Killer Queen

46 Rainha Apaixonada


Notas iniciais
Todos preparados? Bebê a bordoooo

Queee saco! – Sakura lamuriou, contorcendo-se no sofá. — Alguém me dê a porra dessas chaves! – Esbravejou.

— Calma, calma, sua apressadinha. Estamos vindo com suas coisas. – Mikoto cantarolou descendo as escadas acompanhada de Rachel. — E você não decidiu, qual camisola quer levar, a longa ou a curta?

— Eu só quero ir pra droga do hospital!

— Oh, claro. Vamos indooo.

— Seria mais tranquilo se fossem gêmeos. Com cesariana e tal...

— Rachel, vai se foder!

— Ui, que estressadinha. Já ligou para o Sasuke?

— Ele não está na delegacia, algo haver com sequestro ou sei lá.

— Sequestraram ele?!

Sakura respirou fundo, levantando-se com ajuda da doula.

— Eu tenho direito a matar alguém? Tenho certeza que isto estava no plano de parto...

— Não, não estava. – Rosie respondeu, sorridente.

Sakura bufou e seguiu para a porta, apoiando uma mão na lombar, que sofria boa parte das pontadas das contrações.

— Alguém tire o carneiro do forno...

— Já tiramos.

— E verifique se tem água e ração para os cães...

— Verificamos.

— E quem vai buscar Noein na escola?

— Irei assim que te deixarmos na maternidade, mas que tal você ir pra droga do carro? Quem está enrolando agora pra sair? Quer ter este bebê em casa feito uma lady feudal?

Sakura saiu aos resmungos, finalmente entrando no carro da sogra.

— O intervalo entre as contrações ainda está bem espaçado. Tomara que você esteja com boa dilatação até chegarmos lá. – Rosie disse, sempre verificando o relógio.

— É, é bom mesmo esse bebê não me irritar mais, está quase tomando a cota do pai dele... Alguém pode ligar para o idiota?!

— Já estou fazendo...- Rachel revirou os olhos, já com o telefone em mãos.

Mikoto parecia muito tranquila ao volante, quase cantarolante, Sakura entendeu porque Izumi dissera que havia querido bater na sogra quase tanto quanto no marido durante a vinda de Kenton.

— Ugh, no telefone só da ocupado. Tem certeza que ele não foi sequestrado?

— Tomara que não, ou eu o socaria de todo jeito.

*

Sasuke espirrou, ficando ainda mais puto, apenas.

Já estavam há duas horas naquilo, haviam pelo menos três helicópteros de emissoras sobrevoando o galpão de um ferro velho onde supostamente havia um garoto rico sendo mantido como refém por um grupo de sequestradores que mais pareciam uma trupe de retardados de algum filme de polícia pastelão.

Merdas de trabalhar em Hollywood onde até os bandidos queriam ter um momento de estrela.

— A família continua se recusando a pagar. – Naruto disse, ainda incrédulo.

— Deve ser um baita bom filho, hein?

— Por que diabos não desistem? E sequer ameaçam matar o garoto. Em outro caso já teriam mandado alguns pedaços dele pra família.

Sasuke teve que concordar, encarando a janela do galpão de onde um deles cuspia exigências usando uma máscara com a cara da Barbie.

— O comissário disse que você deveria chamar a SWAT logo. – Sai disse.

— Humpf. — Sasuke bufou. — Quando eu disse que queria folgar uma semana atrás, ele não estava interessado. Se eu mando a SWAT, vai dar merda, e ele vai querer me foder, mas eu vou ter que socar ele por atrasar minha licença paternidade, então não.

— Sasuke...

Ele ignorou, indo até o policial com o megafone, tomou e ligou, declarando logo.

— Podem demorar á vontade, temos todo o tempo do mundo, seus palermas do caralho.

— Sasuke! – Naruto protestou, mas foi empurrado de lado por Karin que surgiu segurando o telefone.

— Onde está seu telefone, idiota?!

Sasuke se tateou, mas presumiu que o tivesse deixado no carro.

— Perdão. O que foi agora?

— Sakura foi para o hospital! Idiota, a bolsa rompeu.

