Killian Gray e a estrela do Caos
1 Pesadelo na aula de matemática
Notas iniciais
Eu… Não sei exatamente como começar mas eu vou tentar.
Olha, eu queria tanto começar isso dizendo que tenho a vida mais emocionante e incrível de todas, que vivi aventuras inimagináveis e que no fim fui o herói que salvou a todos, que sou reconhecido e amado pelo mundo.
Lamento mas não é bem assim.
Eu não sou um herói, ok.
Eu não luto todos os dias por uma causa nobre, saio e enfrento o mal ou ao menos tenho alguma cicatriz misteriosa, déficit de atenção ou um anel mágico, na verdade pela maioria das pessoas da escola eu sou visto como um garoto problemático, e é aqui onde tudo começou.
Meu nome é Killian Gray, e minha vida mudou quando eu esqueci a minha mochila aberta.
Isso foi a três semanas atrás.
O dia de aula já havia acabado, e lá estava eu, voltando para casa sozinho, apenas acompanhado pelo calor daquele início de tarde e meu velho Skate.
Normalmente eu tenho companhia mas meu melhor amigo havia pegado uma gripe pesada e faltado aquele dia de aula, me deixando a tediante missão de aguentar um dia de aula sozinho.
Até que estava tudo bem mas eu percebi um sacolejar logo atrás de mim. Mais precisamente na mochila às minhas costas.
Eu a virei para meu peito e percebi que a parte da frente estava aberta, não custava nada então eu tentei fechar.
Grande erro.
Enquanto tentava descolar aquele zíper preso eu me distrai e na pior hora possível, era visto que a rua estava quase vazia, e enquanto eu deveria virar a esquina na calçada eu não prestei atenção e a roda do meu Skate bateu em uma pedra jogada por lá. Eu me desequilibrei, o que me fez ser jogado para frente, em rota de colisão com o carro que cruzava a rua naquele momento.
Eu não sei direito o que aconteceu naquele dia mas no instante que eu vi aquele carro vindo na minha direção meu coração deu um pulo. Eu fechei os olhos por um segundo e...
Nada.
Por um instante eu me senti como se todo meu corpo estivesse dormente, ou nem estivesse ali. Mas quando eu abri os olhos eu estava caído na rua, o carro que supostamente me atropelou estava logo ali, há alguns metros de onde eu deveria estar todo esborrachado.
Eu estava em choque, seja pelo susto do quase atropelamento ou só o fato de eu estar vivo já era motivo pra sentir isso.
Logo depois o motorista desceu do carro, me deu uma longa bronca por não prestar atenção na estrada mas que foi um alívio que ele conseguiu desviar no último segundo. Ele não parecia ter muita certeza na voz nessa última parte.
Seja como for ele me ajudou a me levantar me perguntando se eu queria uma carona. Neguei com o pensamento de que talvez um caminhão pudesse passar por cima de nós dois no mesmo carro.
Tive que recolher minhas coisas no chão enquanto o homem voltava pro seu carro, eu ainda estava um pouco atônito com tudo aquilo, jogue a primeira pedra quem não ficaria.
Resolvi voltar o resto do caminho pra casa a pé mesmo, e nesse dia eu me prometi que nunca mais iria ou voltaria para escola de skate.
Então hoje, no presente, eu estava indo para o colégio andando e tentando conter a vontade de voltar pra casa.
Não que eu não goste de estudar, mesmo que isso seja verdade, o real motivo dessa vez era que hoje é treze de maio e também o meu aniversário de treze anos.
E eu e meu pai temos um grande evento no fim das aulas, por tanto, estou animado demais pra estudar hoje.
Eu moro na parte mais tranquila da cidade do Rio de Janeiro e hoje está até que se formando um belo dia, poucas nuvens no céu, um vento fresco e o sol ainda se levantando. É, o dia perfeito para trancarem a gente durante seis horas em prédios para estudarmos.
E Eu achava que seria uma manhã tranquila, isso até quando eu estava descendo uma ladeira eu ouvi alguém me gritar.
—Killian abaixa aí!– No susto eu só tive tempo de me virar e no último segundo ver um garoto vindo pra cima de mim em alta velocidade em cima de um skate.
—Aaaaaaaagggghhhh!– Nós dois gritamos antes dele se espatifar contra mim e de encontro ao chão.
