Killer Queen
15 Rainha Gloriosa
Notas iniciais
— Oh, meu deus! Você veio mesmo! – Delilah exclamou, parecendo bastante alegre em por os olhos neles. Sakura subiu os degraus da escada, Sasuke parou um degrau abaixo, e observou as duas mulheres trocarem um afago polido e de pouco contato, apesar dos sorrisos aparentemente receptivos. — Você veio! Está maravilhosa! Não vê, Kizashi? Ela está linda e ainda depois do...
Ela se calou repentinamente, apenas mantendo o sorriso e os dois a fitaram, curiosos.
— Depois? – Sakura indagou, inocentemente, Delilah deu de ombros, fazendo pouco caso.
— Oh, nada de mais! Você está aqui! É isso que importa! E, oh, vejo que trouxe companhia, huum? Olááá? – Sasuke a cumprimentou achando graça de seu jeito, ela lembrava um pouco a mãe dele, toda empolgada com a remota possibilidade de o ver com uma mulher.
— Muito prazer. – Cumprimentou-a educadamente, beijando sua mão magra mas bem cuidada. Ela apreciou muito, como uma garotinha, e ele pode ver Sakura revirar os olhos rapidamente. — Sasuke Uchiha.
— Uchiha?! Não pode ser... Oh, meu deus, Sakura! Como não avisa que iria trazer um convidado tão ilustre?!
— O quê? Esse aqui? De ilustre só tem o nome mesmo. Ele é meu parceiro na delegacia.
— Oh...- A mulher jogou os olhos para o velho que se aproximou um passo mais, parando quase em frente Sakura.
— Ainda está lá?
Sakura deu de ombros, calmamente, e o encarou.
— Porquê não estaria? – Kizashi estreitou os olhos sobre ela, e Sasuke se perguntou de onde alguém havia tirado que ela era parecida com a tal mãe. — Oi, pai. – Sakura disse por fim, com um tom ameno, mas firme.
Ele suspirou, parecendo desistir de dizer algo, e apenas se apoiou na bengala e com o braço livre, cercou os ombros dela num abraço breve. Sasuke não soube dizer por causa de quem, posto que não julgaria Sakura por querer distância mesmo que de um carinho.
Ela devia se sentir tão vulnerável, que procurava evitar dar, inclusive a si mesma, esperanças de conseguir aquilo que sempre almejara e só se machucara buscando.
— Que bom que veio. – Ele soprou sutilmente, ela apenas assentiu, jogando os olhos em seguida para Sasuke.
— Solte as crianças, e vamos pegar nossas coisas. – Avisou.
— Ah, claro.
— Oh, que isso, venha querida! Quero lhe mostrar a casa! Percebeu como está linda? – Delilah a puxou pelo braço rumo a entrada.
— E enorme. – Sakura comentou, antes de adentrar a casa. Sasuke voltou os olhos para frente e deu com o homem, e seu olhar inquisidor.
— Er... Melhor ir soltar as crianças...
— Uchiha, hã?
— Sim senhor.
— É o mais novo? – Sasuke assentiu, o homem deu as costas apenas, resmungando alguma coisa, e ele desceu os degraus indo até a porta e se perguntando o que foi aquilo.
Gibson e Augustine estavam impacientes dentro do carro, Sasuke pôs as malas pra fora primeiro, depois muniu-se das guias e prendeu os cães antes de os deixar descer.
Latindo alto e o tentando levar junto para perseguir um gato gordo que saiu correndo de onde estava guinchando alto, eles seguiram até os degraus, praticamente o arrastando.
Sakura saiu da casa praticamente correndo.
— Ah, aí está você! – Exclamou fingidamente, o abraçando. — Não me deixa sozinha com ela. – Avisou baixinho.
— Quer que eu faça o quê? Cante ela?
— Se me salvar dela, ganha chupeta antes do almoço. – Sakura ofertou, antes de se virar e sorrir para a madrasta.
— Oh, volte aqui! Ainda falta muuuito para ver!
— Eu só vim verificar o Sasuke, ele é meio burrinho, poderia acabar se perdendo, tadinho. – Sakura sorriu, apertando o queixo dele.
Sasuke rebateria no mesmo nível, mas ainda estava pensando na proposta.
Filha da mãe.
— Oh! – Delilah exclamou, encarando os cães. — E-e esses...?
— Essa é a minha Augustine. – Sakura declarou, afagando as orelhas da cadela. — Não é maravilhosa? O vira-lata é coisa do Sasuke.
— Cão policial. – Sasuke alertou.
— Oh, sim? Que adorável!
— Sabe um monte de truques. – Ele disse.