— O quê? Agora?! – Naruto arquejou, e segurou Sasuke antes que ele se mandasse. — Está louco? Não pode sair, tem um sequestro em andamento, sua anta!

— Que se foda! Manda a SWAT entrar, meu filho vai nascer, porra! Karin, vá comprar os balões e as tulipas azuis.

— Você nem sabe se é menino!

— Vai ser menino, porra! Agora compre os balões, e você, manda a SWAT entrar!

— Você tá maluco?!Não pode fazer isso, cara! Sei lá, pense noutra coisa, o que a Sakura faria?!

Sasuke pensou por dois segundos, foi até o porta-malas de um dos carros da polícia. Retornou portando uma espingarda e saiu empurrando todo mundo até chegar a área livre em torno do galpão.

— Sasuke?! Sasuke!

— Hey, tira! Se afaste ou nós atiramos! – Um dos caras gritou de dentro.

Sasuke respondeu fuzilando a tranca da porta de metal, chutou-a e invadiu o galpão, localizando três pessoas, o que estava na janela veio pra cima dele com uma arma tingida de branco e ele o acertou com a coronha no nariz, mirou no outro que rastejava pra fora, gritando fino demais, e ele mostrou as mãos, e puxou a máscara revelando ser uma garota de cabelo tingido.

Então ele mirou no outro, que parecia ser o refém, mas sequer estava amarrado.

— Não atire! Não atire! Desculpe!

—Foi uma brincadeira, uma brincadeira, por favor não atira! — A menina suplicou, limpando o nariz do outro cara que também não passava de um adolescente magrela.

Naruto entrou, os outros policiais também.

— Está me sacaneando?! Você armou isso, seu pedaço de merda?! – Reclamou, dando um tapa na nuca do falso sequestrado. — Que diabo tem na cabeça dos idiotas de hoje em dia?

Sasuke apenas empurrou a arma para ele e saiu dali em direção ao carro, Naruto o seguiu, dando-a a outro policial.

— E que diabo deu na sua cabeça também?!

— Fiz o que você sugeriu. Exatamente o que Sakura faria.

Naruto não tinha argumento contra isso.

*

Sakura apertou os olhos, e bateu no colchão de novo, antes de mais uma vez se afastar da cama e caminhar pelo quarto.

As dores estavam lá, mas a dilatação certa não. Esta criança teria direto a umas boas palmadas assim que nascesse. Ela pediria pra fazer isto antes do médico.

— Own, pobrezinha. Mas ao menos tem disposição pra ficar de pé. – Mikoto comentou, muito tranquilamente folheando uma revista sentada na poltrona.

Sakura pegou o que parecia ser um penico de metal e fez menção de ir até ela.

Rosie se apressou a tirar isto dela e massagear seus ombros.

— Vamos lá, querida, como já ensaiamos, inspirar, e expirar...

— Inspirar e matar...

— Inspirar e expirar.

— Inspirar e atirar na cabeça do idiota que inventou o parto...

— Isto não é blasfêmia? – Noein indagou.

— Deus é machista, qual a novidade? Ah, claro que não sabe. Você tem um pinto!

Noein preferiu não se manifestar mais, só estava entediado, nos filmes isto não era mais rápido? Porém era engraçado ver ela andando pra lá e pra cá.

— E preste bem atenção. Assim vai pensar bem antes de engravidar uma pobre menina.

— Isto de educativo está se tornando traumatizante.

— Sua mãe também foi traumatizada. Seja empático, ter um pinto não te impede!

— Eu vou ver se tem algo na cantina...- Ele disse, descendo da cama e indo pra porta.

— Isso, vá lá mesmo, seu covarde!

— E com isso, você expulsou todos os homens da sala. – Rachel comentou. — Tente não fazer isto com o doutor, certo?

— Saia fora daqui. – Sakura choramingou. — Oh, traga ele de volta, não quero ficar aturando vocês.

— Não trago, estou ofendida. E ele não merece mais traumas.

— Opa, chegamos! – Suigetsu gritou, invadindo o quarto junto de Ino.

— Caia fora e leve esse pênis daqui! – Ela rugiu.

