Killer

7 Capítulo 7


“Lindinha, você quer alimentar um batalhão? Por que tanta comida?” – Caio pergunta para mim. Olho para o carrinho que agora estou empurrando. É, ele tem razão. Estou pegando muita comida. Acho que estou nervosa. Culpa dele. Óbvio. Respiro fundo e começo a andar em direção a área de vinhos. Preciso escolher um bom para a minha mãe.

“Não sabia que você bebia lindinha. Eu amo um bom vinho.” – Ele disse, olhando em direção aos vários tipos de vinhos disponíveis. Procuro a marca que minha mãe adora. Pérgola. Não é um vinho caro, mas é delicioso. Pego o vinho e coloco no carrinho. Decidi fazer uma lasanha Italiana. É fácil e minha mãe adora.

“Não é para mim. É para a minha mãe. Ela adora esse vinho.”- Andando em direção ao caixa, não deixo de notar como ele está muito perto de mim. Quase me encostando. Está um pouco quente agora, já que são quase 17:50, então Caio está usando um par de jeans e uma camiseta leve. Cai muito bem nele. Merda, ele fica bonito de qualquer forma. Eu preciso me esforçar para parecer no mínimo arrumada. Aperto o passo para ficar um pouco longe dele. Mas não adianta, ele aumenta a velocidade também. Chegamos ao caixa e começo a colocar as comprar para a moça dar baixa. Quando já passamos tudo tento pegar minha carteira na minha bolsa e percebo que ela já está aberta. Coloca minha mão dentro da bolsa e não acho minha carteira. Já fico com o cu na mão. Bato as mãos nos meus bolsos traseiros e não sinto a carteira. Meus olhos arregalam. Puta Merda! Onde eu deixei essa carteira? Olho para a moça que revira os olhos. Quantas vezes ela já deve ter ouvido a desculpa de ‘esqueci a carteira’? Mas eu não esqueci. Solto um gemido de dor. Merda, vou ter que fazer a caminhada da vergonha e devolver tudo.

“O que foi lindinha?” – Caio me pergunta. Até esqueci que ele estava aqui.

“Eu não estou com a minha carteira, devo ter deixado ela no carro ou em casa.” – Digo triste. E agora? O que vou fazer?

“Sem problemas lindinha. Eu pago para você” – Caio diz pegando sua carteira.

“Não Caio. Por favor, não faça isso. Deu 150 reais.” – Digo tocando em seu braço. Odeio que paguem as coisas para mim. Não gosto de dever para ninguém.

Caio me olha como se eu fosse idiota. “Lindinha, sem problemas, depois você me devolve, sem neura.” – Ele me empurra e entrega o dinheiro para a moça. Embrulhando minhas compras eu olho para ele. Que cara estranho.

Chegando ao estacionamento colocamos as compras dentro porta malas. Bom, ele coloca. Ele não me deixou carregar e nem guardar as compras. Entro no carro e coloco o cinto.

“Muito obrigada por pagar as compras Caio. Assim que chegarmos em casa já entrego o dinheiro de volta para você” – Olho para ele com um sorriso.

“Lindinha, isso não foi nada. Não quero seu dinheiro.”- Ele fala com um sorriso de canto. Bom, eu percebi, a carteira no cara estava quase explodindo. Onde ele consegue tanta grana? Levei 17 anos para juntar 600 reais.

“Uai, mas tenho que te pagar de volta. Não pode simplesmente me dar R$150,00 reais.” – Eu disse exasperada para ele. Nunca que vou ficar devendo essa grana pra ele.

“Eu não disse que ia te dar, eu disse que não quero seu dinheiro. Você pode me pagar de outra forma lindinha.” – Ele diz, olhando profundamente nos meus olhos. Vejo que sua pupila dilatou um pouco, um contraste gritante com seus olhos caramelos.

“E como eu poderia te pagar, se não é com dinheiro?” – Pergunto, meu coração está batendo rápido, sinto as palmas das minhas mãos transpirarem. Meu Deus. O que ele quer?

“Eu tenho algo em mente...”- Ele tira o sinto e chega bem perto do meu rosto. Estamos nariz contra nariz. Sinto sua respiração na minha pele. Ele cheira a perfume e bala de menta. Solto uma respiração que nem sabia estar segurando.

“E o que poderia ser?” – Falo baixinho. Estou fervendo. Sinto minha humidade lá em baixo. Nossa, meus hormônios estão doidos hoje. O que esse cara tem? Pau de ouro? Só pode.

“Eu quero um beijo.” – Ele fala curto e grosso. Olhando sério para mim. Passa seus olhos pelo meu corpo e para em direção e minha cintura. Meu coração acelera. Meu deus. Um beijo? Como assim? Por que um beijo? Eu quero? Nossa, eu quero muito. Assim, eu já beijei antes, mas foi coisa rápida. Sem muita emoção.

