Kiseki

2 O Lugar Onde Pertencemos


Notas iniciais
Este capítulo foi especial de escrever porque mergulhei profundamente na cultura rica e vibrante de Okinawa, um lugar que combina uma herança única com uma beleza natural deslumbrante. Ao longo do processo, busquei capturar não apenas os cenários, mas também o espírito acolhedor das comunidades locais, onde todos se conhecem e as histórias individuais se entrelaçam. A relação entre Itachi, Izumi e Shisui foi o coração do capítulo. Eles representam aqueles laços que, apesar do tempo e da distância, permanecem inquebráveis. Quis explorar a tensão inicial do reencontro e, ao mesmo tempo, a sensação de conforto que surge entre amigos de infância. É interessante como o passado pode nos conectar de formas tão profundas, e a cápsula do tempo se tornou uma metáfora perfeita para isso. As memórias escolares e os desejos expressos na cápsula serviram para mostrar o contraste entre as aspirações juvenis e as realidades da vida adulta. Achei importante dar um toque de humor e nostalgia nos flashbacks, para equilibrar o tom sério de alguns momentos do capítulo. Espero que os leitores se sintam conectados àquele período da vida em que sonhávamos com o futuro e compartilhávamos nossas esperanças com amigos. Por fim, quis que as escolhas profissionais e desafios de cada personagem refletissem suas personalidades. A decisão de Shisui reformar a escola, Izumi ensinar literatura e Itachi lutar por justiça são extensões do que eles eram quando adolescentes: sonhadores, determinados e, acima de tudo, amigos. Espero que este capítulo traga aos leitores a mesma sensação de calor e reconexão que eu senti ao escrevê-lo. Se você já teve a chance de revisitar amigos ou lugares que marcaram sua infância, talvez se identifique com o que esses personagens estão vivendo.

C A P Í T U L O :

O Lugar Onde Pertencemos

O sol ainda estava baixo, tingindo o horizonte com tons de laranja e rosa, enquanto as ondas suaves se misturavam com a areia branca da praia de Chatan. Itachi respirava fundo, tentando absorver a paz que o som do mar proporcionava. A brisa carregava o aroma salgado do oceano misturado com um leve perfume de hibiscos, flores que decoravam as ruas e jardins de Okinawa como um tributo natural à beleza da ilha.

No cais, as redes de pesca penduradas e os pescadores conversando ao fundo criavam um cenário nostálgico.

O momento do triunfo foi quase silencioso. Ao erguer a lula, ainda se debatendo, sobre a borda do barco, ele sentiu uma leve onda de satisfação. O troféu refletia o brilho suave do sol nascente, simbolizando um pequeno, porém importante, feito em meio à bagunça que ele ainda carregava dentro de si. A ilha de Okinawa, com suas praias tranquilas e seu ritmo cadenciado, parecia convidá-lo a refletir, mas também a redescobrir o que havia perdido ao longo dos anos.

— Então, o grande Itachi Uchiha está de volta. Tentando retomar seu lugar como o rei da praia? — uma voz feminina cortou o ar, trazendo-o de volta à realidade.

Ele virou-se, os olhos escuros arregalando-se ao ver Izumi. Ela estava de pé, braços cruzados, com um sorriso no rosto. O vestido azul claro flutuava ao vento, e por um momento, ele achou que ela parecia um pedaço do próprio mar que tanto amava.

Por um momento, Itachi ficou sem palavras. Havia anos desde que a vira pela última vez.

— Izumi... — ele murmurou, o nome saindo como um reflexo. — Pensei que estivesse morando longe demais para voltar a este lado da ilha.

— E eu pensei que o “grande advogado de Tóquio” tinha esquecido suas raízes — retrucou ela, com um tom brincalhão.

— Como soube que estava aqui? — perguntou Itachi, ainda com uma sobrisa no rosto.

— Esqueceu que seu melhor amigo é o meu também? — respondeu ela, com um olhar divertido. — Shisui continua linguarudo como sempre.

Itachi riu baixinho, já sabendo que o amigo havia sido o responsável por revelar sua volta.

A princípio, o silêncio entre eles era desconfortável, carregado pelo peso do tempo e das lembranças não ditas. Itachi, sem saber como começar, tentou puxar assunto.

