King Dragon: E os Guardiões de Dois Mundos
1 A Queda Das Lendas
“Siga o caminho do guerreiro e você encontrará algo que ninguém pode roubar de você!”
Se tivesse que contar a história completa de toda a jornada do jovem Sam, acho que teríamos que começar naquela noite com seu pai. A escuridão da floresta se misturava a intensa e anormal chuva, dificultando sua visão do caminho, mesmo assim ele seguia desesperadamente em meio aquelas gotículas intensas e geladas de água, atormentado pelos espectros que o perseguia. Então ele para sua corrida para recuperar o folego em frente a uma arvore antiga, o ar gélido daquela noite parecia queimar seus pulmões, ele observa o balanço onde sua filha costumava brincar quando mais nova e rapidamente lembra-se do que acontecera naquele mesmo dia pela manhã.
Durante aquela caminhada de volta para casa seu filho parecia cansado.
— Vamos Sam, estamos quase chegando!
— Ainda não entendo por que temos que morar tão afastados da cidade?
— Nenhum motivo em especial, apenas que eu e sua mãe optamos. E uma vida mais calma, sem toda a correria.
— É, mas se torna cansativo ter que andar até lá e voltar com todas essas compras!
Ícaro vira-se para Sam com e com tom de ironia. — Bom poderíamos ter ido no carro, mas alguém achou que seria uma ótima ideia caçar aves perto dele.
— Aquilo foi um erro, não achei que ele fosse desviar no último segundo. Quanto estrago uma flecha pode fazer?
— Depende de como você atira! Achei que você tivesse melhorado?
— Eu ainda to me acostumando como arco! Ainda assim, não acha que seria mais fácil para a gente, perto da civilização, escola, seu trabalho?
— Um dia você sairá de casa e irá para o mundo, aí você vai entender. Já chegamos, deixe o resto comigo, vai ver se sua mãe precisa de algo.
O sol batia ao lado do telhado da casa, iluminando o jardim de flores na frente da casa, onde Sarah estava, apoiando a cabeça no corpo de Simon, seu cão de estimação, ela lia para ele um pequeno livro de contos.
— O que você acha disso Simon? O guerreiro continuava lutando mesmo sabendo que a luta estava perdida! Será que ele é muito burro ou muito valente?
Simon olha para Sara e faz um grunhido leve, deitando sua cabeça logo em seguida. — É também acho isso — Diz Sarah.
Ícaro coloca as compras no chão perto da porta e se aproxima de Sarah no jardim.
— O que está lendo querida?
— Os guardiões do Sol, Simon adora esse conto!
— Diz pro Simon que ele precisa proteger você igualzinho os guerreiros desse livro.
— Acha que pode haver guerreiros e magia neste mundo?
— Apenas mantenha a mente aberta. Vai se surpreender com o que você mesma pode fazer.
De repente a lembrança de Ícaro é interrompida pelo espectro que avança em sua direção. Sem hesitar ele saca sua espada e atravessa a cabeça do espectro, o transformando em fumaça negra logo em seguida. Ícaro percebe que mais estão vindo. Então retoma o fôlego em segue sua corrida em direção a sua casa.
— Preciso chegar lá a tempo — Ele repedia enquanto corria o mais rápido que pudera em meio àquela chuva de lâminas de água geladas. Quanto mais Ícaro se aproximava, mas ele podia enxergar as chamas que tomara sua casa. De repente, a escuridão da noite deu espaço a luzes intensas provocadas por labaredas de fogo estranhamente vermelhas. Ícaro, ao se aproximar da casa começou a gritar por sua família.
—ANGÉLICA! SAM! MEU DEUS! SARAH! —Sem poder chegar mais perto devido ao intenso calor, via o pior acontecer. —Vou ter que usar aquilo— ele fala consigo mesmo. Então Ícaro levanta sua espada e aponta em direção a casa em chamas, e de repente, seus olhos atingem uma estranha coloração vermelha e brilhante. Mas antes que ele possa fazer qualquer coisa ele escuta o grito de sua esposa vindo de dentro da floresta.