— Como mijar em tudo que encontra. – Sakura comentou. Ele forçou um sorriso.
— Pelo menos não solta tufos de pelo, parceira.
— Solta sim, você que não move o rabo para alimpar, parceiro.
Delilah apenas sorriu, posto que não fazia ideia de como lidar com isso.
— Que tal mostrar-lhes os quartos? Deve estar um pouco cansados, não?
— Confesso que sim, nem dormi direito arrumando as coisas para vir. – Sakura disse, seguindo-a, enquanto guiava a cadela. Jogou os olhos por cima dos ombros, em Sasuke e piscou com aquele olhar de novo. — Gostaria de um descanso depois do almoço...
Ele não era burro, ainda mais nesse assunto, e concordou logo, já fingido uma dor na nuca.
— Confesso o mesmo, além de que, estava trabalhando num caso até ontem, então...
— Ah, entendo completamente! O almoço não vai demorar, mas de qualquer jeito, está praticamente todo mundo fora cuidando do casamento. Elizabeth está com as amigas, foi buscar o vestido e espero que você possa conhecer Simon logo!
— Quem?
— O noivo, querida.
— Oh, sim. Como ele é?
— Ótimo rapaz, filho dos Bancks! Ainda se recorda?
— Vagamente.
— Simon, é adorável! Tenho certeza que nos darão netos lindos!
— Hum. – Sakura disse, encarando a decoração, a casa era toda em estilo bem rústico e refinado, Sasuke arqueou o cenho vendo várias cabeças de caças nas paredes acima da lareira. Gibson ganiu e latiu, estranhando e até meio assustado enquanto Augustine parecia ignorar.
Cadela bizarra.
Ele próprio sentia como se aquelas coisas o encarassem.
Subiram uma escada de madeira espessa em semi caracol, o andar de cima tinha corredores extensos, muitas portas.
— É uma casa linda. — Ele admitiu.
— Obrigada, concluímos a reforma ano passado, temos mais de sete quartos, e a casa que era dos empregados virou uma cabana para hospedes também, não poderemos receber todos os convidados mesmo Lisa querendo uma festa mais intimista, no entanto, quem é da família tem seu lugar. E claro, quem vier com a família.
— Esta parte me agrada. – Ele brincou.
— Oh, Sakura, seu quarto continua como deixou, não me livrei de nada, mas demos uma reformadinha, espero que goste.
— Eu vim poucas vezes, não acho que tenha muita coisa, de todo jeito.
Delilah abriu a porta quase do final do corredor, o quarto era enorme e mesmo tendo o mesmo estilo rústico possuía moveis brancos e de talhe delicado, uma colossal cama de dossel, um grande armário, mesa perto da varanda e um espelho enorme.
— Está incrível. – Sakura admitiu.
— Que bom que gostou! – A mulher soltou a cadela, deixando-a ir explorar o quarto, Delilah não pareceu apreciar muito ver o cão saltar na cama impecável, mas era até engraçado ver sua face lutar para não enrugar de desgosto claro.
Saiu atravessando o corredor e abrindo a porta da frente, um quarto igualmente grande, mas mais simplista se revelou e Sasuke deixou Gibs adentra-lo primeiro.
— Uau, que lugar incrível. – Disse.
— Ficamos felizes, não sabia que Sakura traria alguém, mas que bom que trouxe! A principal dama de honra precisa de um parceiro a altura.
— Fico honrado, madame.
— Adorável! Oh, Sakura, Lisa deve trazer o seu vestido logo, claro que vai precisar de ajustes, mas não acho que sejam muitos, continua magra e linda, meu bem.
— Obrigada. – Sakura disse.
— Vou pedir que um dos empregados tragam as malas de vocês, sim? E descansem, o casamento é só daqui quatro dias, mas teremos trabalho!
Ela saiu depois de mais alguns bajulos e Sasuke riu, entrando no quarto de Sakura, ela estava deitada na cama, encarando o teto, e afagando o pelo da cachorra.
Ele deitou perto, apenas, já recebendo um olhar de esguelha do cão.
— Nova ideia, fico com você aqui e o meu quarto fica pra o casal quatro patas aqui.
Sakura revirou os olhos.
— Tão na seca já?
— Qual é, você me prometeu uma semana de foda, e não sei fazer sexo por telepatia, nem quero.
Sakura se levantou indo atender a porta.
— Vemos isso depois.
— Como assim depois? Hey! E a minha chupeta?!
*
— O almoço está pronto! – Delilah declarou toda efusiva, de novo, Sasuke se perguntou se ela era assim sempre, ou se era somente a data especial que estava chegando.
