Killer
20 20:
Notas iniciais
Esse mundo me pertence
Você tenta disfarçar
Mas todas as feridas estão lá para você ver
A Morte dificilmente Morre
Os seus crimes obscuros podem ser transportados em asas brancas?
Você nunca sentiu algo como isso antes.
**
Naquela manhã do dia 31 acordei mais tarde do que de costume, era um sábado e eu conseguia sentir a atmosfera festiva e assustadora no ar, era quase palpável. Mesmo estando presos, os "alunos" de Marshaw decoravam suas portas e corredores, e alguns até mesmo usavam máscaras- o que dava alguns sustos as pinguins que perambulavam aqui e lá.
Mas os psicólogos mesmos liberaram, com a desculpa de que “ a arte ajuda a mente a se libertar”
Libertar ...sim, é o que eles dizem, mas todos sabemos que eles são ameaçados. Ou me deixa usar uma fantasia, ou me fantasio com sua pele ...é mesmo adorável.
Mas o dia todo passei sem ver rastro de qualquer um do Dark Carnival, o que me deixou um pouco inquieta, afinal tudo estava na mente deles, e nada foi me passado. Nem mesmo tínhamos um plano certo sobre o que fazer- Ou como dar a volta naquele pessoal todo, mas as laminas estavam ao meu favor e Jane, cujo passatempo e dar vida a homicida dentro de mim, estava de folga hoje. Eu pude até mesmo sorrir com isso.
– Você vai sair assim ...você sabe que isso não é nada discreto, certo? — o relógio que Bonnie trazia em mãos e deixou acima da cabeceira da minha cama marcava exatos 19:15- e Sabrina estava trajada no que me parecia ser algum tipo de mistura entre um anjo e algum zumbi bem ...colorido- existia até mesmo duas pequenas asas verde que saiam de trás de seu vestido rosa, sua maquiagem a deixava mais pálida que o normal e os cabelos presos com várias flores a deixavam uma aparição a minha frente.
Ela sorriu, quando Timothy soltou-lhe um beijo na bochecha.
– Me sinto fabulosa, e Timothy concordou em usar algo além do preto suicida que ele gosta, estamos bem.
– Ainda acho esse negócio muito chamativo -resmungou o garoto olhando para os suspensórios verdes, mas Sabrina apenas sorriu lhe apertando as bochechas. Ele me lembrava algum palhacinho macabro, havia até mesmo uma faca pendurada em sua cintura ...uma bem real se querem saber.
– E agora é você -Bonnie estava simples, em um vestido vermelho cheio de rendas e botas escuras- nos cabelos ruivos trazia uma pequena cartola. Frank ao meu ver parecia algum...realmente não faço ideia do que ele parecia, com os cabelos espetados para cima e o macacão jeans rasgado, e os olhos pintados de negros.
– Meu Deus ...olhe o que vocês fizeram com meu albino -olhei para sua roupa e soltei uma risada escandalosa, Frank me deu um tapa leve na testa e fungou.
– Isso é a última moda em Franklândia, ok.
– Se você diz né ...mas realmente, eu só vou me enfiar em um vestido, estamos praticamente atrasados e nada de Jeremy ou qualquer um deles aparecer.
– Relaxe, eles sabem o que fazer -Sabrina sorriu, e depois enxotou os garotos para fora, e de uma forma quase ameaçadora veio para cima de mim -Hora de se transformar querida.
Me recusando a me enfiar em qualquer coisa fluorescente ou com plumas- Bonnie convenceu de que o pretinho básico estava de bom tamanho. Era um vestido preto, um tanto curto mas o suficiente, suas mangas longas eram cobertas por rendas que se enrolavam entre meus dedos de uma forma elegante, botas de salto quebra-pescoço que Bonnie arranjou em algum lugar e meus cabelos, que estavam curtos foram apenas espigados para os lados, dando um ar mais ...rebelde digamos assim. E por fim, uma máscara veneziana, que deixava em destaque meus olhos.
– Me sinto pronta para o ataque -sorri de frente ao espelho rachado, e estourei uma bolinha de chiclete, pegando de cima da cama um pequeno broche em formato de uma faca e prendi de frente ao vestido.
Apenas sorrimos, cúmplices aquela noite e seguimos para fora.
**
Sair dos campos de Marshaw era bem simples, e dado ao fato de que aquela noite a maioria dos alunos estavam lá fora, vestidos como assassinos que são, fazendo uma zona e por isso, nossa saída nem mesmo foi percebida. Se bem que, certamente um punhado deles já estavam perambulando pelas ruas.
