Killer

23 O Grande Príncipe


Notas iniciais
Olá gente! Sei que eu prometi postar na quinta, mas tendo em vista que são apenas 1h 15 min da manhã de sexta, então... acho que é um atraso bastante razoável kkk Agora vamos deixar de falatório e vamos ler o capítulo 23. Aqui vocês conhecerão toda a história por trás de Lúcifer e Bryan. Boa leitura.

[Bryan P.O.V.]

Assim que se viram diante do olhar de Miguel, Sarakiel, Natanael e os outros dois anjos que estavam com ele se prostraram sobre um dos joelhos, fazendo uma longa reverência, a qual apenas observei. Diferente dos outros anjos eu me recusava a reverenciar Miguel, pois apesar de ele ser o anjo de maior hierarquia entre nós, ele não era Deus.

– Grande Príncipe. – Sarakiel o cumprimentou, mantendo a cabeça baixa e os olhos fixos no chão, como o grande bajulador que sempre fora.

Miguel, por sua vez, apenas assentiu e fez um leve gesto com as mãos, indicando que todos podiam se colocar de pé e, então, se voltou para mim.

Mesmo não sendo seu maior fã, eu não podia negar que a figura altiva de Miguel inspirava respeito. Ele era o maior anjo da Criação – chegando a ultrapassar os dois metros e quinze de altura –, possuía longos cabelos loiros, olhos dourados e, nada mais nada menos, que três grandes pares de asas, de um branco tão intenso que chegava reluzir.

Sua altivez se completava com a grandiosa armadura que trajava que era, de longe, a mais trabalhada das armaduras celestiais. Criada a partir de um metal tão brilhante que parecia ter sido banhada pelo sol, a armadura de Miguel possuía diversas camadas sobrepostas e era ornamentada com desenhos tribais, feitos com finos traços de ouro, em suas ombreiras e protetores de antebraços e pernas. Em seu peitoral havia um brasão, também feito em desenho tribal, que se parecia com o sol e uma grande capa vermelha com desenhos dourados se estendia ao longo de suas costas.

Apesar de sua armadura também incluir um belo escudo dourado, com grandes asas desenhadas em alto relevo e um elmo que praticamente deixava seu rosto encoberto, naquele momento, Miguel carregava consigo apenas sua espada, a temida Flaming Sword que, ao ser empunhada por seu mestre, emanava através de sua lâmina uma chama sagrada que tinha o poder de condenar ao Inferno as almas em que tocava.

Fora essa espada que Miguel usara para banir Lúcifer e suas hordas de traidores para o Inferno e, desde então, aquela tinha sido a última vez que ele a desembainhara.

– Que bela surpresa vê-lo novamente entre nossos irmãos, Azrael. – Miguel disse em seu característico tom calmo, aproximando-se de mim – Cheguei a pensar que nunca mais voltaria – para casa principalmente depois do incidente envolvendo aquela garota humana –, mas me alegro em saber que estava enganado.

– O Paraíso é o meu lar natural, Miguel. Mesmo que eu quisesse, jamais poderia abandoná-lo. – respondi erguendo a cabeça para encará-lo – Além disso, tenho certeza que você iria atrás de mim caso eu fizesse tal coisa.

– Eu não sou um inquisidor, Azrael. Apenas prezo pelo nosso lar e pelas leis que Nosso Pai estabeleceu. Anjos são anjos e humanos são humanos. Devemos interceder por eles, protegê-los e cuidar para que vivam como devem viver, mas qualquer coisa além disso não é aceitável. – Miguel me olhou nos olhos – Tenho certeza de que se lembra dessa lei.

Sim. Eu me lembrava perfeitamente daquela lei. Não se envolver com a raça humana era uma das principais leis do Reino Celeste, logo abaixo de leis como “Deverás amar somente ao teu Pai”. Entretanto, sempre que eu estava próximo de Loren todas essas leis pareciam não importar mais. Minha sorte era que Miguel desconhecia esse fato, caso o contrário, tenho certeza que eu já estaria no Inferno.

– Gostaria de saber o que te trouxe aqui hoje, Azrael. – Miguel continuou sem esperar por um pronunciamento meu – Pude ouvir, em meio a sua discussão com Sarakiel, que tem algo importante para me dizer. Do que se trata?

Corri os olhos, rapidamente, pelos rostos de Sarakiel e Natanael e dos outros dois anjos que estavam ao seu lado, também atentos a minha conversa com Miguel. Apesar de todos eles serem integrantes do Exército, eu não queria discutir sobre as visões de Loren, tendo todos aqueles anjos como plateia.