Seguiu-a junto de Sakura, ela parecia muito avoada agora. Encarando os quadros nas paredes, haviam poucos, e poucas molduras de fotos também, mas ele podia ver a nítida falta dela própria nas fotos, e também de seus irmãos.
Ele nem mesmo os reconheceria se os visse agora, posto que viu no máximo duas fotos de uma trinca de rapazes de cerca de quatorze anos, bastante parecidos.
Aproveitando que Delilah os liderava, ele se aproximou mais da outra, e estendeu a mão para o lado, abaixo de seu vestido, beliscando um pedaço de seu traseiro. Sakura o encarou, com um olhar aborrecido.
— Vagabundo. – Ciciou entre os lábios.
— Boqueteira. – Ela revirou os olhos, e logo desceram as escadas, seguindo para uma sala de jantar próxima. Era espaçosa, a mesa era de madeira espessa, mas com confortáveis mesas estofadas brancas. Estava abarrotada de comida, e tinha vários lugares.
Viram Kizashi chegar da cozinha, logo atrás uma empregada de ascendência latina veio, trazendo uma grande jarra de suco.
— Lídia? – Sakura exclamou, contornando a mesa e indo ao seu encontro, a mulher se empertigou e sorriu largamente, soltando uma enxurrada de palavras em espanhol, e apertando o rosto de Sakura como se fosse o de uma garotinha. — ¿Eres tú misma? ¿Cómo estás?
— ¡Muy bien! Querida, ¿cómo va? ¡Está linda!
— Quem está é você. – Sakura a abraçou. — Que bom que ainda está aqui.
— Lídia está conosco desde que compramos o rancho. – Delilah explicou a Sasuke, ele assentiu, achando a interação adorável. Agora sabia como Sakura foi ficar boa em xingar os malandros do bairro espanhol.
Sakura se sentou à mesa e ele puxou a cadeira ao seu lado, Lídia fez questão de o servir, enquanto parecia entrevista-la de tantas perguntas que fazia.
— Sí, sí, estoy en la ciudad. ¿Vas a ir a visitarme?— Disse, risonhamente.
— Oh, oh, não tente roubar ela de nós. – Delilah avisou, brincalhona. — Lídia, querida, onde estão os rapazes? Achei que já haviam chegado.
— Deixando os cavalos no estábulo, senhora. – Lídia disse, o sotaque ainda carregado, e então voltando a atenção para Sasuke, enquanto Sakura desdobrava o guardanapo.
Pelo sorriso dela, Sasuke já sabia o que viria, e riu, vendo-a cutucar Sakura, longe de soar discreta.
— ¿Y quién es ese chico guapo?
— Hum? ¿Ese mendigo aquí? Ha traído para hacer una caridad.
— Oh?!
— Ela me adora, se quer saber. – Sasuke disse, piscando. A mulher corou adoravelmente, e Sakura lhe deu uma cotovelada.
— Sossega essa coisa que você tem na calça, palhaço.
— E é ciumenta também. – Afirmou para a mulher que voltou para cozinha saltitando alegremente.
Sasuke entendia pouco de espanhol, mas tinha certeza de ter ouvido algo sobre “Casamento”, e considerando que Sakura revirou os olhos, Delilah sorriu desajeitadamente, bem como a carranca de aborrecimento de Kizashi se ampliou, estava provavelmente certo.
No entanto, preferiu fingir que não sacou tudo e desdobrar o guardanapo.
— Nossa, quanta variedade. – Comentou.
— E é tudo caseiro, não é maravilhoso? Deve estar mais que acostumados com essa bendita comida de fast-food, afinal. – Delilah declarou, professoralmente.
— É meio corrido mesmo, nem sempre dá pra parar em casa, e os burritos são muito tentadores para rejeitar. – Ele admitiu. — Se bem que. – Lançou um olhar para Sakura. — Desde que vossa majestade pousou lá em casa, a alimentação ficou bem melhor, hã?
— Sua morte por infarto vai ser adiada uns dois aninhos. – Sakura disse, graciosamente.
— Está cozinhando pra ele? – O tom de Kizashi foi inquisitivo e indignado.
Sakura deu de ombros, calmamente enquanto Delilah tocava o braço do marido com um pedido mudo de paciência.
— Não só pra ele, pra todo mundo lá na casa, é meio que uma república, né? – Complementou com Sasuke, ele assentiu.
Achou que ela apenas se defenderia, mas já deveria esperar que ela não desistiria da própria franqueza por nada. Ela mesma poderia achar a situação de onde morava meio degradante, considerando o padrão em que vivia antes. Mas ela não via porquê lamuriar verdadeiramente, ou mesmo esconder isso.
