Killer

8 Capítulo 8


Finalmente criei coragem pra vir visitar o Julio, faz uma semana que não falo com ele, ele continua doente, faz o que? Um mês e meio. Depois dos acontecimentos de ontem á noite. Precisava fazer algo para me distrair. E bom, visitar uma amigo que não vejo á um tempo. Uns dos meus 2 amigos na verdade, é uma ótima forma de relaxar a cabeça. Estou morrendo de saudades dele. Não sabia que gripes duravam tanto assim. Vim hoje fazer uma surpresa pra ele. Ele nem sabe que eu estou indo visita-lo. Ele mora a uns 40 minutos da minha casa. Vim andando. Amo andar e sentir o vento no meu rosto. Me faz sentir livre.

Julio mora em um condomínio fechado. Ele é a única pessoa do nosso grupo de 3 que tem dinheiro pra esbanjar. Mas ele não é um rico chato. Ele é a pessoa mais humilde que eu conheço e o amo por isso. Aperto o interfone e espero o porteiro me deixar entrar. Ele já me conhece de longa data. A casa do Julio. Ou prefiro dizer, mansão, é magnífica. Enorme, pintada de branco e adornada com decorações que de longe já é possível saber que custaram muito dinheiro. A família de Julio trabalha no ramo de empréstimos. Mas não são agiotas. Julio explicou isso para mim quando eu hipoteticamente falando, perguntei isso para ele. Eles fizeram muito dinheiro, e depois da morte do pai de Julio, ele e sua mãe cuidam dos negócios. Julio é muito inteligente e um mestre em cálculos. Ele sempre me ajudava nas provas de matemática. Bato na porta e ninguém me atende. Verifico se ela está fechada e vejo que está aberta. Entro e vou direto pro seu quarto. Já fiz isso milhares de vezes. Ele mesmo disse que eu podia me sentir em casa uai!! É isso que estou fazendo. Não vejo a hora de atualizar ele sobre tudo. Minha mãe e principalmente, sobre o Sr. Boca de caçapa. Chego ao corredor e quando estou subindo as escadas, ouço vozes vindas de seu quarto.

“Querido, você tem que contar para os seus amigos sobre sua situação. Inclusive para a Ana Elena e a Gabriela. Elas amam você... Estão preocupadas.” — Ouço a mãe de Julio falar. Logo mais ouço soluços o de choro e percebo que são do Júlio. Meu Deus, o que tá acontecendo? O que ele tem?

“Não posso contar isso pra elas mãe...eu estou morrendo...não consigo falar isso nem em voz alta ...não posso decepciona-las...” -Não termino de ouvir, saio correndo da sua casa. Julio? Morrendo? Meu Deus. Meu coração está quebrado. O que diabos ele tem ? Que porra está acontecendo? Percebo as lágrimas somente depois que muitas delas caíram. Soluço uma, duas vezes. Me lembrando de nossa infância, de como fui apaixonada por ele aos 13 anos, e ele rindo de mim falando que não era meu tipo. As memórias me inundam, fazendo minha dor pior. Não consigo pensar em nada. Até sentir uma mão no meu ombro me segurando. Viro para trás e vejo o Caio me olhando preocupado.

“Oque ouve Anjo? Por que está chorando?” — Não me pergunto como ele sabia onde eu estava. A única coisa que faço é abraça-lo e enterrar meu rosto em seu peito. Não quero pensar em nada.

Depois de alguns minutos, eu levanto meu rosto e tento arrumar o desastre que pareço. Caio coloca as duas mãos na minha bochecha e me olha preocupado.

“Ana, me diz o que está acontecendo? Por que estava chorando?”- Ele fala fazendo círculos com seus polegares na minha bochecha. É um gesto fofo, mas eu não o entendo.

“Eu ...fui ...visitar meu amigo... Julio” — falo entre soluços. “ a porta estava aberta... e eu só entrei e achei ele e sua mãe no quarto... “ — respiro fundo. “ele disse que está morrendo Caio...” — quando falo isso, outra chuva de lágrimas rolam do meu rosto.. “meu melhor amigo está morrendo e eu não sei o que fazer... ele nem me contou isso... só descobri por que fui intrometida..”- falo em meio a fungadas.

“A dor precisa ser sentida lindinha. Ela nos fortalece, e da próxima vez que você precisar lidar com ela novamente. Estará mais forte.”- Caio diz fazendo movimentos de vai e vem nas minhas costas. Parece que já ouvi essa frase antes. Não ela inteira, mas a primeira parte.

“Você já leu ou assistiu a culpa é das estrelas?” – Pergunto em meio a fungadas. Olho para cima e vejo caio me encarando.

“Talvez eu tenha entrado na sala de cinema errada uma vez, e acabei vendo esse filme.” –Ele fala com um sorriso. Olho para baixo e o aperto mais forte.

“Não quero que meu amigo morra Caio. Não posso perde-lo também.”- Falo baixinho. Julio não pode morrer.

“Ele não vai lindinha. Vai dar tudo certo” – Caio sai do nosso abraço e me olha.

“Agora, vamos te levar pra casa, você vai tomar um banho, comer alguma merda calórica que você ama. Vai colocar um filme bem tosco e engraçado e depois, vai me ligar e me explicar por que me evitou depois do nosso beijo.” – O beijo, merda, não quero lembrar disso agora.

“Eu não tenho seu número.” – Eu digo trocando de assunto. Não quero falar do beijo. Na verdade. Quero fingir que ele aconteceu. Eu e Caio podemos ser só amigos. Né?

“Eu tenho o seu. Eu te mando uma mensagem.”- Ele diz, pegando minha mão e me levando em direção a seu carro. Nesse momento paro para pensar. Como ele sabia onde eu estava? Isso é muito estranho.

“Vou te levar para casa e depois conversamos. Combinado lindinha?”- Concordo com a cabeça e encosto meu rosto no banco do carro. Meu Deus. Minha vida está indo de pernas para o ar. Primeiro, uma cara estranho que não sei por que diabos fica atrás de mim. Minha amiga está distante por problemas familiares. Minha mãe virou uma maníaca por controle e agora meu amigo está morrendo. Será que sou amaldiçoada? Não sei o que fazer.

Sinto Caio pegar minha mão. Olho para ele e ele está olhando para mim enquanto dirige.

“Calma lindinha. Tudo vai se encaixar. Vai dar tudo certo.” – Fico agradecida por suas palavras. Espero que de tudo certo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.