– É um assunto delicado. – disse, voltando a olhar para Miguel – Gostaria de conversar com você em particular.

Miguel olhou ao redor, vagamente, parecendo ponderar sobre meu pedido, mas por fim assentiu e estendeu a mão direita em direção à porta de entrada da Armada.

– Por favor. – disse, indicando que eu deveria seguir na frente.

Obedeci e me encaminhei para a porta, abrindo caminho entre Natanael e Sarakiel, que ainda me encarava como se quisesse arrancar minhas asas.

Já dentro da Armada, Miguel me guiou, através da multidão de anjos do Exército que estava reunida ali, até sua sala, um lugar onde eu tinha entrado apenas duas vezes em toda a minha existência, mas que sempre me deixava incomodado por ser totalmente feito de vidro e ficar suspenso sobre o oceano de profundidade desconhecida que levava ao sétimo céu.

Assim que entrei, Miguel fechou a grande e pesada porta que separava sua sala do local de reuniões do Exército e me indicou uma das cadeiras que havia ali para que me sentasse, mas recusei a oferta e preferi continuar de pé onde estava, pois esperava tornar aquela conversa o mais breve possível.

– Muito bem – Miguel caminhou até o outro lado da sala devagar –, diga o que tem de tão importante para me falar, então.

– É sobre Lúcifer. – anunciei de forma direta – Sei que ele escapou de sua prisão no Inferno e acho que ele está tramando alguma coisa.

– Como sabe que Lúcifer escapou? – Miguel se voltou para mim, encarando-me com total atenção.

Cruzei os braços e o encarei de volta. Não era preciso ser um gênio para saber exatamente o que ele estava pensando. Sempre que o assunto envolvia Lúcifer eu era logo tratado como suspeito e irritava-me que, mesmo depois de tanto tempo, esse tipo de desconfiança ainda pairasse sobre mim.

– Eu não o ajudei a fugir, Miguel. – respondi enraivecido – Lúcifer traiu tanto ao Altíssimo quanto a mim naquele dia e nós não temos mais nenhum vínculo. Entenda isso.

– Perdoe-me se o ofendo, Azrael, mas você compreende que, em tais circunstâncias, eu não posso deixar passar nenhuma informação. – Miguel se aproximou de mim – Quando aprisionei Lúcifer no Inferno eu me encarreguei de fazer com que ele não pudesse sair de lá antes do Apocalipse, mas mesmo com todo o meu trabalho, agora ele está à solta. Sei que teve ajuda para escapar da prisão. Só não sei de quem.

– E você suspeitava que tivesse sido eu?! – protestei – Eu cometi um erro, Miguel, mas já paguei por ele. Não acha que já está na hora de você parar de me tratar como um párea por causa disso.

Miguel me fitou com seus olhos dourados e precisei reunir todas as minhas forças para permanecer olhando-o nos olhos. Eu não sabia se era porque ele era o primeiro anjo de Deus ou se era porque sua postura imponente simplesmente causava essa sensação em todos as sua volta, mas eu me sentia desconfortável e, até mesmo, vulnerável diante de seu olhar intenso.

– Entenda que eu não tenho a intenção de tratá-lo dessa maneira, Azrael. – Miguel disse, enfim, desviando seu olhar de mim – Eu tenho muito respeito por você. Você era o melhor dentre os meus Capitães...

– Mas ainda assim você me puniu. – eu o interrompi – Sem misericórdia.

Enquanto eu falava, todas as recordações que eu tinha da Rebelião e dos acontecimentos que a antecederam voltaram a minha cabeça. Tudo aquilo havia começado há muitas eras, numa época em que o Paraíso ainda não possuía divisões...

***

Naquele tempo todo o Céu estava em festa porque o Altíssimo havia concluído mais uma de suas obras. Ele havia criado todo um universo e, dentro dele, havia criado um planeta cheio de vida.

Todos os anjos estavam encantados com a beleza do planeta que – apesar de possuir, em sua grande maioria, mares e oceanos – o Altíssimo decidiu chamar de Planeta Terra e passavam horas observando os mais diversos animais que ali viviam, suas montanhas e lagos e a forma como as árvores se desenvolviam. Tudo ali era mágico, mas o Altíssimo havia deixado sua maior obra para o final.

No sexto dia de seu trabalho, Deus convocou todos os anjos para acompanharem a criação do homem – um ser que ,segundo Ele, seria a feito à Sua imagem e semelhança e dominaria toda a Terra –, então, nós nos dirigimos até lá para prestigiá-lo em mais uma de suas Criações.

