Kibo no Tsubasa: o último voo do Pégaso
1 Nova Ameaça: A Fúria Divina
Notas iniciais
GRÉCIA, Santuário de Atena:
–Onde eu estou?
Pergutou um Seiya desorientado, acordando do lado de uma Saori Kido feliz e sorridente. Ele não entedia o motivo de tanta felicidade. É verdade que eles haviam acabado com os planos malignos de Hades e que os cinco santos de bronze haviam sido salvos pelo poder de Atena, mas haviam tido muitas perdas. Todos os santos de ouro haviam morrido na Guerra Santa e agora só restavam 12 cavaleiros restantes, duas amazonas de prata e os 10 santos de bronze da Guerra Galáctica. Apesar disso, o radiante sorriso de Saori acalentava a face de Seiya com uma paz inexplicável.
–Saori, eu... Eu não entendo... Por que você está sorrindo tanto? Eu... -contudo, ele foi interrompido pelo abraço forte que Saori lhe dava. Ele podia sentir as lágrimas da moça em seus ombros.
–Seiya, você está bem... Está vivo! Nós conseguimos, nós conseguimos! -a voz embargada de Saori era, para Seiya, tão inexplicável quanto a paz que ela lhe dera com aquele sorriso. Claro que ele estava vivo, tinha sido salvo por ela, não era? "Eu deveria estar morto?", se perguntava o santo de Pégaso. Quando ele estava prestes a fazer essa pergunta, foi surpreendido pelos seus amigos.
–Seiya!!! -gritava Shun, que corria junto aos outros, ansioso para ver o amigo fora da maldição que Hades uma vez o impusera. Ao chegarem próximos, o abraço de Saori foi substituído pelo de Shun e de Shiryu, que não foram para o Pégaso tão agradáveis quanto o de Saori, mas mostrava que se importavam com ele, e que alguma coisa estava muito errado. Esperaria esse afeto de alguém como Shun, mas aberto ao contato, mas alguém sereno como Shiryu não costumava abraçar as pessoas, mesmo as muito queridas, a menos em situações de grande alívio. Hyoga e Ikki observavam de longe, mas ambos não conseguiam esconder o sorriso de que tudo havia corrido bem.
–Gente, calma, me soltem, o que aconteceu? Por que vocês estão tão felizes em me ver? -perguntou Seiya, ainda atônito com a demonstração excessiva de afeto.
–Seiya -falou Saori ainda com a voz embargada- você estava prestes a morrer. Conseguimos te salvar a tempo... -então, Saori voltou a chorar, como se a ideia de perder Seiya fosse o suficiente para deixa-la desestabilizada.
–O que?! Mas Saori, você tinha nos salvado com aquelas bolhas, não foi? -Seiya realmente não entendia o que estava acontecendo. Ele lembrava que havia sido salvo pelo poder de Atena no fim da luta contra Hades, onde Atena mostrou ao deus que o amor humano era capaz de realizar milagres.
–Seiya, durante a luta contra Hades, ele o amaldiçoou com sua espada quando você se jogou na frente da Saori, e nós viajamos no tempo para roubar a espada de Hades. -Explicou Hyoga, que, apesar de sorridente, já estava ficando um pouco impaciente com a lentidão de pensamento do amigo.
–Por isso, você está salvo e não se lembra de nada. Hades nunca atacou a Saori com a espada, então você nunca se jogou na frente dela, e não pode ser amaldiçoado por Hades. -Disse Shiryu, deixando clara a situação de uma vez por todas para Seiya, que pareceu entender finalmente o que tinha acontecido, e porque todos estavam tão felizes, apesar de que ele achava que não merecia tanto esforço.
De repente, Ikki se coloca na frente de Saori, que logo põe um olhar sério, digno de seu título de deusa da guerra. Um pequeno redemoinho se formou no ar a frente do guerreiro de Fênix, que logo se colocou em posição de combate. Nesse meio tempo, os outros já haviam se colocado em posição de combate, menos Seiya, que ainda se encontrava deitado sobre o colo de Saori, processando o que havia acontecido com ele, e a própria moça, apesar de sua postura inconfundível de deidade. Do pequeno redemoinho saiu um homem jovem, magro, de cabelos castanhos e levemente cacheados. Usava um elmo, uma túnica grega de seda, segurava seu caduceu e calçava suas sandálias aladas: lá estava Hermes, o mensageiro dos deuses.
