Notas iniciais
Eu não sei o que estou fazendo aqui

Pegou a pedra e riscou outra vez a parede. Mais uma madrugada fria naquela droga de prisão, literalmente. De príncipe a presidiário, essa era a melhor definição para Hans. Sua obsessão pelo poder o tirou de todo luxo o qual estava acostumado. Não havia motivo para viver, apenas existia uma pessoa que não o deixava morrer.

– Hans...

Seu rosto se iluminou ao ouvir a voz da única pessoa com quem se importa.

– Kristoff! – exclamou ao ver o loiro – O que veio fazer aqui?

– Amanhã é meu casamento e eu preciso de você.

– Abra a sela e entre.

O loiro arqueou a sobrancelha, desconfiado.

– Como vou saber que não vai fugir? – indagou Kristoff

– O que foi Kristoff? Até parece que não confia em mim.

Dito isso, Kristoff obedeceu. Retirou as chaves de seu bolso, abriu a sela, entrou rapidamente e fechou com ainda mais velocidade. O moreno colocou os braços em torno da cintura do loiro, esticando-se um pouco para depositar beijos em seu pescoço.

– Cancele o casamento. – sussurrou em seu ouvido, beijando-o em seguida.

– Não Hans. – disse se afastando — Eu nunca faria nada que magoasse Anna, eu a amo.

– Veja Kristoff, se realmente a amasse não estaria aqui.

Houve um momento de silêncio. Kristoff odiava quando Hans estava certo.

– O que você entende sobre amor? – o loiro quis saber. O moreno se sentou no chão e Kristoff deitou em seu colo.

– Não muita coisa, mas eu sou especialista em ódio. Desde pequeno eu aprendi a odiar. Eu odeio todos, exceto você. E como eu não te odeio, eu tenho certeza que te amo.

– Não começa Hans.

– Kristoff... – o moreno colocou a mão sobre sua coxa, deixando-o arrepiado, um ótimo arrepio.

– O que aconteceu entre nós foi um erro...

– Diga por você, pois eu não me arrependo de nada. Se pudesse faria tudo de novo.

– Hans, eu só tinha 15 anos.

– Quase 16. – Hans corrigiu — E se virou uma questão de idade, eu já tinha 18 anos e sabia muito bem o que estava fazendo.

– Você só pode estar louco.

– Não Kristoff, eu estava louco quando te deixei ir.

– Você me deixou porque quis.

– Eu nunca quis. Acha que a corte aceitaria? Ou pensou o que? Que eu iria aceitar passar o resto da minha vida carregando gelo e morando com trolls?

– Chega Hans! – exclamou irritado, levantando-se e andando em direção a porta da sela. – Eu nem sei por que vim aqui.

– Mas eu sei. – o segurou pelo braço e deu-lhe um beijo de leve nos lábios.

– Ah, é? – questionou passando a língua no lábio inferior, muito provocante. — E por quê?

– Nossa despedida.

Os corpos foram se reaproximando. Beijaram-se nos lábios novamente. E por alguns momentos, longos momentos, se renderam ao desejo. Uma última noite, uma noite perfeita.

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Os primeiros raios de sol chegaram aos olhos de Kristoff. O loiro despertou rapidamente. Vestiu-se sem tirar os olhos do tronco nu de seu amante. Abriu a porta da sela e se retirou, mas antes olhou uma última vez para Hans, que dormia com uma expressão única em seu rosto. Kristoff sorriu.

Você é inesquecível, ele pensou, apesar de sua história estar mal resolvida, seus sentimentos já eram certos. Eu te amo Hans.

Notas finais
Agora vou me deitar e tentar entender por que uma Kirstanna Rainbow ficou com a cabeça cheia de ideias Hansoff.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!