— Er, okay. – Ele entregou o ursinho que segurava para Ino e se retirou.

— Mais um...- Rachel suspirou.

Sakura voltou a querer chorar.

As dores seguiram até o anoitecer, praticamente, ela já tinha levanto bandeira branca a tempos mas o bebê parecia decidido a levá-la até o fim.

Pacientemente Rosie ajudou-a om massagens, compressas e palavras doces, mas sua inquietação crescia com a demora de Sasuke para aparecer.

— Ei, querida, o doutor está vindo verificá-la de novo, mas veja quem chegou pra te ver. – Rachel anunciou, Lídia entrou na sala, já toda chorosa e emocionada e abraçou Sakura.

— Oh, minha menininha! Está tendo trabalho com esse danadinho?

— Só quero que acabe logo.

— Sei que sim, mas você é muito forte, sim? E está indo tudo bem, sim?

— Está sim, tudo indo a seu próprio tempo. – Rosie garantiu.

— Maravilhoso! Estarei lá fora rezando por você e pelo seu bebê, querida, vai tudo dar certo, com a graça dos anjos!

Sakura assentiu, inspirando e expirando, ainda queria bater em alguém.

Dr. Kinoshita retornou, sorridente, talvez ela pudesse bater nele, não muito forte para deixar inconsciente, claro.

— Certo! Ainda tendo trabalho com esse garoto preguiçoso, Sakura? E pensar que você teve tanto medo de não conseguir manter a gestação, hã? Seu bebê parece tão bem aí que não quer sair nem com ordem de despejo...

— Realmente, e não foram poucas intimações...- Ela reclamou, retornando para a cama, ele fez o exame de toque novamente. E contou o intervalo das contrações.

— Quando o show vai começar? – Noein interrogou, pondo a cara para dentro do quarto.

— Antes do seu show de castigo, tenha certeza. – Sakura rosnou.

— Haha, então se prepare, rapaz, seu show não vai tardar. Este aqui vai começar agora. – Kinoshita concluiu, levantando-se. — Chegamos aos dez centímetros, hora do bebê nascer.

— E os anjos dizem “amém!” – Mikoto comemorou.

— Ih. – Noein voltou pra fora e Sakura se empertigou.

— Mas Sasuke não chegou.

— Entendo, querida, mas não é bom que retardemos mais.

— Estarei com você o tempo inteiro, sim? – Rosie garantiu.

— Hora de ir, pessoal, aqui já está bem cheio. – Rachel avisou.

— Vai ficar tudo bem, querida, vou ligar para ele novamente e Itachi já foi atrás de notícias na delegacia. – Mikoto garantiu.

— Dará tudo certo, querida, seja forte e tenha fé. – Lídia garantiu, antes de saírem.

— Se fossem gêmeos, seria mais fáciiil! – Rachel provocou uma última vez antes de sair.

— Certo, agora vamos começar. – Kinoshita disse. — Como você mesma decidiu, vai dar a luz da forma que se sentir mais confortável, certo? Então comecemos pelo tradicional.

— Respire fundo, e empurre quando a dor vier, assim que estiver pronta. – Rosie instruiu, praticamente sentado-se logo atras dela e massageando seus okbros, Sakura assentiu, sugando e soltando o ar pela boca.

— Assim que quiser, querida.

— Tudo bem.

— Vamos lá, um, dois, empurre.

*

— Com licença, mas você é? – Mikoto interrogou, para a bonita jovem acompanhada de um rapaz.

Lisa a fitou assustada, não achando difícil ver que era a mãe de Sasuke, todos eles tinha uma fisionomia bem semelhante.

— Er... Eu, eu sou... meia-irmã, da Sakura...

Mikoto piscou as pestanas muito surpresa.

— Oh! Bem que a achei familiar, lembra um pouco Sakura sim!

— Acho que é a primeira pessoa que diz isso...

— Fico honrada de enxergar tão bem! E estou feliz de alguém da família de Sakura estar aqui, ela não fala muito e sei que vivem uma situação delicada... Mas realmente queria conhecer vocês, afinal, agora nosso pequeno laço está nascendo, não?