Quem realmente ali se importa se saímos ou não.
Com vestidos e salto era meio que terrível pular um muro, mas eu faço o sacrifício que for só para estragar a noite daqueles idiotas- já do lado de fora, havia abóboras e decorações "assustadoras", mas o carro com Stevan que é bom nada.
– Eles já não deveriam estar aqui? -perguntei inquieta, o barulho que aqueles malditos saltos faziam, me deixavam ainda mais irritada. Frank apenas nos soltou uma piscadela.
– Mudança de planos, eles vão estar nos esperando lá, vamos por contra própria -antes que eu abrisse a boca, ele nos guiou até a rua -Stevan deixou uma van aqui perto, vou nos levar até lá.
– Mas ...desde quando você sabe dirigir baby? -Bonnie perguntou, enquanto Timothy e Frank tiravam de cima da van ramos de folhas que as escondiam da visão de terceiros. Por fim estávamos de frente a ela, e avia adesivos esquisitos nela, adesivos que diziam que quem entrava ali realmente não batia muito bem das ideias.
Bufei.
– Não gosto de como essa história está começando ...imagine como vai terminar -resmunguei, abrindo a porta e puxando do banco um pequeno bilhete branco dali.
Seja a rainha do baile essa noite
Apenas sorri, sim Jeremy hoje eu seria. Frank subiu ali, e depois de todos entramos, descobrimos que sim.
Frank não sabia de forma alguma dirigir. Talvez essa seja a coisa mais assustadora da noite.
**
O ar cheirava a rosas e perfume barato, agitação e suor adolescente. Havia movimento dos corpos, havia as risadas escandalosas ...os olhares críticos das garotas sobre os vestidos de suas concorrentes e dos garotos sobre quem estava se saindo mais bem nos vestidos mais curtos. Amanda conseguia ver tudo aquilo em câmera lenta, por trás da máscara veneziana seus olhos tão afiados e brilhantes a procura de sua vítima perfeita. Logo atrás, Sabrina segurava com força a mão de seu acompanhante, o garoto acanhado por toda aquela agitação desnecessária sentia suas forças sendo sugada a cada nova música tocada, Bonnie e Frank se viam paralisados apenas encarando com curiosidade o baile que tanto ouviram falar.
Não tiveram uma entrada triunfal, eles se misturaram rapidamente a multidão adolescente já bêbados pelo ponche batizado- uma música pop terrível soava dos altos falantes, e por enquanto não havia nenhuma banda no palco improvisado. Amanda caminhou até uma mesa vazia, sentando-se e observando com desdém toda decoração fajuta e todo sangue falso esparramado pelas paredes.
– Caramba, pensei que "adolescentes normais" conseguiriam caprichar um pouco mais -comentou Bonnie segurando um pedaço da toalha da mesa e observando com uma careta a rosa murcha acima da mesa, soltou um riso — E olhe para essa sangue, tsk ...sou killer o suficiente para saber que isso é suco de morango.
– Awwn vamos Timothy, vamos nos deixar levar -Sabrina era a única que estava ali por ...estar, ela talvez até mesmo tenha se esquecido do porquê daquele baile era tão importante, sobre o olhar assustado de Timothy ela o arrastou para longe da multidão e junto começaram uma dança que talvez fosse normal apenas no mundinho deles.
– Esse lugar fede -Amanda não parecia muito feliz, na verdade tinha os braços cruzados e nos lábios uma carranca nada agradável. Todos que dançavam ali, sorriam ali ...todos eles simplesmente ferraram com sua mente, Amanda Sivan era para eles uma chacota, motivo de piada e pena ...ela simplesmente sentia seu sangue ferver com esse pensamento.
– Nada de bancar a garota solitária hoje, é sua noite ...a tão esperada, logo aquele bando de sem noção do Dark Carnival vai estar ai e você precisa estar pra cima -Frank no início achava toda aquela história de vingança um tanto maluca demais, mas depois de conhecer um pouco mais afundo Amanda, sabia que a amiga não iria descansar até ter a cabeça ...ou pelo menos o dedo do seu grande "amor" e sua acompanhante em uma bandeja.
Bonnie pareceu se iluminar, puxando Amanda para cima.
– Isso mesmo, agora vamos ...eu sei uma dança.
No fim os três rodopiarem pela pista, em meio a tantos rostos conhecidos e desconhecidos, para Amanda tanto faz ...todos ali com exceção de seus amigos eram porcos que deveriam estar mortos. Mas ela se permitiu olhar para cima, observar cada vela pendurada por um fio de prata ...rodopiar e rodopiar até ficar tonta, sentir-se em um sonho enquanto tantas cores e brilhos de vestidos passavam por si.