Aconchegamo-nos sobre as montanhas e vimos o Altíssimo retirar uma porção de barro do chão e, então, começar a moldá-lo. Em um instante a figura humana nos foi revelada e, com um sopro divino, ganhou vida, sendo instantaneamente aplaudido por todos os anjos a sua volta.

– Esse homenzinho de barro não me parece muita coisa. – Lúcifer cochichou ao meu lado, ainda batendo palmas – É pequeno, frágil e, nem de longe, é a criatura mais bela que o Altíssimo já criou.

– Está mal dizendo a obra do Criador, Lúcifer? – eu o questionei, com um meio sorriso.

– É claro que não. – ele se defendeu rapidamente – Eu só não tenho certeza se essa criatura é mesmo capaz de dominar a Terra inteira, como o Altíssimo diz. Olhe só para ele. – Lúcifer apontou para o homem, a quem o Altíssimo acabara de dar o nome de Adão – Qualquer leão da montanha o devoraria com facilidade.

Eu ri.

Enquanto Miguel era o maior e mais forte anjo entre nós, Lúcifer era o mais belo e sagaz. Sempre pregava peças em nossos irmãos e costumava levar algumas broncas do Altíssimo por tais coisas, mas isso nunca o impedia de criar uma brincadeira ainda maior. Apesar de ser um dos cinco Capitães do Exército e sempre ouvir Miguel dizer o quanto Lúcifer era um péssimo exemplo para nossos irmãos, eu, particularmente, gostava dele. Lúcifer, assim como eu, tinha um espírito rebelde e essa era uma qualidade muito rara nos anjos.

– Sinceramente, eu também não vi nada demais nesse boneco de barro. – comentei enquanto observava o Altíssimo ensinar o homem a dar seus primeiros passos.

Após aprender a andar e falar e aprender tudo o que precisava saber sobre a Terra e as espécies vegetais e animais que viviam ali, Adão pediu ao Senhor que criasse uma companheira para ele, pois havia observado que todos os animais tinha uma parceira. Então, atendendo ao seu pedido, o Altíssimo o colocou em sono profundo, retirou-lhe uma das costelas e, dela, criou um ser bastante semelhante ao homem, mas que se diferenciava dele por causa de algumas características corporais.

– O senhor e a senhora boneco de barro. – Lúcifer cochichou divertido – Agora os leões da montanha terão refeição em dobro.

Me contentei em assentir e observei o Altíssimo despertar Adão e pedir que ele desse um nome para sua companheira. Adão, então, decidiu que ela deveria se chamar mulher, porque havia sido criada a partir do homem e, Deus, sorrindo, aceitou sua sugestão e a batizou de Eva.

Nós observamos Adão e Eva durante todo o dia e, de onde estava, pude ouvir alguns anjos comentarem sobre como os seres humanos eram uma criação magnífica, mas assim como Lúcifer, eu só conseguia pensar neles como futuras refeições de leões da montanha. Eles não pareciam, nem de longe, ser a imagem e semelhança do Deus Todo Poderoso que eu conhecia.

Meus pensamentos foram interrompidos, quando o Altíssimo ergueu as mãos, pedindo que prestássemos atenção.

– Meus filhos. – Ele disse com sua voz retumbante e todos, até mesmo o mais selvagem dos animais parou para escutá-lo – Aproxima-se o fim do sexto dia e, finalmente minha obra está completa. Agora, é chegada a hora do meu descanso, mas antes quero deixar-lhes um presente para toda a eternidade.

Então, com um aceno, o Altíssimo fez brotar do chão um grande jardim, ao qual chamou de Éden e, no seu centro, ele fez surgir a árvore mais bela que todos nós já tínhamos visto. Sua altura ultrapassava as das sequoias gigantes e sua copa era frondosa e cheia de frutos vermelhos que se pareciam com maças, apesar de aquela árvore não ser uma macieira.

– Esta é Árvore do Conhecimento. – o Altíssimo explicou – Em seu tronco, galho, folhas e frutos ela guardará todo o meu conhecimento e poder. Está é a Árvore da vida e, portanto, deverá ser preservada. – então o Senhor se voltou para Adão e Eva e disse: – De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, não comerás porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Adão e Eva assentiram e, então o Senhor se voltou novamente para nós.

– Para vós, meus filhos, tenho ainda mais uma missão. – Ele disse nos encarando com fervor – Os seres humanos são criaturas fortes de espírito, mas de carne fraca. Necessito que intercedam por eles e os protejam, por isso, dividirei suas castas e, a cada uma, darei uma tarefa que deverão cumprir.