—ICARO! NÓS ESTAMOS AQUI!
—Graças a Deus! — ele suspira enquanto segue em direção a sua família.
Sam e Sarah correm para abraçar seu pai.
—Vocês estão bem? Ícaro pergunta virando-se para Angélica
— Você é louco? Oque ia fazer no meio daquelas chamas?
— Pensei que vocês ainda estavam lá dentro.
— Tirei todos pelos fundos assim que notei a presença deles.
De repente a casa em chamas começa a ser envolvida por estranhas fumaças negras. Sam abraça sua irmã, mas não consegue tirar os olhos da casa. —Pai o que é aquela coisa? — Ícaro vira-se para Sam e entrega a ele um colar de corda com um dragão de metal preto de pingente.
— Sam pegue sua irmã e esconda-se na floresta!
— Oque? E vocês?
— Agora Sam! VAI!
Mais uma explosão vinda da casa faz todos voltarem seus olhos para as fumaças negras que assumem formas de espectros, que avançam em sua direção. Rapidamente Angélica saca seu arco e dispara flechas simultaneamente contra essas criaturas. —Nós estamos logo atrás de vocês, eu prometo— Diz Ícaro para seus dois filhos. Sam pega a mão de Sarah e corre para o interior da floresta. Ele olha para trás e vê seu pai segurando a espada ao lado de sua mãe. Então sua visão é ofuscada por chamas e calor muito intenso vindo daquele lugar.
Sarah olha para Sam. —Espera! Espera! — Ela repete o parando.
—O que foi?
Sarah assobia intensamente. E da direção da casa em chamas surge Simon.
—Vamos garoto, vem com agente.
Os três se escondem em uma arvore grande nos arredores da floresta.
— Será que eles estão bem? — Diz Sarah sussurrando
— Calma logo estarão aqui, eu tenho certeza. — Responde Sam confortando sua irmã.
Sam segura fortemente o colar que seu pai lhe deu. Sua respiração está pesada, seu medo é visível embora tentara esconder isso de sua irmã enquanto tenta acalmá-la. Os dois não tiraram os olhos da direção da casa nem um segundo seque. Esperando e atentos a qualquer movimento vindos daquela direção. Entretanto Simon é o primeiro a sentir algo estranho, ele começa a rosnar sem parar.
— Calma rapaz— Diz Sarah tentando acalmá-lo em vão. De repente um espectro surge da escuridão e surpreende os três. Sam se posiciona na frente de sua irmã. Eles nunca haviam visto algo tão impressionante e ao mesmo tempo tão sombrio e assustador. A criatura olha intensamente para os três, e de repente começa a gargalhar friamente.
—HAHA! É com essas porcarias que o mestre estava preocupado? — A criatura fala debochando
— Mas que porcaria é você? — Diz Sam tentando esconder seu medo
A criatura ergue-se em posição de ataque. e pula na direção deles. Rapidamente Sam tenta proteger sua irmã. Mas antes que o espectro pudesse atingi-los Simon pula nas costas da criatura derrubando-a no processo. Inspirado pelo instinto protetor do seu animal. Sam pega um galho e parte para cima da criatura. Mas ela se levanta rapidamente e arremessa Simon em cima de Sam. Derrubando os dois na hora.
— Tenho que admitir você tem garra criança. Não posso permitir que esses olhos cheios de fúria desafiem o mestre no futuro.
A criatura ergue sua garra enquanto solta um grunhido estridente. Mas bem na hora de seu ataque, o espectro é atingido por uma bola de fogo nas costas. Ela se vira e tem o corpo atravessado pela lâmina em chamas de Ícaro.
— PAI! — Gritam os irmãos!
— Não disse que estava logo atrás de vocês— Diz Ícaro sorrindo para seus filhos.
Os Irmãos notam que os olhos de seu pai estão vermelhos e brilhantes como fogo. —Fiquem atrás de mim! — Ícaro fala virando as costas para seus filhos.
