Khaos
3 From The Dining Table
Notas iniciais
/Casa do Alex, 15 de fevereiro, 18:00/
Jupi encarou a casa analisando cada ponto. O piso de porcelanato branco com manchas acinzentados, o lustre magnífico prata que ficava pendurado sobre a sala de pé direito alto, os sofás de couro, a televisão de cinquenta e duas polegadas, PlayStation 5. Alex tinha a casa dos sonhos de qualquer adolescente de filme romântico.
— Casão. – Jupi deu uma leve cotovelada em Alex. – E de muito bom gosto.
— Só não deixa minha mãe saber. – O rapaz sorriu. – Senão ela vai te entreter com duas horas de explicação do entalhe de cavalo nos corrimãos da escada.
— Anotado. – Roberta brincou.
— Boa noite crianças. – A mãe de Alex surgiu na entrada da cozinha. – Muito prazer, sou Judith ou popularmente conhecida como mãe do Alex. – A mais velha brincou caminhando até o grupo. – E vocês são a banda.
— Sim. – Yller tomou a frente tirando seu chapéu. – Eu sou Yller, aquele é meu irmão Yago. – Apontou para o irmão que fez um sinal de paz e amor.
— Eu sou a Jupi. – Se apresentou estendendo a mão.
— Roberta. – A cacheada levantou a mão apontando para Kyra. – Kyra. –Apresentou a amiga que sorriu para Judith.
— Eu já te conheço. – Lucy sorriu. – E esse é meu namorado Jhonny. Ele não é da banda. – Yago conteve um riso. – Se comporta jogador.
— Sim senhora. – O mais alto engoliu em seco. – Foi mal pelo senhora...
— Se quiserem vir comigo. – Alex chamou a atenção para si. – A gente pode esperar na sala de jantar. – O pessoal concordou em silêncio. – Então vamos.
Os amigos caminharam atrás de Alex até uma sala onde havia uma mesa de oito lugares com os pés de madeira maciça e um vidro muito grosso sobre eles, as cadeiras eram envernizadas em um tom escuro para contrastar o tom de gelo que as paredes tinham e outro lustre prateado enfeitava o meio do local.
— Enquanto o jantar não fica pronto podemos decidir a seleção de músicas para o show no clube de campo. – Alex sugeriu se sentando.
— Apoio. – Yller pendurou seu chapéu no encosto da cadeira.
— Por que tirou o chapéu? – Kyra perguntou confusa.
— Não se usa chapéu dentro de casa. Qualquer imbecil sabe disso. –O mais velho respondeu como se fosse óbvio.
— Claro, esqueci que você é do Texas. – Kyra revirou os olhos.
— Somos do Canadá. – Yago pontuou, adorava sua terra natal, diferente de Yller que preferia mil vezes sua moradia habitual.
— Eu sei retardado. – Kyra rebateu rindo. – Aonde estávamos, música isso. Eu sugiro que a Lucy abra o show já que ela conseguiu...
— Não. – Yller ficou de pé. – Eu deveria começar com a minha música Wanted dead or alive. – O cabeludo colocou o pé direito na cadeira.
— Não pisa na cadeira. – Alex choramingou.
— Desculpa. – Tirou o pé. – Mas imagina só se...
— Não. – A banda toda negou em uníssono.
— Lucy vai abrir então. – Yller se rendeu facilmente. – Mas quero tocar minha música, melhorei os tempos e os solos de guitarra.
— Tá bom a gente encaixa. – Lucy concordou. – Mas vou pensar em algo, vai ser ótimo.
— Okay. – Yago tomou a palavra. – Podemos tocar American idiot do Green Day.
— Claro que você quer xingar os Estados Unidos. – Jupi repreendeu o moreno. – Vai ser essa a música se quiser que joguem merda em você.
— Acho que alguma música do Ed Sheeran pode dar um gás legal. – Kyra opinou. – Não tem quem não goste.
— O que eu vou falar agora não tem nada haver, mas alguém está anotando isso? – Alex perguntou fazendo todos se entreolharem vendo que um total de zero pessoas estava anotando. – Claro que não.
A conversa se seguiu por algum minutos até a empregada começar a colocar pratos e talheres na mesa. Apenas segundos para o nervosismo de todos aumentar, tirando Lucy e Jhonny o resto estava nervoso. O peixe foi colocado em seus pratos acompanhado de batatas salteadas com um pequeno ramo de alecrim que enfeitava o prato.