Ela naquele momento se sentiu mesmo louca, e conseguiu rir sozinha sobre a música tão terrivel.
Por fim, voltou-se a mesa, com uma taça de "sangue" falso entre os dedos -que nada mais era que um tipo barato de vinho- ainda meio tonta, observou sorrindo por cima da taça Sabrina cutucar Timothy e o mesmo abrir um sorriso, ela comemorou ao ver isso ...Bonnie e Frank faziam uma dança muito escrota, que misturava um cover do Elvis com alguma batida boogie oogie dos anos 60. Estava escuro ali dentro, a única iluminação vinha das velas penduradas em lugares estratégicos e luzes coloridas que iluminavam toda a quadra, havia também toda a fumaça o que deixava os olhos de Amanda lacrimejando, e sua garganta coçando.
Por fim, as horas começou a passar e nada ...nada do Dark Carnival aparecer, algumas pessoas estavam já se perguntando onde estaria a tal banda. Amanda batucou os salto das botas no chão, e então cerrou os olhos na direção em que Harold apareceu, dançando de uma forma nada agradável aos olhos com Sharise. Ele usava um smoking preto e ela um vestido roxo tão curto que seu útero poderia aparecer caso ela sentasse. Para Amanda eles se tornaram feitos de neon, e quando Harold bateu na bunda da vagaranha ela o puxou pela gravata até os fundos.
– Nojentos -esbravejou Amanda, retirando a máscara e jogando para longe. Estava escuro, quem iria reconhece-la? Ela riu para si mesma, então uma vadia como aquela estava querendo ser a nova rainha do baile ...wow interessante. Seu mal humor voltou, e depois de ver os amigos dos mesmos um gosto amargo se apoderou de sua boca, ela estremeceu ...levaria adiante ...sim, ela não iria voltar atrás agora. Mas ela estava se sentindo melancólica, bufou arrancando suas botas e jogando de baixo da mesa, era bom o frio sobre seus pés, a fazia pensar melhor.
Ela não estaria pensando em voltar atrás...
Mas ainda dava tempo de ...não mais, porque finalmente Dark Carnival tinha chegado.
E aquilo sim era uma entrada triunfal.
Diferente do que Amanda ou qualquer outro pudesse pensar, eles não entraram pelos fundos e foram direto para o palco ...eles simplesmente abriram as portas do ginásio, e cada um trazendo um tipo diferente de sorriso, pararam em uma fileira de frente a porta. Amanda piscou, eles nem se quer estavam fantasiados, apesar de que a única cor ali era dos cabelos fluorescentes de Chelsea, que piscou de maneira inocente para todos.
A música tinha parado, os casais dançando congelaram no lugar. Jeremy deu de ombros, sendo o primeiro a abrir a boca, enquanto sua navalha tão brilhante dançava em suas mãos.
– Ora, por favor não parem a festa pela nossa chegada ...estamos aqui apenas para diverti-los -seu sorriso fez Amanda sentir um misto de orgulho e gelo na espinha, era algo louco ...mas não vazio. Julian com seu semblante de garoto suicida fechou com facilidade a porta atrás de si, jogando a chave para Stevan que tinha seus cabelos presos por uma bandana, e sorria como o próprio diabo.
– Fechamos todas as entradas para melhor diversão, então ...não entrem em pânico, é apenas uma maneira de tudo ser mais ...intenso -Chelsea caminhou por entre a multidão até o palco, dando um breve piscadela a Amanda. Ninguém estava entendo nada ...talvez nem mesmo Amanda, aquilo não parecia um plano muito inteligente.
Mas ninguém parecia contestar.
Como se sentindo que algo estava para acontecer, Frank e Bonnie saíram do meio da pista e foram se juntar a Sabrina e Timothy, que estavam encostados perto das arquibancadas, eles sentaram ali, olhos brilhantes apenas a observar o que iria acontecer. Amanda estava perdida ...o que eles esperavam? Aquilo tudo estava saindo totalmente o contrário do que o planejado.
Aliás o que era o planejado? Nem ela mesmo sabia.
Amanda juntou as sobrancelhas, no mesmo instante que um garoto com pose de machão, talvez duas vezes maior que Jeremy mas nem tão assustador parou na sua frente, fazendo uma careta.
– O que pensa que está fazendo...