Os espectros os cercam em forma de fumaça negra. —O que são essas criaturas? — Grita Sam, enquanto os espectros assumem formas humanoides.
— São demônios— Diz Ícaro.
Em uma fração de segundos todas as criaturas estão prontas para o combate.
— Eles têm que morrer! — Grita o espectro.
— Vai ter que passar por mim! — Afirma Ícaro.
Nesse instante as gostas de chuva param em pleno ar. Era quase como se o tempo tivesse congelado para a chuva. Todos olhavam de um lado para o outro sem entender nada do que estava acontecendo. De repente todas as gotas de chuva se transformam em agulhas de gelo que atravessam todos os espectros de uma só vez, transformando-os em Fumaça. Logo atrás daquela sombra negra surge Angélica que dá um salto por cima da nuvem escura para perto de sua família.
Os irmãos não entendem como aquilo era possível, os dois estão de boca aberta.
Então ouve-se sons monstruosos ecoados pela floresta. Ícaro envolve sua família em um círculo de fogo que ele criara do nada. — Temos que tirá-los daqui! — Ele afirma. — Os Dragões não conseguirão entrar na floresta densa. — A nuvem de fumaça negra se dissipa rapidamente, ninguém entende o que aconteceu. O ataque de repente sessara.
— Eles pararam? — Pergunta Angélica com desconfiança.
Ícaro não responde por um tempo até olha para todos os lados. — Não acho que eles iriam simplesmente desistir.
Então ouve-se uma voz ecoando das profundezas da floresta. — Você é esperto Ícaro! — Surge um cavaleiro misterioso com uma armadura vermelha um tanto peculiar.
— Como esperado de um homem tão formidável como você!
— Cronos? — Pergunta Ícaro abismado. — O que está fazendo aqui?
— Eu realmente não queria que fosse assim velho amigo. — Responde o cavaleiro misterioso — Mas eu preciso que você e sua família sejam esquecidos!
Angélica enfurecida aponta o arco para Cronos. — Desgraçado! Você nos traiu!
— Por um bem maior srta. Angélica. — Responde Cronos empunhando uma estranha espada cheia de espinhos. — Ele retornou. E nós não temos a menor chance contra ele. Ele acabará com tudo e tomará aquilo que é dele por direito. Seria tolice tentarmos impedir o inevitável. Então eu fiz um trato com ele, ele poupará e lembrará de todos que o ajudar a reconquistar seu trono.
— Você se vendeu ao próprio medo meu amigo — Diz Ícaro empunhando sua espada.
— Sabia que você não entenderia! — Afirma Cronos. — Por isso, mais uma vez, eu lamento ter que ser assim.
— Lamenta nada — Responde Angélica.
— Nobres até o fim! Eu respeito isso. Porém essa nobreza os condenará! — Diz Cronos enquanto aponta sua espada para cima. — Acham mesmo que eu enfrentaria os dois guerreiros mais poderosos sozinhos?
Um terremoto se inicia, fendas no solo começam a se abrir, e de dentro delas surgem monstros gigantescos com armaduras, eles os atacam.
Com o balançar de sua espada, Ícaro cria labaredas colossais que incendeiam a floresta, parado o ataque e reduzindo tudo a sua frente a cinzas. Angélica, por sua vez pega seu arco e dispara uma flecha de gelo na direção de Cronos que desvia imediatamente. Ele ergue sua espada e ordena que seus espectros a elimine. Mas Angélica cria um turbilhão com água da chuva que os arremessa para bem longe.
— Vai se esconder atrás de seus lacaios Cronos? — ela grita enquanto empunha seu arco furiosamente.
— Eu jamais poderia enfrentá-la pessoalmente! E sinceramente eu não preciso. — Afirma Cronos.
Então um dos monstros apunhala Angélica pelas costas com sua calda. — Sabe qual o problema da nobreza srta. Angélica? — Cronos pergunta enquanto a calda do monstro atravessa o peito de Angélica. — Ela nos faz nos preocupar mais com os outros do que com nós mesmos.
