Kidding with love.

1 Capítulo 1 - O inicio do jogo.


Eu observei ao longe aos poucos o fogo que tomava conta daquela casa ser apagado pela chuva, meus olhos estavam levemente embaçados e eu ainda respirava com dificuldade, eu encostei minha cabeça no tronco da arvore, a onde eu havia subido havia alguns bons minutos e esperava tranquilamente pelo momento certo a descer, a folhagem dela me escondia de olhos que poderiam procurar algo por ali, a chuva lavava aos poucos o sangue seco nas minhas roupas e pele, eu não queria me mover, o gelado da chuva era reconfortante.

Há poucas horas eu estava deitada na minha cama...

Meu sono era leve, naquela noite estava com sérios problemas para dormir, já era de madrugada e eu não queria acordar meus pais, eu estava sentada em minha cama observando o escuro quando ouvi um barulho alto em algum canto da casa e em seguida vozes de várias pessoas, sai da cama com calma e caminhei até a porta abrindo levemente ela sem conseguir ver nada, o corredor estava escuro, não sabia se era seguro sair, até que ouvi passos chegando, um vulto alto surgiu no começo do corredor e começou a andar em direção ao meu quarto, eu estava assustada e caminhei para trás me afastando aos poucos.

Pulei de volta pra minha cama e me agarrei a um ursinho de pelúcia que tanto gostava, a porta começou a se abrir levemente, o vulto parado na entrada ainda era um mistério até que ele acendeu a luz e pude ver o seu rosto, era meu tio, ou como eu o chamava pelo menos, ele sorriu para mim caminhando até a onde eu estava me pegando no colo e saindo comigo do quarto, indo até a sala.

Minha garganta doeu com o grito agudo que eu dei ao ver minha mãe e meu pai jogados no chão da sala sangrando, com o meu grito meu “tio” me largou me fazendo bater com força contra o chão, eu gemi com a dor e comecei a sentir as lágrimas tomarem conta dos meus olhos, eu chorei enquanto uma mistura de sons começava a me confundir, eu ouvia a voz da minha mãe ela gritava pedindo por suplica, enquanto ao mesmo tempo amaldiçoava a todos, meu pai tentava se soltar dos homens que o segurava, mas era em vão, eu estava paralisada no chão, meus olhos estavam turvo eu não conseguia ver.

Aos poucos eu senti o cheiro de sangue ficar mais forte, enquanto os gritos iam diminuindo e as risadas dos homens aumentando, eu tentei me levantar em vão, não tinha forças apenas senti alguém me pegar pelos cabelos e me jogar em meio a uma poça com dois corpos a minha volta, eu entendi o que era aquilo, naquele momento toda minha força foi sugada e eu morri.

Eu senti um calor insuportável e o cheiro de carne queimando, comecei a tossir procurando por forças para levantar, eu não sentia dor, mas também não sentia vontade de sair dali o que me fazia levantar era apenas o meu instinto, peguei meu ursinho e o apertei contra meu peito e corri, corri sem olhar para trás e nem para os lados, eu apenas segui em diante, procurando me proteger o máximo que podia, lá fora o dia estava escuro, uma tempestade havia chegado e a chuva ameaçava a cair, eu continuei correndo até chegar em uma arvore, lá eu deixei meu ursinho caído ao chão e comecei a subir, eu precisava me esconder.

“Quando o sol nascer será tarde demais.”

Em passos lentos uma jovem caminhava pela calçada, seus olhos azuis estavam perdidos no ladrilho daquela calçada, ela não olhava para quem passava perto, sua atenção estava perdida em um mundo que só ela conhecia, seus longos cabelos negros caiam suavemente por seus ombros até a altura de sua cintura, suas mãos estavam dentro dos bolsos de sua jaqueta preta de couro, sua aparência era séria e de poucos amigos.

Em algum momento um trovão cortou o céu a fazendo a olhar para cima, uma chuva se aproximava, provavelmente seria uma tempestade, ela suspirou um pouco erguendo a gola de sua jaqueta e ajeitando a mochila de couro preto que trazia na costa, ela começou a caminhar um pouco mais rápido na esperança de chegar até seu carro antes que a chuva começasse realmente a cair.