— Okay isso é esquisito. – Yago cochichou para Roberta que encarava o peixe no prato.
— Cala boca e come. – Roberta cochichou de volta.
— Então. – Judith quebrou o gelo enquanto tomava uma taça de vinho. – Como se conheceram?
— Essa vai ser boa. – Kyra segurou o riso.
— Bom. – Yago falou com a boca cheia de batatas. – Eu estava...
— Cara engole primeiro. – Alex sugeriu tocando o ombro do amigo que respondeu com um maneio de cabeça engolindo a comida. – Pode continuar.
— Eu ia repetir de ano. –Todos começaram a rir. – Qual a graça?
— Como conseguiu tirar dois em educação física? Você é atleta. – Jupi riu em meio a frase.
— Pode acontecer com qualquer um okay? E não era só por educação física. – Yago voltou o olhar para a mãe de Alex. – Eu ia repetir de ano e iam me tirar do time de hockey... então o diretor me deu o Alex.
— Deu? – Judith perguntou confusa.
— Sim, ele foi meu professor particular, me ajudou a passar de ano, aí eu descobri que ele tocava piano e teclado, então chamei ele pra nossa banda.– Yago sorriu. – Ai o Yller conheceu a Lucy depois de fugir do time de hockey.
— Por que fugiu do time de hockey? – A mais velha perguntou curiosa.
— Colei a máscara do goleiro no rosto dele. – Yller falou fazendo todos rirem, menos Alex e Jhonny. – Foi demais.
— Claro que foi. – Lucy revirou os olhos. – Ele correu pra se esconder no carro da auto escola que eu estava, ficou no banco de trás durante todo o percurso.
— Ela dirige mal hein. – Yller provocou .
— Eu dirigi o carro do Alex essa semana e fui super bem. – Lucy olhou para Alex com cumplicidade.
— Dirigiu? – Jhonny perguntou recebendo um aceno de cabeça de Lucy. – Poderia ter me pedido, eu ajudava você.
— Sem D.R na mesa por favor. – Kyra pediu contendo um riso.
— Vocês são bem falantes não é? – Judith comentou olhando ao redor da mesa vendo os dois irmãos com dificuldades para comer o peixe servido.
— Yller. – Yago cochichou.
— Que? – O irmão perguntou.
— Parece que esse peixe tá olhando pra mim. –Yller conteve a vontade de rir olhando para o prato do mais novo.
— Resolvo pra você. – Em um movimento brusco Yller enfiou a faca no olho do peixe assustando a todos. – Agora ele não está mais olhando pra você.
— Obrigado? – Yago ficou confuso olhando Alex colocar a mão direita sobre o rosto em desaprovação.
— Vai ser um longa noite. – Alex comentou voltando a comer.
O jantar se seguiu tranquilo aonde a banda impressionou Judith com sua rápida capacidade de mudar de assunto gerando risos e olhares desconfortáveis no caso de Alex. A sobremesa era tiramisù, não passariam tanta vergonha, porque era mais simples.
— Então crianças, o que planejam para o futuro? –A mãe de Alex perguntou curiosa.
— Ter uma banda de sucesso e estourar nas multidões. – Roberta respondeu gesticulando com as mãos em frente à seu rosto.
— Esse é o sonho de todos vocês? – Perguntou recebendo positivos com os polegares. – E se não der certo?
— Vou jogar hockey profissionalmente. – Yago respondeu.
— Alex também teve sua fase atleta...
— Mãe por favor. – Alex pediu ruborizando.
— Ele jogava tênis, ainda joga, mas apenas por hobby. – Judith comentou inocente vendo toda a banda menos Lucy encarar Alex com sorrisos travessos.
— Então... tênis é? –Jupi provocou.
— Você usa aquele shortinho colado ? –Kyra pilhou.
— Mesmo descalço você ainda é um jogador de tênis? – Yller fez todos rirem inclusive Judith. – Senhora mãe do Alex foi mal, mas essa não podíamos deixar passar. Não é todo dia que se descobre que um amigo joga tênis.
Alex fulminava os membros com o olhar, mas sabia que estavam sendo discretos, principalmente Yago e Roberta que tinham comentários bem pesados sendo guardados.
— Você também faz esportes Jhonny. Estou certa? – A mais velha mudou de assunto.
— Sim. – O loiro respondeu finalmente falando alguma coisa a noite toda. – Jogo hockey. – Yago continha um riso que foi percebido pelo loiro. – Disse algo engraçado?