“Topo.” – Falo rápido e ele arregala os olhos. HAHA. Acho que ele pensou que eu ia fala não. Pois bem, eu deveria falar não. Mas um beijo com um cara gato de vez em quando não mata ninguém. Não é? E provavelmente nunca vou beijar alguém desse nível de beleza. Então, não posso perder a oportunidade. E além do mais, ele deve estar apenas zuando com a minha cara.

“Lindinha, você me surpreende todas ás vezes.”- Ele diz rindo. Mas depois disso sua feição muda. Adota um tom mais sério. Mais perigoso. Ele chega mais perto e seguro minha respiração. Ele levanta sua mão e passa pela minha bochecha.

“Sua pele é tão macia Ana.”- Ele diz, e depois disso, agarra a minha nuca. Me puxa tão perto, que nossos rostos estão a centímetros de distancia novamente.

“Lindinha, você não devia ter concordado. Quando eu começar, não vou conseguir parar. Você está mexendo com fogo Ana.” – Ele diz grossamente, mas sua próxima ação não condiz com o que ele fala. Sua boca encosta levemente na minha. Uma bitoquinha de nada. Esse era o beijo? Broxei. Ele se afasta e me olha, passo a língua nos meus lábios onde os seus estavam a apenas alguns segundo. Olho para cima e Caio dá uma respiração funda e me ataca.

Não foi nem um pouco delicado dessa vez. Ele agarra minha nuca e me trás de encontro a sua boca. Fico tão chocada que não fecho meus lábios e sua língua entra em minha boca brutalmente. Ele rouba tudo o que tem para pegar. Agarra meus cabelos e me aperta mais em direção a ele. Só consigo seguir seus movimentos. Nunca foi assim antes. Antes que eu posso entender o que está acontecendo. Caio tira meu cinto de segurança e chega mais perto do meu banco. Agora estamos repartindo o mesmo acento. E posso dizer, está tão apertado que acho que estou espremendo ele. Caio continua de lado, pois não consegue ficar na minha frente. Ele vira meu rosto e começa a me beijar de novo. Com uma fome que não entendo. Ele desse da minha boca em direção ao meu pescoço e começa a beijá-lo na mesma intensidade. Ele me cheira, me aperta, como se não tivesse o suficiente de mim. Não entendo.

“Calma, Caio. Chega, já foi né. O beijo já foi”- Ele resmunga e olha para mim. Seus olhos estão cobertos pela sua pupila dilatada. Ele respira fundo, olho para baixo e não deixo de notar um volume em suas calças. Sinto minhas bochechas corarem. Meu Deus. Ele está excitado. Escuto seu risinho e olho para ele de novo.

“Nunca viu um cara de pau duro lindinha?” – Ele diz em tom de gozação.

“Não.”- Digo baixinho com vergonha. Olho para ele e vejo que sua respiração voltou a acelerar.

“Você não sabe como gostei de saber disso.”- Ele diz se aproximando novamente de mim. Coloco a mão em seu peito e não posso deixar de sentir a dureza dele.

“Caio, por favor, para. Quero ir pra casa. Me leva pra casa por favor?” – Digo para ele em tom suplicante. Não estou pronta para isso. Ele é muito. Me amedronta. Caio olha para mim e solta o ar que ele estava segurando.

“Claro Lindinha, vamos” – Me viro e coloco o sinto rapidamente. Olho de canto e vejo que ele está passando a mão no cabelo. Ele parece bravo. Não sei o porquê. Caio liga o carro e sai do estacionamento. Indo em direção para minha casa. Solta um suspiro de alívio quando vejo que chegamos. Desço do carro correndo e assim que ele abre o porta malas e pego minhas compras correndo e vou em direção a minha casa.

“Tchau Caio. Muito Obrigada. Te devo uma”- Vou correndo e já abro a porta e entro sem olhar para trás. Bato e porta e encosto minha testa na madeira. Meu Deus. O que acabou de acontecer? O que deu em mim? Respiro fundo e olho pelo vidro. Ele ainda está na calçada, passando as mãos no cabelo. Parece irritado. Vejo-o entrando no carro e saindo rapidamente. Solto um suspiro de alívio e viro para encontrar minha mãe e Sol me olhando surpresas.

“O que houve Ana?”- Minha mãe pergunta preocupada. Sol me olha com cara de. ‘Você está estragando o plano sua besta’.

“Nada mãe, eu vim correndo do mercado.”- Digo colocando as compras na mesa.

“Bom Ana, Sol quer ir ao parque. Eu prometi mas não levei ela. Daqui a pouco eu volto e já começo a janta.”- Minha mãe me da um beijo e sai com Sol. Vou para a pia, molho minhas mãos e passo no meu rosto e nunca. Meu estômago está estranho. Começo a pensar no beijo e sinto meu pulso acelerar. Preciso esquecer isso. Foi só um beijo. Nada de mais. Né? Respiro fundo e começo a desembrulhar as compras. Tenho um jantar investigativo para fazer.