Ele admirou-a por isso, mudou muito a visão que tinha dela, de antigamente. Se desfez, pelo menos o lado mais ruim, posto que ainda continuava vendo-a com aquela mesma essência de rainha da porra toda.
E sinceramente, não se importava mais.
— É. – Disse. — Tipo uma república de policiais. A casa é minha, mas é enorme, então alugo alguns quartos para meus colegas de trabalho.
— Oh, maravilhoso, parece um ótimo... ótimo ambiente de apoio. – Delilah incentivou.
— Algo assim.
— Quantas pessoas moram lá?
— Atualmente sete, e ainda tem lugar.
— Deve ser uma casa e tanto, diga, não pretende se casar?
— Eu?
— Ele? – Sasuke riu e Sakura também.
— Ah... Bom, claro que Sakura pretende se casar novamente, não é, querida? Sabe que não deve deixar o que aconteceu com Hidan...
— Eu estou muito bem como estou agora. Delilah. – Sakura esclareceu, pacientemente.
— Mas assim...?
— Não poderia estar melhor, tenho um emprego legal, grana o bastante pra ter isso mais como hobbie até, um lugarzinho legal pra dormir, e não devo nada a ninguém. Hidan também deve estar feliz com a nova esposa e o bebê, então porque perder tempo com esse assunto?
— Bem, se é assim que quer, querida.
— É como tem que ser, querida, não vale a pena viver de passado.
— Deveria ter dado um tiro no rabo daquele vagabundo. – Kizashi cortou-a. — Ele a deixou ao relento num carro.
— Kizashi...
— Vontade não faltou, papai. – Sakura suspirou. — Mas eu preferi lidar com a situação como um adulto. Agora não preciso nem do Hidan, e nem do carro. – Acentuou, lhe mandando um olhar afiado.
— Opa, camarão. – Sasuke comentou, ao ver uma grande travessa na mesa. — Adoro camarão.
— Paleta de camarão, especialidade de Lídia. – Delilah exclamou. — Vamos comer! Chega de assuntos desagradáveis, Sakura tem razão, o que passou, passou!
— Viva ao futuro. – Sasuke disse, erguendo a taça com suco. Sakura ergueu a dela brevemente.
— E à toda a grana que arranquei do rabo daquele frangote. – Declarou, Delilah entalou com o suco e Sasuke brindou com todo gosto.
— O soco que dei dele também foi épico, mas você não viu, uma pena.
— Ah, mas ficou bem roxo. Ficou ótimo, foi de direita?
— Infelizmente esquerda, machuquei os dedos naquela cara de pau do caralho...
— Tsc, lembrei que tenho de te ensinar a dar um cruzado decente.
— Cê não começa.
*
— Ah, sobrevivemos. – Sasuke se jogou na cama, Gibson o observou de onde estava, numa poltrona.
Ele se levantou e pegou uma toalha, seguindo para o banheiro.
Ao entrar no boxe, recebeu um banho que esperava que descarregasse toda aquela energia pesada, talvez até ruim que havia acumulado.
Ele achou que lidar com Kizashi fosse ser a parte mais ruim, tanto para seu próprio temperamento, quanto para Sakura. Mas percebeu que o velho, de alguma forma, parecia bem ciente de que as coisas não seriam mais as mesmas.
Ele parecia ainda bem puto com a coisa sobre o ex genro, mas não aborreceu Sakura sobre onde ela morava, ou sobre o emprego, parecia mais interessado em observar e julgar silenciosamente, e Sasuke podia sentir que Sakura não estava exatamente gostando disso.
Mas ela só devia estar nervosa, afinal, viera preparada para uma guerra, sufocamento, cobranças, e pouco afeto, e não encontrara realmente isso.
No entanto, não havia mesmo como ser um paraíso, e o inferno reinou quando os irmãos dela finalmente chegaram, já praticamente no fim do almoço que desfrutavam.
Se ele algum dia havia pensado que odiava Itachi, se arrependia amargamente.
Damon, Ethan e Josh Haruno, eram bastante parecidos apesar de gêmeos não idênticos, Damon, o mais velho parecia realmente um irmão mais velho, alguém que levava o peso de ser o mais racional e responsável, Ethan, era o do meio, mais parecido com Sakura em postura de rei, mas um rei babaca mesmo, e Josh era o típico irmão mais novo depois que ganhava outro irmão mais novo, irritante, provocador, e de ar agressivo.
Obviamente, tudo bastante camuflado em posturas de oficiais militares, mas uma trinca de babacas no fim das contas.
Ele pode sentir como uma tempestade quando os três chegaram, Sakura poderia não ter brigado com o pai, mas ela se retesara, e ficou mal-humorada e ácida somente com a presença deles. Não houvera nada além de um breve cumprimento antes da primeira indagação invasiva e provocação chegarem.