— Sim, tem razão... Obrigada, muito prazer em conhecê-la, sou Elisabeth e ele é meu marido, Simon.

— Prazer.

— Prazer, sou Mikoto. Meu marido está pela cidade rastreando o palerma do filho, mas, um teve a quem puxar a palermice do outro...

— Oh.

Não bem começaram a conversar mais, e viram Sasuke chegar, ainda usando um colete a prova de balas sobre a camisa social, e com Karin e Naruto no encalço segurando dezenas de balões azuis e flores da mesma cor.

— Onde diabos você estava?! Encontrou seu pai?

— Quem? Esqueça, onde ela está? O bebê nasceu?!

— Parece que o bebê nasceu? E pra que diabos isso tudo azul?

— Esta porcaria azul nos fez pegar o engarrafamento do caralho! – Naruto reclamou.

— Ei, velho, vá logo pra dentro antes que todo mundo vá parar nas suas bolas. – Noein ordenou. — Ah, oi, tia!

— Noein! – Lisa o abraçou.

— Lisa? Já está aqui? – Sasuke se espantou, afoito para se livrar do colete e do coldre para poder entrar no quarto.

— Trouxemos Lídia.

— Entendo.

— Boa sorte lá. – Simon desejou, Sasuke assentiu, seguindo para dentro do quarto, as mãos tremendo e suando.

— Obrigado.

— Traga esse bebê pra gente ver logo, coroa! – Sui disse.

Sasuke entrou, já sendo recebido por duas enfermeiras, e o som dos grunhidos e gritos de Sakura preenchia a sala inteira juntamente com a voz firme de Rosie incentivando-a.

Vestiu o avental rapidamente e correu até a cama.

— Hey, querida, desculpe o atraso, estou aqui. – Sakura abriu o olhos quando ele pegou sua mão.

Estava com o rosto muito vermelho e empapada de suor, o cabelo jogado para trás e preso com uma liga, e ele beijou seu rosto, pesaroso por tê-la deixado começar sozinha.

— Desculpe, desculpe, eu já devia estar aqui, já devia.

— Dói tanto, e isto mal começou de verdade, não sei se darei conta.

— Claro que vai dar, como não daria? Você é praticamente um tanque, vai passar por cima disto e nos dar esse lindo bebê, dará tudo certo, vamos lá, estou com você agora, sim?

— Vamos lá, querida, um dois, empurre! – Rosie prosseguiu.

— Só depende de você, Sakura. Mostre o quanto pode ser teimosa também. – Kinoshita acompanhou.

A luz reflete da sua sombra

É mais do que eu pensei que poderia existir

— Isso, amor, vamos lá, você consegue, é a minha garota forte. – Sasuke insistiu, empurrando as palavras em seus ouvidos, a mão entrelaçada com força a dela.

Você se move pelo quarto

Como se respirar fosse fácil

Se alguém acreditasse em mim

Sakura soltou o ar noutro grito mais estridente, e arquejou, quase deitando novamente mas Rosie a segurou.

— Vamos lá, querida! Força!

— Isso, mesmo, já estou vendo a cabeça. – Kinoshita assinalou.

Eles estariam tão apaixonados por você como eu estou

Eles estariam tão apaixonados por você como eu estou

Eles estariam tão apaixonados por você como eu estou

Eles estariam apaixonados, apaixonados, apaixonados

— Isso, majestade. Estamos chegando lá, querida!

Sakura soluçou, as lágrimas vertiam ainda mais forte, mal conseguindo retomar fôlego por causa da dor e continuando a expulsá-la, como se cada fibra de se corpo fosse quebrada e consumida.

Mais de quarenta minutos se sucederam como um apagão de dor, vozes e os beijos dele em seu rosto e a mão grande apertando tanto a sua que chegava a machucar.

E todos os dias

Eu estou aprendendo sobre você

As coisas que mais ninguém vê

E o fim chega cedo demais

Como sonhar com anjos

E partir sem eles

E partir sem eles

— Você ouviu? Está indo perfeitamente bem! Você é maravilhosa, amor, você consegue, juro que consegue.

— Isso! Mais força, dê tudo de si, nesta última, querida. – Kinoshita avisou.

