King of Pain
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Hermione
Confusão. Eu somente pensava nisso. Estava ouvindo "Helter Skelter", dos Beatles, e um flash de imagens se passavam em minha mente. Imagens dos tempos de Hogwarts até há 3 dias atrás, quando eu e Draco tivemos aquela conversa. A voz dele dizendo "Case-se comigo." ecoava em minha mente, me deixando mais transtornada, mais confusa, mais pressionada.
Eu precisava de conversar com alguém, alguém que pudesse me entender e aceitar os meus argumentos. Mas não havia ninguém. A proposta de Draco poderia resolver meus problemas, e resolveria os problemas dele. Mas, e ai?! Seria algo somente de aparências ou naquele pedido havia algo a mais? Sim, não é uma coisa absurda pensar nisso, ainda mais com o histórico de Draco Malfoy, e conhecendo-o a tanto tempo, as desconfianças sempre vem à tona. E de repente, vinha em mente aquele Draco arrependido durante o julgamento, aquele garoto arrependido em Hogwarts chorando por algo que ele não poderia fazer nada. E quantas vezes eu quis estar aconselhando-o, apoiando-o, mas senti medo...medo dele se revoltar contra mim, ou até mesmo me lançar uma maldição imperdoável. Medo... Parece algo simples, mas não é. Uma palavra mínima, pequenina, de quatro letras, mas que expressa um sentimento terrível.
O toque do meu telefone me despertou para o mundo ao meu redor, que não havia parado enquanto eu estava aqui pensando sobre o que fazer ou não. Como diz uma frase famosa aqui no Reino Unido, "Viver é fácil de olhos fechados." (N.A.: Trecho de Strawberry Fields Forever, música dos Beatles).
–Alô?
–Alô? Hermione minha filha, o que está acontecendo com você?
–Oh papai, como vai o senhor? Estou bem, porque a preocupação?
–Minha filha, sua secretária, Jude, ligou para nossa casa procurando por você. Você não foi trabalhar hoje, e ela está preocupada contigo...
–Sim, entendo papai. — Disse, o interrompendo. — Estou confusa em relação à algumas coisas que andam acontecendo em minha vida, preciso muito de alguém para conversar...
–Quer que eu vá até aí querida? Levo sua mãe e podemos conversar tranquilamente.
–Não papai. Quero conversar somente com o senhor. Mando um taxi para te buscar okay? Daqui a 30 minutos ele chegará ai.
–Está bem Mione. Até mais.
–Até papai. — Disse, desligando o telefone.
Precisava me arrumar, dar um jeito em minha aparência para receber meu pai. Com tantos problemas, eu havia esquecido de conversar com meu pai, e ele fazia eu me sentir a vontade. Era ótimo conversar com ele.
***
–Oi, meu amor, bom dia! — Todo esse carinho em um simples "Bom dia", me reconfortou de uma forma que nenhuma poção seria capaz de fazer. Eu não conseguia parar de pensar em todos os problemas que eu já tinha e nos que virão, se eu aceitar a proposta de Draco.
Joguei-me em seus braços me sentindo segura em seu abraço.
–Oi papai. Estava com saudades.
–Eu também, querida. Vamos entrar, estou sentindo falta de ficar agarrado com a minha bebê. — Ele falou sorrindo, me conduzindo para o sofá, com o braço sobre meus ombros. Era isso o que eu mais amava em meu pai. Ele não força uma conversa, espera o seu tempo e não te julga.
–Pai, eu preciso te contar algo que está acontecendo comigo, é um pouco longo.
–Leve o tempo que precisar.
–Eu consegui um jeito de custear todo o tratamento da mamãe e nos melhores hospitais...
–Por isso não foi trabalhar? Mas se é isso, por quê não estais radiante de felicidade?
–Não fui trabalhar porque estou com a cabeça cheia, se eu aceitar, terão muitas consequências, e a maioria não serão boas.
–Então você ainda não decidiu e quer a minha opinião?
–Sim. Pai, lembra quando te falei dos comensais da morte?
–Os seguidores de Voldemort que tentaram te matar?
–Eles tentaram matar todo mundo, pai. Mas é isso. Draco Malfoy se tornou um porque a família dele estava sendo ameaçada.
–O garotinho que te perseguia na escola?
–Sim. Depois da guerra ele foi exilado para o mundo trouxa. Há um tempo nos encontramos no ministério e ele me pediu desculpas. A partir daí começamos a sair e conversar. Há dois dias ele me fez uma proposta e eu preciso de seus concelhos para saber o que responder.
–Me diga.
–Ele me pediu em casamento. — Olhei para o meu pai e ele estava espantado, mas não iria me interromper. — Em uma conversa ele soube do problema da mamãe e sugeriu que nos ajudássemos. O pai dele em seu testamento, deixou uma cláusula casamento para que Draco pudesse ter direito a herança. Ele não quer perder tudo e eu não quero perder a mamãe. Ele pode ter qualquer mulher, mas insiste que seja eu, disse que tenho tudo o que ele admira e procura em uma mulher e o fato de eu não me interessar pelo seu dinheiro foi um dos fatores determinantes.