Para encurtar o caminho ela entrou em um beco e continuou seguindo rápido, o beco estava tomado por sombras em algumas partes latas de lixos amaçadas mostravam que as pessoas que passavam por ali não eram muito amigáveis, as paredes pichadas traziam mensagens variadas dos frequentadores, alguns apenas moleques que queriam mostrar o quanto conseguiam ser rebeldes e malvados, seus olhos liam algumas de relance rindo com as bobagens escritas enquanto seus pensamentos zombavam em silencio.

Quando ela chegou no final do beco para sair na outra rua um rapaz mais alto que ela veio correndo batendo com força contra ela, com a surpresa ela se desiquilibrou começando a cair, mas antes que seu corpo atingisse o chão a mão do rapaz segurou seu anti braço a puxando para cima e a girando de costa para ele, a apertando contra seu peito ele colocou sua mão na boca da garota para que ela não gritasse fazendo uma leve pressão, a jovem morena tentou de soltar sem sucesso ele era bem mais forte que ela, então ele começou a falar com ela enquanto a morena parava de lutar.

- Por favor, se acalme não quero machucar você. – A voz dele parecia assustada e ele estava ofegante o que demonstrava que ele estava correndo já fazia algum tempo.

Ele esperou por um instante observando ela para ter certeza que ela não faria mais nada a jovem estava quieta, suas mãos estavam ao lado do corpo enquanto sua respiração ficava baixa e controlada, ela esperou que ele a soltasse, mas nada aconteceu o jovem apenas liberou um pouco da pressão em sua boca logo depois tirando a mão dela e segurando seu braço sem a soltar ele voltou a conversar com ela.

- Eu vou soltar você quando eu fizer isso apenas continue andando para bem longe, entendeu? – Ele perguntou enquanto parecia que estava tentando controlar sua respiração também.

- Entendi. – Ela falou baixo.

Ele aos poucos começou a soltar os braços dela dando um passo para atrás, quando suas mãos finalmente não tocavam mais a pele dela a jovem deu um passo a frente respirando fundo e em um movimento rápido ela sacou a arma que estava presa no cós de sua calça em sua cintura e se virou para ele a apontando bem no meio de seus olhos, o rapaz paralisou no lugar erguendo ambas as mãos imediatamente naquele momento ela pode o observar melhor.

A aparência do rapaz era péssima, seus olhos verdes estavam apagados sem traço de vida, sua pele era pálida demais deixando seus lábios levemente roxos, seu corpo alto era magro demais ele usava uma roupa branca como os loucos usam em sanatórios, seus longos cabelos ruivos caiam sobre seus ombros, a jovem perguntou de onde ele estava vindo em sua mente, quem era aquele rapaz?

- Quem é você? – Ela perguntou mantendo a voz baixa só que com um leve tom de ameaça.

- Calma, meu nome é Cooll. – Ele estava concentrado nela sua mente rodava causando náuseas, ele precisava sair logo dali.

- Da onde você esta vindo Cooll? – Ela continuou suas perguntas.

- Por favor, moça eu não tenho tempo, eu preciso sair daqui antes que eles me alcancem. – Ele falou apressado implorando com os olhos que ela o deixasse ir.

- Quem esta atrás de você? – A curiosidade dela ia aumentando.

- Por favor! – Ele implorou dando um passo para frente, naquele momento ela armou a arma o fazendo dar um passo para trás novamente.

- Eu quero saber. – Ela insistiu.

Antes que ele pudesse dizer algo dois homens vestidos de branco entraram no beco, porém eles eram diferente dele, eram fortes com músculos definidos, suas expressões eram de raiva e de cansaço, eles olhavam fixamente os dois enquanto se aproximavam, um era moreno com a cabeça raspada, ele tinha uma tatuagem de tribal que dava a volta em seu braço, ele gritou com eles.

- Hey! Vocês dois, fiquem parados a onde estão!

- Droga... – ela sibilou baixo enquanto o ruivo olhava para os lados desorientado.

Os dois caminhavam rápido na direção deles, ela abaixou a arma ao que parecia eles não tinham notado aquilo ainda, o ruivo estava agitado ao lado dela e de repente um calafrio subiu por sua espinha, ela então passou a agir por extinto apenas, extinto esse que ela adquiriu com anos de assassinatos.

- Fique atrás de mim. – Ela sussurrou ao ruivo que começou a caminhar devagar para trás dela.