Primeiro sobre o trabalho de policial, sobre a casa, a companhia (ele), o casamento fracassado, tudo atirado na mesa, apenas estragando a comida, Delilah estava quase tendo um treco, mas não estava exatamente ajudando ao tentar amenizar a opinião deles.
Kizashi os cortou diversas vezes, e teria sido, talvez, como uma daquelas brigas de família na mesa do almoço, mas tinham que retomar de novo. No fim, Sakura, chamou Josh de “tenentezinho”, o que foi o bastante para uma enxurrada de discussão insana encher o lugar, eles tinham vozes potentes, gritavam, e atiravam ofensas, Gibs e Augustine latiram e só pioraram a poluição sonora.
Sakura estava a ponto de estourar de raiva, e Sasuke já a estava tirando da sala ele mesmo antes que um episódio como o de um mês atrás acontecesse e ele tivesse que vê-la se sentir culpada por causa daqueles bastardos todos.
Se isso acontecesse, a próxima briga seria com ele.
Até que enfim, tudo se acalmou com a chegada de uma coisinha loira e graciosa como um anjo.
Elizabeth era pequena, delgada, e exalava pureza e fragilidade, como uma espécie de anjo, sua presença pareceu espantar todos os demônios naquela gente, mas apenas atiçar os de Sakura ainda mais.
Estava acompanhada de um rapaz novo como ela, bonito também e com todo aquele ar de príncipe encantado, faziam um casal do tipo novela, mas não houve muito tempo para analisar. Ela já chegou com aqueles olhos azuis enormes cheios de lágrimas e uma vozinha frágil e dolorosa ao indagar porque tinha de encontrar sua família reunida mas em conflito a dias de seu casamento.
Kizashi puxou a filha caçula protetoramente, abraçando-a e pedindo-lhe calma, dando um olhar mortal aos três filhos homens, calando-os completamente.
Mas Sasuke sentiu a garganta pinicar de ódio, queria lhe perguntar onde estava aquele abraço protetivo e aquele olhar mortal quando Sakura precisou de respeito embaixo da merda de seu teto.
Elas eram opostos completos, mas saíram ambas de suas malditas bolas, que se foda, elas não eram desiguais, não estavam acima uma da outra.
Que diabos havia com aquela gente?
Ele veio mesmo passar cinco dias vendo esse circo?
Sasuke, saiu do banho sentindo-se até mais cansando do que quando entrara, provavelmente porque seu corpo relaxou um pouco, mas sua mente ainda borbulhava de tanta coisa entalada.
Elizabeth havia ficado ocupada demais recebendo mimos e sendo dramática, até para receber a irmã como alguma maturidade, e Sakura não ficou esperando nada, apenas se retirou para o quarto, e não quis ninguém por perto além de Lídia que garantiu a ele que ela iria ficar bem.
Sasuke passou a tarde arrumando as coisas que trouxe no quarto, e cuidando dos cachorros, passeou por um pedaço da propriedade com eles, não fazendo grande questão de encontrar alguém. Se encontrasse um dos irmãos, provavelmente o mataria, não apreciava bater em velhos, mas Kizashi não era sua visão de vovô legal, e entendia agora porquê Sakura não suportava a madrasta, e irmã.
Elizabeth não tinha culpa do abandono de Kizashi em relação à irmã, mas também era claro que ela não fazia questão de se ver cercada de alguém que precisasse de carinho, ao invés de estar lá para bajula-la.
Ele se trocou e deitou na cama novamente, já prevendo o que teria de aturar no jantar. Mais pessoas haviam chegado, em sua maioria ricos conhecidos, e parentes de Delilah. Algumas pessoas vieram munidas de barracas e se puseram a acampar em alguns pontos da propriedade, ele presumiu que era uma ótima ideia aproveitar a possibilidade de desfrutar do ambiente assim.
Mas só concluía que haveria apenas mais público para os próximos showzinhos dos irmãos de Sakura.
Sinceramente, não estava afim.
Ouviu batidas na porta e se levantou, uma empregada avisou que o jantar seria servido no espaço em frente à casa. Sasuke a dispensou, planejando não aparecer com uma desculpa de dor de cabeça, mas primeiro teria de perguntar se Sakura estava disposta a encarar o desafio.
Mal atravessara o quarto quando ouviu batidas de novo, voltou e abriu a porta, Sakura passou por ele como um vulto verde e perfumado.
— Não estou disposta a descer pro circo hoje, algo contra? – Avisou. Ele fechou a porta, meio aborrecido e também aliviado.
— Não, ia te perguntar isso, prefiro comer no quarto.