São seis horas da manhã e eu estou caído no chão, sonolento, e agora machucado, tudo isso por que um garoto estava…
—Andando de skate em uma ladeira muito íngreme!– Eu gritei com ele e enquanto tentava me levantar, pude sentir meus ossos estalando ou quebrando, eu descubro depois.– Rafa, sério não é a primeira vez que você derruba a gente assim.
—Hehe e não vai ser a última.– A voz dele saiu meio abafada devido ao fato de ele ainda estar com a cara no chão e tentando se levantar.–Ai droga… Isso doeu mais do que eu pensei.– Quando ele se levantou e pegou seu skate, ficou me encarando com um sorriso amarelo.– Feliz aniversário?– Ele estendeu o braço.
Rafael Sales ou como eu sempre o chamo, Rafa, é meu melhor amigo desde que tínhamos quatro anos, ou seja, a gente tropeça e se quebra caindo no chão o tempo todo desde a infância.
Rafa é um garoto da minha idade, um pouco mais alto que eu, de pele escura e olhos castanhos, ele tinha um curto cabelo encaracolado, que sinceramente era raro de ver já que uma de suas muitas manias era de nunca tirar seu famoso boné vermelho.
Olhando assim parece que eu estou com raiva dele mas nós já caímos tanto que é difícil achar algo além de graça.
—Valeu cara.– A gente se comprimenta com um high-five e recolhemos as mochilas no chão.– Talvez esse tombo tenha me acordado pra hoje.
—Ah nem vem, você não tá desanimado na manhã do seu aniversário né?– Seguimos caminho em direção a escola– Já se esqueceu do programão que você e seu pai marcaram hoje a tarde?
— Não é isso, só não sei se vou aguentar três tempos de matemática sem dormir até o fim das aulas, passei uma boa parte da noite acordado imaginando o passeio de hoje.
— Haha, então você está com sorte- Eu o olhei confuso.– Não se lembra? Hoje algumas aulas vão ser suspensas por que parece que algum figurão quer conhecer a nova geração de jovens e blá-blá-blá.– O sorriso de Rafa só não era maior do que aquele que brotou no meu rosto nesse momento.
— Sério? Cara essa notícia é o melhor presente de aniversário que eu poderia receber, mas e então, quem é o tal figurão?
— Não faço a menor ideia, mas deve ser alguém bem importante pra eles quererem parar as aulas, mas ei, guarda um pouco de ânimo para esse fim de semana, vamos passar o dia todo comemorando seu aniversário atrasado como sempre fizemos.
— Isso virou um ritual já não é? por mim tudo bem.– Acontece que todos os anos eu e Rafa pegamos o costume de comemorar meu aniversário cinco dias depois da sua data real, isso por que nos primeiros anos da nossa amizade ele nunca se lembrava da data verdadeira mas a gente sempre comemorava mesmo assim.
Nós fomos conversando até estarmos na porta do colégio, um portão de grade totalmente pintado de branco com uma placa grande na frente do prédio que dizia:"EMSV, escola municipal saber vital", o vital mesmo era saber como sobreviver nos corredores daqui. Do lado de fora muitos alunos se despediam de seus pais ou guardavam suas bicicletas.
O porteiro sempre ficava na frente do portão para receber os alunos e repreender aqueles que não queriam entrar. Rafa sempre vinha para a escola de Skate e como não era permitido levar para dentro do colégio ele sempre o deixava com o mesmo.
Já lá dentro eu e Rafa tentávamos passar discretos pelos corredores apertados no meio de centenas de estudantes, a maioria deles estavam centrados nos próprios assuntos, então foi fácil não ser notado, mas o problema foi quando atravessamos a multidão e do outro lado se encontravam ao lado do bebedouro, Davi e Luiz Souza.
Esses irmãos moram bem perto da casa do Rafa e sempre implicam com ele, e por consequência comigo também.
—Olha só!– Começou Davi,o mais velho.– Rafael meu amigo! Saiu de casa cedo hoje? Parece que esqueceu de comprimentar seus vizinhos….– Ele dizia isso enquanto fechava o punho.
Davi era o tipo de cara que poderia assustar uma criancinha só de aparecer na frente dela, acho que o alargador na orelha esquerda, o curto cabelo castanho arrepiado, a barba mal feita e o sorriso maldoso davam essa impressão.
—Isso é falta de adução moleque, você sabe que não é assim que as coisas funcionam.– Luiz resolveu se meter, ele era o menor dos dois, de cabelo raspado, aparelho nos dentes, brincos e um bigode ralo. Ele parecia menos assustador que seu irmão.