— Você ouviu? Estamos quase lá!

Sakura rugiu uma última vez, sentindo quase de imediato ardência e dormência nas pernas, mesmo o alívio a derrubou de vez e ela sentiu-se quase apagar na cama.

— Assim! E aqui temos! – Kinoshita exclamou.

Sasuke quase caiu da beirada da cama, sentindo as pernas falharem e tentou ficar de pé e ver algo.

— Na-nasceu?!

Kinoshita ergueu as mãos de fora do tecido sobre as pernas de Sakura, segurando uma criaturinha que começou a berrar imediatamente ainda lambuzada de sangue, algo branco e com a pele um pouco roxa.

— Era o que estavam esperando, hein?

Sasuke sentou na cadeira perto da cama, completamente assombrado e chocado demais até para respirar ou piscar, completamente absorvido pela imagem.

Estando tão apaixonada por você como eu estou

Estando tão apaixonada por você como eu estou

Estando tão apaixonada por você como eu estou

Estando tão apaixonada, apaixonados, apaixonados

— Nasceu..!

— Nasceu! Nasceu! – Rosie sacudiu seu ombro, e ele despertou quando Kinoshita se afastou com o bebê para examiná-lo.

— Caralho, nasceu, nasceu! Sakura, amor, nasceu! – Gritou, abraçando-a e beijando. Sakura continuou chorando, ainda atordoada.

— Onde...? Onde?

— Nosso bebê! Querida, você conseguiu!

— Aqui está, não se preocupe, só estávamos examinando. – Kinoshita disse, trazendo-o o bebê já enrolado uma toalha para o colo dela.

Sakura deixou a boca se abrir em choque, tocando a criança ainda descrente. Fitou Sasuke, que assentiu energicamente.

— Conseguimos.

— Conseguimos?

— Sim, olhe só que beleza!

Sakura riu, chorando ainda, o bebê se remexendo sob seu peito e berrando.

Apaixonado, apaixonado, apaixonado

Apaixonado, apaixonado, apaixonado

— Tem cabelo preto... – Constatou. Sasuke assentiu, orgulhoso, os olhos avermelhados e molhados.

— Puxou o papai, eu não disse?

— Seu babaca...

— Ah, esqueci de dizer. – Kinoshita dizer. — Parabéns, mas, Sasuke, é uma menina.

Sakura arregalou os olhos, Sasuke o fitou, sorrindo e achando que era piada.

— Espera, o quê?

— É menina?! É menina! – Sakura gritou, gargalhando com Rosie.

Sasuke se aproximou de novo, vasculhando sob a toalha no bebê.

Jesus. Cristo...

— É menina! Meu Deus! Olhe a sua cara! Como eu pude não deixar filmarem sua cara?! Vai desmaiar?! Rosie, filme a cara dele!

Sasuke inspirou, sem nem saber como reagir mais, apenas se conformou, e se curvou beijando a cabeça de ambas.

— Meu Deus, é a minha garotinha, amor. E puxou suas cordas vocais. Eu deveria ter percebido no primeiro grito...

— Não está zangado?

Ele só negou, inspirando completamente cativado com elas.

— Eu estou é apaixonado.

Apaixonado, apaixonado, apaixonado

Apaixonado, apaixonado, apaixonado

— Mas ainda vou bater no doutor por não ter me dito logo. Você passou os últimos meses rindo da minha cara, não é?

— Haha, é um dos prazeres da profissão, Sasuke.

— Eu devia ter filmado mesmo. – Sakura ainda resmungou.

— Certo, que tal cuidarmos de você agora e limparmos esta bonequinha também? – Rosie disse. — O papai pode esperar lá fora? Sakura vai trocar de quarto e descansar e o bebê vai para o berçário mas logo poderão vê-la lá.

— Certo.

— Vá dar a notícia, homem. — Kinoshita riu.

— Querem mesmo me ver passar essa, hein?

Sasuke beijou Sakura outra vez, antes de se afastar.

— Nos vemos logo, está bem?

Ela assentiu, silenciosamente e ele não disse mais nada, pois por agora, nada mais precisava sair em palavras.

