Kingdom Hearts: The Colors Of The Heart.

1 Capítulo 1 - A noite sem Estrelas.


Era o interior de uma torre, com as paredes azuis e diversas estrelas douradas pintadas nelas. Subindo uma escadaria, tinha uma grande porta de madeira. Um garoto albino, de cabelo branco-prateado e olhos azuis, puxava a porta até que com um estalo ela abriu. Dando passagem para uma espécie de salão com um sino pendurado e diversas janelas espalhadas. Ao ver o garoto chegar, uma garota loira de olhos verdes deu um largo sorriso chamando-o.

- Olivier, venha!

O garoto foi até ela, e os dois ficaram olhando por uma das janelas a multidão reunida de frente à torre da pequena cidade litorânea chamada “Tomorrow Town”. Onde comemorava o seu festival anual das estrelas cadentes. O prefeito dava o seu discurso para a multidão agitada, que esperava de forma ansiosa o sino bater avisando que estava na hora das estrelas cadentes tomarem o céu.

Após alguns minutos, o discurso acabou, e o sino bateu criando um grande estrondo, os garotos que estava no alto da torre tamparam seus ouvidos tentando abafar o barulho. A multidão olhava para o céu com medo de piscar e perder algo, mas para o espanto de todos, nada aconteceu. Nem uma estrela cadente apareceu no céu daquela cidade, fazendo pairar uma grande dúvida. “Será que o sino errou à hora?” Era a pergunta mais freqüente. Até que um grito agudo fez a multidão inteira se calar, e das sombras surgiram criaturas negras com grandes olhos amarelos, antenas e andar descoordenado. Eles avançavam contra a multidão, atacando os que não conseguiam escapar.

A garota loira soltou uma exclamação ao ver aquele tumulto lá em baixo. E o garoto albino chamado Olivier perguntou.

- Asure... O que é isso?

A loira deu nos ombros, e os dois saíram correndo de dentro do salão indo para a escadaria. Eles desceram a escada correndo e passaram por uma porta que dava para uma ruela cheia de caixas e barris. Depois se apressaram e foram até onde a multidão estava, mas agora tinha ninguém lá. Com receio eles andaram olhando em volta com atenção. Pensando se aquelas criaturas poderiam voltar, até que chegaram a uma mureta que fazia

divisa da cidade com a praia. O medo era pequeno, comparado a curiosidade dos dois para saber o que aconteceu ali.

- Todos sumiram. – Suspirou Olivier, olhando para o grande espaço vazio.

- Sim... Mas... O que aconteceu?

Antes que eles possam pensar em algo, duas das criaturas negras surgiram indo na direção dos garotos. Olivier segurou no pulso da Asure e a puxou em direção de outra ruela, então correram o mais rápido que podiam, entrando em qualquer esquina, e fazendo qualquer curva para confundi-los.Aos tropeços passaram por uma rua de pedra e pararam na frente do templo da cidade. Que era uma construção antiga feita de vidro embaçado, impedindo ver o que tinha dentro. Os garotos foram até a porta também de vidro e começaram a bater, empurrar e puxar. Mas ela não abria, e para o espanto deles, as criaturas negras pareciam se multiplicar formando uma dúzia delas indo em direção do templo.

A porta do templo abriu do nada, fazendo os dois caírem dentro dele. E apressados ficaram de pé e foram correndo até a parte da frente dele, onde tinha um vitral azul também com estrelas douradas nele. As criaturas passaram pela porta do templo, e desesperados os garotos olhavam em volta procurando um lugar para correr ou se proteger. Aquelas coisas estavam cada vez mais perto, e quando tudo parecia perdido, o inesperado aconteceu.

O vitral azul emitiu uma forte luz dourada, fazendo as criaturas negras desaparecerem deixando para trás um “coração” que também desapareceu passando pelo teto do templo. Por causa da grande claridade criada pelo vitral, Olivier e Asure fecharam os olhos para protegê-los. Mas quando a luz diminuiu, eles os abriram podendo ver que as criaturas tinham sumido.

No vitral, apenas as estrelas continuavam a emitir uma luz dourada. Olivier se virou para ele sentindo atraído enquanto Asure andava para a entrada templo, indo até a porta vendo se eles não corriam mais perigo. Da luz das estrelas saíram esferas douradas, do tamanho de flocos de neves. As esferas foram até Olivier que esticou o braço inconsciente “recebendo a luz”, que foi até a mão dele ganhando uma forma sólida.

A forma gerada parecia com uma grande chave, com a extensão de prata e o punho dourado.Novamente, outra luz apareceu no centro do vitral, ganhando o formato do buraco de uma fechadura. Olivier esticou a “Chave” novamente sem perceber na direção do buraco e uma luz saiu dela indo até a fechadura, fazendo o som de algo fechando.

Com o som, Asure se virou para onde o Olivier estava, e antes que ela possa dizer algo, o chão da parte do templo onde ela estava se quebrou a fazendoela cair dentro de um buraco. O garoto albino gritou e na mesma hora a “Chave” sumiu, mas antes que ele possa socorrê-la, uma forte ventania o empurrou para trás fazendo-o atravessar uma porta de Luz, que se abriu no vitral.

Era noite no campo antigo, coberto por uma grama curta. Duas figuras esguias usavam mantos de cor diferente, e estavam de costas um para o outro, tampando seus rostos com o capuz. A única fonte de luz daquele lugar, era da luz com formato de coração. A figura que usava o manto branco começou a falar, revelando ser uma mulher por causa da voz.

- O jogo começou, é hora de apostarmos.

A outra pessoa deu uma risada curta e abafada, respondendo-a. Revelando ser um homem.

- Sabemos o que temos a ganhar e perder nesse jogo. Então sabemos o que apostar.

- Nossos corações.

Capítulo 1, fim.