King of Ashes

1 King of Ashes


Notas iniciais
Olá, pessoas maravilhosas!!! ;D Tudo bem com vocês? Bom, eu simplesmente precisava escrever isso! Espero que gostem! ♥

KING OF ASHES

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Chovia do lado de fora. Como se alguma divindade omissa, porém, benevolente estivesse tentando lavar toda podridão e miséria que se esgueirou do Mundo Invertido e cresceu em Hawkins como um câncer que destrói e assassina tudo que toca. Um relâmpago cortou o céu, fazendo o rapaz mover-se na cama. Aquilo foi um erro, o gemido de agonia que escapou por seus lábios deixou bem claro. Cada mísero centímetro de seu corpo doía e tudo o que Steve Harrington desejava era dormir. Dormir por toda a eternidade, para ser mais exato.

As luzes do quarto estavam acesas. O garoto nunca se sentira tão exausto. Física, emocional, psicologicamente... Os últimos dias não haviam saído conforme seus planos. Definitivamente não! Afinal, tudo que queria era se entender com Nancy e quando se dera conta já estava – mais uma vez – envolvido em uma caçada a monstros que o levara – literalmente – ao inferno, ou a qualquer coisa muito parecida.

Tudo aquilo era tão fodido e tão insano! Tão fodidamente insano! Por Deus, ele só queria resolver os problemas da sua vida amorosa. Uma vida amorosa que agora parecia morta e enterrada. O adolescente suspirou pesadamente e a pontada em suas costas o fez perceber que aquilo também fora um equívoco. Billy havia feito um excelente trabalho em quebra-lo como a um brinquedo infantil e, no instante em que a adrenalina em seu sangue cessou, Steve soube que passaria semanas inteiras consumido pela dor. A pequena parte de seu cérebro que ainda era capaz de raciocinar dizia que deveria ter procurado um hospital, no entanto, ele não entendia sequer de onde tirara forças para chegar até a sua casa, tomar um banho e se arrastar até a cama.

Por um lado, Harrington sentia-se grato por seus pais estarem em mais uma de suas intermináveis conferencias em Denver. Ao menos, assim, não precisava pensar em justificativas estapafúrdias para seu rosto destruído. O garoto não queria mesmo imaginar como sua cara estaria no dia seguinte e definitivamente não queria se explicar. Ainda assim, havia uma parte nele que lamentava, como nunca, a ausência paterna. Porque o fato de sua mãe e pai não estarem ali significa que estava sozinho e, após toda a merda daquela semana, isso podia ser absurdamente assustador.

Era por isso que as luzes estavam acessas e seu taco de baseball se mantinha convenientemente apoiado ao lado da cama. Steve não acreditava que, naquele ponto, ainda seria realmente capaz de usá-lo. Bom, seus pais também não seriam exatamente úteis se tratando de um confronto contra criaturas monstruosas de uma outra dimensão. A presença dos dois, contudo, ao menos significaria que não estava completamente só e que havia alguém que se importava, mesmo que minimamente, com ele. O rapaz, de qualquer forma, achava que era melhor ir se acostumando à solidão, uma vez que estava ficando bem claro que aquela seria a nova constante de sua vida.

Ele e Nancy haviam terminado. Aquela era a primeira vez que Steve admitia o término para si mesmo e deixar aquelas palavras se formassem em sua cabeça machucava mais que qualquer um dos ferimentos causados pelo sociopata do Hargrove. Naquele último ano, a namorada havia sido todo seu mundo. Houve um tempo em que fora um rei, mas agora isso soava como a recordação de uma outra vida. O garoto perdera seus amigos – não que sentisse realmente falta daqueles idiotas –, sua popularidade, sua coroa. Nada disso importou. Até agora. Naquela noite perdera Nancy Wheeler e o que feria mais era já nem ser capaz de acreditar que em algum ponto ela houvesse sido verdadeiramente dele.

“Nós temos problemas maiores que a sua vida amorosa.”

