Notas iniciais
Em homenagem a KHIII, vou postar todo o resto da fic hoje! Último capítulo com ação antes do fim... [música para ambientação] https://www.youtube.com/watch?v=A8UJVaXUzGo Boa leitura!

Algum tempo se passou, enquanto os três recuperavam as forças e esperavam que alguém os encontrasse (já que o keyblade glider de Hikaru provavelmente não agüentaria o peso dos três)... quando, entre o ruído do vento que assoviava entre os penhascos, Hikaru teve a impressão de ouvir o sussurro de uma voz conhecida.

Levantou-se, sobrancelhas franzidas, prestando atenção no som em volta. Junto com a visão de Earthshaker mais cedo, aquilo lhe dava um pressentimento estranho. Tomou sua decisão.

— Use isto para falar com Sora se precisar... — disse, tirando o anel do dedo e dando-o a Flamma — Eu volto já. — sorriu.

— Aonde vai? Eu vou junto! — disse a moça, levantando-se para seguir Hikaru.

— Não precisa, fique com Ivan. Eu só vou... ver uma coisa. — respondeu, chamando sua keyblade e atirando-a para trás — Volto logo. — concluiu, pulando no keyblade glider e voando dali.

— Qual é a dele?! — Flamma voltou a sentar-se ao lado de Ivan, de cara fechada.

— Deve ser algum assunto pessoal. — disse Ivan, numa tentativa de acalmar a amiga – Mas olha... pelo menos descobrimos a origem das habilidades dele com um skate. — continuou, apontando para o keyblade glider que sumia na distância.

Hikaru sobrevoou o mundo seguindo em direção ao que supunha ser a origem da voz... e de seu estranho pressentimento também, talvez.

Pousou em uma plataforma elevada, sentindo que estava perto do que quer que fosse, e caminhou até perceber-se encarando uma armadura ajoelhada, que segurava com ambas as mãos uma keyblade. Estacou no lugar, sem saber que reação ter.

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Ouviu sussurros metálicos ecoarem à sua volta... vindos da armadura ajoelhada.

— ...Terra? – a voz de Hikaru saiu num murmúrio estrangulado.

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Os sussurros ecoaram em volta de Hikaru, e a armadura se levantou, segurando sua keyblade com as duas mãos, como uma espada de folha larga, e colocando-se em posição de ataque.

— Terra! Sou eu, Ven... — disse Hikaru, aproximando-se do antigo amigo... antes de desviar-se de um ataque repentino da armadura, que já se preparava para a próxima investida.

Percebendo que o diálogo não levaria a nada, Hikaru invocou Wayward Wind e colocou-se em guarda.

Lutar contra Terra nunca fora fácil. Desde quando os dois praticavam um contra o outro com keyblades de madeira, até quando passaram a fazê-lo com as de verdade, podia contar nos dedos de uma mão as vezes que vencera. É claro que Hikaru havia ficado mais forte, mais rápido e mais habilidoso desde aqueles tempos, mas lutar contra um Terra que tentava matá-lo não era nem um pouco mais fácil do que fora tentar vencê-lo nas lutas práticas de antes.

Além de ter mais experiência, Terra superava Ivan em habilidade e força. E desta vez Hikaru estava sozinho. Cada vez que desviava por pouco das investidas da armadura, a força do impacto que o teria atingido ficava registrada nas pedras ao redor, e motivava Hikaru a nem sequer tentar bloquear.

Acima de tudo, o que mais desconcentrava e preocupava Hikaru era que não conseguia sentir um coração dentro daquela armadura – ao mesmo tempo que de alguma forma tinha certeza que era Terra.

Depois de um golpe particularmente forte da armadura, os oponentes se separaram, como que medindo um ao outro. Hikaru não queria lutar, mas ao mesmo tempo não tinha escolha...

A armadura pôs-se em guarda, preparando-se para atacar. Hikaru apontou sua keyblade para o alto:

— Light!— exclamou, usando sua magia de luz mais forte: lâminas de luz gigantes, como enormes cruzes, num círculo que se expandiu a partir do jovem guerreiro da keyblade.

A armadura tomou algum dano com o ataque, e parou sua investida – algo dizia a Hikaru que não fora apenas pelo dano, que considerando a resistência do oponente nem devia ter sido tanto assim.

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O sussurro metálico voltou a ecoar pelos penhascos rochosos em volta.

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A posição de luta da armadura mudou ligeiramente, mas não parecia prestes a parar de atacar – pelo contrário. Hikaru sentiu como se Terra quisesse lhe dizer algo com aquilo, e também colocou-se em posição: aquele seria o fim.

Sem precisar de um sinal, os dois guerreiros da keyblade avançaram um em direção ao outro ao mesmo tempo. Vendo a Ends of the Earth se aproximar, empunhada pela armadura tão familiar, Hikaru se deu conta que provavelmente não tinha qualquer chance contra Terra num confronto direto... mas já era tarde demais para mudar o curso da investida.

Wayward Wind e Ends of the Earth se chocaram, e sem pensar, numa manobra que já havia repetido tantas vezes, Hikaru usou a força do golpe como impulso para dar a volta no oponente, acertando um contra-ataque na forma de um corte diagonal pelas costas.

A armadura cambaleou para a frente.

Hikaru voltou da posição em que estivera após dar o golpe final, com uma expressão que não parecia a de um vencedor.

A armadura virou-se lentamente e andou, resoluta e de keyblade em punho, até um Hikaru em choque.

Ends of the Earth desapareceu.

— Terra... Eu... – a voz de Hikaru escapou mais uma vez num murmúrio estrangulado.

A armadura estendeu a mão direita em direção a Hikaru... e bagunçou seus cabelos.

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Soaram os sussurros metálicos que haviam trazido Hikaru àquele lugar.

It’s okay.

Soou a voz de Terra, numa memória de tanto tempo atrás, e Hikaru pôde rever o sorriso daquele dia.

Não... Outra vez não...

— Terra...! – Hikaru chamou, estendendo a mão em direção à armadura... e agarrando apenas ar.

A armadura desapareceu como sua keyblade havia desaparecido, deixando apenas a peça que Terra usara sobre o ombro e o braço, como uma memória.

Notas finais
Obrigada por ler!