Flash Back ON

De frente para o espelho só conseguia pensar em si mesma. Os cabelos negros que batem no ombro continha cachos desarrumados e brilhava à luz do quarto no hotel. Vestia um vestido azul-marinho que continha um cinto na altura do quadril e o sapato era uma sandália de salto baixo. Seus olhos castanhos estavam vidrados no espelho. Deu uma breve olhada no relógio em cima da penteadeira. Marcava 7:49hrs. Deu um longo suspiro.

Sentada na beira da cama, seus pensamentos estavam envoltos de Joseph. Será que estou apaixonada? Os pés balançavam ligeiramente. Drika não tinha mais nada para aprontar.

- Ora, e se ele não vier?

Seus pensamentos se dissiparam ao ouvir o telefone de seu quarto tocar. Ela se debruçou na cama para apanhar o aparelho em cima do criado-mudo.

- Alô?

- Já pode descer, senhorita.

A voz era reconhecível. Ele veio. Sentiu um arrepio no corpo.

- Certo.

Encaixando o telefone novamente no gancho, Drika deu uma espiada no espelho e desceu uma escada chumbo. Na portaria, Joseph a observou de cima a baixo, lhe oferecendo o braço.

- Cavalheirismo está em dia? — A garota sorriu, entrelaçando seu braço no de Joseph.

O rapaz nada respondera. Seus olhos cor de mel se intensificaram e a luz que provinha dos postes só aumentava seu brilho. Estacionado a frente do hotel estava um carro vermelho, da cor do sangue. Ambos adentraram o veículo.

- Então você tem carro? — Drika quebrara o silêncio do ar.

Joseph abaixara o rosto num riso rápido.

- É do meu pai.

A jovem sorrira. Pelo menos ele é sincero. Seguiram para uma praça da cidade que continha uma pequena estande de várias barracas e um enorme chafariz no centro. Drika maravilhou-se com a movimentação. Não tão cheio, nem vazio. Do jeito que ela adora.

Ao abrir a porta do carro, a jovem ouviu algumas tosses que provinha do banco do motorista. Joseph, com a mão na boca, tossira algumas vezes antes de abrir a porta.

- Você está bem? — A garota, preocupada, esperou pela resposta do mesmo antes de sair do veículo.

- Estou ótimo.

Joseph, já fora, dissera em tom calmo. Contornou o carro e ia lhe esticar a mão quando vira Drika batendo a porta do mesmo. Sua tentativa de ser gentil fracassara. Ainda assim, ela pegara em sua mão e ambos caminharam juntos para o interior da praça.

- Sabe Drika, eu tenho pensado muito em você.

Ambos sentaram em um banco próximo ao chafariz que esguichava a água em uma altura surpreendente.

- Igualmente à mim.

A voz da jovem soou serena, que Joseph abaixara o rosto ao ouvir suas palavras. Drika notou sua fisionomia triste, porém resolveu falar nada.

- Não podemos ficar juntos, infelizmente — a declaração pegara em choque a garota.

- Já é comprometido, Joseph?

- Não, é que...

- Então, por que não?

Joseph fitara Drika, que virou o rosto. Era notável alguns pontos luminosos em seus olhos. Ele não queria machucá-la, muito menos decepcioná-la. Segurou em seu queixo, virando o rosto para si, e então colou seus lábios no dela em um demorado beijo.

Ela enlaçou seus braços no pescoço do mesmo. As pessoas que andavam pela praça checava o casa à pura paixão. Uma mulher com uma criança de colo chegou a invejá-los.

Com o beijo venenoso que você me deu

Eu estou matando a solidão

Com o calor de seus braços você me salvou

Eu estou matando a solidão com você

Aos poucos Drika sentia o beijo cessar. Os olhos de Joseph se fecharam e ele deixou-se cair nos braços da amada. A jovem observou o garoto, lhe chamando pelo nome várias vezes. Sentiu uma onda de pânico tomar o local e algumas pessoas se aproximavam. Gritou por ajuda, mas já era tarde demais.

Algumas horas depois, Drika chegara ao hotel e insistiu para que ela e seus pais fossem para casa o mais rápido possível. Não conhecia os de Joseph e saiu do hospital antes que seus parentes chegassem. Queria tornar o caso um segredo. Sabia pouco daquele rapaz que conhecera numa viagem de verão, mas fora o único que lhe despertou os sentimentos.

Estou matando a solidão que transformou meu coração em uma tumba

Estou matando a solidão.