A voz de Dustin soou em sua cabeça e, se não doesse como o inferno, Steve teria sorrido naquele momento. Era verdade. O mundo era um lugar sombrio, o rapaz havia descoberto no ano anterior, e o mal parecia sempre encontrar em modo de emergir. Especialmente naquela cidade de merda. O garoto enfrentara coisas piores que um coração partido naquela noite. Coisas monstruosas que poderiam tê-lo matado. Por Deus, até mesmo ser espancado até a inconsciência por Billy deveria ser algo pior que o fim de um relacionamento!

O Hargrove, afinal, mostrava que seres humanos também poderiam ser terríveis e, após todo aquele pesadelo, Max ainda teria que voltar para a casa e conviver diariamente com um demônio que não poderia matar. O que indicava que Lucas eventualmente também teria que voltar a lidar com aquele animal. Pensar naquilo fazia com que o adolescente sentisse uma compaixão inesperada por aqueles pirralhos malcriados.

No fim das contas, eles estavam pior do que ele. E, se aquilo fosse uma competição, Will Byers estava pior do que todos juntos. Talvez Steve devesse estar simplesmente contente por não ter sido possuído por uma criatura interdimensional depois de ter sido sequestrado por uma delas. Droga, aquilo era merda demais para uma criança! A parte mais assustadora, entretanto, era perceber que se importava. Realmente se importava. Quando começara a se importar com alguém além dele mesmo? Quando começa a se importar com alguém além de Nancy? O rapaz não saberia dizer.

Então, sim, Dustin estava certo. Era óbvio que aquele pequeno nerd irritante estava certo, Steve pensou, com um certo afeto – Deus, ele havia realmente batido a cabeça com muita força! Havia um milhão de problemas maiores que sua vida amorosa fracassada. E o rapaz deveria sentir-se grato por ter sobrevivido duas vezes àquele inferno. Nem todos tiveram a mesma sorte.

E talvez fosse esse o motivo de, a despeito de toda exaustão, ainda estar acordado. Toda vez que Steve fechava os olhos – o que, por sinal, também doía – era bombardeado por um milhão de imagens. Demogorgons, o Mundo Invertido, Billy arrebentando a sua cara... e ela. Barb. E, então, as palavras de Nancy, naquela maldita festa de Halloween, se somavam à confusão, o atingindo como tiros.

“Você age como se tudo estivesse bem. Como se nós não tivéssemos matado Barb.”

A garota estava certa. Eles haviam matada Barb. Talvez não intencionalmente, mas o sangue ainda estava em suas mãos. Especialmente nas do garoto. No fim, a culpa era dele, certo? Fora ele quem convidara as meninas, em primeiro lugar, atraindo Barbara para uma armadilha mortal. Fora ele quem nunca dera a mínima para a melhor amiga de sua namorada. Era com ele que Nancy estava enquanto a adolescente era sugada para Deus sabe onde e assassinada. Se as coisas houvessem sido diferentes... Se ele nunca houvesse aparecido na vida de Nancy... Talvez Barb ainda estivesse viva e talvez tudo fosse melhor.

O menino se sobressaltou quando o som de um trovão ecoou pelo quarto. Do lado de fora, a chuva parecia se intensificar e todo o corpo do rapaz doeu ainda mais. Steve queria chorar. E, honestamente, sequer sabia se era pela dor, pelo medo, por seu coração partido ou por Barb. Talvez pela simples mistura de todas aquelas desgraças. Se o pai o visse agora o acharia a criatura mais patética que já existira. O adolescente não poderia julgá-lo, afinal, sentia-se realmente o ser humano mais ridículo do mundo. Crianças de 13 anos lidavam melhor com aquela merda que ele. Patético, Harrington, patético!

