Kiss
7 Capítulo 7
Notas iniciais
A chuva forte que caia aquela manha mantinha o corpo quente de Beth na cama, que ainda sonolenta sentiu o vazio ao seu lado, abriu os olhos e procurou o corpo que faltava ao seu lado na cama, mas o quarto ainda escuro e bagunçado só tinha as lembranças de Beth para contar, ate que uma bela musica vei de outro comodo da casa, aporta se abriu e a mais bela figura adentrou com duas canecas quentes em suas mãos.
– Não sei o que você gosta quando acorda, então... — Disse Carmen.
– Gosto de ver um sorriso — Falou Beth sorrindo e tirando um sorriso de sua professora.
– Sou a primeira mulher com quem fica, não é? — Perguntou Carmen.
– Deu pra perceber!? — Disse Beth meio sem graça.
– Deu, mas só por que eu sou experiente — Riu Carmen — Sinto que acabei de te jogar no mal caminho.
– Eu já tava nele, você só deu o ultimo empurrão — Falou Beth — E não é um mal caminho.
– Eu sei — Disse Carmen encarando a sua caneca e tomando coragem — Mas você sabe que não vai acontecer de novo, não é!? Sabe que foi um erro!?
– Entendo que você ache melhor não acontecer novamente, mas um erro? Não foi um erro, a gente queria, e não fizemos mal a ninguém, a gente só não penso, mas não foi um erro. Não aceito que diga isso!
– Beth, sou sua professora, sou mais velha que você — Disse Carmen.
– Grande coisa a diferença de idade, nem são tantos anos, uns 5!?
– 7, e realmente não importa a diferença, importa que você é menor de idade — Disse Carmen convencida.
– Quanta exatidão! Quer saber, tudo bem, eu não sou do tipo que força a minha presença se ela nao é bem vinda, quer ficar com sua solidão!? Fique, é toda sua — Disse Beth irritada.
Sem pensar duas vezes, Beth deixou seu café na escrivaninha perto da janela, vestiu-se pegou a chave do carro e saio, entre todos os seus CDs foi Van Halen o escolhido, que ditou o ritmo das rodas a mil do seu Camaro 1971.
O resto do fim de semana Beth passou no quarto vendo filmes, lendo, comendo, tomando chá e dizendo para a família e os amigos que estava resfriada. Tentando conter seus pensamentos que insistiam em voltar para a noite fria, e se recusando a sofrer mais do que foi feliz.
Na semana seguinte tudo que poderia ser feito para evitar olhares foi feito, mas mais cedo ou mais tarde isso não poderia ser evitado, era quinta-feira, e Beth não poderia perder mais uma aula de Espanhol.
– Hola, classe — Disse sorridente a professora.
– Hola, maestro — Respondeu a turma.
– Ok, peguem seus cadernos e vamos fazer essa prova de uma vez — Disse a professora seria.
Beth passou toda a aula inquieta cruzando e desviando dos olhares com a professora, ate que desistiu, e logo depois o sinal tocou e todos se apresaram em entregar as provas.
– Srt. Corcoran, fique mais um pouco, precisamos conversar — Apressou-se a professora em falar enquanto os alunos começaram a sair.
– O que foi professora? — Perguntou Beth.
– Sua prova esta em branco! — Mostrou a professora.
– Já sei falar Espanhol — Falou convencida.
– Eu preciso disso pra te dar nota, você sabe — Insistiu.
– Ta, desculpa, tenho que ir — Disse se afastando.
– Espera, contou ao seus amigos? — Perguntou a professora.
– Não sou tão criança assim — Saiu Beth, seria e ofendida.
Os corredores estavam vazios e o seus passos ecoavam pela escola, e uma musica surgiu tão de repente e lindamente que mesmo sem querer já estava apreciando direto de sua fonte, Lexie sobre sua mesa entretida com seu violão, cantando baixo e suave, como se cantasse para o passado.
– Eu não entendi, nenhuma palavra que você disse, mas tenho certeza que é uma musica linda — Disse Beth surpreendendo Lexie.
– É sim, é uma musica linda — Respondeu Lexie sorrindo.
– Esta sorrindo, mas parece que tem uma melancolia em seus olhos.
– Melancolia, nostalgia, solidão, são sentimentos complicados, tem seu lado bom e ruim, e isso faz eles serem viciantes.
– Que surpreendente você é. Sentimental. Cante de novo, eu quero ouvir, quero saber que musica é — Disse Beth.
– Quem é mais sentimental que eu? — Perguntou Lexie sorrindo — É Aurora do Dani Black, ele é brasileiro.
Cantando e sorrindo ficaram ali consolando sem saber, uma a dor da outra, e mais leves voltaram pra casa, e cada uma em seu quarto, cantaram o resto do dia, felizes ao pensar uma na outra.
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