Os dois irmãos observam com desespero enquanto sua mãe cai no chão. Ícaro, furioso, envolve seu próprio corpo em chamas e parte para cima do monstro. A luta é gigantesca. Enquanto isso Cronos observa Sam e Sarah irem de encontro com sua mãe.
— Estão vendo o que a nobreza faz! — Cronos fala enquanto se aproxima. — Ela estava tão preocupada em protegê-los, que ficou mais atrás, criando um ponto cego para si mesma.
— Está errado seu maldito! — Sam fala enquanto se levanta de frente para Cronos. — Isso não se chama nobreza, se chama amor.
Cronos ergue mais uma vez sua espada acima da cabeça de Sam que o olha fixamente sem piscar uma única vez.
— Gosto do ódio em seu olhar. É um desperdício derramar o sangue de um guerreiro tão jovem.
Antes que Cronos pudesse matar Sam, ele é surpreendido pelo monstro que foi arremessado em sua direção, derrubando Cronos.
Então Ícaro surge mais uma vez, com suas roupas manchadas de sague preto da criatura, sua espada queimava uma chama vermelho vivo. Seus olhos brilhavam como fogo.
— Já que você trouxe seu animal de estimação Cronos, me permita igualar as coisas.
Eis que atrás de Ícaro um par de asas gigantes se abre e o levantar de um dragão vermelho que rugi cuspindo fogo, com seu corpo envolvido em brasas que iluminavam aquela noite e transformava a chuva em vapor, tal visão impressionante daquela criatura deixava os dois irmãos de boca aberta. Cronos tenta se levantar, mas o dragão pula em cima dele e o arrasta para cima das nuvens. Então Ícaro apoiassem sua espada para recuperar o fôlego. Sam corre para ajudá-lo.
Enquanto isso Sarah chora ao lado de sua mãe caída, ela não consegue parar de tremer perante aquela situação. Então ela escuta uma voz. — Não chore minha criança! — Sarah olha para trás e vê um segundo dragão se revelar entre as sombras.
— Não é um mero ferimento que irá causar a morte de sua mãe!
O dragão se aproxima de Sara. Diferente do primeiro, este era azul, possuía chifres brilhantes em sua cabeça, como se fossem cristais, sua calda era uma grande nadadeira e suas patas eram adaptadas para a água. Sarah estava confusa, assustada e ao mesmo tempo admirada com aquela criatura
— Q- quem é você?
— Olhe, vê? O ferimento sumiu!
Sarah verifica o ferimento de sua mãe confusa e abismada. —Co- como isso é possível?
Então angélica abre os olhos. Pela primeira vez, Sarah vê os olhos da sua mãe brilhar com uma coloração azul tão linda como o mar cristalino.
— Mamãe! Você está bem?
— Sim querida não se preocupe!
Angélica se levanta e empunha mais uma vez o seu arco, suas roupas estão manchadas com seu sangue, mas aparentemente todos os seus ferimentos aviam se curados. Ícaro também se levanta e caminha em direção a Angélica. Sam e Sarah apesar de confusos e assustados estavam bem, e Sarah até encontrou tempo em sua mente para lembrar-se se Simon de novo. Ela o chama para perto e ele a obedece.
— Isso ainda não acabou! — Ícaro afirma para Angélica.
— Não tenho dúvidas. Oque nos resta fazer é encontrarmos o velho Ansião e discutirmos com todos os outro. Cronos nos traiu, e sabe-se lá quem mais se uniu a ele.
Então os dois irmãos decidem confrontar seus pais.
— Desculpe interromper, mas... — inicia Sarah.
— Podem explicar o que foi tudo isso? — Completa Sam.
— Não temos tempo agora... — Diz Ícaro.
Mas antes que Ícaro pudesse terminar a frase, o dragão que antes atacara Cronos caí no chão, abrindo-se uma pequena cratera. E logo em seguida Cronos também cai. Ícaro corre em direção ao dragão, mas antes de alcançá-lo ele é impedido pela presença de Cronos que se levanta enquanto seus ferimentos ainda estão se curando.
