Killing Loneliness
2 Capítulo II
Após um dia inteiro de sol quente, a esfera vermelha ousava se esconder no horizonte, deixando os últimos raios de luz iluminar a praia quase deserta. Drika agora estava deitada na areia, com Joseph ao seu lado. Estava criando uma certa afinidade com o jovem, onde já haviam conversado sobre diversos assuntos.
- Por que você não acredita em Deus, Drika?
Joseph remexia a areia, agora não mais a encarando. Ela, ao contrário, lhe fitava séria.
- Quando eu era pequena, mamãe me havia falado para que, quando eu estivesse com medo, cruzar as mãos e rezar. Eu sempre rezei e meu medo nunca sumiu. Cresci achando que Deus é apenas uma ilusão onde as pessoas se recorrem quando têm medo. Algo inventado pela mente dos homens para não se sentirem sós.
- Entendo você.
O jovem levantara o rosto, com um sorriso vísivel. A garota contemplava o Sol que sumia ao longe.
- Mas lhe garanto isso: Deus não é uma ilusão. É apenas algo que nossa mente é muito jovem para compreender. É uma questão de fé, Drika. Deus nos testa todos os dias. E com certeza é mais fácil acreditar em algo concreto do que algo que nunca vimos e nos causa perguntas.
- Não tenho fé.
- Quem terá se não crer?
O garoto se sentara na areia, levando as mãos para apanhar a pequena bíblia que trouxera consigo. Entregou a Drika ao se levantar.
- Pegue. Aqui terá as respostas de várias de suas perguntas.
- Aonde vai? — Ela segurou a bíblia levantando-se em seguida.
- À igreja — sorrira.
O rapaz se distanciara subindo alguns degraus antes de atravessar uma avenida e sumir pela escuridão. Nas mãos, a bíblia estava suja de areia. Drika sorriu, prometendo a si mesma que a leria por completo.
Flash Back OFF
Jogada ao chão do quarto, a mesma bíblia não continha mais areia. As folhas estavam amassadas e o livro aberto. Drika não lhe dava mais a atenção. Estava sentada com os braços agarrando suas pernas cortadas. O rosto repousava nos braços. Repentinamente se ouviu uma batida na porta. Nada respondeu. Por sua conta, a pessoa adentrara o quarto iluminado com o dia nublado que invadia pela janela. Era sua mãe.
- Não fique assim filha.
Sentando na cama, notou os lençóis encharcados e as pernas feridas de Drika. De imediato se assustou, mas não era hora para falar sobre aquilo. Suas mãos carinhosas afagava os cabelos desarrumados da filha, que nada dissera-lhe.
- Eu sei como se sente.
Levantando o rosto dos braços, sua fisionomia era sombria. Encarando a mãe nos olhos, explodiu com suas palavras que entrecortaram o penumbre calmo do ambiente.
- Não mãe, você não sabe! Você não sabe como é ter sua vida melhorada do dia para o outro e acabada em segundos. Você não sabe como é se sentir traída pela pessoa que mais amava!
- Mas não fique assim Drika.
- E você quer que eu fique como? Eu o amava mãe, eu o... — Suas palavras foram interrompidas, desatando no choro mediado a soluços.
Sua mãe lhe abraçava, esfregando as costas da filha que não tinha mais o sentido da vida. Os soluços incessáveis de Drika lhe mostrava o quanto sofria por dentro, porém sabia ela que não teria o que fazer. A filha estava sem rumo e seu orgulho de mãe ferido, por não puder ajudá-la com seus simples conselhos.
O suicídio do amor levou embora tudo o que importava
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