Kill Stalker
1 Capítulo 1
- Seja obediente, Bunny. — O guarda seboso jogou as algemas sobre meus pulsos e com um estalo elas fecharam, prendendo minha pele fina que fora cortada de imediato. A dor não incomodava de fato, mas o sorriso repugnante do guarda gordo era de tirar do sério. Levantei o dedo do meio e com um sorriso irônico sussurrei “vá para o inferno” o guarda chutou minhas costas, me desequilibrei e cai de bruços no chão, com a porta batendo em minha cabeça. Ouvi alguém dizer “o ajude” e vieram correndo como se eu não conseguisse me levantar sozinho.
Uma mulher com cabelos loiros assanhados, maquiagem exagerada, veio correndo e me puxou pelo braço, me jogou em uma cadeira de plástico, que completava a roda de cadeiras. Observei o grupo de delinqüentes, não eram nada de especial, mas estavam ali por alguma razão.
Eram seis pessoas no total. Uma menina e garoto que não pareciam ter mais de quatorze anos, de pele escura e cabeças raspadas, com roupas esfarrapadas e hematomas por todo rosto, eram bastante parecidos, poderiam ser irmãos, supus.
Uma garota que parecia uma universitária, cabelos loiros curtos e olhos azuis, cobertos por um óculos redondo. Como todos os outros, tinha hematomas e sua boca estava sangrando e manchando sua blusa branca que já estava molhada e sensualmente grudada no busto e seios. Sorri comigo mesmo, a companhia seria agradável, ao menos desta vez.
Uma garota de cabelos pretos brilhantes e longos, com uma blusa do Green Day e orelhas furadas. Estava algemada na cadeira, com uma cara carrancuda encarava o chão e tentava soltar-se das algemas, estava manejando um grampo de cabelo na fechadura. Poderia sentir minhas bochechas se movendo novamente com o sorriso que dei.
Outro garoto estava desmaiado, tinha a cabeça raspada e usava trajes militares. Não consegui ver seu rosto, pois estava deitado de um jeito estranho na cadeira.
E por ultimo, eu, cabelos castanhos, olhos negros e com olheiras enormes, corpo magricelo, mas possuía demasiada força. Minha mãe era uma presidiária, e eu havia nascido dentro do presídio, pouco depois do meu nascimento, ela foi solta e pude crescer fora do inferno que era a cadeia, para finalmente poder ir para um lugar muito pior, a escola militar. Mesmo com todo o treinamento, não havia conseguido músculos. Era decepcionante.
- O que você ta olhando? Palhaço pare de sorrir. — disse a menina de cabelos negros, rosnando para mim. Enfiei os dedos nas laterais da boca e joguei minha língua pra fora. A menina recuou na cadeira e fingiu estar contemplando uma espécie nova de retardado.
- Não precisamos brigar! Sou a diretora Emily, vou estar aqui para ajudar vocês, agora vou lhes dizer seus colegas de quarto — Pegou uma prancheta em cima do balcão de madeira e começou a ler. – Isabel e Jackson – a garota loira se levantou enquanto um ajudante veio levantar o menino com roupa militar.
- Irmãos Travel podem ir — a menina e o garoto de pele morena se levantaram e foram acompanhados pelos seguranças. — Magda e Bunny, a senhorita Magda já está abrindo as próprias algemas, pode achar o quarto sozinha, não é mesmo? – a garota de cabelos pretos, jogou as algemas no chão e se levantou, xingando e andando lentamente, até desaparecer por completo. Levantei e estendi os braços para Emily, que se negou a abrir as algemas. – Querido Bunny, tenho que lhe explicar algumas coisinhas – falou, com um sorriso amarelo.
Sentei novamente na cadeira, ela ia começar a falar e falar por muito tempo.
— Sei de todo seu histórico, mas olhe só, você era tão insignificante que nem tinha um! Tivemos de criar um novo, e digamos que ele é bem surpreendente. Filho de presidiária, e tem como nome um apelido barato de prostituta, passou a infância numa escola militar medíocre até que conseguiu fugir, prestou serviços a uma organização criminosa, era um bom hacker além de cooperar em vários assassinatos, e o peixinho ainda caiu na rede! Não vai conseguir escapar desta vez. Está preso por infringir varias leis, mas não pode ter a prisão revelada em publico, como todos os outros delinqüentes, não, são mais que simples delinqüentes os que estavam aqui. Este é um centro secreto para presidiários menores de idade, vamos lhes dar a ótima oportunidade de escolher seu futuro, ou é submetido a doses de eutanásia ou passa o resto da vida preso. A aula acabou. — a mulher estava com um tom de voz sério, pegou umas chaves e jogou em minhas mãos, não tinha idéia de como, mas tinha que abrir as algemas.
O único corredor livre era o que dava para o andar subterrâneo, a porta pela qual eu entrara era de ferro e estava trancada, e não duvidava nada que aquela mulher assustadora me mataria na hora caso tentasse fugir. Caminhei lenta e continuamente pelo corredor sem janelas, cada passo era um barulho que logo seria abafado pelas paredes de concreto. Havia alguns homens parados ao lado de cada porta, eu perguntei a algum deles qual porta eu deveria entrar, ambos me responderam: a ultima porta do corredor. E quando cheguei ao fim do corredor, ali estava uma portinhola menor que as demais, enferrujada. Entrei com certa dificuldade, mas consegui.
O quarto tinha um beliche de madeira, uma mesa com duas cadeiras, uma portinha para o único banheiro, e um pacote em cima de cada cama, provavelmente roupas. A menina Magda ainda não havia chego. Joguei os tênis no canto e me deitei na cama. As vagas lembranças ainda não se dissipavam, não tinha idéia de como haviam me capturado, mas estava muito cansado para conseguir pensar.
A formicação que senti na bochecha comprovava que a menina Magda havia me dado um tapa. Ela estava parada na minha frente com a mão avermelhada estendida, como se fosse me dar outro tapa.
- Acorde, babaca, sei como fugir daqui.
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