— Esse cachorro está aqui? – Ela reclamou, Sasuke se voltou para ela, vendo-a de pé perto da janela, enquanto Gibs ainda ocupava a cama.
— Não enche o saco, ele estava aqui primeiro ora.
Sakura o fitou de lado, com um sorriso desafiador, ele notou que seus olhos estavam esfumaçados em preto, e os lábios vermelhos.
Girou sobre um par de saltos escuros, usava um robe verde, o abriu, deixou cair em torno de si, e com um sorriso sacana, pousou as mãos nos quadris.
— Então, quem vai ganhar a preferência agora?
Sasuke piscou a vista, absorvendo a realidade da visão, e cada detalhe da refinada e sensual lingerie verde que ela usava. Gibs ergueu a cabeça, encarando-a com as orelhas de pé como se previsse a conspiração contra si.
Sasuke soltou o ar e deu passos para trás, encarando-a com uma expressão irritadiça, abriu a porta, e assoviou. Mesmo ganindo uma reclamação, o cão saiu pela porta, e Sasuke a fechou, trancando. Então caminhou na direção dela, e apontou-lhe o dedo, já recebendo um olhar ameaçador.
— Isso foi golpe baixo. – Avisou, antes que estivesse perto o bastante para ela tentar quebrar seu dedo. Pegou seu quadril e puxou para si, deliciando-se em tocar inclusive a peça que cobria sua pele.
— Sabe que fez uma boa escolha. – Ela rebateu, acariciando seu queixo languidamente. Sasuke beijou o dela, atacando pouco a pouco.
— E você foi no ponto certo, pra conseguir o que quer. – Rebateu, e empurrou-a para o pequeno sofá mais atrás, deitando-a e subindo sobre ela. — Então não pode reclamar.
Sakura gemeu preguiçosamente, apreciando sua investida contra a garganta e as mãos abarcando cada parte de seu corpo, suas coxas esfregaram-se nas dele. Seu perfume de banho recém-tomado e homem enchia as narinas dela, e apesar de não apreciar barbas, a dele, por fazer, roçando asperamente contra sua pele, estava excitando-a com a real certeza de estar com um homem de novo.
— Deus, que roupinha linda, querida. – Sasuke gemeu. — Que puta gosto pra calcinha, apesar que imaginaria você com cinta-liga. – Confessou, apertando as palmas nas pernas dela, Sakura abraçou seu pescoço, e beijou demoradamente em torno de sua orelha e do maxilar.
— Tenho uma ou duas na mala, quem sabe eu realize seu desejo, se for um bom menino hoje. – Ofertou, presunçosamente.
Sasuke riu, pegando-a pelas pernas e levantando-a, jogou-a na cama e subiu sobre ela, novamente, inclinando-se o bastante para beijar seu estomago, Sakura suspirou sob seu olhar, deitando a cabeça contra o colchão.
Eu estou tão cansada de brincar
Brincar com este arco e flecha
Vou dar meu coração por aí
Deixar isto para outras garotas brincarem
Por eu ter sido tentada por tanto tempo
— Majestade, sabe muito bem que de bom menino não tenho nada. – Gracejou, mordiscando sua pele até entre os seios. A beleza do bojo, delicado e refinado, mas compondo uma peça de apelo forte e elegante como só a mulher dentro dela poderia ser.
Seu nariz recebeu de bom grado o perfume que a pele dela exalava, hidratante e alguma colônia cara, roçou os lábios em sua orelha, mordiscando-a.
Apenas
Me dê uma razão para te amar
— Está tão cheirosa assim pra mim? – Provocou, ela franziu a testa demonstrando irritação com sua petulância, mas ergueu a mão e acariciou a nuca dele com lentidão. Ela adorava fazer cafuné, mas ele não esfregaria isso na cara dela, ou perderia o agrado.
— Então por acaso eu fedo? – Retorquiu, preguiçosa e leve. Sasuke beijou seu pescoço e chupou sua carne como uma fera com a presa sob os dentes. Ela rosnou de volta, fincando a unha em seu couro cabeludo, as coxas se apertando nas dele.
— Toda gostosa, porra. – Declarou. — Vamos lá, querida, você sabe como queremos isso.
Sakura abriu os olhos e o encarou ainda de lado, seus olhos avivaram-se novamente, pois não estavam assim quando ela chegou, ele sabia que ela só estava precisando esquecer do lugar em que estava, e não estava descartando ser o meio para isso.
Mas a queria totalmente consigo nessa, naquele tesão que tinham juntos, em toda aquela intensidade que era e sempre seria a marca maior da dinâmica entre eles.