Ainda assim, e por mais estúpido aquilo fosse, o menino achava que talvez – e apenas talvez – a mãe entenderia. Bom, não a parte dos demogorgons ou a culpa que ele carregava pela morte de uma garota que mal conhecia, é claro, mas o fato de que estava assustado e sozinho e com dor. Entenderia que o filho precisava que alguém se importasse com ele e se importaria, porque, afinal, ela era sua mãe, certo? Então, ela ficaria ao seu lado, cuidaria de seus machucados e afagaria seus cabelos (e Steve sequer se importaria se ela os bagunçasse com um ninho de passarinhos). Como um estúpido garotinho, fugindo de um pesadelo, ele só precisava de sua mãe. E, sim, aquilo era absurdamente patético!

Seu desespero por contanto humano e afeto era deprimente, no entanto, explicaria muito bem seu talento para fingir-se de cego e agir como se tudo estivesse bem, mesmo quando o mundo estava desmoronando ao seu redor.

“Como se nós estivéssemos apaixonados.”

E lá estavam as palavras de Nancy novamente. E por que elas pareciam machucar mais a cada vez que ele as rememorava – como um maldito disco arranhado? Respirou fundo, tentando fazer o mínimo de movimento possível. Era óbvio que aquela lembrança iria feri-lo. Descobrir que o último ano da sua vida fora uma mentira não deveria ser fácil, certo? A pior parte era que, de algum modo, Steve sempre soubera que seu relacionamento não era real. Bom, seus sentimentos eram reais, ainda assim, a recíproca não era verdadeira. Pelo menos, não do modo como ele gostaria que fosse. O garoto sabia que Nancy sentia algo por ele, entretanto, não era nem de longe suficiente ou comparável ao que ela sentia por Jonathan. E existia uma parte dentro do Harrington que sabia, desde o princípio, que algo estava errado. Que Nancy não era garota para um idiota como ele. Ou melhor, que um idiota como ele não era – e nunca seria – bom o suficiente para uma garota como ela.

“Como se estivesse tudo bem e nós estivéssemos festejando. É, vamos festejar.”

O rapaz sabia de tudo isso. Tais certezas escondidas nas partes mais sombrias de seu ser. Porém, sempre preferiu negar o óbvio e evitar o confronto. Era provável que Steve Harrington ainda fosse um rei, no fim das contas. O rei da negação. Nancy estava certa, ele fingia que tudo estava bem e não apenas no que se referia ao relacionamento entre os dois.

Após enfrentar o demogorgon, pela primeira vez, tudo o que o garoto fizera fora fingir. Ele tentara agir como se nada houvesse acontecido, como se sua vida inteira não houvesse saído dos trilhos no instante em que se deparara com um monstro de outra dimensão. Fingia, acima de tudo, que estava bem e que não sentia medo todo tempo. Era por isso que andava com aquele maldito taco de baseball no porta-malas de seu carro. Era por isso que mantinha as luzes acesas sempre que estava sozinho. Era por isso que sentia receio até mesmo de tocar no nome de Barb ou pensar no que acontecera com a garota.

Steve queria uma vida normal, mas agora começava a duvidar que algum dia a conseguiria. Ele tentara suprimir suas emoções e fugir de tudo o que o apavorava. Dos monstros, da culpa, da noção de que qualquer coisa sobrenatural estava à espreita. No entanto, tudo aquilo eventualmente o alcançara com uma intensidade devastadora e muito maior do que qualquer um poderia prever.

Após aquelas 48 horas insanas, o rapaz sabia que não seria capaz de voltar a fingir. Havia presenciado o fim do mundo pela segunda vez. Seu universo inteiro padecera em chamas e tudo o que lhe restara foram as cinzas. Do lado de fora, a tempestade pareceu se intensificar, fazendo o adolescente se afundar mais nas cobertas. Porra! Por que aquilo tinha que doer tanto? E, para ser sincero, ele nem sabia exatamente ao que estava se referindo.

Suspirou dramaticamente. Precisava que parasse de machucar, precisava se livrar de todos aqueles pensamentos idiotas, precisava dormir. Precisava que tudo fosse diferente.

Notas finais
Ok, eu estou apaixonada por Steve Harrington e acho que, a partir de agora, irei escrever bastante sobre ele! Espero que tenham gostado! ♥ Beijinhos... Thaís
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!