Eu olhei pra Rafa e ele parecia meio tenso os encarando.
—Deixem a gente em paz, todo dia é a mesma palhaçada.– Resolvi intervir os encarando com raiva, e eles devolveram o olhar com um de quem estava achando graça naquilo.
—Ah se não é o esquisito!– Davi me cutucou.– Qual é a tua aberração? Vai reagir?– Ele provocou.
—Killian deixa isso quie- Rafa ia falar mas ele o cortou.
—Fica na tua pirralho, agora eu quero resolver com seu amigo esquisito aqui. – Ele me agarrou pela gola da camisa.– Sabe, esses teus olhos coloridos sempre me irritaram.
Eu esqueci de mencionar, eu sou parte daquele um por cento da população que possui uma coloração diferenciada no quesito íris, meus olhos são violeta, o que pra mim é mais um motivo para me olharem de forma estranha.
Quando Davi me ergueu no ar eu não sabia o que fazer, eu já me meti em algumas brigas mas nunca fui bom nisso. Enquanto olhava para a gola da minha blusa que ele segurava, algo estranho aconteceu e ele me deixou cair no chão.
—Mas que- Ele se interrompeu quando me encarou no chão.
Eu me olhava um pouco assustado, por um segundo eu pude jurar que vi seus dedos simplesmente atravessarem minha blusa, e me deixando cair no chão.
Mas não tive muito tempo para pensar quando ele me chamou.
—Escuta aqui moleque!– Davi tentou se aproximar, e eu vi de relance Rafa tentado vir na nossa direção, mas no último instante parece que alguém chegou antes.
—Acho que já chega não é?– Ele se meteu entre nós dois enquanto encarava Davi.
—E o que isso te importa D'Amico?– Ele questionou indignado.
—Nada, só não tem necessidade dessa cena toda que vocês estão montando no corredor.– Quando ele disse isso eu pude notar que não era totalmente mentira, ao nosso redor algumas pessoas pareciam encarar um tanto interessadas, alguns alunos fofocavam sei lá o que mas parece que Davi percebeu isso também.
Eles se encararam por alguns segundos, eu só conseguia ver o rosto de Davi com um olhar zangado, isso até que ele finalmente cedeu.
—Tsc, tanto faz.– Disse ele dando a volta.– Anda logo Luiz, não vamos ficar nessa bobeira o dia todo… intrometido.– Ele resmungou no fim.
Com aqueles dois saindo de cena, Rafa finalmente veio me ajudar a me levantar.
—Foi mal amigo…
—Tranquilo, eu sei o quanto eles implicam com você todo dia, deixa quieto.- Sorri para aliviar o clima, o que parece que tranquilizou Rafa, só então lembrei do cara que nos ajudou.
O garoto em questão era Dante D'Amico, também conhecido como o garoto de ouro do colégio, Dante era uns dois anos mais velho que eu e Rafa, o cara tinha cabelos castanhos bem penteados, olhos azuis tão claros que pareciam brancos e uma pele em um tom mais pálido que a maioria, mas que diferente da minha isso só o fazia parecer mais bonito e saudável, com notas excelentes, Dante era popular tanto entre professores quanto entre alunos.
Nós sempre o víamos indo embora do colégio com um motorista particular, em um carro que talvez metade dos pais dos alunos pudessem comprar juntos. Quando toda escola notou que além de perfeito ele era rico, de repente todos quiseram se tornar seus amigos.
Há eu também não posso deixar de mencionar que Dante não é nem mesmo daqui, pelo que parece ele e o pai se mudaram da Itália a alguns anos e pelo visto as pessoas adoram um estrangeiro. Mas mesmo com essa fama toda ele nunca fez o tipo de cara que rebaixa pessoas como… Bem como eu e Rafa, ao contrário ele já nos livrou de várias enrascadas como essa de agora.
—Vocês estão bem?– Ele perguntou, e quando se virou eu entendi porque Davi não aguentou o encarar por muito tempo, o cara tinha um olhar que poderia facilmente intimidar um urso.
—Tá tudo bem, valeu por ajudar a gente cara… De novo.– Agradeceu Rafa.
—Não cansam de se meter em problemas?
—Pois é, acho que é um dom natural.– Eu disse, e antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa o sinal para a aula tocou.
"Triiiimmmmm"
Ouvimos o som.
—Vocês são da oitava série não são? É melhor vocês irem logo antes que até eu me atrase.– Falou Dante se despedindo e virando no corredor ao lado.