— Que decepção, mandar seu cão de guarda fazer o seu serviço? Vamos admita, está enferrujado.
— Disse o palhaço que precisa de capachos para cansar seus adversários!
— Tuche! Hahaha você me pegou! — Cronos ri casualmente — Muito bem! Dessa vez irei usar tudo!
Cronos assume posição de combate — Você realmente me diver... — Angélica transfere uma joelhada no rosto de Cronos que o empurra para trás.
— Quem é o distraído agora?
De repente Ícaro olha para seus filhos e sorri para eles serenamente, fazendo com que os irmãos se acalmassem. Imediatamente Cronos se levanta irritado, o golpe de Angélica foi capaz de ferir o guerreiro que cospe sangue no chão. Seus olhos começam a brilhar em uma cor alaranjada. A poeira perto dele começa a circular, tornando-se mais densa, enquanto rochas começam a flutuar ao seu redor. Seu dragão surge em meio àquela cortina de poeira. Ele não possui asas, mas tem a vantagem de ser maior que os outros dois, um imenso martelo em sua calda, além de espinhos em suas garras e protuberâncias em suas costas. Imediatamente o dragão de Angélica se coloca em posição de ataque. — Não é educado interromper uma conversa Srta. Angélica! — Cronos afirma.
O Dragão de Icaro também se levanta, e mais uma vez todos estão prontos para o confronto. O vento gélido sessara envolta deles, e uma pressão absurda estava se formando. Entretanto nenhum deles se movia, seus olhos brilhantes estavam fixos uns nos outros, suas feras intimidadoras rosnavam estridentemente. Sam olhava para aquilo com muita dificuldade, sua visão estava embasada, e não conseguia respirar direito por conta daquela pressão esmagadora. Sarah por outro lado estava em pé olhando fixamente para seus pais, de alguma maneira ela podia suportar todo aquele peso, é como se ela pudesse compreender a batalha psicológica que todos travavam naquele instante. Nem mesmo o pobre Simon conseguia manter-se firme perante aquilo.
Todos permaneciam em silêncio, os únicos sons que se podia ouvir além dos ruídos dos dragões eram o da chuva que começara a diminuir. Nesse instante os guerreiros empunharam suas armas. Imediatamente Angélica troca olhares com seu marido, suas excreções são sérias, mas calmas e tranquilas.
Então Angélica se lembra daquela mesma manhã. Dos sinos tocando na varanda de sua casa enquanto o vento soprava. Aparentemente aquele lugar era bastante pacífico, perfeito para uma vida em família. Nesse ponto nem mesmo a frustração de Ícaro pelo carro parecia ser um incomodo.
— Talvez uma vida tranquila seja uma possibilidade para nós. — Angélica pensava.
Naquele mesmo instante, ela vê pela janela Sarah atingir a decima flecha seguida no alvo, o que a fez mudar de expressão imediatamente.
— Agora são dez minhas contra seis suas! Acho que alguém vai fazer minhas tarefas por mim
— Ah fala sério! Você ficou com as flechas boas! — Sam afirma enquanto tirava as flechas da aljava de Sarah.
— Isso é o que você diz! Me dê uma sua e eu te mostro.
— Tá bem! — Sam entrega uma flecha de sua aljava para Sarah — Eu duvido!
Enquanto Sara olha fixamente para seu irmão, ela aponta seu arco e dispara uma flecha que atravessa o centro do alvo e atinge a arvore logo atrás. Sam abaixa a cabeça frustrado com aquilo. Então Sarah entrega uma de suas flechas para ele.
— O truque é manter a mente calma o tempo todo, não pense em atingir o alvo.
— Tá bom.
Angélica olha para seu filho e sorri mais uma vez, se motivando a ajudá-lo. Então ela caminha até ele.
— Não se preocupe querido, seis de dez não é ruim, você vai melhorar. Apenas dedique-se.
— O problema é que não acho que possa melhorar no arco.
Então Ícaro se levanta com sua maleta de ferramentas. — Guerreiros tendem a ter mais afinidades com uma arma do que com outra. — Ele apoia a maleta de ferramentas no capô do carro.
