Killers Lovers
16 Por una cabeza
Notas iniciais
Tijuana — México
1 de Novembro de 2017 — 21:00
—Preciso que ligue pra sua irmã — Elena disse colocando a mala no chão, destravando o cadeado e abrindo-a, pegando uma calça, blusa e botas. Jogou seus sapatos no chão e tirou seus brincos andando em direção ao espelho.
-Nós mal chegamos Elena. Não podemos simplesmente relaxar um pouco? Quer dizer, você está grávida! — Damon falou se levantando da cama que havia se jogado quando entrou no quarto.
Elena olhou para ele como se ele tivesse falado algum absurdo e Damon soltou um suspiro pegando o telefone e ligando para Caroline. Todos estavam em Tijuana, pelo menos a maioria deles, e os que não estavam, estavam à caminho. Elena nunca imaginara que iria ter uma equipe, porque sempre trabalhava sozinha, mas Bonnie, Enzo e Alaric estavam lá. Caroline não sabia de nada, pelo menos por enquanto, o fato era, ela seria necessária para lidar com Klaus, apesar dela não saber ainda que namorava um homem de dupla personalidade.
-O que eu digo a ela? — perguntou Damon, olhando para Elena de costas para ele que colocou a blusa encima da cadeira que passava indo em direção ao banheiro.
-Que você quer jantar comigo, ela e Klaus, na sexta — Elena disse tirando a saia e entrando no banheiro.
-O que? Você ficou louca? — disse ele caminhando em direção ao banheiro
—Quero conhecer essa dupla personalidade dele, ver qual predomina mais — ela falou com a porta se abrindo atrás dela e Damon encontrando Elena nua na direção do chuveiro.
Elena olhou para ele com os olhos arregalados, cobrindo seu corpo com as mãos e Damon revirou os olhos com seu pequeno drama.
-O que você pensa que está fazendo? — Elena disse brava fechando o chuveiro e se envolvendo com a toalha.
-O que você pensa que está fazendo?! — Damon disse irritado, todo aquele teatro estava começando a sugar toda a sua paciência. Se Elena quisesse que ele pensasse que ela não o amava mais, sentia em informar que ela era uma péssima atriz...Ou ele era um tolo infeliz — Vi seu corpo todos os dias durante cinco anos e pelo amor de Deus somos casados! — ele falou puxando a toalha de Elena dando uma longa olhada em seu corpo,havia muito mais do que saudade nos seus olhos.
O que Damon estava vendo alí queridas leitoras, era uma tortura, era a visão do inferno, quente, queimando como nunca antes. Porque bem, essa história não é só sobre mortes e sexo, não, é sobre a descoberta de um amor numa circunstância impossível, porque aquele corpo bem a sua frente, o que ele sentia, o que ele pensava era muito mais do que desejo carnal, desejá-la era algo platônico demais, superficial demais. Ele sentia falta dela, daquele sorriso, da sua risada quando beijava seu corpo, sentia falta não do sexo, mas de fazer amor com ela, lento e intenso. Sentia falta do amor dela.
Não pense que Elena não o ama, ela amava, mas talvez ainda não tivesse ideia da dimensão de seu sentimento, mas sentia, assim como sentia sua falta, e também pensava em suas noites de amor, mergulhados um no outro, num sentimento tão sincero, com um ato de movimentos tão verdadeiros, que a faziam sentir coisas que chegava a imaginar como alguém como ela que faziam coisas tão terríveis era capaz de sentir algo puro como amor.
Mas não esqueça, a vida dela foi difícil, bem mais difícil da de Damon e caso não se lembrem, Elena vivia feliz com seus pais e Elijah na Bulgária, pais ricos, tão ricos que levou a seu sequestro e um resgate longo, o dinheiro roubado de seus pais, que pagaram cada centavo prometido, mas não receberam sua filha de volta, dia e noite vivendo da escuridão, sendo apenas uma criança.