–Ele vê a mulher maravilhosa que você é querida, mas casamento é coisa séria. Vai ter um contrato? Vocês vão se divorciar depois? Você gosta dele?
–Creio que vamos casar apenas no civil, morar juntos por um tempo e depois de, no máximo, um ano nos divorciamos. Não vou abrir mão de um contrato, eu o conheço e não quero paga de chifruda, nós nos damos bem, mas isso não me garante nada.
– Só não quero que se machuque. Não vou dizer que faça, mas também não vou lhe proibir. Se tivesse uma chance de ajudar sua mãe, o faria sem pensar. Sabes que está decisão pode interferir até no seu trabalho, mas independente de qual seja sua decisão, vou estar ao seu lado sempre!
–Obrigada, pai!
Nos abraçamos, jogamos conversa fora e depois ele foi embora. Fiquei mergulhada em pensamentos.
***
Depois que papai foi embora, me senti aliviada. Aliviada por contar tudo pra ele, e por ele não ter me julgado. Esse era o bom do Sr. Granger: ele sempre me entendia, independente da situação, e fazia com que eu me sentisse melhor. Estava me sentindo até mais disposta. Mas, a disposição acabava quando me lembrava que o prazo de uma semana estava se passando rápido demais. Levantei-me rapidamente, caminhando rumo ao banheiro.
Tomei um demorando banho, para aliviar a tensão e para me decidir quanto à proposta, que parecia tentadora, afinal, eu salvaria a vida de minha mãe, como Draco mesmo disse, eu não quero perder quem me deu a vida, não queria perder a pessoa que mais amo. Desliguei o chuveiro, vesti meu roupão enquanto secava meus cabelos com uma toalha. Fui até meu guarda roupas, e peguei um shorts e uma regata longa pra me vestir, não iria sair de casa, e aquela era uma roupa confortável para passar o resto da tarde assistindo um filme qualquer na TV.
Me vesti, e depois de desembaraçar meus cabelos, prendi-os em um rabo de cavalo alto. Me dirigi à sala, e peguei o controle remoto, procurando algo legal para assistir, quando a campainha toca. Toca desesperadamente, como se alguém estivesse precisando de algum socorro, causando um estardalhaço. Graças à um feitiço, eu poderia saber quem estava batendo na porta antes de abrir, e s pessoas que vi me surpreenderam: Era Harry e Ron.
Sorri, e ao abrir a porta, me assustei. Um Harry zangado e um Rony extremamente alterado entrava por minha porta, aos gritos:
–O QUE SIGNIFICA ISSO HERMIONE? — Ron gritava. Estava descontrolado, suas orelhas estavam vermelhas como um tomate.
–Isso o que? De que ele está falando Harry? — Perguntei ao meu outro amigo ali presente, que me olhava com uma expressão furiosa, e ao mesmo tempo, triste. Lágrimas começaram a brotar dos meus olhos.
–ISSO HERMIONE! — Harry praticamente cuspiu as palavras em minha cara, e fez uma coisa que eu nunca imaginaria: Atirou uma cópia do Profeta Diário em mim. — LEIA ESSA MERDA HERMIONE! NÃO ACREDITO QUE VOCÊ PODE FAZER ISSO CONOSCO, EU REALMENTE NÃO A CONHEÇO MAIS !
Cai no sofá, com o jornal nas mãos, e li a primeira página:
AFFAIR ENTRE MEMBRO DO TRIO DE OURO E COMENSAL DA MORTE?!
LEIA MAIS NA COLUNA DE RITA SKEETER, PÁGINA 18
Abri o jornal na página descrita, e eu simplesmente não acreditava nas coisas que meus olhos liam.
AFFAIR ENTRE MEMBRO DO TRIO DE OURO E COMENSAL DA MORTE?!
Hermione Granger é considerada a bruxa mais inteligente de seu tempo, desde muito cedo sempre mostrou sinais de seu intelecto. Como sabemos, em seu quarto ano, quando houve o Torneio Tribruxo em Hogwarts ela namorava com Harry Potter e mantinha um romance com o famoso apanhador russo, Victor Krum. A sabe-tudo sempre se mostrou muito ambiciosa.
O que ninguém sabe, é que de quem ela gostava mesmo era de Cedrico Diggory! O lufano que entrou em óbito durante o Torneio Tribruxo. Existem suspeitas de que quem o matou foi o próprio Harry Potter, com ciúmes, por estar obcecado pela castanha, devido estar sob efeito de uma poderosa poção do amor que ela o dava regularmente, por isso sempre os víamos juntos.