— Então acho que poderia treinar com sua espada.
— Bom pra isso você tem que ser um pouquinho melhor com o arco primeiro.
— Ah qual é! Por quê? Não tem nada a ver um com o outro!
— Enquanto você pensar assim nunca será bom com nenhum dos dois
Angélica toca no ombro de Sam — O segredo para qualquer arma branca é usá-la como uma extensão de seu próprio corpo. O coração é poder, a mente é o gatilho, e a alma é o soldado.
— E o corpo é a armadura! — Diz Sam, enquanto olha para o seu pai.
— Isso mesmo — Confirma Angélica.
— Isso significa que você cria sua própria habilidade. E mais, você deve ter sua própria espada se quiser ser um espadachim.
— Você vai me dar uma? Não é todo dia que eu faço 14 anos, é o momento perfeito.
— Boa tentativa! Mas quem sabe em um outro momento. — Ícaro joga uma flanela na cabeça de Sam
— Tá então pelo menos me deixa dirigir o Mustang.
— Claro! Concerte o para-brisa que você destruiu e eu te deixo dá uma volta em torno da casa.
Sam sorri culpadamente — Entendi.
— Talvez não tenhamos sido feitos para termos uma vida normal. — Angélica pensa enquanto se prepara para atacar Cronos.
Uma última gota de chuva cai no solo dando sinal de ataque para todos os guerreiros. O primeiro a atacar é Ícaro que cria uma onda de chamas obrigando Cronos a recuar. Em seguida o dragão de Cronos cria uma barreira de pedra batendo suas patas dianteiras no chão. Entretanto acaba criando um ponto cego, de onde aparece Angélica e seu dragão. Então surge os espectros para contra atacar.
— Já me cansei de vocês! — Diz Icaro.
Então ele envolve seu corpo e de seu dragão em chamas e pula dentro daquela fumaça negra. Fulminando todos instantaneamente. Enquanto isso Angélica saca duas lâminas pequenas em parte em alta velocidade em confronto com Cronos. O impacto de encontro dos dois gera uma onda de choque a sua volta. Seus dragões também se enfrentam ferozmente.
Os dois irmãos observam aquela batalha sem qualquer reação. Eles não conseguem acreditar no que estão vendo. Sarah lembrara do livro que estava lendo para seu cachorro naquela manhã. — É como os guerreiros do sol daquele conto! — ela pensava.
Sam por sua vez permanecia paralisado de medo, seus pensamentos eram em sair daquele campo de batalha. Mas seu corpo não podia responder a seus instintos. A final qual era o significado disso? O que são os seus pais? Oque eram aquelas criaturas? Essas eram as perguntas que ecoavam em sua mente.
De repente Icaro grita para seu dragão. — Rocko vamos acabar com um tiro! — Na qual o seu dragão responde. — Muito bem vamos lá.
Então o dragão carrega uma bola de fogo em sua boca. Angélica luta ferozmente contra Cronos e seu Dragão. O impacto de seus golpes criava ondas de energia que fazia a floresta inteira tremer. Seus poderes combinados mudaram completamente a paisagem a sua volta. Angélica criara um rio do nada que os cercara. Cronos por sua vez lançava projéteis de rochas em direção a Angélica e seu dragão. O confronto seguia imparcial e equilibrado, ninguém recuava nem por um segundo. Com um soco no estomago, o dragão de Cronos é arremessado para longe por Angélica. Cronos por sua vez transforma várias arvores em lanças e arremessa em direção de Icaro. Mas é protegido pelo dragão de sua esposa.
— Chega de brincadeira! — Afirma Cronos. — Se você acha que o destroier de seu dragão vai me parar pode esquecer.
Entretanto Cronos não consegue mover suas pernas. Elas congelaram devido ao rio que Angélica criara e agora solidificara para prendê-lo. — Odeio ser esquecida! — Diz Angélica. Então ela começa a congelar o restante do corpo de Cronos.