— Você ainda... vive aqui?

— Claro. Onde mais eu estaria? — Ela sorriu de forma suave, percebendo a hesitação dele. — E você? Resolveu desistir do caos de Tóquio?

Ele soltou uma risada curta, mais amarga do que divertida. Uma parte dele queria se esconder, mas a honestidade era algo que ele sabia que precisava oferecer.

— Algo assim. Tóquio me engoliu. O trabalho, os casos... tudo virou uma montanha que eu não conseguia escalar. Meu chefe, Kisame, fazia questão de me sobrecarregar. Eu resolvia os casos difíceis, mas o reconhecimento nunca vinha. Nem aumento. E, no fim, Madara... Bem, ele foi a gota d’água.

Izumi observava com atenção, os olhos cheios de cumplicidade.

— Madara? — perguntou ela, inclinando-se para frente.

— Um juiz arrogante, acostumado a se esconder atrás do poder. Ele protegeu o sobrinho em um caso claro de abuso de autoridade. — Ele fez uma pausa, respirando fundo para conter a frustração. — Poderia ter alegado suspeição, mas ele é influente demais. Demoraria anos para conseguir algo. No calor do momento... perdi o controle e dei um soco nele.

Izumi arregalou os olhos, incrédula, mas logo começou a rir. A risada dela era leve.

— Não acredito. O Itachi sério e contido, socando um juiz?

— Eu não me arrependo — ele admitiu, um sorriso tímido surgindo. — Ele mereceu.

Ela balançou a cabeça, ainda rindo.

— Você não mudou nada, Itachi.

— Talvez tenha mudado mais do que deveria — ele respondeu, o tom mais sério. — E você? Como tem sido sua vida por aqui?

A conversa fluiu com naturalidade, como se os anos de afastamento não tivessem existido. Izumi olhou para a lula que repousava nas mãos de Itachi e sorriu, observando a habilidade dele.

— Impressionante. Ainda lembra como se faz.

— Não é algo que se esqueça. — Ele deu de ombros, tentando se manter impassível.

Então, Izumi começou a falar sobre seu trabalho como professora de literatura em uma escola local. Ela descreveu as aulas, o entusiasmo dos alunos e a maneira como eles a surpreendiam com suas ideias.

— Ensinar não é só passar conhecimento. Eles também me ensinam muito — ela disse, os olhos brilhando. — É como se a sala de aula fosse um espaço onde todos, inclusive eu, crescemos.

Ele a olhou com gratidão, lembrando-se do quanto ela sempre foi uma presença especial na sua vida. No final do passeio, sentaram-se em uma grande pedra na praia, olhando o pôr do sol.

— Okinawa tem algo que faz tudo parecer mais simples, não é? — disse Izumi, com os olhos fixos no horizonte.

— É... Acho que é o único lugar onde consigo respirar.

Ela sorriu, com a tranquilidade de quem entende as palavras não ditas.

— Talvez seja porque aqui você não precisa ser nada além de você mesmo.

Ele não respondeu, mas sabia que ela estava certa.

Itachi observava enquanto ela falava, admirado pela paixão que ela tinha pela vida simples da ilha.

— Okinawa é mesmo o seu lar. Sempre foi. — Ele sorriu.

— Sempre. — Ela olhou para o horizonte, onde o sol agora brilhava forte. — Amo este lugar. Tudo aqui tem alma: o mar, as ruas, as pessoas. É como se a ilha abraçasse a gente.

O silêncio confortável se instalou entre os dois, interrompido apenas pelo som das ondas. Itachi sentiu um calor no peito, algo que não sentia há muito tempo. Hesitante, ele quebrou a pausa.

— Senti sua falta todos esses anos. — Ele falou timidamente, quase temendo a resposta.

Ela corou, um sorriso surgindo enquanto desviava o olhar para o chão.

— Eu também senti sua falta, Itachi.

Por um instante, ambos ficaram apenas se olhando, um misto de sentimentos antigos e novos surgindo. A cumplicidade que sempre os uniu parecia mais forte do que nunca.

[...]

O bairro de Itachi era um típico vilarejo de Okinawa, onde todos conheciam todos. As casas, muitas delas em estilo ryukyu tradicional, tinham telhados de cerâmica vermelha e shīsā — os famosos leões-guardas — protegendo as entradas. As ruas eram decoradas com flores de buganvílias e hibiscos, e crianças corriam, brincando com pipas coloridas.

