Killer

5 Capítulo 5


Cheguei atrasada na escola, de novo. Novidade! Cara, eu tenho que parar de confiar nas sonecas porque ultimamente estou só me ferrando. Chego na sala quase na mesma hora que bate o sinal.

“Oi lindinha, pensei que você não viria hoje, estava começando a ficar preocupado.” – Meu Deus. Quem é o infeliz que acabou de me abraçar e pior, me tirar do chão. Mas dando um crédito, a pessoa é forte, porque não é qualquer um que levanta esse bebê aqui não. Quando olho para cima, percebo que o infeliz é o Sr. Boca de caçapa.

“Oque foi isso?”- Eu pergunto, ele não pode sair me abraçando assim, a gente se conhece a tipo, 5 minutos! E principalmente, não gosto de pensar que eu gosto dos braços dele me rodeando. Sinal trouxa check.

“Isso oque?”- Ele me pergunta, fazendo cara de sonso. É um safado mesmo.

“Esse abraço, não pode ser como uma pessoa normal, e me abraçar pela frente?” – Aperto meus olhos e sito minha bochecha corar. Eu acabei de falar isso mesmo? Parabéns Ana. Pelo pouco que conheço Caio, tenho certeza que algum comentário pervertido está por vir.

“Você sabe lindinha, não resisto a sua bunda...” – Ele me diz, me olhando de cima a baixo. Okay, já saquei que ele não tem filtro em o que pensa e o que fala. Não posso julgar amizade. Não é?

Olho em volta e percebo que tem bastante gente nos encarando, e a maioria são meninas. Quando olho pra ele, seu sorriso foi embora e no lugar ficou uma careta:

“Eu sei que somos amigos agora, mas vai com calma. Não quero que suas fãs acabem com minha raça.” — Falo, apontando para as garotas que estão nos encarando. “e eu sei que não parece mas sou péssima em brigas!” — Digo rindo. Ele me olha sério e fala:

“Adoraria te ver brigando lindinha, ainda mais por mim. Mas não se preocupe, nunca deixarei que alguém te machuque. Nunca!” – Caio fala olhando profundamente em meus olhos. Ele está me assustando desse jeito. Dou um olhar de OKAY e vou para o meu lugar . Ele passa do meu lado me dá um murrinho no ombro e vai para o seu lugar.

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O sinal do intervalo bate e vou direto tentar conversar com a Gabs. Ela tem tentado me evitar esses dias e não sei o porquê. A encontro perto do bebedouro, dou um cutucão na cintura dela e ela vira. Gabs é a garota mais linda que eu conheço. Ele tem belos cabelos ruivos , olhos verdes e é só um pouco mais baixa que eu, e claro, ela adora comer tato quanto eu. Então tem uns quilinhos a mais do que devera ter. Na verdade, um fato muito importante na nossa amizade é a comida.

“Oi estranha, por que esta me evitando?” — Pergunto de uma vez. Nunca fui boa em ficar enrolando. “Eu fiz alguma coisa?”

“Não Lê, eu só estava um pouco cheia esses dias, não quis te incomodar.”- Ela me diz, dando um abraço. Gabs é a única pessoa que aceito me chamar de Lê. “Tive alguns problemas em casa. Você sabe, pai alcoólatra e tudo mais, mas fiquei com saudade de você. Sabe alguma coisa do Julio?”— Percebo que ela mudou de assunto. Sua família tem uns problemas e eu sei como ela é a ancora da sua casa. Gabs é uma guerreira e me orgulho de te-lá como amiga.

“Ele me ligou á alguns dias e disse que estava com uma gripe braba. Vou ir visitar ele amanhã. Quer vir?” — Gabs não teve tempo de responder porque um ser parou do meu lado e ela não estava mais prestando atenção em mim. Nem imagino quem seja.

“Lindinha, eu vou pra fila e te guardo um lugar na mesa okay?” — Caio diz dando um beijinho no meu rosto e acenando pra Gabs. Eu toco onde ele me beijou e sinto um arrepio gostoso. Esse cara não sabe o que significa limites mesmo. Gabs me olha com um pergunta cravada no seu rosto...

“Muita coisa mudou amiga, te conto tudo.. vem!” — Nós subimos para o refeitório. E não é que o Caio guardou um lugar mesmo. Garoto prestativo esse.

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“Desembucha Lê, quem era aquele pedaço de mau caminho hoje na escola?” — Faz 30 minutos que eu e a Gabs estamos no telefone. A garota é uma maritaca e não para de falar.

“Ele é um aluno novo, entrou faz mais ou menos um mês. Pelo visto ele quer ser muito meu amigo por que não larga do meu pé!”- Digo rindo. “Mas é só um amigo antes que você pense outra coisa....”

“Hummm , sei.” — Gabs fala, eu sei que ela está brincando porque ela sabe que eu nunca namorei, ou fiz qualquer coisa.

“Lê eu sei que é só amizade, mas toma cuidado tá. Ele pareceu meio pegajoso hoje na escola!” — Ela me avisa, e até que faz sentido, ele nos seguiu o intervalo inteiro hoje.

“Acho que ele só quer fazer amizades mesmo amiga, mas vou te escutar, viu”? — Os conselhos da Gabs são os melhores, se ela te der algum você abaixa a orelha e escuta. Apesar, que pensando bem, não faz sentido todo esse interesse do Caio. Qual é, se ele quisesse só me pegar, ele não ficaria pegajoso assim. Mas essa alternativa sai logo da minha cabeça. Ele não deve ter nenhum interesse assim em mim. E em questão de amizade, tenho certeza que tem várias pessoas naquela escola muito favoráveis a serem amigas dele. Ele deve querer algo. Se for dinheiro. Tá perdido. Não tenho.

“Bom mesmo!!” — Ela diz fazendo som de tesk no telefone e desliga.

Depois de desligar o celular, eu desço pra cozinha e vou direto pra geladeira. Estou morrendo de fome!! O que tem hoje? Vamos ver.... bolo? Não! empada? Não! A sim, almôndega...hum, delícia. Sento na mesa e espero as almôndegas esquentarem no micro-ondas. Ouço a porta abrir e fechar e minha mãe entra na cozinha, ela nem me percebeu porque estava no celular.

“Eu sei, eu sei...ele tem que ter calma, ela não está pronta. Fala pra ele ir com calma.. Eu lembro do combinado Nick.. Eu estava lá quando tudo aconteceu..”- Ela não termina a frase porque finalmente percebe que não está sozinha em casa. Desliga o celular e vai de encontro a mim.

“Oi querida, tudo bem?” — Ela diz me dando um beijo na bochecha.

“Com quem estava falando mãe? Que acordo é esse?”- Pergunto preocupada. Não estou entendendo nada. Quem que tem que ter calma? Por quê? Ela tem que me dar uma luz aqui.

“É coisas do trabalho filha, nada para se preocupar.” — Ela sai sem me dar uma explicação. Eu sei que ela está me enrolando. Mas ela disse que ia me contar tudo. É só uma questão de ter paciência com ela, o que é um desafio pra mim. Quando eu for conversar com ela, vou tirar cada fio de informação que ela tiver. Só pra ela ver que esconder coisas de mim não vale a pena, porque eu sempre descubro no final. Quando o sinal do micro-ondas apita, eu pego meu prato, sento na mesa e tento bolar um plano pra fazer minha mãe desembuchar.