Para ela era difícil sentir, difícil acreditar em sentimentos que não fosse rancor e ódio e Damon a fizera sentir de novo, a fazia sentir como uma criança acreditando em tudo, ficando feliz com tudo e então, ele traíra sua confiança, traria seu sentimento, naquilo que ela acreditava ser tão real, mas agora, o provável sentimento que ela achava que sentia por ele, era apenas mais uma mentira e ela tinha que lembrar-se disso a cada segundo da sua vida.
-Não não somos. Agora saia! — falou ela puxando a toalha da mão dele e então envolvendo seu corpo- Sai daqui!
— Não somos casados? — disse ele irritado se aproximando dela que deu um passo pra trás se surpreendendo coma irritação que preenchia por sua face — Acha que prometemos um pro outro pra sempre numa cerimônia religiosa pra nada? Acha que assinamos documentos insignificantes? Acha que todos esses cinco anos dormindo e acordando juntos não é casamento? Não é casamento esse anel no seu dedo que você alega não me amar, mas continua com ele no seu dedo
Elês paparam quando o corpo de Elena bateu contra parede, sem ar, apenas encarando os olhei furiosos de Damon, incapaz de falar qualquer coisa, apenas olhar pra ele
—Tire o anel, eu duvido que você consiga.
Ele falou devagar, tão devagar que parecia que sua voz se repetia varias vezes, era ouvida não só por seus ouvidos, mas por todo seu corpo. Aquilo a atingiu como um tapa, não, ela não conseguiria tirar, mas não cederia assim.
—Você não consegue não é? — ele a olhava com um sorriso sádico no rosto e Elena pode ver um lado seu que jamais tivesse presenciado, o lado assassino dele -Se não consegue, se não me ama, se não somos casados então não vai se importar se eu tirá-la de seu dedo — falou Damon fazendo menção em tirar a aliança do dedo de Elena que o olhou apavorada com aquela possibilidade.
— “Per una notte” não é Elena? Foi tudo isso que esses cinco anos foram para você, um caso de uma noite só.
Damon disse a frase escrita na aliança de Elena, um presente de casamento dele. “Per una notte”, por uma noite, por apenas uma noite, uma noite só havia sido o suficiente para os dois saberem que pertenciam. A aliança de Elena escrita em italiano, a nacionalidade de Damon, e a dele em búlgaro cada um carregando um pedaço um do outro, tirar aquela aliança seria como arrancar sua história, tudo que construíram juntos.
—Tire sua mãos de mim — Elena recobrou a consciência tentando puxar seu pulso, mas Damon não deixou, cansado de pegar leve com ela, colocando o braço contra seu pescoço a fazendo bater a cabeça contra a parede. O olhar furioso de Elena encontrou os olhos dele que a olhava com tamanha intensidade.
Damon segurou a mão dela, passando os dedos por seu dedo anelar, rodando a mesma e a olhando como se a analisasse.
—Você é uma mentirosa Elena. E está mentindo pra mim. E acima de tudo pra você mesma. Algo sempre aconteceu aqui é você sabe.
Ela segurou seu olhar por três segundos mais, segurando a respiração sem nem perceber e num piscar de olhos ela voltara a consciência novamente.
—Me solta! — ela o empurrou com força o suficiente para ele recuar o pegando de surpresa.
Ele a olhou espantada com sua reação súbita que o pegando desprevenido. Ela não era de ferro, nem um pouco, ou pelo menos jamais conseguiria ser com ele.
—Sai daqui! — ela gritou mais uma vez e ele ergueu suas mãos em sinal de rendição, mas a ironia voltando aos seus lábios, dando lentos passos para fora do banheiro até Elena fechar a porta com força e tranca-la em seguida, escorando na mesma.
Damon encarou a porta fechada bem à frente dele. Ele não sorriu, não esboço qualquer reação sequer a não ser pelo fato de que sabia que poderia ser até um caminho difícil que tê-la de volta, mas ele a conseguiria, porque depois daquilo, estava mais que claro que ele nunca deixará de ser dele.
Fale com o autor