Ela se sentou, atacando sua boca com voracidade, as mãos arranharam o pescoço dele quando tentou repuxar sua gola, Sasuke devolveu o beijo no mesmo nível, apertando seus seios entre os dedos, as coxas incríveis, e ouvindo-a rosnar um xingamento antes de rasgar sua camisa de flanela preta como um papel.
Me dê uma razão para ser uma mulher
Eu quero apenas ser uma mulher
— Que gata selvagem...- Ciciou, se afastando sobre os joelhos e pondo um pé no chão enquanto se livrava do resto da camisa e o cinto. Sakura soltou sua boca, e se ajoelhou, atacando o pescoço dele com chupões fortes que até doíam, ela apertou o pau dele sob a calça e desceu a cabeça sugando seu estomago e mordendo. Sasuke largou o cinto no chão e chutou os tênis que calçava enquanto apertava o cabelo curto dela, e sentia uma sensibilidade prazerosa e até então desconhecida, com o toque da boca dela em sua barriga, os dentes raspando, os lábios ávidos e a língua experiente o deixando atordoado e encantado.
Então não pare de ser um homem
Apenas dê uma olhadinha de fora quando você puder
Gemeu quando ela invadiu sua calça praticamente só com a boca, o chupando com aquela vontade de se saciar que o deixava embasbacado.
Sakura balançou a cabeça ritmicamente o sugando de cima abaixo em conjunto com uma das mãos, Sasuke observou-a de quatro no colchão, o traseiro erguido de maneira sugestiva, a calcinha pequena encaixando-se entre as nádegas firmes. A lingerie abraçava sua cintura e quadril, e ele acariciou suas costas marcadas aqui e ali de cicatrizes, além da criatura tatuada entre suas espáduas que lhe conferiu um ar ainda mais sedutor e espirituoso.
Ele desabotoou o sutiã, mordiscando os beiços em seguida e grunhindo com um chupão forte na cabeça do falo.
— Já disse pra não arrancar. – Avisou, quase muito rouco para soar claro o bastante, sua espinha tinha choques a cada ataque impiedoso daquela mercenária, e sabia que não duraria muito tempo se a deixasse se esbaldar demais.
Abarcou a nuca dela com uma mão e a puxou, Sakura veio, soltando seu pau dos lábios aos poucos e com relutância, um som estalado soou quando ele se livrou de sua boca e a trouxe para cima, mas ela continuou o atormentando com as mãos e o beijou na boca sussurrando um palavreado baixo e sensual.
Semeie um pouco de ternura
Não há nenhum problema se você chorar
— Eu não maltrataria tanto o meu brinquedo. – Sakura provocou. Sasuke apertou seu queixo, e chupou a língua dela, com a mão vaga, estapeou seu rabo petulante, e amassou a carne, deliciado, antes de subir até o sutiã frouxo nos ombros dela, empurra-lo mais para baixo e espalmar um dos seios. Sakura gemeu, o encarando sem ceder à provocação.
— Nem eu. – Rebateu, ela sorriu e puxou o cabelo dele, arrancando-lhe um beijo de foder o fôlego, Sasuke puxou suas pernas de uma vez, pondo-a largada contra o colchão, sua boca desceu para um dos bicos de seu seio pequeno e delicioso, ele se fartou na modesta, porém lasciva refeição, enquanto ela empurrava sua calça com os pés e ele puxava a calcinha.
— Me fode logo. – Exigiu, impaciente, ele que já beijava sua tatuagem, ergueu os olhos fitando-a, desconfiado.
— Sem provar sua boceta?
— Não vai perder o gosto, anda logo, vadio. – Sakura o puxou de volta para cima, ele teria perguntando se não tiraria os saltos, mas ela parecia bem confortável neles ainda, e ele estava fodidamente bem feliz com a visão dela só de saltos.
Segurou o pênis pela base, esfregando-a em sua entrada, sentindo-a escorrer e encharcar sua carne, mordiscou a boca, afundando na sensação.
— Está toda melada, sua safada. — Sakura apenas apertou as pernas em torno do quadril dele, o obrigando a vir logo, Sasuke, apertou seu quadril contra o colchão, a palma espalhada em seu estomago e o polegar roçando de propósito o clitóris dela.
Empurrou para dentro, sentindo-a estremecer por sua carícia no monte de nervos dela. Sakura respirou fundo relaxando mais um pouco, e o deixando penetra-la mais fácil, no entanto, o esmagou dentro de si logo que ele se encaixou, Sasuke se apoiou acima dela, e beijou-a enquanto arremetia logo, dispensando ir gradualmente. Ela não era uma mulher de se tratar com melindres na cama.