— Isso não vai me segurar por muito tempo Angélica. —
— Essa camada de gelo é quase tão resistente quanto diamante, tenho certeza de que não vai durar para sempre. Mas eu não quero te prender. Apenas te segurar por um tempo.
Cronos olha a sua frente com uma expressão de pânico. Rocko estava com uma esfera de luz carregada em sua boca. A luz incandescente iluminara a floresta inteira, era tão quente que não se podia aproximar dela. Os irmãos viam o ar quente distorcer suas visões. — ESSA COISA VAI EXPLODIR! — Gritava Sam.
Então Icaro grita para seus filhos. — CRIANÇAS PROTEJAM-SE — Sarah puxa seu irmão para atrás das arvores, Então Rocko dispara uma rajada luminosa na direção de Cronos. A esfera era pequena, mas sua velocidade era absurda, pulverizando instantaneamente tudo a sua volta. Então finalmente o projétil atinge Cronos gerando uma explosão que elimina tudo a sua volta. As ondas de choque causaram terremotos a 5 km de distância além de também provocar avalanches e maremotos. Uma densa poeira cobria o local da explosão. Ainda não se sabia se Cronos havia morrido. Mas tanto Ícaro quanto Angélica estavam exaustos, aquela batalha brutal pode ter exigido muito deles.
— Temos que sair logo daqui! — Afirma Icaro.
Angélica olha aos arredores procurando por seus filhos — Crianças vocês estão bem? — Os irmãos surgem de trás das árvores. — Estamos bem! — Diz Sarah enquanto se aproxima de seus pais. Os dois pareciam felizes por tudo aquilo ter terminado. Sam olha para seu pai e vê todos os seus machucados. Mas Icaro coloca a mão em seu ombro o reconfortando.
— Ei amigão, você está bem? — Pergunta Icaro.
— Estou bem pai. Mas você parece machucado.
— Ei, isso não é nada para mim. Eu estou bem.
Sam vê seu pai sorrindo para ele. Aquilo era reconfortante, de alguma maneira Sam sentia que seu pai apesar de muito forte estava machucado. Mesmo assim aquele sorriso era reconfortante.
Angélica acolhe seus dois filhos em seus braços — Escutem com atenção agora crianças, nós possuímos um papel muito importante para o equilíbrio de dois mundos, o nosso e um outro que é o lar de seres fantásticos. Vocês dois serão parte desse equilíbrio algum dia também, mas primeiro precisamos de proteção. Então vamos embora.
— Para onde iremos mamãe? — Pergunta Sarah.
—Vamos ver um amigo nosso nas montanhas. O nome dele é Marcos, ele é um bom homem. Tenho certeza de que vai nos ajudar.
Sam se aproxima do dragão de seu pai com uma expressão de surpresa.
— Ele é incrível. — Diz Sam.
Rocko olha para ele — Muito obrigado jovem guerreiro — permitindo que Sam tocasse sua cabeça.
— O nome dele é Rocko! — Diz Icaro. — E o dragão de sua mãe tem o nome de Kaia!
Kaia olha para Sara — E um grande prazer finalmente conhecer vocês dois. Embora não seja a primeira vez que nós nos vemos.
— Como assim? — Pergunta Sarah.
— Quando vocês eram recém nascidos nós voamos juntos pelo céu. Vocês eram tão pequenos, mas já podíamos ver o enorme poder em seus olhos.
Icaro coloca sua espada na bainha — Bom vamos indo, teremos muito tempo para contar histórias depois.
Rocko se coloca em posição de ataque — ICARO! — Ele grita
Icaro vira-se com expressão de muita surpresa. Todos ali não conseguem acreditar no que estão vendo.
— Não é possível! — Afirma angélica.
Cronos reaparece das sombras da floresta, seu corpo sofrera muitos danos pela explosão e como consequência, seu braço esquerdo havia sido arrancado. Mesmo assim ele estava de pé diante deles.
— EU DISSE QUE UM TIRO DAQUELES NÃO IRIA ME PARAR ICARO! — Ele gritava enquanto emanava uma estranha aura de cor dourada — EU VOU DESTRUIR TUDO QUE VOCÊ CONHECE AGORA. TUDO IRÁ DESAPARECER. — Icaro mostra em sua mão direita uma estranha fera com brilho dourado.