E saímos sem dizer nada, eu sei que o Dante é um cara legal mas ainda sim me dava nervoso de responder qualquer coisa a ele, como se no mínimo deslize ele fosse acabar conosco.
Quando chegamos na sala da oitava série eu percebi que o professor não estava lá ainda, ou seja, finalmente não chegamos atrasados. Sentei na minha carteira com Rafa sentado logo ao meu lado, alguns alunos já estavam na sala quando entramos, muitos conversavam em seus próprios grupos mas todos se calaram quando o professor chegou a sala.
Nosso professor de matemática, o Sr. César era o cara mais correto e instável do mundo, sempre com jaleco branco perfeitamente arrumado e roupas que diriam que ele veio de uma reunião do clube do livro de 1976. Ele sempre dava as provas mais difíceis e os deveres de casa mais longos, antes de conhecê-lo eu pensava que apenas os super-vilões mais malignos tinham coragem de fazer isso.
Mas por outro lado ele também é um dos professores mais estourados que temos, basta qualquer fala que não seja sobre a aula dele que você pode acabar na diretoria se perguntando o que você exatamente você fez de errado. Certa vez Tiago Ferreira, um dos garotos mais quietos da classe estava desenhando durante a aula dele e logo depois o Sr. César conseguiu arranjar três motivos diferentes para dar uma advertência ao garoto, ou seja, ele foi suspenso.
Dessa forma, assim que o professor pisou na sala da aula, todos pareciam ter se calado e foram voltando para seus lugares.
Quando ele sentou na sua mesa e pediu para abrirmos os livros eu percebi que seria difícil de me manter acordado, e olhando para o Rafa parece que ele teve o mesmo pensamento.
Belo começo de dia.
E essa e as outras aulas se seguiram assim, história, inglês, ciências tivemos o tempo do nosso intervalo e em todas essas aulas eu me sentia cada vez mais sonolento e distraído mas pelo visto eu não era o único.
Todas as aulas exceto a do Sr. César, o Rafa não parava de ler um daqueles Mangás japoneses que ele tanto ama, quando eu falei em manias, essa é uma delas, Rafa é simplesmente fascinado nesse tipo de coisa, nós já passamos várias horas da tarde assistindo esses animes e quando se trata disso ele parecia entretido demais lendo pra prestar atenção na aula.
Bom, agora só sobrava os dois últimos tempos de aula, que também eram os tempos do Sr. César novamente, mas pra nossa sorte a aula seria interrompida para dar lugar a uma palestra de alguém bem famoso e parecia que eu era o único que estava perdido nesse assunto.
Através de conversas paralelas da turma acabei descobrindo que o tal figurão era ninguém menos que Liam Velasquez, o cara é simplesmente uma das pessoas mais importantes de todo o Brasil e até bem conhecido internacionalmente. Ele é um visionário cheio de projetos e ideias para ajudar pessoas necessitadas, ano passado tivemos que fazer um trabalho sobre pessoas influentes na história do país e ele foi o exemplo mais usado pela maioria dos alunos.
Alguns minutos depois da aula ter começado o Sr. César já estava de pé no centro da sala começando a explicar sobre os deveres de casa, quando alguém bateu na porta.
Nosso professor rapidamente foi atender, ele parecia ter entrado em êxtase quando percebeu quem era, em um gesto de estranheza o Sr. César abriu a porta com todo bom grado e seu maior sorriso, o que pra nós que tínhamos aula com ele era bizarro, já que o professor raramente se interrompia para dar atenção a outro, muito menos fazia isso com um sorriso no rosto.
—Oh entre! Seja bem vindo Sr. Velasquez, é um prazer recebê-lo em minha aula.– O Sr. César deu passagem e um homem usando um elegante terno de grife branco, fazendo par com uma gravata prateada e uma camisa social preta por baixo, qualquer um que olhasse aquelas roupas perceberia que eram caras.
O homem às usando se demonstrava tão elegante quanto, ele parecia estar em torno de seus vinte e sete e tinha cabelos loiros penteados para trás sem aparentemente nenhuma falha.
—O prazer é todo meu Sr. César e por favor pode me chamar de Liam.– Disse o homem na porta comprimentando o professor, quando de repente ele nos encarou.– É uma honra estar aqui para lhes ensinar o caminho para o futuro meus jovens.– Só quando ele correu os olhos por toda turma que eu notei mais uma forte característica sua, seu olhos eram de uma coloração tão viva de azul que eu acho que o mais limpo dos rios sentiria inveja, aquele com certeza era o figurão Liam Velasquez.