Ao chegar em casa, Itachi encontrou seus pais na varanda. Mikoto sorriu calorosamente ao vê-lo, correndo para abraçá-lo.

— Meu filho, que saudade! — ela disse, emocionada.

Fugaku, no entanto, manteve-se mais reservado. Os braços cruzados e a expressão séria deixavam claro que ele não deixaria passar o incidente de Tóquio.

— Não podia ter sido mais racional, Itachi? Poderia ter alegado impedimento ou suspeição na fase recursal. Mas socar o juiz? — Fugaku perguntou, com um tom de reprovação.

— Pai... você conhece o sistema de Tóquio. Não é como aqui. Lá, justiça é uma ilusão — ele rebateu, um sorriso cínico surgindo. — O mundo não é preto no branco.

— Não fale como se você não soubesse o que está em jogo. A ordem suspensa não é brincadeira!

Itachi fechou o rosto. Não era fácil encarar aquele olhar de desapontamento. Fugaku sempre esperara mais dele, e a decepção estava ali, nítida.

— Sei disso. Estou aqui porque... precisava estar. — disse ele, tentando explicar.

Mikoto interveio, tentando aliviar o clima, colocando a mão no braço do marido, mas Fugaku se afastou, ainda irritado.

— Querido, não esqueça de como você também era impulsivo no início da carreira. — Ela sorriu. — Ou já esqueceu do dia em que socou o vereador Danzo por tentar te subornar?

Fugaku ficou vermelho, desviando o olhar.

— Aquilo foi diferente...

— Não foi não, pai — Itachi brincou. — Parece que a impulsividade é de família.

Fugaku desviou o olhar, resmungando algo incompreensível, enquanto Itachi e Mikoto riam.

— Onde está o meu irmãozinho?

— Acho que no quarto.

Ao abrir a porta do seu antigo quarto, Itachi encontrou Sasuke sentado em sua cama, com os olhos fixos nele, de forma atenta.

— Não vai me dar um abraço, irmãozinho tolo? — Itachi brincou, sorrindo, ao ver que o irmão mais novo fingia uma carranca.

Sasuke se levantou e foi em direção ao irmão, dando-lhe um abraço forte, mas com o toque de alguém que havia perdido muito tempo.

— Não devia, mas senti sua falta — confessou o irmão caçula com uma leve zombaria.

— Claro que sentiu. Eu sou o melhor! — Itachi riu, bagunçando os cabelos negros de Sasuke, como fazia nos velhos tempos.

O Uchiha mais novo, agora com um olhar mais sério, falou.

— Irmão, não se sinta mal pelo pai. Ele é duro, mas quer o nosso bem. Você foi demais em dar aquele soco naquele juiz otário.

Sasuke levantou-se, abraçando o irmão com força.

Eles passaram horas conversando. Sasuke falou sobre a escola, seus amigos e a luta da comunidade local contra os abusos das bases militares. Quando mencionou Sakura, Itachi percebeu o brilho nos olhos do irmão.

— E essa Sakura, hein? Parece especial. — O mais velho sorriu.

— Cala a boca. — Sasuke corou, mas não conseguiu esconder o sorriso.

[...]

Naquela tarde, enquanto Itachi e Sasuke caminhavam pelo bairro, uma mulher se aproximou. Ela estava claramente aflita, os olhos vermelhos de chorar.

— Desculpe incomodar, mas vocês são os filhos do delegado, não são? Ouvi dizer que você, Itachi, é advogado, formado em Tóquio.

Ela começou a explicar o caso: sua irmã grávida, mãe de duas crianças pequenas, havia sido presa por suposto porte de substâncias controladas. A mulher jurava que as drogas haviam sido plantadas.

— Eu conheço o sistema, sei que não vão me ouvir. — ela disse, quase chorando. — Minhas crianças... eu não posso ser separada delas.

Sasuke, indignado, virou-se para Itachi.

— Não podemos deixar isso assim!

Itachi cruzou os braços, pensando.

— Sasuke, você sabe que estou suspenso. Não posso atuar formalmente.

— Então me ajuda como consultor. Não vou ficar de braços cruzados.