— A GEMA DA TERRA! — Grita angélica — ELE VAI SE MATAR!
— QUE TUDO DESAPAREÇA!
Icaro pula na direção de Cronos e agarra a esfera luminosa. — Você vai se matar Cronos! — Ele afirma. Mas Cronos parecia ter perdido totalmente o bom senso.
— EU VOU POR UM FIM NO MITO DOS KING DRAGONS AGORA!
Angélica cria uma câmara de cristal em volta de seus filhos e os empurra para longe. Em seguida ela e seus dragões partem para cima de Cronos. Icaro consegue nocautear Cronos, entretanto aquela esfera continuava brilhando intensamente.
— Não podemos parar isso! — Diz Angélica
— Eu sei. Mas podemos reduzir a potência se bloquearmos os impactos com a nossa energia.
O casal se olha fixamente. Icaro toca no rosto de sua esposa, ela sorri, então uma lágrima escorre por seus olhos. — Me perdoe, no fim não mantive a promessa de proteger você. — Icaro afirmava
— Eu estou feliz por eles sobreviverem. E desaparecer juntos para que eles tenham um futuro, pra mim isso também parece eterno.
Icaro sorri para sua bela esposa, em seguida olha para seu dragão.
— Lamento amigo. Parece que esse é o fim da jornada.
Rocko se apoia sobre suas duas patas traseiras e fica de pé afirmando para Icaro.
— Estou satisfeito por ter tido uma última luta ao seu lado. Agora nos tornaremos ledas juntos.
Kaia também se põe de pé atrás de Angélica. — Permaneceremos imortais nas memórias de quem amamos.
Os dois irmãos observam atentamente aquela luz incandescente aumentando de tamanho enquanto gritam por seus pais. Então eles escutam a voz de seu pai. Ela está calma e normal.
— Sam... Sarah... Escutem meus filhos... Eu espero que algum dia vocês dois possam nos perdoar por isso. Eu sempre achei que teríamos mais tempo. Não fiquem tristes, não percam a fé em si mesmos. Vocês são meus filhos, sei que vocês conseguem.
Logo em seguida ouve-se a voz de Angélica, doce e serena.
— Nunca se esqueçam do que ensinamos a vocês, vocês dois são nossos bens mais preciosos e eu sei que se tornaram grandes algum dia. Nós amamos vocês, estaremos sempre juntos.
Então Sam e Sarah observam seus pais que começam a brilhar intensamente jutos a seus dragões que envolvem suas asas e cobrem eles. Sam começa a tentar quebrar a câmara de cristal, mas não consegue. Sarah começa a chorar ao ver o sacrifício final dos seus dois maiores heróis.
—VOCÊS NÃO PODEM FAZER ISSO! — Gritava Sam desesperadamente. — NÃO!
Então viu-se aquela imensa luz implodir e se expandir mais uma vez. Mas desata vez, a luz subiu ao céu como um disparo de um canhão, gerando mais uma onda de choque devastadora que aniquilou absolutamente tudo a sua volta, esta onda de choque era tão grande que pudera ver do espaço. Entretanto diferente das outras, essa era luminosa. Como se ela fosse carregada por vagalumes. O som da explosão fora ensurdecedor. Perto dali um homem que observava acima das arvores de alguma forma sobrevivera aquele ataque devastador. Ele suspira friamente.
— Droga, não consegui chegar a tempo. — Ele diz. O estranho homem está encapuzado e com uma máscara de pano no rosto, impossibilitando identificar seu rosto, ele carrega consigo nada além de uma longa espada nas costas, e um medalhão um tanto curioso em seu pescoço. — Espero que as crianças estejam bem. —
Acima dele passa uma sombra grande. Uma criatura voadora passava voando e juto a si um som estridente e monstruoso foi ouvido. Assim aquele homem desaparecera rapidamente nas sombras da noite.
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