Então, o Altíssimo nos dividiu em castas e separou aquelas que cuidariam do Reino Celeste e as que cuidariam da Terra e,dentre aqueles que cuidariam da Terra, o Altíssimo escolheu os Ceifeiros, aos quais tingiu as asas de negro e alertou sobre a dificuldade e sofrimento que aquela tarefa lhes renderiam. E, assim, o sexto dia terminou.

De volta ao Paraíso, todos os anjos estavam em polvorosa, compartilhando entre si suas impressões a respeito da raça humana. Pelo que eu via, todos estavam extasiados com a criação do homem, exceto um anjo: Lúcifer.

De um canto isolado do Paraíso, Lúcifer permanecia observando Adão e Eva no Éden e, apenas pela expressão em seu rosto, eu soube que, em breve, ele pregaria mais uma de suas peças e que os bonecos de barro seriam as vítimas.

Para a minha nem tão grande surpresa, minhas suposições se confirmaram no dia seguinte.

Disposto a mostrar ao Altíssimo que criar os seres humanos tinha sido um erro, Lúcifer se transfigurou em serpente e foi até o Éden. Lá ele tentou Eva a comer o fruto da Árvore do Conhecimento e compartilhá-lo com Adão.

Os resultados foram desastrosos.

O Altíssimo despertou de seu descanso no sétimo dia e num acesso de fúria, puniu Lúcifer, proibindo-o de sair do Paraíso para o que quer que fosse e baniu Adão e Eva do Éden, condenando-os a viver uma vida de sofrimento e dores, até que retornassem ao pó do qual eram feitos. Ainda para evitar que outra situação como aquela voltasse a acontecer, o Altíssimo retirou o Éden da Terra e o levou para o Paraíso, que foi então dividido em sete céus.

Não tenho certeza se naquela época Lúcifer já era o ser maléfico que é atualmente, mas o fato é que após a punição, ele se ressentiu com Deus e passou a odiar os seres humanos mais do que qualquer coisa.

Apesar de boa parte dos anjos no Paraíso julgar Lúcifer pelo que fizera e o culpar por todas as desgraças que os seres humanos estavam enfrentando no mundo, ainda havia aqueles que, assim como eu, buscavam compreender e perdoar Lúcifer pela grande tolice que fizera e, foi assim que nós dois acabamos nos aproximando e nos tornando grandes amigos.

Quando eu não estava exercendo minhas funções no Exército, sob o comando de Miguel, estava com Lúcifer, observando as atividades dos outros anjos e, algumas vezes, caçoando dos Cupidos que tentavam fazer dois seres humanos briguentos se apaixonarem perdidamente para dar continuidade à espécie.

Durante todo àquele tempo, eu realmente achei que Lúcifer havia esquecido seu ódio pelos humanos e seu ressentimento, mas eu havia me enganado.

Um belo dia ele veio até mim com uma conversa estranha sobre achar que o Altíssimo não estava fazendo seu trabalho direito, trancando-se para seu descanso e largando todos nós como babás de humanos burros, que apenas destruíam toda a criação.

Lúcifer me disse que estava com alguns planos para mudar isso. Planos, estes, que consistiam em tomar o Trono de Deus e se tornar o novo Criador.

Lembro-me de ter rido de sua tolice, pois eu achava simplesmente impossível que alguém pudesse tomar o Trono de Deus, mas Lúcifer me garantiu que estava preparando uma rebelião e que tinha muitos aliados para executar seus planos e que tudo o que ele precisava agora era de alguém de dentro do Exército que pudesse distrair Miguel e lhe dar acesso à Armada Celestial.

Automaticamente me neguei a ajudá-lo e tentei convencê-lo a não fazer mais nenhuma bobagem. Apesar de todas as tolices que havia aprontado, eu tinha Lúcifer como um grande amigo e não queria que se metesse em mais confusões. Conversei com Lúcifer o quanto pude e usei todos os meus argumentos para fazê-lo desistir da ideia de organizar uma rebelião e, por fim, ele concordou.

Acho que eu deveria ter imaginado que Lúcifer nunca se deixaria convencer tão facilmente, mas me senti tão satisfeito por ele ter concordado em desistir daquela loucura que não imaginei que ele poderia mentir para mim, por isso, nem me dei ao trabalho de alertar Miguel sobre os planos de Lúcifer.

No dia seguinte, todo o Paraíso foi surpreendido pela guerra. Lúcifer não estava brincando quando disse que possuía muitos aliados e, em meio ao Caos, Miguel ordenou que todo o Exército deixasse a Armada e partisse para a batalha. O próprio Miguel partiu para tentar encontrar Lúcifer, mas eu permaneci onde estava.

