Khaos
1 Khaos
Notas iniciais
/New York, 15:00 13 de fevereiro./
— Tomada um do vídeo de introdução da banda. – Yller falava em frente ao iPhone de Lucy que estava gravando. — Meu nome é Yller e eu tenho uma banda... – O branquelo , de cabelos pretos compridos e olhos verdes foi interrompido.
— Você tem uma banda? – Todos os outros integrantes gritaram.
— Tá legal, tá legal é a nossa banda. – O mais velho voltou a olhar para o aparelho. – Então... Na minha banda...
— Sua banda? – Yago e Alex interromperam o cabeludo.
— Olha só eu não interrompo o vídeo de vocês valeu? – Yller pigarreou pegando seu chapéu de cowboy marrom escuro para colocar. –Bom, essa é a nossa banda. Temos eu, bonito charmoso, elegante e principal guitarrista... não eu não toco só guitarra, toco qualquer instrumento de corda que você colocar na minha mão. Sim eu sei. – Se gabou diante da câmera. – Sou incrível. Já devem ter notado meu chapéu não é?! É o meu lance, sou um cowboy fora da lei... claro que não fora da lei. – Ele riu antes de prosseguir. –Temos o Yago, meu irmão mais novo, baixista e jogador de Hockey, — Explicou tirando o celular e apontando a câmera para o rapaz de cabelos curtos e olhos também verdes, só que um pouco maior que ele em músculos, eram bem parecidos. – Comecei a chamar ele de fada do dente no ano passado e garanto que vocês imaginam porque... exatamente the Rock o melhor fada do dente. – Virou a câmera para uma garota ruiva de olhos verdes, que estava ao lado de um rapaz com cabelos castanho escuros. – Aqueles dois são os potes de realeza da banda ou como eu gosto de chamar os ricaços, sinceramente não sei porque eles andam com a gente, espero que seja porque gostam de nós. Quem eles são? O carinha é o Alex, tá na turma do meu irmão e é o melhor tecladista que a gente poderia ter, ele é excepcional e fodão... melhorou depois de conhecer a gente. A garota ruiva, sonho de qualquer jogador de futebol americano é a Lucy ou Luciana pra quando alguém está bravo ou algo do tipo, ela é nossa baterista e uma das responsáveis por eu não poder chamar essa banda de minha...
— Porque não é sua. – Lucy frisou olhando para a câmera.
— Eu sei. – Yller reclamou. – Aquela ali... – Apontou a câmera para uma garota negra de cabelos ondulados maravilhosos. – É a Kyra. Ela é nossa segunda guitarrista e um dos vocais principais. – Yller bateu palminhas. – E ela jura que um dia vai pilotar minha moto. – Essa beldade tomando milkshake, em cima da aparelhagem! – Yller berrou para a garota de cabelos castanhos claros e olhos castanhos, para tirar o milk shake dali. – É a Mariana, para os íntimos como nós, Jupi que vem de Júpiter. Ela é o ícone do nosso grupo tocando nada mais nada menos que um saxofone. – Jupi deu jóia para a câmera. –Só falta uma pessoa que está atrasada e... – antes de terminar sua frase a porta da garagem se abriu revelando Roberta uma garota baixinha de cabelos castanhos que estavam presos em coque frouxo, que foi recebida com uma gritaria de “Até que enfim...achei que tinha se perdido, finalmente, vamos começar o ensaio.” – Esse ser atrasado. – Yller abraçou Roberta com um dos braços. – É nossa querida vocalista principal, Roberta. Fala oi e completa com “estou atrasada”.
— Oi, estou atrasada. – Roberta riu ao pronunciar a frase programada do amigo.
— Essa é a minha banda...
— Nossa banda! – O pessoal gritou de novo.
— Tá legal, vocês precisam parar de interromper. – Yller finalmente desligou a câmera. –Vamos ensaiar?
— Por favor. – Yago pediu pegando seu baixo. – Antes que você decida gravar outro vídeo.
— Perfeito. – Alex começou a fazer uma melodia no teclado. – Vamos começar com essa?
— Cara. – Lucy começou a tocar sua bateria no mesmo instante. –Another one bites the dust em plena três da tarde.
— Captei a ideia. –Roberta largou a mochila no chão correndo até o microfone.
— Então vamos nessa! – Yller pegou a guitarra dando um salto para o lado de Kyra.
— Rock’n’roll baby. – Yago riu de sua própria imitação.
— Só se a gente tocar we built this city depois. –Jupi pegou seu sax.
— Apoiado. – Kyra falou pegando sua guitarra finalmente começando a música.