–Atena, deusa da guerra, da sabedoria e da esperança, venho a mando de Zeus, deus dos deuses, para lhe informar que o Olimpo declara guerra a Atena e seus santos por levantarem a mão contra outros deuses e por terem quebrado o tabu de viajar no tempo com o objetivo de mudar o destino de um mortal. Contudo, se Vossa Divindade desistir da Terra e dos humanos e voltar a conviver imediatamente com os deuses, a guerra não ocorrerá. -após falar rapidamente a mensagem em tom solene e cordial, o deus pareceu mais preocupado com a deusa- Sinto muito, minha irmã. Não gostaria de estar no seu lugar. É isso que dá se envolver demais com os humanos.
–Hermes, meu irmão, me perdoe pela recepção hostil -falou Atena, mais relaxada, porém ainda com cautela- por favor, Ikki, Hyoga, Shiryu, Shun, podem ficar calmos, ele veio apenas deixar uma mensagem. -Disse Atena, se dirigindo com paciência e bondade a seus santos.- Hermes, minha decisão é ficar ao lado dos humanos. É no amor deles que eu acredito.
–Fez sua escolha, minha irmã. -Nesse momento, Hermes olhou para Atena com a mais profunda tristeza e, de relance, olhou desgostoso para os santos da deusa. -Nesse caso, o senhor Zeus deu a ti duas opções: iniciar imediatamente a Guerra Santa, com as forças do Olimpo invadindo diretamente seu Santuário ou que haja um período de resguardo entre as guerras contra o senhor Hades e contra o Olimpo de no máximo 3 anos, contanto que Vossa Divindade não use seus poderes para atacar os outros deuses direto ou indiretamente. Apenas os cinco santos que levantaram a mão contra os deuses devem lutar nesse caso. -Falou o deus novamente em um tom solene, porém mostrava claramente sua insatisfação.- Você tem sorte de ser a favorita do nosso pai, Atena. Outro não teria essa segunda opção.
–Mas eu não posso aceitar a segunda opção, já machuquei demais Seiya e os outros...
–Não diga bobagens, Saori. Nós somos os santos de Atena e vamos defendê-la seja quais forem as dificuldades. -falou Seiya, confiante.
–Vamos defender a Terra a qualquer custo, não nos importando com as nossas dores! -disse Hyoga em tom hostil.
–Não importa quantos Deuses, nos desafiem! Nós lutaremos! -continuou Ikki.
–Sempre lutaremos pela paz, pelo amor e pela justiça! -disse Shiryu.
–Pelas vidas na Terra, e por todos que amamos, não podemos hesitar agora. -terminou Shun, olhando para Saori.
Atena, emocionada pela força de vontade de seus santos e não vendo condições para começar uma guerra naquele momento finalmente respondeu:
–Hermes, você ouviu meus santos. Diga a Zeus que eu decidi pela segunda opção. Dessa vez, não irei fugir, serei forte como os meus guerreiros e lutarei pelo que acredito! -nesse momento, Saori falou com uma convicção enorme, que se refletiu em uma onda de cosmo, firme, porém calma.
–Tudo bem, minha irmã, como quiser -Hermes partiu, porém, derramou uma lágrima antes de sumir novamente por um redemoinho.
OLIMPO, Templo de Zeus:
–Senhora Hera, tenho um comunicado para o senhor Zeus -falou Hermes, no mesmo tom formal, em respeito a rainha dos deuses.
–Pode me dizer, Hermes, eu irei comunicar a nosso senhor. -disse Hera, calmamente, sentada em um trono menor, ao lado do de seu marido. — Qual foi a decisão de Atena? -apesar de falar como se não tivesse interesse na resposta, estava mais ansiosa do que jamais esteve.
–Ela escolheu pela segunda opção, senhora. -Hermes respondeu a sua senhora, sendo perceptível a dor profunda e a pena em seu coração.
–Só nos resta esperar então -Hera não queria demonstrar, mas estava prestes a ter um colapso de ira. Tinha certeza que Atena iria para o Olimpo "pelo bem da Terra e da humanidade". Contudo, se conteve e respondeu a Hermes de forma mecânica e impessoal- tudo bem, já pode ir, Hermes. Obrigado pelo serviço.
–Disponha, minha senhora. -e com isso, Hermes se recolheu a seu templo.
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