Notas iniciais
Bem, se quiserem entender "melhor" o início da história, podem assistir esse clipe http://www.youtube.com/watch?v=PnU1v_LgRp8 É a primeira versão de "Killing Loneliness - HIM" e de onde tirei a inspiração pra esse início ^^
Boa Leitura.

Para minha surpresa, a porta estava trancada. Só então vi uma espécie de campainha ao lado da porta.

Apertei-a, mas não ouvi som algum. Fiquei em dúvida se saía dali ou continuava esperando.

Foi então que uma janelinha se abriu na porta, mostrando parte de um rosto masculino, de uns trinta e poucos anos.

Antes que eu pudesse dizer algo, a janelinha se fechou. Pude ouvir a porta sendo destrancada e logo ela fora aberta.

O homem saiu dali, indo para trás de um balcão.

Dei alguns passos, adentrando no local, que era ainda mais cinzento por dentro.

— Feche a porta – ele disse, sua voz era rouca e um tanto fria.

Fiz o que ele mandou, indo a sua direção até o balcão. Só então percebi a presença de outro homem junto a ele, este sendo quase careca, ao contrário do primeiro, que tinha muitos fios escuros em sua cabeça.

— O que a senhorita deseja? – o primeiro homem perguntou-me, debruçando-se sobre o balcão.

— Eu moro aqui perto e percebi que esse lugar estava em funcionamento – falei. – Uma amiga minha veio aqui e disse que eu precisava vir também, mas não me disse o que acontecia aqui exatamente – menti.

— Ah, entendo – ele pareceu acreditar. – Bem, já que recebeu recomendações de uma amiga, vamos lhe dar um “vale” – ele fez as aspas no ar.

— Um vale? – perguntei.

— Sim, você poderá fazer sua primeira sessão gratuitamente, como um teste drive – ele sorriu.

— Ah, okay – falei apenas.

Eu deveria ter perguntado do que se tratavam essas sessões, mas não pensei nisso no momento.

Nesse momento o segundo homem, que até então folheava uma revista, colocou uma espécie de moeda sobre o balcão. Aproximei-me e fitei a pequena moeda prateada, que continha o mesmo símbolo da porta.

— Que símbolo é esse? – perguntei, tentando matar minha curiosidade.

— É um Heartagram – o primeiro homem respondeu. – Se trata de uma junção de um coração com um pentagrama.

— Interessante – disse apenas, pegando a moeda de sobre o balcão. – O que faço com isso?

— Você irá saber – ele sorriu.

Fui encaminhada por uma porta que levava a um corredor cheio de portas.

— Entre na porta 6 e a tranque – disse o homem.

Concordei com a cabeça e me pus a caminhar, até encontrar a porta 6.

Entrei rapidamente e a tranquei, assim como me fora mandado. Só então observei o local.

Era uma pequena sala, com uma cadeira de couro no centro, virada diretamente para algum tipo de quadro, aonde também havia o Heartagram desenhado.

Ao lado deste quadro havia uma caixa, que me fez lembrar aquelas típicas máquinas de chiclete aonde se colocam moedas. Nesse momento lembrei-me da moeda que eu tinha em minhas mãos. Coloquei-a na maquina e girei a chave que ali havia.

Depois, sentei na cadeira de couro, esperando para que algo acontecesse.

Após alguns segundos uma música baixinha começou a tocar, aumentado gradativamente. De repente o quadro se abriu, exibindo uma tela escura.

Uma voz começou a ecoar juntamente com a música, atingindo um volume relativamente alto.

Fitei a tela, que começava a esboçar algumas imagens.

Foi então que eles apareceram. Uma banda.

Podia ser loucura de minha cabeça, mas o vocalista parecia me ver ali. Parecia cantar diretamente para mim.

Em poucos segundos eu já estava em um tipo de transe, sem a mínima ideia do que acontecia à minha volta, prestando atenção apenas naqueles belos olhos claros.