E com palavras não ditas

Uma devoção silenciosa

Eu sei que você sabe o que quero dizer

E o fim é desconhecido

Mas eu acho que estou preparada

Enquanto você estiver comigo

Sasuke finalmente deixou o quarto, dando de cara com Naruto o filmando com o celular e o corredor praticamente cheio, pois seu pai e tios, irmão e cunhada e até mesmo Mebuki já estavam lá.

— E então?! Então?

Ele suspirou, sorrindo fraco e maravilhado, puxou a touca da cabeça, e admitiu.

— É uma menina.

— Não fode!

— Uma meninaaaa!

Ele assentiu, já aceitando as tirações de onda mas afirmou com total convicção e orgulho transbordando.

— E é a coisa mais linda do mundo, hein? É uma princesa, porra!

Estando tão apaixonada por você como eu estou

Estando tão apaixonada por você como eu estou

Estando tão apaixonada por você como eu estou

Estando tão apaixonada, apaixonada, apaixonada

(Angels – The XX)

*

— Ah, cara, olha que coisa mais fofa. – Sui disse, quase namorando a vidraça.

Não que Sasuke não estivesse praticamente fazendo o mesmo, mas ele podia passar essa vergonha, era direito. Quer dizer, ela era a coisa mais linda do mundo, e nenhum bebê ali poderia se igualar.

E foi ele que fez, ora, ele deveria beijar a vidraça toda e por o rostinho dela num outdoor.

Sua princesinha ainda parecia bem aborrecida de ter que vir ao mundo, posto que não parou de chorar desde que saíra do aconchegante corpinho da mãe, e já talvez fosse exigente demais para aceitar os cuidados de qualquer enfermeira.

Três quilos e seiscentas gramas de pura mistura dele e de Sakura dentro de pijaminha branco e manta também branca, Sasuke já estava agoniado para tê-la nos braços embora tremesse só de pensar em fazer isso.

— Sr. Uchiha? Sua mulher já está no quarto. – Uma enfermeira avisou.

— Sério? Obrigado, ah, e o bebê...?

— Levaremos ele logo para mamar.

— Okay. – Sasuke se apressou para o quarto, embora a família estivesse ansiosa para entrar e ver Sakura, só deixaram ele entrar, por enquanto. Sakura estava sonolenta e exausta na cama, e Rosie já estava com ela, certamente acalmando-a sobre a distância do bebê. — Hey, aí está você.

Sakura virou o rosto para ele e sorriu, docemente.

— Está mais pro que restou de mim...

— Hmmm, acho que ainda tem muito para eu aproveitar. – Ele disse, sentando na cama e segurando seu rosto, Sakura riu entre o beijo.

— Seu cretino...

— Eu não falei que iria os conseguir? Hm? Ela é a mais bonita do berçário.

— Oh, sim? Não puxou tanto a você então.

— Está brincando? É o meu clone feminino. Você é uma ótima copiadora...

— Você nem brinca com isso, cara.

— Hahaha, estou brincando, nem tanto, acho que ela puxou sua personalidade e cordas vocais.

— Estou surpresa ainda, por ser menina. Tentei ser imparcial, mas você encheu tanto que acho que comecei a me convencer de que teríamos um garoto... Inclusive... O quarto está cheio dessa tralha azul por sua causa, não é?

Sasuke encolheu os ombros, desconcertado, os balões estavam amarrados na cabeceira da cama e as tulipas numa mesa aparador.

— Eu não achei branco...? – Arriscou, Sakura não se convenceu.

— Você é uma lástima mesmo.

— Olhe quem chegoou. – Rosie cantarolou, ao abrir a porta, a enfermeira passou segurando seu bebê chorão, ainda resmungando bastante.

— Olhe só isso, que humor ruim, hein?

— Hahaha, não fale assim, só está com fome. – Sakura disse, pegando-a no colo com a ajuda de Rosie, um pouco ansiosa e surpresa mesmo com o peso. — Oh, oh, pesada mesmo, significa que foi tudo pra ela, hein? Graças a Deus.

— Estou mais feliz que foi boa parte pro leite, belos seios ela tem agora, não? Que bolinhos maravilhosos.