— Jamais... – Yago simulou uma tosse. – Banheira.
— Você é da defesa. – Jhonny rebateu. – É difícil entender minha posição de tão longe.
— Fiz mais gols que você na temporada do ano passado. – Yago afrontou.
— Ainda sou o capitão. –O loiro pontuou sorrindo.
— Capitão da banheira. – Yago sorriu maligno.
— Se controlem jogadores! – Lucy ordenou fazendo os dois ficarem em silêncio. – Desculpe, coisa de hockey.
— Realmente é um esporte enérgico. – Judith sorriu simpática.
— Não quero ser a chata do rolê. – Kyra falou. – Mas nós não temos que ir?
— Que horas são? – Yller perguntou.
— Sete e quarenta e cinco. – Kyra respondeu. – Se formos rápidos podemos tomar o milk shake semanal lá no CTJ.
— Tinha me esquecido disso. – Alex falou olhando para a mãe. – Podemos ir?
— Claro. – Judith sorriu. – Só não volte muito tarde.
A banda se levantou caminhando até a porta de entrada ao lado de Judith.
— Fiquei feliz que vieram. – A mais velha falou. – Alex não me apresenta muitos amigos.
— Então podemos nos considerar especiais. – Yago falou estendendo a mão para Judith que o cumprimentou vendo um pedaço da tatuagem do girassol em seu bíceps.
— Você tem tatuagem? – Perguntou surpresa vendo um menor de idade tatuado.
— Tenho quatro. – Respondeu. – Minha mãe não gostou... levei uns cascudos, então prometi não fazer mais até ter vinte e um anos.
— Sensata ela. – Judith riu antes de receber um aperto de mão de Kyra. – Foi um prazer.
— O prazer foi meu. E você nos rendeu boas piadas para tenistas hoje. – Kyra riu dando espaço para Jupi.
— Até mais senhora mãe do Alex. – Jupi piscou para a senhora. – Vai no nosso show mês que vem.
— Pode apostar que irei. – Agora foi a vez de Yller colocar seu chapéu. – Por que o chapéu?
— Porque o pai aqui é cowboy vacinado. – O moreno sorriu arrancando risos de Judith.
— Só não vá tirar onda de herói. –A mais velha brincou agora abraçando Lucy. – Venha mais vezes e traga ele também. – Apontou para Jhonny ao lado da ruiva.
— Fechado. — Lucy concordou.
— Tchau senhora mãe do Alex. –Roberta acenou com a cabeça. – Obrigado por nos receber.
— Até mais crianças...
/Centro de juventude, 15 de fevereiro, 20:10/
O grupo brindava com seus copos de milk shake sorrindo.
— O jantar foi um sucesso. – Yller pousou o pé esquerdo sobre a cadeira. – A Khaos pelo jantar maravilhoso.
— Tira o pé da cadeira. –Jupi repreendeu. – Mas sim, foi um sucesso.
— Acha que ela gostou da gente? – Roberta perguntou para Alex.
— Acho que sim... nada saiu do controle, a não ser o Yller esfaqueando o olho do peixe. – Alex riu tomando um gole de seu milk shake. – Olha... Acho que milk shake de kinder ovo não é um boa mistura.
— Concordo. – Yago falou terminando de tomar o seu. – Agora só faltam cinquenta e seis sabores pra gente experimentar.
— Posso escolher o da semana que vem? – Lucy encarou o pessoal que concordou com a cabeça. – Ótimo.
— Como deixar essa noite ainda melhor? –Roberta encarou o karaokê sorrindo. – É a vez da Jupi.
— Não seria o Alex? – Jupi apontou para o amigo.
— Semana passada fui eu. – O moreno respondeu. – Hoje é contigo.
Jupi levantou a contra gosto e caminhou até a tela escolhendo a música from the dining table de Harry Styles. Cantou calma e tranquila mostrando as entonações suaves de sua voz até o refrão.
— We haven’t spoke since you went away. – Demonstrou seus agudos fantásco. — Comfortable silence is so overrated. Why won’t you ever be the first one to break. Even my phone misses your call, by the way.
Ficaram ouvindo calmamente a melodia que tomava o espaço , era contagiante, apesar de se passar uma história mórbida, os membros a escutavam de maneira que seus pensamentos se ligaram por uma fração de segundos Nunca sentiremos falta de nossas chamadas, nunca vamos nos separar.
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