Killer

3 Capítulo 3


Quando bate o sinal do termino da terceira aula, eu não posso estar mais agradecida. Minha última aula foi matemática. Odeio matemática. Saio da sala e vou para a cantina ver o que tem de bom servindo hoje. Chego perto do quadro e vejo que é feijão tropeiro. Hummm, isso é bom demais. Entro na fila e espero chegar minha vez. Quando pego meu prato com a comida, me viro e vejo que não tem nenhum lugar sobrando para sentar.

Isso é tudo culpa do Julio, se aquele bastardo não tivesse doente ele teria guardado um lugar pra mim. O Julio é meu melhor amigo, a gente se conhece desde pequenos quando ele me derrubou porque eu peguei a barbie dele. Sim, Julio é uma bixa louca, mas não parece ser gay com os seus 1,80 de altura, e ele ainda faz academia, disse que queria ser um gay sarado igual ao Marshaw de Glee. Vai entender né. Respiro triste, com falta do meu amigo. Então sinto uma mão nas minhas costas. Olho pra cima e vejo ninguém mais ninguém menos que Sr. Boca de caçapa me dando um sorriso alegre.

“Tá perdido filho?”- Pergunto sorrindo pra ele.

“Estou sim mãe, você saiu da minha vista muito rápido!” — Ele diz, tentando fazer carinha de triste, e falhando miseravelmente. Dou um sorriso amigável a ele e vou andando, tentando achar um lugar pra sentar. Tenho a leve impressão de estar sendo seguida e me viro para trás. Caio está bem colado em mim. O que esse cara quer? O mapa do maroto da escola? Eu tenho cara de guia gente?!

“Escuta Caio, a gente já fez a promessa do mindinho de não discutir, apesar que você que começou, então basicamente, eu sou a vítima da história aqui. Então, peço encarecidamente para parar de me seguir. Você esta parecendo um stalker.”- Ele me olha com cara de paisagem. Tem alguma coisa errada nesse cara. Dou um sorriso irônico para ele. Ele não tem desconfiômetro? Ele sorri e vai embora me dando uma visão perfeita dos seus dotes traseiros. Merda, o que é isso? Uma pessoa normal não devia ter uma bunda assim. Pensando na minha própria bunda dou um suspiro. Infelizmente eu fui mais do que abençoada no quesito bunda, mas o meu querido Deus esqueceu de abençoar o quesito peito também. Porém, ainda não sei se essa bunda que tenho é minha, ou das pizzas que eu como. Bom, nem quero saber também.

Já tentei inúmeros meios de emagrecer, mas tenho um problema, eu amo comer, de tudo. Então resolvi fazer algum exercício também, pelo menos o que eu comer agora eu já perco na mesma hora. Não é?

Quando bate o sinal da última aula, eu dou um suspiro. Aleluia acabou. Parece que nas segundas o tempo passa mais devagar. Junto meus materiais e saio da sala. Quando chego perto do portão eu ouço o meu nome:

“Anaaa!! Anaa!! Espera.”- Fecho meus olhos e me pergunto quem é o bendito que está me gritando na maior das alturas. Quando percebo que é o Lucas, dou um suspiro de alivio, pensei que o Sr. Boca de caçapa não tinha entendido o recado. Não quero amizade com ele. Pois, burra como sou, é bem provável que eu fique de quatro pra ele, apaixonada como nunca, ai ele me chuta, e eu me acabo em sorvete, ou chocolate.

“O que houve Lucas?” — Lucas é um colega da sala. Eu só tenho 2 amigos na verdade, o Julio e a Gabs. São as únicas pessoas que confio além da minha família.

“Ana eu ganhei dois ingressos pra uma apresentação de teatro, quer ir comigo?” — Ele me pergunta esperançoso, não sou idiota, eu sei que o Lucas tem uma queda por mim. Não sei por que né. Cara precisa de óculos, mas só vejo ele como amigo.

“Desculpa Lucas, hoje eu tenho que ficar com a Sol á tarde. Não vai dar mesmo.” — Minto, me sentindo mal, mas não vou dar falsas esperanças, e além do mais, eu sei que a Cris esta afim dele. Ela é uma menina da nossa turma, e eu vejo ela o encarando.

“Por que não convida a Cris? Ela iria adorar, ela ama teatro.”- Digo a ele, gosto de pensar que sou um cupido as vezes. Mas ai reflito, e cadê a porra do meu cupido? Vejo o olhar de decepção no seu rosto, mas ele concorda e vai de encontro a Cris, que estava nos observando. Viu? Falei que ela estava afim. Vejo ele pedir á ela e ela aceitar com um baita de um sorriso no rosto. Dou um sorriso também, porque sei que ela é uma boa garota e se tudo der certo, eles irão fazer bem um ao outro. Saio da escola e sigo meu caminho pra minha casa. Ponho meus fones de ouvido e me desligo para o mundo, curtindo a voz sexy do Jared Leto cantando Stay. Eu amo esse homem. Acho graça de mim mesma e continuo andando. Afinal são 40 minutos da escola até minha casa . Haja perna pra andar tudo isso. Em todo caminho, sinto algo, como se eu estivesse sendo observada. Deve ser algum espírito rindo da minha cara. Não seria novidade. Eu as vezes tenho vergonha alheia de mim mesma.

Chego em casa as 11:55, morrendo de fome. Novidade!!Quando entro vou direto para o meu quarto e troco de roupa. Desço pra cozinha e encontro minha mãe sentada na mesa, comendo bolo. Tenho que me gabar. Minha mãe é uma gata. Ela é gordinha, igual a mim. Mas a semelhança para ai. Ela é um pouco mais baixa que eu, com cabelo loiro escuro, olhos verdes e pele bronzeada. Ela é linda pra quem está com 40 anos. Não pareço muito com ela, sou branca, com cabelo castanho escuro, quase preto, e tenho 1,69 de altura. Sim, 1,69, nem pra ter uma altura exata eu presto. Ela sempre diz que eu pareço com meu pai. Mas não fala nada mais que isso. Eu não pergunto também. Só sei que eles tiveram uma aventura e ela teve esse anjo que sou eu. Eu gostaria de ter pelo menos olho igual o dela, ou o cabelo. Mas nãooo....nadica

Olho pra minha mãe, me perguntando o que ela está fazendo tão cedo em casa. Ela deveria trabalhar até as 16:00, que é a hora que a Sol sai da escola.

“Saiu mais cedo do trabalho mãe?”- Pergunto. Ela faz faxinas nas casas de madames. E isso leva algum tempo. “A mulher da última casa ficou doente. Dispensou-me mais cedo hoje.” — Ela diz, mexendo nas mãos. Mamãe só costuma mexer as mãos quando está nervosa, ou contando uma mentira. Ela também não olha nos meus olhos quando fala. Tem alguma coisa errada.

“Está tudo bem?”- Pergunto preocupada, chego perto dela e encosto a mão no seu ombro. Ela me olha, seus olhos verdes suplicantes me mostram que eu preciso entender alguma coisa. Será que ela perdeu o emprego? Não precisa ficar aflita. Eu arrumo um e a ajuda em casa. Ela nunca me deixou trabalhar. Já tenho quase 18 anos poxa. Posso fazer a coisas. Ela respira fundo e diz que está tudo bem. Deixo ela sozinha um pouco. Ela precisa de espaço. Quando ela estiver confortável irá me dizer o que está acontecendo. Subo para o meu quarto e começo a fazer meus deveres. Amanhã é outro dia no manicômio. Mal posso esperar.