Kiss
1 Único - So we kiss and kiss
Notas iniciais
Não sei se está boa o suficiente, mas eu amei escrever. E vou escrever sobre eles novamente, entrou pra lista de otps preferidos.
No mais, espero que gostem. Boa leitura. ♥
Estavam sozinhos. Não que raro isso acontecer, mas não acontecia com tanta freqüência na escola – sempre estavam na presença do outro quando em casa, na Mansão Nase. Aquela sala parecia grande e ao mesmo tempo pequena pelo simples fato de estarem sozinhos. E ela estava completamente entretida com um livro que lia atenciosamente enquanto aguardava o restante dos membros do clube.
Nase Mitsuki era a responsável presidente do Clube de Literatura, e amante confessa de doces – além de ser uma poderosa Ikaishi. Nase Hiroomi era seu irmão mais velho e bem, não tão responsável assim – não quando se tratava do clube, tanto que seu título era honorário já que comparecia às reuniões quando bem entendia.
- Nee-chan. – a chamou, mas ela não deu atenção.
A morena estava ocupada com o livro, cuja história parecia ser realmente interessante para prendê-la de tal forma. Mas Hiroomi não estava disposto a ser ignorado, não por sua amada e preciosa irmãzinha, a qual amava intensamente – de um jeito até mesmo não muito apropriado para um irmão.
Tentou chamar a atenção da garota para si, mas ela continuava a folhear as páginas conforme lia como se ele sequer estivesse ali. Cansado de ser um fantasma naquela sala, ele a cutucou nas costelas, fazendo-a soltar um gritinho histérico.
- Hiroomi! – o fuzilou com o olhar e o moreno fez beicinho, mostrando seu descontentamento ao ser ignorado, o que fez as feições amarradas dela suavizarem. – Baka...
Será que eu... Deixe-me tentar beijar...
Aproximou o rosto ao dele e seus lábios sucumbiram ao desejo secreto de tocá-los.
- Mitsu... ki...
O nome dela foi a última coisa que saiu dos lábios de Hiroomi, quando ela os cobriu com os seus. O Ikaishi estava completamente atônito com aquela investida da irmã, surpreso por vê-la agindo de tal forma. O ato não tinha explicação alguma, ele apenas estava falando demais e isso não a permitia se concentrar no livro que lia.
Foi um selinho terno e longo o bastante para que Mitsuki sentisse a textura dos lábios do irmão e ele se permitiu sorver da doçura daquele contato cálido e ao mesmo tempo quente. Hiroomi não sabia o que se passava na cabeça da Nase mais nova, mas não podia negar o quanto tinha gostado daquilo. Um simples selinho não seria o bastante para ele. Nem todos os beijos sufocantes do mundo seriam não agora que a morena lhe dera tal brecha e liberdade.
O beijo, eu sinto.
Aprofundou o contato com os lábios alheios ousadamente, aproximando mais seus corpos – o que surpreendeu Mitsuki, que mesmo um pouco assustada, correspondeu ao inclinar suavemente a cabeça para o lado a fim de dar um posicionamento melhor ao beijo, que começara sutil e que se tornava exigente conforme a língua inquieta de Hiroomi enroscava com a sua, na busca de dominância numa batalha que não tinha vencedor.
A pele, eu toco.
Enquanto seus gostos se mesclavam de uma forma tão deliciosa, uma das mãos do moreno se posicionou na cintura fina e curvilínea da irmã, e a outra a tocou em seu rosto num carinhoso roçar dos dedos na pele tão sedosa e bem cuidada dela. As bochechas rubras ardiam pelo embaraço, mas estava tudo bem, ambos estavam de olhos bem fechados e não tinha mais ninguém ali.
A respiração, eu ouço.
O beijo foi cessado aos poucos, onde um pequeno filete de saliva os ligava aos lábios do outro. De rostos corados, olhares constrangidos eram trocados pelo casal que arfava em busca do fôlego perdido. A sala do Clube de Literatura que agora tão silenciosa, era a maior cúmplice deles.
Os lábios, eu provo.
Mesmo tão embaraçados depois do ato, a morena tinha um desejo secreto em continuar. Hiroomi leu seus pensamentos quando a tocou nos lábios novamente, distribuindo selinhos ao trilhar um caminho que o levou até a orelha da menor.
- Seus lábios são deliciosos, nee-chan. – sussurrou, depois de deslizar a língua.
A língua cálida mesclada com a respiração quente do mais velho foi o bastante para fazê-la estremecer e se arrepiar, além de um pequeno suspiro que escapou de seus lábios e que soou como música para o moreno, que sentia seu corpo esquentar.
- N-não diga coisas embaraçosas, onii-chan...
Ao ser chamado de tal forma, pela voz aveludada e angelical de Mitsuki, Hiroomi não resistiu e a apertou delicadamente na cintura com ambas as mãos, sentindo a pele mesmo com a intervenção do tecido e seus lábios se juntaram ao dela novamente como se estivessem magnetizados – ela era seu imã natural.
Não preciso falar, meus lábios dirão: Eu sinto o seu toque.
O beijo era tão sôfrego e avassalador como os anteriores foram, e eles se deliciavam desse toque tão íntimo especial. As mãos de Mitsuki ousaram tocá-lo nos fios negros, emaranhando os dedos ali ao intensificar o beijo, se deixando levar pelo momento agradável que partilhavam e que seria bem curto, já que seus corpos se afastaram por reflexo assim que ouviram as vozes de Kanbara Akihito e Kuriyama Mirai, os outros membros do clube, barulhentos como sempre.
Seus rostos estavam extremamente corados e ambos estavam constrangidos, sequer conseguiam disfarçar o quão afoitos estavam por aqueles toques e agora que finalmente se libertaram das cadeias que os prendiam, foram interrompidos.
Akihito e Mirai se perguntavam o motivo daquele clima aparentemente pesado na sala, os irmãos até foram questionados, mas todas as respostas foram inconclusivas – deixando a dupla ainda mais curiosa.
O casal se entreolhou discretamente.
Palavras não eram necessárias, não precisavam de explicações. Mesmo sendo tão errado, aquilo parecia tão certo... Que o amor fraternal não era suficiente, se amavam como o homem ama uma mulher, com todos os sentimentos e sensações que isso envolvia. Sentimentos que eram correspondidos por ela.
E aquilo não terminaria ali, afinal, após a reunião, a Mansão Nase os aguardava.
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