Esses são os nomes que citarei por serem pessoas conhecidas, mas, dizem, que a lista de romances da garota é vasta. Até um caso com um professor foi citado. Aparentemente ela não é a queridinha dos professores, apenas, pelas suas habilidades com as matérias.
Agora, fontes afirmam que ela anda se encontrando regularmente com o ex-comensal da morte exilado, Draco Malfoy. Sim, exatamente isso que vocês leram! O "impossível" aconteceu! O príncipe da sonserina se relacionando com uma nascida trouxa. Desde quando isso vem acontecendo? Será que ela como chefe de execução das leis mágicas favoreceu o julgamento dele para não ir a Azkaban? Será que ele só quer antecipar seu perdão legal e está procurando um modo mais rápido de o conseguir? E se for isso? A sabe-tudo cairia em um golpe tão baixo? Malfoy, como um ex-comensal, não duvidaria muito do que ele é capaz, mas considerando seus padrões, se relacionar com uma nascida trouxa seria chegar ao fundo do poço.
Minha fonte afirma que Hermione frequenta o apartamento do Malfoy, que saem para dançar e beber. Os dois estão tão à vontade com esse relacionamento que foram vistos saindo de mão dadas do Ministério da Magia! O que será que está acontecendo? Podemos imaginar muito bem o que ela pode estar fazendo com ele em um apartamento de luxo com direito, até, a chefe de cozinha (Reneé Piemont) particular. Hermione é mesmo muito esperta, depois de seu relacionamento com o fofo do Ronald Weasley, também herói de guerra, agora ela parece ter agarrado o lindo, loiro e rico Draco Malfoy! De boba essa garota não tem nada!
Por Rita Skeeter.
Não consegui me segurar, e logo estava chorando. Não pude acreditar em uma coisa dessa, como essa mulher havia tirado tanta calúnia ao meu respeito? Como ela sabia da minha rotina? Dos meus encontros com Malfoy? E o pior de tudo, eu não reconhecia mais aqueles que eu chamava de "melhores amigos". Eles acreditaram em uma matéria escrita por Rita Skeeter!
–AGORA FALE ALGO HERMIONE! FALE ALGO QUE NOS CONVENÇA DE QUE ISSO É MENTIRA! PELO O QUE PARECE, ELA ESTÁ MUITO BEM INFORMADA AO SEU RESPEITO...
–RONALD, CALE A BOCA ! – Pedi. Não aguentava mais ouvir acusações de todos. ELES, os que eu considero AMIGOS, não tinham nada que ficarem se metendo em minha vida, por mais mentirosa fosse a matéria.
–Hermione — Harry começou, prudente. — Como pode explicar isso? E não foi somente Rita Skeeter que viu você e Malfoy de mãos dadas no Ministério, temos provas de que é verdade...
–Harry, vocês não tem absolutamente nada a ver com minha vida pessoal — Interrompi ele. Já estava chorando muito, não acreditando naquilo que estava acontecendo.
–PENSEI QUE ÉRAMOS AMIGOS HERMIONE, AGORA VEJO QUE NÃO SOMOS NEM ISSO ! COMO PODE ESCONDER DE NÓS ISSO?! — Ronald voltou a gritar.
–SOMOS AMIGOS, MAS TUDO TEM LIMITES! NÃO VOU FICAR AQUI OUVINDO ACUSAÇÕES DE PESSOAS QUE EU ESPERAVA ENCONTRAR APOIO. VOCÊS ACREDITARAM EM RITA SKEETER, MESMO SABENDO O QUANTO ELA PODE INVENTAR ALGO PARA SE PROMOVER ! VOCÊS VIERAM ATÉ MEU APARTAMENTO, E AO INVÉS DE CONVERSAREM E SABER O QUE ESTÁ ACONTECENDO, VIERAM LOGO ME ACUSANDO! SINTO MUITO, MAS ISSO NÃO PODE SER CHAMADO DE AMIZADE. POR FAVOR, NÃO QUERO MAIS ESTENDER ESSA SITUAÇÃO. POR FAVOR, SE RETIREM DE MEU APARTAMENTO, ATES QUE EU TOME ALGUMA ATITUDE IMPENSADA! SAIAM!! — Cai no chão, me abraçando em meus joelhos. Se tudo estava ruim, agora tinha piorado de vez.
–Achávamos que te conhecíamos Granger. — Rony disse, e saiu, batendo a porta.
–Hermione, depois volto para conversármos, preciso ir e acalmar Ron. — Disse Harry, abrindo a porta e saindo.
Situações imprevisíveis, atitudes impensadas. Depois que eles foram embora, peguei meu telefone e disquei um número já conhecido.
–Alô? — A voz do outro lado da linha disse.
Tentei fazer a melhor voz que pude, mas percebi a falha quando meus lábios se movimentaram e eu disse:
–Malfoy, você venceu. Eu aceito.
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