— Diga mais merda, e mando te levarem daqui, traste.

Sasuke se recostou na beirada da cama, cercando-as e observando a criança ser amamentada.

— Ela é a coisa mais perfeita mas... Não decidimos o nome.

— Hum, sim? Que tal Sara?

— Que tal, Sarada?

Sakura franziu o cenho, o fitando.

— É esquisito.

— Você se chama Sakura, também é esquisito...

— Claro, claro, porque Sasuke é super usual...

— É exótico e sexy, me resume completamente.

Sakura revirou os olhos e fitou aquele rostinho rechonchudo e inchado outra vez, o cabelo dela era absolutamente escuro como o de Sasuke, e também parecia ter puxado o mesmo tom de pele e olhos ligeiramente puxados. Se perguntou se seriam escuros também... de qualquer forma, era tão linda, ela ainda não acreditava que fora capaz de fazer algo assim.

— Sarada, hein? Acho que pode ser bom... Sarada Uchiha, até que caiu bem. – Decidiu, acariciando a bochecha do bebê com a ponta do indicador.

Sasuke fitou-a por um momento, e rapidamente refletiu que Sakura Uchiha, também soava legal...

Depois que Sarada já estava naturalizada com eles e mamou, o resto da família pode entrar e vir adora-la a vontade, mas como a pequena veio lá perto da meia-a noite do dia trinta e um, Sakura e ela passaram a madrugada descansando no quarto e ele ficou ao redor, a base de café e inquieto, mil coisas, ideias e sensações na cabeça.

Depois que voltassem para casa, tudo seriam completamente diferente e em função daquela miúda e de Noein.

Ouviu suaves batidas na porta e se aproximou, dando com Mebuki novamente.

Ficou pesaroso por ela não ter podido entrar junto com sua família e então bem como Lisa.e Simon se conformaram de vê-la no berçário, vendo que Sakura dormia, deixou-a entrar.

— Não vou demorar, apenas queria vê-las de perto.

— Claro, elas estão dormindo.

Mebuki aproximou-se do pequeno berço hospitalar ao lado da cama de Sakura, sorrindo muito pela primeira vez ao olhar o bebê.

— Oh, céus, são iguaizinhas.

— Hm? São? – Ele disse, aproximando-se. Mebuki pegou Sarada nos braços, ele quase temeu que isto acordasse a menina, mas esta pouco reagiu, suspirando bem confortável.

— É, são sim. Vai ter o mesmo formato do rosto, e não se engane com esse olhinhos puxados.

— Nossa, tive esperanças que tivesse minha cara, seria mais fácil evitar os rapazes...

— Oh, oh, sinto muito, mas esta aqui será uma estrela, onde quer que vá.

Ele imaginou que ela certamente teria mesmo influenciado Sakura ao estrelato se pudesse. Será que ele e Sakura teriam se encontrado e feito esta belezinha de bebê mesmo se historia fosse diferente?

Mebuki devolveu-a ao berço, suspirando. Então voltou-se para onde Sakura dormia e se aproximou, debruçando-se a afagando seu rosto e cabelo delicadamente. Beijou-a na têmpora e suspirou, os olhos marejados, se afastou com um sorriso sofrido e nostálgico.

— Não é incrível? Para mim, é como se ainda tivesse o cheiro de bebê...

Sasuke não teve o que falar, imaginando que embora ela não tenha escolhido “abortar” Sakura, havia a tido arrancada de forma tão precoce, que para ela ainda não havia como não enxergar o seu bebê.

Bom, não importava o que haveria entre ele e Sakura dali em diante, só que não seria capaz de tomar Sarada ou Noein dela por nenhum motivo ou mágoa.

Mebuki enxugounos cantos dos olhos e inspirou, aprumando-se sorriu e beijou o rosto dele.

— Irei agora, pode me manter informada? Gostaria de mandar um presente.

— É claro que sim. Basta ligar, teremos alta amanhã de manhã então logo as coisas vão se acalmar um pouco.

— Oh, querido, você é que pensa... – Ela riu, quase meio diabólica e se foi.