—Mas primeiro eu quero lhes apresentar meu companheiro e assistente.– Nesse momento um outro homem quase tão bem vestido quanto o próprio Liam entrou na sala de aula, ele usava um par social com uma calça preta junto de uma blusa azul marinho totalmente abotoada e uma gravata preta, esse eu chutaria que talvez estivesse nos seus trinta e poucos, parecia bem mais tímido que seu chefe, ele tinha no rosto um pequeno sorriso enquanto acenava para a turma, assim como seu cabelo curto, seus olhos também eram pretos e um físico bem magricela.– Este é René Amon.
De um instante para o outro a sala toda começou a cochichar sobre aqueles dois, e não é pra menos, conhecer pessoas tão exóticas e diferentes das quais a gente estava acostumado a ver era até bem surreal. Nesse momento eu lembrei de Davi e Luiz e como seria estranho ver aqueles dois se comportarem dessa forma.
—Senhor Liam está apenas sendo formal, crianças se quiserem podem me chamar apenas de René, e é um prazer conhecê-los meus jovens, espero que possam aprender bastante com que meu chefe tem a lhes mostrar.–Nesse momento ele foi para atrás de Liam para lhe dar espaço para falar.
Não posso negar que fiquei interessado no que aqueles dois tinham a dizer. Mas nesse momento eu já estava brigando comigo mesmo pra decidir se ficava de olhos abertos ou não.
—Tenho certeza que todos vocês já se fizeram a pergunta "Como posso ter sucesso no futuro?" Mas será que é isso mesmo que deveriam estar se perguntando? A verdade é que….– Eu juro, Eu juro mesmo que tentei me manter de olhos abertos mas quando ele começou a falar e toda a sala se calou eu só consegui virar a cabeça para o lado, o que só me deu tempo de por uns instantes ver o rosto do Sr. Amon.
Provavelmente se perguntando como alguém era capaz de fechar os olhos em uma palestra de alguém tão brilhante quanto o seu chefe. Sem mais condições de seguir acordado eu adormeci.
Mesmo durante o sono eu conseguia ouvir a turma e o quê aqueles dois falavam, mas soava mais como " urhm urm e Sr. Hrum" mesmo assim eu tentei aproveitar meus minutos de sono.
Eu ainda estava apagado quando senti alguém me balançando sem parar.
—Killian Acorda!– Eu pude ouvir a voz de Rafa e agora ele não parava de me cutucar.
—Tá tá, tá legal eu já acordei!– Quando eu abri os olhos eu notei que todos estavam de pé e aplaudindo.– ahn? A palestra já acabou?– Tentando disfarçar eu me levantei o mais rápido possível aplaudindo tudo aquilo que eu com certeza não ouvi ele dizer.
—Cara não olha agora mas o Sr. César não tá com uma cara muito boa pra você não.– Quando Rafa disse isso eu apenas virei o olhar na direção dele e senti que eu iria bater o recorde escolar e receber duas suspensões ao mesmo tempo. O professor me olhava como se eu tivesse chutado o cachorro dele, quando de repente…
"Triiiiiiiiiiimmmm!"
Pra minha salvação o sinal havia tocado, as aulas haviam finalmente acabado e eu precisava sair de lá rápido.
—Bom, acho que essa é a nossa deixa.-O Sr. Velasquez se pronunciou.– Mais uma vez crianças, foi uma honra poder lhes mostrar o caminho para um futuro brilhante, espero poder vê-los novamente e dessa vez no topo! Vamos René?
—Claro Sr. Velasquez, crianças e professor.– Ele fez uma pequena reverência com a cabeça.– Foi um prazer.– Enquanto os dois homens se dirigiam a porta o resto da turma começou a recolher as mochilas e ir embora também, eu tentei passar despercebido mas…
—Sr. Gray…– Era o que eu temia ouvir.– Por que não fica mais um pouco? Precisamos ter uma conversa.– Era só o que me faltava, meio nervoso eu fui na direção dele, enquanto Rafa me esperava na porta.– Poder ir Sr. Sales, minha conversa é só com seu amigo sonolento.
Com receio Rafa deixou a sala e fechou a porta, ótimo, agora mesmo que eu não tinha como escapar de um possível sermão.
—Professor e- Mas ele me cortou.
—Descansou bastante Sr. Gray? Pelo que pude perceber por toda aula, o senhor estava exausto.– Ele deu um ênfase em "por toda aula".