Sakura abraçou seu tronco, as unhas ficando na pele dele e seus gemidos, gritos e xingamentos encheram o quarto, o ar ficando mais e mais denso entre seus corpos e arredor.
— Que porra de boceta boa, Sakura. – Reclamou. Era no mínimo incabível que não houvesse tido dela antes. Tanto tempo de convivência que tiveram antes, tanto tempo agora, no depois.
Talvez se tivessem fodido em vez de brigado, as coisas pudessem ter sido diferentes para ambos, mas não importava agora, não mesmo.
Ele só queria afundar nela até que sua boceta ficasse moldada para si, tão profundo que ficariam marcas.
— Fode! Fode! Fode!— Sakura gritou, arranhando até o traseiro dele, Sasuke calou sua boca um momento antes de ele mesmo praguejar.
— Vou te foder até entrar em coma, porra. Para de gritar... Quer que seu velho chegue pra acabar com a nossa festa, hã? – Sakura riu quase insanamente, espalmando o peito dele, os lábios entreabertos e a pele suada, o cabelo começando a ficar umedecido com o calor deles.
— Tá com medinho? Hum? Não deveria nem ter vindo.
Ele rolou sobre a cama, trazendo-a para cima, Sakura imediatamente afundou-o em sua pélvis, o fodendo com brutalidade, ele apertou seu quadril com força o bastante para que seus dedos ficassem brancos, ainda assim, ela só rebolou mais e estapeou o rosto dele, xingando com os olhos brilhando de lascívia pura e um sorriso sórdido e ébrio na boca inchada de beijos.
— Que pau gostoso pra um vadio. – Ronronou, balançando pra frente e para trás, ele bateu em seu rabo e massageou.
— Que boceta gostosa pra uma cadela arrogante.
Sakura riu, arfando, se inclinou até tocar a testa dele e o encarou enquanto o som de seus quadris se chocando ressoava despudoradamente no quarto inteiro.
— Mas você morre de tesão nessa boceta arrogante, hmmm?
Sasuke apertou suas costas, mantendo-a no lugar a enrolando a língua com a dela libidinosamente. Grunhiu e apertou sua bunda com as duas mãos, forçando-a a descer com ainda mais força.
Sakura apertou os olhos, sentindo uma pontada que fez o corpo estremecer e arrepiar, apertou os punhos sobre o peito dele, e soltou um grito agudo quando veio outra onda que presidia um orgasmo a muito adiado e necessitado.
— Isso, porra, isso, eu vou gozar...
— Delícia. – Ele exultou, apreciando sua expressão tão desesperada e prazerosa quanto a força com que o montou buscando liberação. — Goza pra mim, querida. Isso, que tesão, sua boceta está ensopada.
Sakura se libertou com um grito alto, um gemido longo, os quadris estremecendo, e o interior fumegando e o espremendo bem demais para segurar.
Sasuke abraçou sua cintura, cerrando-a perto de si, chupou e abocanhou cada seio enquanto se liberava dentro dela, visceralmente.
Sakura estremeceu com o estímulo extra, e por fim, relaxou sobre ele, arquejando de pouco em pouco e profundamente.
Ele deitou a cabeça na cama, relaxando a coluna também e por fim, suspirou.
Os dois apenas respiraram por longos minutos e reabsorveram cada minuto que havia se passado durante o coito.
Sakura arranhou suavemente o queixo dele, implicando com sua barba, e ele bateu suavemente em sua bunda.
— Até que foi bom...
— Deu pro gasto...
Ela se ergueu e os dois se encararam, um duvidando da afirmativa do outro com um olhar presunçoso.
Por fim, ele fez foi sorrir, como o bom cafajeste que era porque adorava como eles guerreavam até na cama, até depois de um puta orgasmo quase em sincronia.
— Melhor de três? – Desafiou.
Sakura revirou os olhos, o fitando com desdém, mas então, sorriu bem safada e ávida, e se enrolou no corpo dele antes de o beijar.
— Melhor de cinco. – Aumentou a aposta.
Sasuke rolou sobre ela, e rosnou indignado com essa filha da puta sabendo tão bem como ele queria fazer as coisas de verdade.
— Vou casar com você, caralho. – Ameaçou.
— Como se fosse querer estragar a brincadeira. – Sakura riu.
Desde quando sua pior inimiga era quem mais bem o conhecia?
Só sabia, que ela devia se perguntar o mesmo, então não se importou, e nem se deixou intrigar ou perturbar por isso.
Isto é tudo que eu quero ser, uma mulher
Então eu apenas quero ser uma mulher
Por isso, é o começo de todo o sempre
É hora de superar agora!
(Então eu quero ser)
(Glory Box – Portishead)
Fale com o autor