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“E teve a vez, que a Sol ficou entalada na privada. Você lembra Ana?” – Minha mãe diz gargalhando. Eu disse. Quando minha mãe chegou do parque com a Sol. A Lasanha já estava no forno e a mesa pronta. Agora, faz exatamente 20 minutos que ela está falando da minha infância e da Sol. O álcool do vinho fazendo efeito. Dou uma risada e olho para Sol. Que está muito ocupada mexendo no celular para dar atenção para minha mãe.

“Sol, por que não sobe para o quarto e joga lá em cima. A internet lá é melhor.” – Sol me olha levantando as sobrancelhas, mas logo entende a dica. Sobe correndo para o quarto. Minha mãe da mais uma golada do vinho e olha pra mim.

“Mãe, agora que estamos a sós. Gostaria de te perguntar uma coisa.”- Digo olhando profundamente para ela. Ela suspira e olha de volta para mim.

“Eu já imaginava Ana. Acha que não sei que quando você quer descobrir algo, você usa o vinho como arma? E o meu favorito. Golpe baixo filha.”- Ela diz dando um risinho e olhando para mim. Merda. Ela sabe.

“Mãe, onde a senhora está conseguindo dinheiro para a casa, sendo que a senhora está trabalhando menos? E por que a senhora mudou comigo? Está mais rígida, mais dura. Eu nunca fiz nada que te desagradasse.” – Falo olhando em seus olhos, suplicando por alguma luz. Ela passa a mão pela testa e percebo que está tremendo.

“Ana, o dinheiro está vindo de um amigo da família. Eu conheço ele á muito tempo e ele resolveu me ajudar. Eu estava trabalhando muito e ficando muito cansada. Agora ele nos ajuda um pouco”- Tem algo errada. Algo não está batendo. Minha mãe nunca aceitaria ajuda. Não se não fosse estritamente necessário. E não estamos nesse nível ainda. Ela não está contando, e pelo nível de álcool que ela tomou, se não me contar agora, nunca vai.

“Está saindo com ele mãe? É por isso que esse cara está ajudando?” – Pergunto, se ela estiver saindo com alguém, não vejo problema. Afinal, nunca conheci meu pai, nem vou e muito menos quero. Já passou da hora de ela conhecer alguém.

“Não filha, não estou.” – Ela fala em um suspiro. “Ele é só um amigo e quer me ajudar. Por favor, não force mais. Quando eu estiver pronta, te conto mais detalhes disso. Mas agora não, não comigo assim. Por favor filha.” – Os olhos suplicantes de minha mãe me fazem arrepender de todo esse plano. Eu sou uma filha da puta mesmo. Fazendo isso com ela.

“Mas mãe, eu não entendo. A senhora mudou. Quero saber o porquê.”- Digo exasperada. “Eu mereço saber pois está interferindo na minha vida mãe. Não tenho mais 10 anos mãe. Tenho quase 18.” — Digo suavemente para ela, abrandando meu tom.

“Você acha que eu não sei disso porra? Acha que não sei que tem quase 18? Isso muda tudo Ana.” – Ela diz em um tom mais alto e isso me assusta. Nunca ouvir minha mãe xingar. Nunca. Algo muito sério está acontecendo. E ela não vai me contar assim. Não agora. Estou a ponto de cutuca-la mais, porém, lembro da Sol no andar de cima, e lembro como a pestinha é enxerida. Não quero ela preocupada com algo assim.

“Okay mãe, quando estiver pronta, me conte, por favor.” – Digo a ela com a cabeça baixa.

“Irei te contar tudo Ana, Mas no momento certo. Tenha calma.” – Ela diz passando as mãos pelos cabelos. Parece cansada.

“Tudo bem mãe. Eu espero.”- Digo levantando da mesa e recolhendo os pratos. “Me desculpa mãe, não devia ter insistido. Quando estiver pronta, eu sei que irá me contar. Mas mãe, por favor, não seja tão rígida comigo. A senhora nunca foi. Não quero usar essas roupas, quero sair com meus amigos.” Peço para ela.

“Certo Ana, desculpe por isso. Só queria te proteger. Pode sair com seus amigos, mas cuidado. Por favor” – Ela diz distante.

“Me proteger do que mã...?” – Digo virando para vê-la mas não dá tempo, ela sobe as escadas em direção a seu quarto. Bom, esse jantar e o dinheiro não adiantaram de nada. Só para comprovar que sou uma filha da puta de primeira por fazer isso com minha mãe. E que ela está me escondendo algo bem mais grave do que eu imagina, e pior, não tenho a mínima ideia do que seja. Respiro fundo e começo a lavar as louças. Bom, não foi tudo perdido. Lembro do beijo que tive com o Caio e um arrepio passa por minha coluna. Meu Deus. Isso não pode acontecer de novo.