De repente ele puxou do bolso do jaleco, um pequeno bloco de notas, eu sabia o que era aquilo, o bloquinho de advertências do Sr. César, e provavelmente seu melhor amigo também, afinal eu nunca vi aqueles dois separados.
—Mas professo- Eu tentei contestar mas ele sempre me interrompia.
—Sabe quanto tempo eu esperei por isso Sr. Gray?– Eu podia ver o meu nome sendo escrito naquele bloquinho, por isso não respondi, fiquei olhando para os meus próprios pés tentando disfarçar aquele constrangimento.– Você sabe quanto tempo esperei por isso!?– Me assustei por um segundo com aquele tom, não era do feitio do professor gritar de repente.
—Finalmente eu te encontrei menino…– Eu senti um calafrio quando ele disse isso, a voz dele parecia mais contida e amarga, quando olhei para o Sr. César eu senti que tinha cometido o maior erro da minha vida. Ele tremia com a caneta na mão, parecia estar suando bastante, eu não conseguia ver seu rosto mas ele não parava de contorcer o pescoço.
—Tantos anos… E finalmente te achamos!— Ele apertou tanto a caneta que ela estourou tinta no seu punho, no susto eu dei um passo pra trás. Assim que gritou ele ergueu seu rosto e meu coração não podia ter dado um baque maior, o rosto estava totalmente suado e ele tinha um sorriso doentio. Mas o pior de tudo eram seus olhos… eles estavam totalmente brancos, sem íris ou pupila, apenas vazios, mas eu sentia que aquele vazio olhava diretamente para mim.
Eu me sentia paralisado olhando aquilo, meus pés não conseguiam se mover mas minha mandíbula não parava de tremer.
—Mostre-os a mim garoto.– Era como se cada palavra fosse uma nova razão para ter medo… Mas mostrar o quê? Eu não tive muito tempo pra pensar, o Sr. César levantou bruscamente batendo as mãos sobre a mesa gritando: –Mostre-os para mim agora!
Nesse momento eu podia jurar que comecei a ouvir a voz dele de forma duplicada, como se tivesse mais alguém lá, aquilo parecia estar rasgando meus ouvidos.
—E-Eu n-n-não sei do que o senhor está falando…–Foi a única coisa que consegui dizer, parecia que estava ficando cada vez mais difícil de respirar.
—Não me faça de tolo!— Com medo eu acabei caindo sentado no chão e segurei em uma das pernas de metal de uma das carteiras, de repente ele levantou a mesa entre nós dois com uma das mãos e a jogou pro lado como se não fosse nada, no seu rosto parece que aquele sorriso distorcido tinha aumentado de tamanho.– Sabemos do que é capaz criança…— Ele ameaçava chegar mais perto.– Então mostre de uma vez!— Eu já não conseguia definir se ele estava ansioso ou furioso.
O pânico se instaurou no meu peito quando ele deu um passo à frente, eu não conseguia parar de olhar para seu rosto. Comecei a sentir como se meu braço esquerdo estivesse ficando mais pesado.
Quando ele esticou a mão com a tinta estourada, na minha direção eu não consegui me conter.
—Aaaagghhh!– Gritei no desespero enquanto tentava me afastar, ele estava perto demais, e em um ato sem noção pra tentar me proteger, coloquei meus braços na frente do corpo, o que piorou tudo, quando olhei para o meu braço esquerdo, parecia que ele estava totalmente coberto por uma massa muito parecida com a…
Eu me levantei no susto.
Meu coração estava um pouco acelerado, sentia os pelos do braço arrepiados, e uma leve tontura me acertou. Demorou alguns segundos até meus olhos se acostumarem com a luz do local novamente.
Apenas quando eu ouvi as vozes que eu percebi.
Olhei rapidamente a minha volta, a turma toda estava ali e todos ainda estavam… aplaudindo? Liam e seu assistente ainda estavam na sala, o Sr. César estava distraído demais para notar qualquer um dos alunos, eu cheguei a olhar pro meu lado e vi Rafa me encarando como se eu fosse louco.
Todos estavam na sala novamente.
—Se assustou com as palmas foi?– Ele disse, eu me sentia desnorteado, como se tudo aquilo estivesse martelando na minha cabeça. Então no fim eu apenas havia… Dormido?
Notas finais
Esse foi o meu primeiro capítulo da história
Eu espero que venham gostado e obrigado a todos por leram a minha primeira história
Até o próximo capítulo
Me digam oq acharam
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