Ele tinha cabelos em um tom de castanho escuro, que contrastavam levemente com sua pele clara. Suas roupas eras escuras, e caíam bem nele.

Ele era realmente bonito, assim como os demais que estava na tela, tocando instrumentos. Mas ele chamara mais minha atenção.

Os pelos de meu braço se eriçaram, e eu comecei a sentir uma estranha presença próxima. Como se tivesse mais alguém ali além de mim.

De repente eu sentia como se o homem da tela cantasse próximo ao meu ouvido. Sentia como se alguém tocasse meus ombros, meus braços.

Aquilo era loucura, não era?

Mas eu estava gostando.

Eu estava parte consciente e parte em transe. Tinha plena consciência de onde estava, mas ao mesmo tempo não fazia ideia do que acontecia ao meu redor. Era como estar “metade drogada”.

Então pude perceber que a música se encontrava no final. Senti alguns movimentos à minha volta e logo um beijo sendo depositado em minha face.

A tela se apagou e o quadro se fechou, juntamente com a luz sendo acesa novamente.

O que havia acontecido ali?

Eu estava me sentindo leve, um pouco tonta também. Mas a principal coisa que eu sentia era vontade de permanecer ali, depositar mais uma moeda e ver aquilo tudo acontecer novamente.

Levantei da cadeira com muito custo, percebendo então que minha jaqueta se encontrava jogada no canto da sala.

Eu não me lembrava de tê-la tirado, muito menos de tê-la arremessado para aquele lado da sala.

Abri a porta e caminhei pelo corredor, voltando até a sala principal.

Os dois homens fitaram-me sem expressão, como se esperassem que eu dissesse algo.

— O que aconteceu lá? – perguntei apenas, unindo minhas sobrancelhas.

— Nada além do que você tenha visto – o homem de cabelos levemente compridos respondeu.

Semicerrei os olhos, tentando entender o porquê de eu exatamente não ter visto nada do que tivera acontecido.

— Esperamos que volte mais vezes – ele sorriu por fim, entregando-me um cartão do local.

Assenti com a cabeça, indo até a porta e saindo dali.

Olhei para o cartão, que tinha o Heartagram centralizado e uma pequena mensagem abaixo que dizia “Matando a Solidão”. A seguir vinha o número do telefone e o endereço do local. Era apenas isso.

Eu não sabia se aquilo era o nome do local ou o que quer que fosse. Mas não entendi nada do mesmo modo.

Para minha surpresa, eu estava com uma grande vontade de entrar lá e pedir para ir novamente naquela sala. Mas eu não faria isso. Além do mais, eu teria que pagar para poder fazer aquilo mais uma vez. Eu não pagaria para fazer uma coisa que eu não sabia ao certo o que era, pagaria?

*

Não demorei a chegar ao meu apartamento. Eu estava menos cansada do que o normal, já que não trabalhara hoje. Mas não conseguia parar de pensar no que acontecera há pouco naquele lugar.

Depois de tomar duas xícaras de café fui tomar um banho.

Meus cabelos avermelhados estavam ficando compridos demais, então aproveitei para cortar suas pontas.

Depois do banho escovei meus dentes e completei meu ritual diário de cuidados com minha pele – extremamente branca, em contraste com meus cabelos e meus olhos escuros.

Fui até a sala para assistir algo. Eu não conseguia me concentrar no que passava na televisão, apenas discutia comigo mesma em pensamento sobre minha vontade de voltar lá.

Eu me lembrava das sensações que sentira naquela sala. Era uma mistura de prazer e alegria, mas ao mesmo tempo era como se meu corpo estivesse anestesiado. Sem falar naquele homem... Seus olhos não saíam de minha mente, assim como sua voz.

Lembrei-me da sensação de um beijo sendo depositado em meu rosto e não pude conter o sorriso, tocando o local aonde eu sentira aqueles lábios invisíveis e macios.

Era possível eu já estar viciada nisso? Como uma droga?

Notas finais
Reviews? *uuu*
Beijos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.