Ela tirou a mochila da costa e analisou seus alvos se aproximando, o moreno que havia gritado com eles segurava ao que parecia uma arma de choque com disparo, se ele tentasse usar aquilo seria um problema, o outro homem moreno também e igualmente forte este segurava um pedaço de ferro já enferrujado pelo tempo que provavelmente ele teria pego em algum canto daquele beco, ela colocou a arma no cós de sua calça novamente em sua costa e caminhou para frente, os homens pararam a uns cinco metros de distancia dele a fitando com cuidado.

- É melhor você sair daqui menina, não queremos fazer mal para você, só queremos levar aquele louco de volta. – O moreno careca falou nervoso.

- Que pena, pois eu quero fazer mau para vocês. – Ela sorriu, um sorriso torto com maldade.

O moreno com o ferro na mão correu na direção da garota levantando a mão com firmeza a mirando, ele disferiu um golpe forte em direção a sua cabeça bem calculado e com mira perfeita, aquele golpe sem duvida alguma conseguiria mata-la ou ao menos causar um grande dano a sua saúde, mas antes que ele acertasse sua cabeça a jovem desviou com precisão, um movimento suave e simples que o deixou confuso e com mais raiva ainda, imediatamente ele começou a desferir vários outros golpes contra ele, tentando a atingir de qualquer maneira, a jovem apenas se esquivava com graça como se estivesse dançando em meio a isso ela percebeu que o outro havia começado ir em direção ao ruivo rapidamente ela se colocou atrás do homem que ainda não havia desistido de acertar ela com um golpe, atrás dele ela golpeou a parte de trás do joelho o fazendo cair com a queda ela pegou o pedaço do ferro e jogou contra a cabeça do outro que distraído não notou, desnorteado com a pancada ele se encostou a parede levando ambas as mãos há cabeça deixando a arma de choque cair.

Ela correu até ele pegando a arma do chão e a disparando contra sua cabeça o homem começou a tremer loucamente e caiu ainda com o corpo tendo espasmos devido a corrente elétrica o percorrendo, o outro se levantou olhando incrédulo para aquela cena ele a fitou por um instante e então se virou para fugir, mas antes que ele chegasse até a próxima esquina a morena sacou a arma de sua costa e disparou acertando bem no meio da cabeça dele que imediatamente caiu sem vida, sorrindo de lado novamente ela se voltou para o ruivo paralisado no lugar apavorado com tudo aquilo.

- Agora é sua vez. – Ela disse mirando a arma para o rapaz.

- Por favor, me deixe ir, por favor... – Sua voz era um sussurro fraco e sem vida.

- Não mesmo, ao que parece você é um fugitivo do hospício que fica ao norte da cidade, você é minha chave de entrada para aquele lugar. – A voz dela era divertida.

- O que você quer naquele lugar? Não existe nada de bom lá... – Ele insistiu ainda querendo sair logo dali, daquele pesadelo.

- Existem coisas naquele lugar que podem me ajudar muito na minha procura. – A animação começava a sumir aos poucos de sua voz assim como sua expressão começava a ficar séria.

- Por favor, moça já faz anos que eu tento fugir e eu não quero voltar para lá. – Ele implorou mais uma vez.

- Você não esta entendendo, se você se negar a me ajudar nesse momento eu mato você como fiz com esses homens, porém faço questão que a sua morta seja lenta e dolorosa. – Ao dizer aquilo mais uma vez ela sentiu um arrepio gélido subir por sua espinha o que a incomodou um pouco.

O jovem não disse nada por longos minutos ao que parecia ele estava em um conflito interno com alguma coisa, algumas vezes parecia que ele cochichava com o nada, a jovem o observava curiosa e alerta ao mesmo tempo caso ele tentasse atacar ou qualquer outra coisa do tipo ela não hesitaria em atirar contra ele, depois de um tempo ele olhou fixamente para ela e voltou a falar.

- Bem e o que pretende fazer agora? – Sua voz estava mais calma, só que de poucos amigos.

- Vamos para minha casa e conversaremos melhor sobre os detalhes, até lá sem gracinhas.

A jovem pegou sua mochila colocando a arma enroscada em sua cintura e saindo andando ao lado do jovem, ela não tocou nele pelo contrario manteve uma distancia considerável e caminhou mais devagar, quando chegaram ao seu carro ela abriu a porta para ele que logo se acomodou lá dentro ela logo entrou também e deu partida no carro saindo em direção ao lado oeste da cidade.

Notas finais
Obrigada a quem ler, em breve o segundo capitulo :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.