Itachi fez uma pausa, decidido.

— Vamos impetrar um habeas corpus em nome dela. A prisão preventiva não pode continuar. O caso é claro. Ela é uma mãe, está grávida, e as crianças precisam dela.— Ele deu de ombros, tentando se manter impassível. — Vamos argumentar que a prisão compromete a saúde dela e do bebê. A detenção não é justificável. Ela tem residência fixa e não há risco de fuga. Precisamos garantir que ela seja mantida em prisão domiciliar.

A questão não era a falta de argumentos. Era o peso da realidade. O sistema judiciário no Japão, com sua prática de "hostage justice" — detenção prolongada sem provas — dificultavam qualquer tipo de defesa, especialmente quando a pessoa estava em uma posição tão vulnerável.

Itachi não estava disposto a deixar a mulher sofrer sem tentar, e começou a trabalhar com Sasuke na redação do habeas corpus. Eles usaram todos os argumentos que conhecia bem, citando precedentes legais, a saúde pública e até tratados internacionais.

À medida que o caso tomava forma, ele sentiu uma conexão mais profunda com sua missão. O apoio do irmão e o desejo de justiça pela mulher o fizeram repensar seu próprio papel na sociedade. Ele sabia que o sistema precisava ser mudado, que a luta por direitos fundamentais era real e precisava de mais vozes.

No final, não era apenas sobre ganhar o caso, mas sobre encontrar um novo caminho, não só para a mulher detida, mas também para ele mesmo. E, ao lado de seu irmão, ele sentia que essa jornada tinha um propósito mais profundo do que apenas a prática jurídica.

[...]

O izakaya no coração de Okinawa parecia um lugar tirado de uma memória calorosa. Lanternas de papel balançavam suavemente com a brisa noturna, iluminando o espaço com uma luz alaranjada e acolhedora. O aroma de pratos tradicionais como cheiro de karaage e goya champuru e o som de risadas ecoavam pelo ambiente. Itachi, Izumi e Shisui ocupavam uma mesa perto da janela, que oferecia uma visão da praia distante sob o céu estrelado.

Shisui, sempre o mais animado dos três, levantou sua caneca de cerveja local e bateu na mesa.

— A Okinawa Brewing Company deve me contratar como garoto-propaganda. Essa cerveja é tão boa quanto o meu talento para arquitetura!

Izumi riu, enquanto Itachi balançava a cabeça com um meio sorriso.

— Fico feliz que o ego sobreviveu aos anos, Shisui — O Uchiha comentou com sarcasmo.

— Você sabe que é a minha marca registrada. — Shisui piscou. — E, falando nisso, tenho uma novidade. Fui contratado para reformar o Shuri High School.

Itachi e Izumi se entreolharam, surpresos.

— O nosso colégio? — Izumi perguntou, os olhos arregalados.

— O próprio. — Shisui se recostou na cadeira com ar satisfeito. — A estrutura está velha, e querem modernizar sem perder o charme histórico. O desafio perfeito para mim.

A menção ao colégio fez o ambiente parecer mais nostálgico. Shuri High School, localizado perto do castelo histórico de Shuri, era famoso por seus corredores abertos que permitiam a brisa do mar circular, suas cerejeiras que floresciam em torno do pátio principal e, claro, pela tradicional cerimônia de chá organizada pelos alunos no clube de cultura japonesa.

— Lembro do clube de xadrez no pátio, onde você vivia ganhando de todo mundo — Izumi comentou, olhando para Itachi com um sorriso.

— Não era só no xadrez — Shisui interrompeu. — O prodígio aqui era bom em tudo. Matemática, literatura, até no karaokê durante as festas de fim de ano. Você lembra?

Itachi ficou levemente desconfortável, mas Izumi riu, apontando:

— Especialmente porque você nunca cantava nada moderno. Sempre clássicos enka.

Itachi revirou os olhos, mas não conseguiu evitar o sorriso.

— E você? Sempre nos arrastava para o clube de literatura para ajudar nos projetos de teatro. Não era suficiente só interpretar; você queria dirigir e escrever.

Izumi deu de ombros, rindo.

— Eu precisava de bons atores. Shisui como vilão foi uma escolha óbvia.

Shisui bateu na mesa, fingindo indignação.