Eu me lembrava que, no dia anterior, Lúcifer havia me pedido para lhe dar acesso à Armada Celestial e imaginei que assim que Miguel e o Exército a deixassem, era para lá que ele iria se dirigir. Eu devia ter dito isto à Miguel, mas estupidamente ainda não havia perdido a esperança de conseguir fazer com que Lúcifer desistisse da rebelião, por isso, decidi que queria encontrá-lo sozinho.

Foi a decisão mais estúpida que tomei em toda a minha existência.

Lúcifer não apenas não me deu ouvidos, como ainda por cima não tive coragem de feri-lo no breve confronto que tivemos. Então, sem ninguém para impedi-lo, ele invadiu a sala de Miguel e de lá se lançou em direção ao Éden.

Naquela época nenhum de nós sabia do poder divino que havia no oceano do sexto céu e essa foi a nossa sorte. Assim que sentiu a presença de Lúcifer, Miguel voltou à Armada e o perseguiu pelo oceano até conseguir capturá-lo.

A rebelião foi contida um pouco depois, quando os integrantes do Exército finalmente conseguiram conter os aliados de Lúcifer.

Ainda em seu descanso, o Altíssimo deu permissão a Miguel para banir os anjos rebeldes e condená-los ao Inferno e, então, me chamou para prestar explicações sobre minha conduta. Ele concluiu que eu havia sido apenas ludibriado por Lúcifer e que meu único pecado tinha sido acreditar que, de alguma forma, ainda havia alguma bondade nele. Contudo, como Miguel era o meu superior, o Altíssimo deu a ele o poder de escolher qual seria a minha punição.

Miguel, por sua vez, decidiu que eu não deveria ser lançado ao Inferno como Lúcifer e o restante dos anjos traidores, mas que eu também não deveria continuar no Exército depois de todas as minhas transgressões, que quase colocaram em risco o Paraíso e as demais criações do Altíssimo. Então, após pensar em uma punição adequada, Miguel concluiu que eu deveria perder o meu posto dentre os Cinco Capitães e me tornar um Ceifeiro, para que toda vez que eu tivesse que enfrentar a morte de um humano e tivesse que sentir o sofrimento deles, eu me lembrasse do porque estava naquela situação.

E, assim, os meus dias como Anjo da Morte começaram.

***

– Retirá-lo do Exército foi a decisão mais difícil que já tomei, Azrael. – Miguel disse retirando-me de meus devaneios – Não o fiz por maldade, nem porque queria que sofresse. Eu o fiz porque queria que aprendesse e, pelo que vejo, você aprendeu. Diferente do que fez antes, hoje você veio até mim para me alertar sobre Lúcifer.

– Sim. Eu vim. – assenti.

– Não sabe como isso me alegra, Azrael. – Miguel colocou as mãos sobre os meus ombros e me olhou nos olhos novamente – Eu esperei milhares de anos anos para ver você se redimir pelos seus erros do passado e, finalmente, aqui está você, tomando a decisão certa. Finalmente voltando para nós e para o seu lugar de direito.

Franzi a testa, confuso. As palavras de Miguel não faziam nenhum sentido para mim. O que ele queria dizer com “voltando para o meu lugar de direito”?

– Eu não entendi. – disse afastando-me dele – Do que está falando, Miguel?

– Todo esse tempo eu apenas esperei que você tomasse a atitude que acabou de tomar, Azrael. Essa era a única coisa de que eu precisava para voltar atrás na punição que lhe dei. – ele explicou calmamente – Não precisa mais sofrer como um Ceifeiro. Não precisa voltar e enfrentar diariamente as calamidades da Terra. Vou torná-lo novamente um de meus Cinco Capitães. A partir de agora você voltará a fazer parte do Exército.

Notas finais
Bem, é isso. Você já tinha conhecido a história da Loren e agora era hora de conhecer a história do Bryan, né? Espero que tenham gostado de saber como toda essa "treta" dele com o Lúcifer começou e como Bryan se tornou um Ceifeiro, entre outras coisas. Antes de terminar, gostaria de lembrá-lo novamente que esse fim de semana estarei fazendo a revisão nos capítulos anteriores. Então, se receberem notificações, já esteja cientes do motivo. Obrigada a todos que, mesmo com minha enrolação para atualizar, continuando acompanhando a fanfic o/ Beijos e até o próximo capítulo, que se tudo der certo, saíra na quarta ou quinta-feira da semana que vem (ou talvez na sexta-feira de madrugada, como hoje kkk). Até lá!