Como se ele já não estivesse assustado o suficiente... tomou um gole de café e se aproximou de Sarada, observando-a se remexer um pouco e até abrir os olhos um pouco.

— Hey, é hora do soninho, sim? Tem que se acostumar com dormir a noite e brincar de dia, nada de acordar o papai de madrugada...

Duvidava que a danadinha iria aceitar esse trato, mas não custava tentar, ela poderia ser diabólica como a mãe mas ele poderia usar seu estilo persuasivo e malícia de “malandro” para domar a cria.

Esperava...

*

Sakura abotoou o vestido na nuca, antes de calçar os sapatos e finalmente se levantar. Sentir-se bem mais leve e menos larga era um baita alívio, já fazia alguns meses que não via os próprios pés quando estava de pé, e eles estavam horríveis.

Suspirou, sentando-se e penteando o cabelo, apreciando como realmente sentia-se melhor tão pouco tempo após o parto.

— Bom dia, as madames estão prontas? – Sasuke indagou, entrando no quarto com a cadeirinha.

— Pronta pra ir pra casa, voltar a dormir, se possível.

Apesar que ela duvidava, sua casa certamente estaria lotada de visitas por um bom tempo.

Ele concordou, beijando sua cabeça e contornando a cama pra ir ficar babando em torno do bebê outra vez. Quis revirar os olhos, e já estava se sentindo uma mera chocadeira de novo.

Rosie chegou com o médico e ela finalmente pode ir pra casa. Saíram da clínica com seu lindo bebê na cadeirinha, Sasuke queria parar no shoping pra comprar roupinhas de menina e Sakura percebeu que ele aceitou a surpresa melhor que todo mundo.

— Ah, eu me sinto tão leve que poderia dançar! – Ela comentou com Rosie que ria tanto de sua alegria quanto do pai babão que aproveitava toda oportunidade pra pegar o bebê, uma vez que pegara os macetes.

Ele literalmente estava apresentando a casa para ela.

Sakura observou, muito aborrecida.

— Vai ser assim o tempo todo? – Indagou, Rosie deu de ombros.

— Ele é tranquilo. Trabalhei com um casal que teve trigêmeas, o marido estava comprado armas na internet depois do parto...

Sakura fez uma careta, e então riu.

— Pior que quem gosta de armas sou eu. E isto me lembra, Noein está crescendo.

— Ah..

— Ô, babaca, traga o bebê para dentro.

— Veja só, bebê, primeira regra da casa, não seja como a mamãe.

Sasuke dise, retornando do jardim com ela, Sakura a pegou, caprichosa, ajeitando a mantinha em torno dela.

Entraram em casa, encontrando praticamente uma festa.

— Ah, pronto, meu bebê virou celebridade?

— Exatamente, o bebê, ninguém liga pra vocês, agora me deixe segurar essa coisinhaaaa! – Ino declarou.

— Deixa eu segurar, você a segurou no hospital! – Karin protestou.

— Ninguém te perguntou nadaa!

Sasuke e Sakura se entreolharam, revirando as vistas pra tanta bajulação.

— Quando está assim quietinha todo mundo quer, aposto que a casa ficará deserta quando tiver choro e fralda suja. – Sasuke reclamou.

— Nossa função é bajular, vocês é que tem que sofrer, ora. – Mikoto disse, mas Fugaku que tomou a frente e pegou o bebê. — Hey...

— Você já a segurou, mulher, agora deixe-me ver a primeira netinha que ganhei.

— Oh, o senhor queria menina? – Sakura disse. — Quem diria.

— Ora, já tenho netos o bastante, já estava na hora de vir uma bonequinha como essa. Ela é linda, querida, como a mãe, graças a Deus.

— Valeu, pai. – Sasuke bufou. — Agora vamos levar o bebê para o quarto, sim? E Sakura precisa descansar.

— Não seja chatooo! Fugaku, eu quero segurar também!

— Vá pra fila, querida, vá pra fila.

Não havia o que fazer, apenas deixar que todos desfrutassem de se apaixonar ainda mais por Sarada.

Notas finais
TA FEITA A SALADA, PRONTO CABOU O MISTÉRIIO