Jeremy tinha as mãos enfeixadas, assim como na primeira vez que ele ofereceu uma navalha a Amanda, e na mesma hora sorriu para o garoto, então tudo aconteceu tão rápido que Amanda apenas teve tempo de soltar uma risada alta.
Sim, ela riu. E alguns rostos se viraram para ela.
Oh sim, nada mais importava agora.
– The is murder, go! – ele gritou isso e na mesma hora, o garoto caiu de lado guspiando sangue, o pânico logo se instalou e antes que alguém fizesse algo Stevan pegou sua guitarra e como se aquilo fosse uma arma começou a acertar em cada adolescente desesperado que se aproximava. Julian fazia o mesmo com seu baixo, mas ele tinha facas em suas mãos e as usava como devida habilidade.
E Amanda pensando que ele era bom só em venenos.
Retalhando, cortando ...rasgando. Havia sangue espirrado, gritos agoniados ...os corpos iam caindo pouco a pouco e como se fosse um parque de diversão, Bonnie, Frank, Sabrina e Timothy entraram na festa ...pegando qualquer coisa que pudesse machucar e se divertido ao acertar a cabeça de qualquer um que entrasse em seus caminhos. Chelsea tocava sua guitarra, enquanto passeava em meio a todo o caos e acertou a mesma bem na nuca de Thomas Young.
– Este massacre é para assassinos. Eu quero ser um pecador! -a voz de Jeremy ecoava acima de toda cacofonia absurda e dolorida, Amanda assistia a tudo com um sorriso no canto dos lábios. Ele soltou uma risada louca, enquanto sua camisa branca já estava totalmente respingada de sangue, brincou com a navalha e puxou a trança de uma garota que tentava fugir, ela gritou, ele apenas a olhou em seus olhos sorrindo –Venha, venha, mate-me porque isso é um assassinato.
E enfiou uma de suas navalhas em seu peito a soltando logo em seguida, Stevan e Julian também cantavam, enquanto Chelsea sentava acima dos corpos e terminava de esfaqueá-los.
Hey garota bonita, tem uma festa hoje à noite
Eu serei seu Drácula e vou dar a primeira mordida
Amanda estava paralisada, não por terror ...apesar dos corpos se empilharam ao seu redor, e Frank até mesmo pegava algumas cabeças que Bonnie lhe dava e tentar fazer cesta. Sabrina parecendo uma boneca de algum filme de terror, simplesmente puxou Timothy que desenhava algo no peito de um garoto de olhos abertos e o beijou. Não havia mais diretores, nem mesmo qualquer adolescente abestalhado para contar história, eles caíram um por um ...como em um jogo de domino macabro.
Talvez apenas Sharise e Harold estariam a solta, isso fez um alarme soar na cabeça de Amanda.
Antes que ela fosse até Jeremy, que parecia estar se divertido, ele estava caminhando em sua direção, brincando com duas navalhas em suas mãos e ainda sim cantando, apesar de toda sua plateia estar morta.
Hey garota bonita, tem uma festa hoje a noite
Eu serei o seu Frankenstein e você meu amor à primeira vista
Porque você é uma escavadora de cemitérios, uma violadora de caixões
Eu acho que me apaixonei por uma Serial Killer !
Menina Serial Killer você é como uma assassina
Eu serei sua vítima número um
Então, por favor beije meus lábios e me mate rápido eu sou apenas um outro garoto morto.
– Isso sim é um baile para não se esquecer -Amanda sorriu, cruzando os braços e se levantando, para ficar na mesma altura que Jeremy, que simplesmente parou de cantar e enrolou uma das mexas do cabelo de Amanda entre suas navalhas, ele cheirava a sangue -Totalmente insano, vocês são insanos.
Jeremy fez um bico, na mesma hora em que Julian acertava uma facada nas costas de um garoto, que tombou para seus pés, o garoto sorriu acenando de forma orgulhosa para Amanda.
– Eu não acho, quero dizer ...quem estabeleceu a norma para ser "normal" -ele apenas riu, então lentamente ergueu sua navalha brilhante para Amanda, que estava ensanguentada, assim como as faixas que ele trazia enrolada em suas mãos -Agora vá lá e termine essa noite em grande estilo.
Amanda apertou as navalhas em suas mãos e mirou fundo nos olhos de Jeremy, e sorriu beijando o canto gélido de seus lábios.
– Eu serei a rainha do baile essa noite e você meu Frankenstein -e correu dali, indo atrás daqueles que ela simplesmente sonhava em decapitar.
A noite estava para se tornar completa.
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