/New york, 17:00, 13 de fevereiro./
A banda encerrou o ensaio e se jogaram no pequeno sofá que se encontrava na garagem da casa de Kyra.
— A gente mandou muito bem hoje. – Yller comemorou sentado no braço do sofá.
— Estava bem harmonioso mesmo. – Alex concordou sentado no colo de Lucy. –Algum show? – Perguntou para Yago que estava sentado em uma das caixas de som.
— Ele me disse que tinha um no centro de juventude do Erny. – Jupi cortou recebendo um olhar fulminante do rapaz tatuado. – Desculpa.
— Isso aí. – Yago se pronunciou. – Como ela disse, descolei um no Erny.
— De novo? – Lucy revirou os olhos. – Eu adoro aquele lugar e sempre lota, mas não tá na hora de tentarmos algo maior?
— Concordo com ela. – Roberta admitiu em favor da amiga. – E se a gente fizesse um show na área dos esnobes, sei lá tipo naquele bar... o Bourbon.
— É uma ideia ambiciosa. – Kyra falou se levantando. – Alguém conhece o dono?
— Ele joga golf com meu pai no clube de campo. –Lucy revelou atraindo a atenção de todos. – Posso ver o que consigo fazer...
— Então é isso. – Yller se levantou caminhando até Yago e pousando uma mão em seu ombro. – Yago... você vai ter que mamar o velho.
— Vai se foder. – Yago deu um soco no braço de Yller antes dos outros começarem a rir. – Mas falando sério... acha que consegue conversar com ele?
— Posso usar meu charme feminino para conseguir. – Lucy deu dois tapinhas no braço de Alex para que ele se levantasse liberando sua saída. – Mas por hora só preciso ir pra casa antes que meu pai tenha um chilique.
— É, preciso ir também. – Alex se levantou. – Alguém mais precisa de carona? – Perguntou levantando as chaves do carro.
— Eu. – Roberta se posicionou ao lado do moreno.
— Última chegar e primeira a ir embora. – Yago revirou os olhos em brincadeira. – E na sexta-feira temos ensaio de novo, por precaução passo buscar a Roberta para ela não atrasar.
— Certo. – Yller tirou o chapéu. – Vamos indo também.
A banda se despediu e cada um foi para suas respectivas casas. Lucy, Alex e Roberta no mesmo carro,um volvo c30 prata que Alex havia ganho de sua mãe. Kyra já estava em casa e Jupi ia na garupa da moto de um dos irmãos, Yller tinha uma Shadow seiscentas cilindradas e Yago uma Honda cbr seiscentas cilindradas ambas pretas, o caroneiro da vez foi o tatuado.
Alex dirigiu tranquilo deixando Roberta em sua casa e em seguida se dirigindo até a região mais nobre daquela região da cidade que nunca dorme. As casas eram grandes, os quintais eram lindos, os carros eram perfeitos e as pessoas as vezes educadas. Parou o carro em frente à casa de fachada moderna de Lucy com janelas grandes e paredes com cores neutras como preto, cinza e branco.
— Seu pai já tá esperando. – Alex apontou para o senhor de cabelos acobreados que estava na porta da casa com um olhar nada convidativo. – Boa sorte.
— Relaxa, sua mãe vai estar pior do que ele...
— Vish ele tem companhia. – Apontou para a casa novamente mostrando o namorado de Lucy, Jhonny ou como a banda costumava chamar Jhonny Molar... sim foi o dente dele que Yago arrancou, mas já implantaram um de porcelana. – Quer suporte ou apoio moral? – Alex provocou.
— Eu me viro. – A ruiva suspirou descendo do carro. – Até amanhã.
Alex respondeu com um maneio de cabeça antes de sair com o carro. Lucy caminhou até o pai e o namorado.
— Nenhum boa noite? – Provocou. – Então eu digo... boa noite mal educados.
— Luciana aonde você estava? – O pai perguntou impaciente.
— Com a banda. – Respondeu com indiferença, sabia que o pai não gostava, mas ele não a podia impedir. – E eu preciso de um banho. – Encerrou o assunto passando pelo pai e pegando o namorado pelo punho parao levar para dentro. – Veio me dar sermão também?
— O que você acha? – O loiro respondeu ríspido. –Sabe que não gosto daqueles caras.
— Não gosta porque quis dar uma de fodão e perdeu um dente. – Lucy o lembrou do acontecimento. – Eles são legais e você só não conhece eles.
— Eles não são companhia pra você.
— Olha se veio aqui me dizer com quem andar pode ir embora, mas se veio aqui para ficar um tempo comigo, é muito bem vindo. – Lucy não gostava que dissessem o que fazer ou com quem andar e não tinha problema em deixar isso claro.
