Goodnight

27 Você não acha que isso era o suficiente?


As aulas já começaram há uma semana e eu acho que já passou da hora das férias voltarem. Eu deveria estar me esforçando ao máximo, mas não consigo me concentrar em nada. Fico no mundo da lua constantemente e tenho que inventar que estou com dores de cabeça pra despistar, e o pior é que Erin já está suspeitando.

Mais uma aula estava só começando e eu já estava “explodindo de dor de cabeça”. O que eu mais quero é ficar na minha cama, que essa hora deve estar extremamente quentinha, mas eu tenho que estar aqui, com esses casacos grossos.

- Bom turma, eu vou formar algumas duplas pro nosso primeiro trabalho do ano. – O professor careca chamou minha atenção assim que citou sobre esse trabalho. – Eu tenho todos os nomes de vocês nesse copo, vou pedir pra alguém vir aqui e sortear a primeira dupla, e depois mais outra pessoa vem e sorteia uma dupla e assim sucessivamente. – Ele explicou.

Os sorteios começaram e eu ainda não tinha sido escolhida.

- Evelyn, vem sortear uma dupla. – Ele chamou e ela foi até a frente da sala.

- Heather. – Depois de muita demora ela tirou o papel em que meu nome estava escrito, e sem animação nenhuma o disse.

- Agora pega mais um papel pra gente saber a dupla da Heather. – O professor disse lhe entregando novamente o copo com os papeis dobradinhos.

- Posso pegar outro papel professor? – Ela perguntou amassando o papelzinho que havia pego e tentando esconder do professor.

- Claro que não! Me deixe ver o papel, Evelyn. – Ele disse tentando pegar o papel, mas Evelyn começou a tirar sarro do professor baixinho levantando o papel para que ele não pegasse, arrancando risadas de boa parte da classe. Ela conseguia ficar bem alta com aqueles saltos de 14 cm. – CHEGA! Senhorita Marie, me de esse papel agora! – Ele perdeu a paciência e gritou.

Ela lhe entregou o papel ainda rindo um pouco da brincadeira que acabara de fazer.

- Agora a senhorita, por favor, se retire da minha aula. Boa sorte pra tentar se esconder dos monitores. – Ele disse ajeitando a blusa social dentro da calça, que acabou saindo devido aos pulos dados pelo professor. – Bom, Heather, sinto muito pela demora. Seu par é o Zayn Malik.

Evelyn escolheu o próprio namorado pra ser meu par, talvez seja por isso que ela lutou tanto pra não entregar o papel com o nome dele. Justo agora que nós brigamos. Quer dizer, eu briguei com ele. Fazer o que não é, negócios são negócios.

O professor explicava o que a gente teria que fazer. Cada palavra dele parecia um texto. Meus olhos estavam começando a pesar, apoiei minha cabeça na palma da minha mão e aquela posição começou a ficar estranhamente confortável. Minhas pálpebras não aguentaram o peso das palavras ditas e acabaram se fechando.

Acordei com um cutucão no meu ombro, percebi que mudei de posição durante o meu cochilo, agora eu estava com a cabeça baixa sobre a mesa. Olhei pro lado e dei de cara com uma calça masculina (bem “naquela” área), ri mentalmente e fui subindo o olhar, percebi que Zayn estava parado ao meu lado.

- Quando a gente pode fazer o trabalho? – Ele disse seco.

- É... Acho que... Hoje à tarde? – Respondi confusa. Não se pode esperar muito de mim quando eu acabo de acordar.

- Pode ser. No meu apartamento, seis horas. – Ele disse e saiu da sala.

- Sim senhor! Nervosinho... – Resmunguei, peguei minha mochila e sai da sala, deixando-a completamente vazia.

Cheguei ao meu apartamento e fui dormir, não estava com saco pra fazer nada. Joguei-me na cama com a mesma roupa e cai num sono profundo.

Acordei e já eram cinco horas. Levantei num pulo, fui tomar banho e me arrumar. Seis horas em ponto eu estava na porta de seu apartamento, reunindo forças pra tocar a campainha e ter que permanecer no mesmo ambiente que Zayn, que está incrivelmente simpático hoje.

- Eu já comecei a preparar algumas coisas, mas não sei por onde começar... – Ele disse pegando duas folhas com vários tópicos separados, mas eu não fazia a remota ideia do que aquilo se tratava.

- É... Tá ótimo, mas... O que a gente tem que fazer mesmo? – Perguntei envergonhada.

