Killing Loneliness
4 Capítulo IV
Flash Back ON
De frente para o espelho só conseguia pensar em si mesma. Os cabelos negros que batem no ombro continha cachos desarrumados e brilhava à luz do quarto no hotel. Vestia um vestido azul-marinho que continha um cinto na altura do quadril e o sapato era uma sandália de salto baixo. Seus olhos castanhos estavam vidrados no espelho. Deu uma breve olhada no relógio em cima da penteadeira. Marcava 7:49hrs. Deu um longo suspiro.
Sentada na beira da cama, seus pensamentos estavam envoltos de Joseph. Será que estou apaixonada? Os pés balançavam ligeiramente. Drika não tinha mais nada para aprontar.
- Ora, e se ele não vier?
Seus pensamentos se dissiparam ao ouvir o telefone de seu quarto tocar. Ela se debruçou na cama para apanhar o aparelho em cima do criado-mudo.
- Alô?
- Já pode descer, senhorita.
A voz era reconhecível. Ele veio. Sentiu um arrepio no corpo.
- Certo.
Encaixando o telefone novamente no gancho, Drika deu uma espiada no espelho e desceu uma escada chumbo. Na portaria, Joseph a observou de cima a baixo, lhe oferecendo o braço.
- Cavalheirismo está em dia? — A garota sorriu, entrelaçando seu braço no de Joseph.
O rapaz nada respondera. Seus olhos cor de mel se intensificaram e a luz que provinha dos postes só aumentava seu brilho. Estacionado a frente do hotel estava um carro vermelho, da cor do sangue. Ambos adentraram o veículo.
- Então você tem carro? — Drika quebrara o silêncio do ar.
Joseph abaixara o rosto num riso rápido.
- É do meu pai.
A jovem sorrira. Pelo menos ele é sincero. Seguiram para uma praça da cidade que continha uma pequena estande de várias barracas e um enorme chafariz no centro. Drika maravilhou-se com a movimentação. Não tão cheio, nem vazio. Do jeito que ela adora.
Ao abrir a porta do carro, a jovem ouviu algumas tosses que provinha do banco do motorista. Joseph, com a mão na boca, tossira algumas vezes antes de abrir a porta.
- Você está bem? — A garota, preocupada, esperou pela resposta do mesmo antes de sair do veículo.
- Estou ótimo.
Joseph, já fora, dissera em tom calmo. Contornou o carro e ia lhe esticar a mão quando vira Drika batendo a porta do mesmo. Sua tentativa de ser gentil fracassara. Ainda assim, ela pegara em sua mão e ambos caminharam juntos para o interior da praça.
- Sabe Drika, eu tenho pensado muito em você.
Ambos sentaram em um banco próximo ao chafariz que esguichava a água em uma altura surpreendente.
- Igualmente à mim.
A voz da jovem soou serena, que Joseph abaixara o rosto ao ouvir suas palavras. Drika notou sua fisionomia triste, porém resolveu falar nada.
- Não podemos ficar juntos, infelizmente — a declaração pegara em choque a garota.
- Já é comprometido, Joseph?
- Não, é que...
- Então, por que não?
Joseph fitara Drika, que virou o rosto. Era notável alguns pontos luminosos em seus olhos. Ele não queria machucá-la, muito menos decepcioná-la. Segurou em seu queixo, virando o rosto para si, e então colou seus lábios no dela em um demorado beijo.
Ela enlaçou seus braços no pescoço do mesmo. As pessoas que andavam pela praça checava o casa à pura paixão. Uma mulher com uma criança de colo chegou a invejá-los.
Com o beijo venenoso que você me deu
Eu estou matando a solidão
Com o calor de seus braços você me salvou
Eu estou matando a solidão com você
Aos poucos Drika sentia o beijo cessar. Os olhos de Joseph se fecharam e ele deixou-se cair nos braços da amada. A jovem observou o garoto, lhe chamando pelo nome várias vezes. Sentiu uma onda de pânico tomar o local e algumas pessoas se aproximavam. Gritou por ajuda, mas já era tarde demais.
Algumas horas depois, Drika chegara ao hotel e insistiu para que ela e seus pais fossem para casa o mais rápido possível. Não conhecia os de Joseph e saiu do hospital antes que seus parentes chegassem. Queria tornar o caso um segredo. Sabia pouco daquele rapaz que conhecera numa viagem de verão, mas fora o único que lhe despertou os sentimentos.
Estou matando a solidão que transformou meu coração em uma tumba
Estou matando a solidão.
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