— Eu não era vilão! Era o herói incompreendido.

O trio caiu na gargalhada, as lembranças preenchendo o espaço entre eles com o calor de tempos mais simples.

Itachi, então, ergueu a mão como se tivesse lembrado algo importante.

— Falando no colégio... — Ele fez uma pausa, esperando que os outros adivinhassem. — Vocês se lembram da cápsula do tempo que enterramos perto do campo de futebol?

Izumi e Shisui arregalaram os olhos, em sincronia.

— Claro que lembro! — Izumi exclamou. — Fizemos isso no último ano do ensino médio.

— E agora o campo vai ser reformado — Shisui acrescentou. — Se está lá, vai acabar sendo desenterrada.

— Melhor fazermos isso antes — Itachi sugeriu. — Vocês lembram o que colocaram?

O silêncio caiu sobre a mesa enquanto cada um tentava puxar as lembranças.

— Acho que escrevemos cartas para nós mesmos no futuro — Shisui disse.

— Sim — Itachi confirmou. — Eu lembro exatamente o que escrevi.

Flashback – A Cápsula no Colégio

O pátio da Shuri High School estava cheio de vida naquela tarde. Os uniformes tradicionais de Okinawa tinham um toque mais leve: as saias plissadas das meninas e as calças dos meninos eram feitas de tecido apropriado para o clima quente, e as blusas brancas combinavam com gravatas em tons de azul. No campo de futebol, um grupo de alunos jogava, enquanto outros descansavam sob as cerejeiras.

Itachi, Izumi e Shisui estavam próximos à cerca do campo, cavando com cuidado. Ao lado deles, uma caixa de metal esperava para ser enterrada.

— Vou começar — Shisui disse, pegando sua carta. Ele tinha escrito com uma caligrafia bagunçada, mas cheia de entusiasmo.

"Quero ser famoso, alguém que todos conheçam e respeitem. Quero que meus projetos sejam admirados, e que as pessoas lembrem do meu nome com um sorriso."

— Modesto como sempre — Izumi comentou, rindo.

— Ei, ambição é importante — ele respondeu, guardando sua carta.

Izumi foi a próxima. Sua letra era delicada, quase artística.

"Quero ter coragem para confessar meus sentimentos. Quero estar ao lado de quem amo e compartilhar uma vida simples, mas feliz."

Ela guardou a carta rapidamente, as bochechas ficando rosadas. Shisui piscou para Itachi, claramente sabendo quem era o destinatário do afeto.

Finalmente, Itachi colocou sua carta.

"Quero ser um advogado renomado, cursar a melhor universidade e, acima de tudo, me casar com Izumi Nohara."

Ele não disse nada enquanto guardava sua carta, mas o silêncio falava mais do que qualquer palavra. Shisui olhou para ele com um sorriso travesso, mas nada comentou.

De volta ao presente

— Não acredito que escrevi algo tão óbvio — Itachi disse, passando a mão pela nuca.

— Não acredito que você admitiu isso agora! — Shisui riu, cutucando o amigo.

Izumi estava visivelmente tocada, os olhos brilhando.

— Eu quero desenterrar a cápsula antes que reformem o campo — Itachi insistiu. — Acho que seria bom revisitar aqueles sonhos.

— Concordo. — Shisui ergueu a caneca novamente. — Vamos amanhã. Mas, antes disso, mais uma rodada!

Enquanto brindavam, Itachi olhou para os dois. Havia uma sensação de pertencimento que ele não sentia há anos. Izumi, com seu sorriso caloroso, e Shisui, com sua energia contagiante, faziam tudo parecer mais leve.

— Senti falta disso. Senti falta de vocês. Esses anos em Tóquio foram... solitários — Itachi admitiu, os olhos marejados.

Izumi colocou a mão no ombro dele, sorrindo.

— Agora você está de volta. E aqui, você nunca estará sozinho.

Ele sorriu, grato por ter reencontrado não apenas sua terra natal, mas também as pessoas que realmente importavam em sua vida. A sensação de pertencimento voltou a preenchê-lo, e pela primeira vez em muito tempo, ele se sentiu em casa.

Notas finais
Agradeço a todos por estarem comigo nessa jornada, e mal posso esperar para saber como vocês se sentem sobre o capítulo! Até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.