- Você saberia se dormisse menos nas aulas... – Ele disse pegando as folhas da minha mão e pegando seu notebook.

- Não estou conseguindo dormir bem à noite. – Respondi o comentário extremamente ignorante dele. – Vai me explicar o que temos que fazer, ou tá difícil? – Olho por olho, dente por dente.

Ele começou a falar e nós começamos a fazer o trabalho. Minha paciência com Zayn já estava no limite. Era realmente necessária toda aquela ignorância?

- Você poderia ajudar mais no trabalho, não é? – Ele disse. Chega, agora ele e seus comentários passaram dos limites! Eu não tenho a obrigação de aguentar mulher com TPM.

- Qual o seu problema?! – Gritei com ele. – Vai ficar me tratando desse jeito por quê? – Me levantei e fiquei olhando dentro dos seus olhos.

- Não é isso que você quer? Seguir sua vida sem mim? Eu estou sumindo dela! – Ele se levantou também e ficou de frente para mim.

- Você acha que eu planejei esse trabalho? Que eu estou adorando ficar aqui com você e não ser a sua namorada? Você realmente acha que eu fiquei feliz por causa do que aconteceu alguns dias atrás? – Cuspi as palavras.

- Então porque terminou comigo? – Ele abaixou o tom de voz, mas continuou na defensiva.

- Zayn, pelo amor de Deus! Não é possível amar uma pessoa que não se conhece! Nós nos precipitamos completamente, eu me entreguei a uma pessoa que eu “conheci” a menos de uma semana! – Fiz aspas com os dedos. – Dizer que te amava foi extremamente imaturo depois do que você me fez passar. Mas sinceramente? Eu sou muito idiota! Idiota por ter acreditado que quando eu voltaria, nós viveríamos uma história de amor! Mas eu percebi que nem em filmes isso acontece mais! Você não tem ideia do quanto foi humilhante pra mim deixar minha vida pra trás por você! Que eu mal conhecia! – Minha voz saia rouca em meio as minhas lágrimas. — E você tem NAMORADA!

- E você pensa que foi fácil saber que foi eu quem te fez passar tudo aquilo? Mas a culpa sempre é minha, não é! Você nunca fez nada pra que o nosso relacionamento desse certo! Nós poderíamos estar juntos agora! – Ele cuspiu as palavras na minha cara.

- A culpa é minha? Qual o seu problema?! Me diz o que você fez pro nosso relacionamento dar certo? Nada!

- Eu te amei! Você não acha que isso era o suficiente?

- Você me traiu! – Gritei.

- Não! Eu não te trai! Como você mesmo disse: “nós não temos nada!”. Lembra disso? Você não sabe o quanto suas palavras me machucaram naquela época. – Agora ele também chorava.

- É verdade. Nós não tínhamos nada. Sabe porque? Por que você não quis ter nada! Você era narcisista demais pra assumir um relacionamento com a excluída da sala! – A essa hora todos já deveriam estar ouvindo nossa discussão.

- Você acha que eram esses os motivos pra gente não ter ficado junto? Quando você facilitou pro nosso relacionamento dar certo? Era sempre aquele típico medo de quebrar a cara novamente! Não foi isso que aconteceu com você e com o Josh?

- Você não tem o direito de falar do Josh! Saiba que ele foi 1000 vezes mais homem que você! Ele quis que as coisas dessem certo! – Mexer com o meu passado com golpe baixo.

- É, ele é 1000 vezes mais homem que eu sim! Te traiu mais de uma vez! – Ele continuava gritando.

- E você deveria ter feito isso, não é! Provar pra todos com a mentalidade igual a sua que “quem pega mais, é o fodão!”

- Tá falando da mentalidade, mas não fui eu quem fugiu quando deu de cara com um problema grande, não é?!

- Quer saber? Eu não vou ficar perdendo meu tempo com alguém tão estúpido igual a você! Alguém que não sabe dar valor ao que tem! Eu tenho nojo de você! – Disse pegando minhas coisas e abrindo a porta.

- Lá vai ela outra vez, a frágil garota que foge dos problemas! – Ele gritou.

- Eu fujo dos problemas porque não depende só de mim pra resolvê-los. Eu espero que você morra! – Bati a porta e sai correndo pelo corredor, enquanto ouvia comentários de inúmeros garotos que saíram de seus apartamentos pra ouvir a nossa discussão.

- Vão cuidar de suas vidas! – Gritei enquanto corria.

Cheguei ao meu apartamento e me tranquei no meu quarto. Eu precisava ficar sozinha.