— Okay. – Jhonny se deu por vencido.
— Então me espera aqui que eu vou tomar banho e me arrumar.
/Casa do Alex, 18:00, 13 de fevereiro./
Alex colocou o carro na garagem e subiu as escadas o mais silenciosamente possível para não chamar a atenção da mãe que estava na sala de estar, porém, todo seu esforço foi em vão quando seu beagle Boozer começou a latir para ele.
— Boa noite filho. – A mãe cumprimentou amena.
— Boa noite. – Respondeu educadamente olhando para Boozer com um olhar de “Você me entregou menino mal.” –Tudo bem?
— Se me disser aonde estava estaremos bem. – Propôs sem sair do sofá.
— Eu estava com a banda. – Confirmou as suspeitas da madame.
— Ainda andando com eles?
— Sim, somos uma banda e não vou sair só porque você quer. – Rebateu com aspereza. – Eles são boas pessoas mãe.
— Então por que ainda não os conheci? – A mais velha perguntou se levantando para olhar para o filho pelo conceito aberto da cozinha.
— Quer conhecer eles? – Perguntou recebendo um maneio positivo de cabeça. – Tá falando sério?
— Sim, já que eles não são pessoas ruins. – Deu de ombros. – Quando podemos marcar?
— Vou avisar eles e te aviso... – Alex estava assustado com aonde esse jantar poderia chegar, apesar de que, eles não aceitariam... ou aceitariam? A dúvida permeou a cabeça do rapaz até a hora em que ele adormecera naquele dia.
/Colégio Midtown, 08:00, 14 de fevereiro./
Alex estava sentado na cadeira esperando a chegada do professor enquanto Yago estava a sua frente sentado na mesa.
— Então sua mãe quer conhecer a banda? – Alex fez um positivo com o polegar. – A galera toda?
— Sim, eu disse que iria confirmar com vocês. – Explicou apontando para a porta.
— Eu e o Yller estamos dentro. – Yago confirmou por si e pelo irmão. –A gente não precisa ir de terno né?
— Não. – Alex respondeu apontando para a porta de novo. – Só não ir com roupas rasgadas.
— Sim senhor, vou ir com um colete daora que comprei acho que...
— Cara presta atenção. – Interrompeu o amigo. – Eu apontei duas vezes, o professor está na porta e você tá sentado na mesa dele.
— Deu ruim. – Yago falou antes de proferir alguns palavrões inaudíveis antes de se virar para encarar o professor. – Guardei seu lugar...
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Caminhando pelos corredores monótonos cheio de armários azuis e sem graça, como Kyra gostava de chamar, a garota caminhava acompanhada de todos os membros exceto Lucy, estava na hora do intervalo.
— Aonde a gente tá indo? O refeitório é pra lá. – Reclamou Jupi apontando para o lado oposto.
— Estamos indo buscar a Lucy. – Yller respondeu. – Temos que almoçar juntos para decidir o que vestir no jantar na casa da Mãe do Alex.
— Que jantar? – Kyra e Roberta perguntaram em uníssono.
— Minha mãe convidou a banda pra jantar em casa na sexta. – Alex contou tomando a frente da fileira. – Vamos comer branzino.
— Que que é isso? – Yago perguntou confuso.
— É um peixe gostoso... acho que vão gostar. – Alex estava entusiasmado. – Ela vai gostar de vocês e... Lucy oi. — O moreno se interrompeu ao ver a ruiva com o namorado. – Jantar em casa sexta-feira, a banda foi convidada.
— Estarei lá. – A ruiva confirmou sorrindo, mas teve sua atenção tomado por Jhonny que coçou a garganta. – Posso levar o Johnny?
— Acho melhor não. – Yago não deixou Alex responder. – Vai mastigar pra ele?. – A banda toda riu, inclusive Lucy que ao ver a irritação do namorado cessou seus risos. – Brincadeira, brincadeira.
— Se ele se comportar. – Alex afrontou o loiro. – Não vejo porque não.
— Ótimo. – Yller tomou a palavra. – Agora temos uma reunião de banda. – Revelou puxando Lucy para junto do grupo. – Vamos roubar ela por um tempo, mas te devolvemos depois do intervalo.
— Ei eu... – Jhonny tentou expressar uma frase mas foi interrompido por Roberta.
— Valeu pelo serviço de delivery garotão. – A cacheada tomou Lucy pela mão a puxando pelo corredor.
Eram mais do que amigos, mais do que irmãos, mais do que apenas uma banda, eram uma família e ninguém no mundo poderia separá-los e ninguém iria.
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