Notas iniciais
Escrevi o especial e esse capítulo inteiro hoje, e já to postando, então espero muitos comentários. Quem leu e gostou da minha fábula no capítulo especial lá, me deem ideias pra outras, eu já tenho uma ou outra, mas quero postar várias no decorrer da fic.

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Sakura voltou pra casa cantarolando uma música sobre Uchihas e golfinhos, que por algum motivo estranho, combinavam perfeitamente na mente dela, e ficou divagando se seus esforços no amor estavam dando resultados. Ela tinha feito dietas pra ficar bonita, e usado shampoo, e feito as unhas toda semana, e também usado aquele maravilhoso perfume com essência de morangos, que ela tinha certeza, ele adorava...

Então por que ele não queria sair com ela?!

Não podia ser os morangos, eles tinham um cheiro ótimo, nem as roupas... ou o cabelo... talvez ela fosse muito gorda?! É, provavelmente era isso...

-Tadaima! – Sakura gritou entrando em casa, deixando as sandálias no batente e esticando os dedos contra o chão de madeira – Kaa-san! Cheguei!

-Okaeri Sakura! – gritou uma mulher da cozinha. Ela estava com um avental e um coque solto com cabelos tão rosa quanto os da filha – Como foi seu dia hoje?

Antes que Sakura respondesse, um latido ecoou nos corredores e um pastor alemão pulou encima dela, enquanto Sakura ria e tentava afasta-lo. Por fim ela caiu sentada, e o cachorro apoiou a mão no seu colo e lambeu seus dedos.

-Brow! Sai de cima dela! – a Sra. Haruno bateu o pé no chão, e o cachorro pulou e latiu – Eu não estou brincando Brow!

O cachorro só latiu novamente, abanando o rabo e dando uma lambida no rosto da garota, que riu e esfregou, antes de sair correndo para os fundos, passando a perseguir o próprio rabo até cair exausto no chão.

-Droga, esse cachorro...

-Ele só esta brincando mamãe – Sakura riu, indo no banheiro lavar a baba – Eu ainda estou sem o pagamento normal das missões, mas Kakashi concordou em fazermos um extra hoje pra tirar algum dinheiro, se quiser, eu posso ir no supermercado...

-Obrigado filha – a Sra. Haruno apareceu no espelho, atrás da garota e a abraçou, descansando seu queixo na cabeça da gennin que franziu a testa um pouco irritada ao notar os seios da sua mãe lhe comprimindo as costas. Seria por causa dos peitos?! Ela não tinha nenhum... Será que Sasuke gostava de garotas peitudas?! – Como esta indo seu namoro com o Sasuke?!

Sakura corou num tom brilhante de vermelho e sorriu em louvor:

-Eu não estou namorando o Sasuke-kun mamãe... – as feições dela ficaram tristes de repente – Acho que é por que sou muito gorda...

-Baaka, você é tão lindinha – a mãe dela a apertou num abraço – Continue sendo uma boa garota, e ele vai perceber seus sentimentos por ele.

-Hai! Vou me esforçar ainda mais pra ganhar o amor do Sasuke-kun!

Haruno Mana sorriu fracamente, um pouco de preocupação passando pelo seu olhar.

-Sakura querida, você tem certeza que...

-Eu vou no supermercado mãe! Até mais!

-... – Mana observou a filha correr pra fora, cantando alegre uma música sobre golfinhos que era tão ridícula que quase a fez rir – Essa garota, espero que saiba o que esta fazendo...

-Ne Zabuza...?

Mei observou o espadachim sem sobrancelhas voltar os olhos curiosos pra ela, a face sempre coberta pelas bandagens agora tinha um tom levemente mais claro que o resto do seu rosto, por não ter tomado sol por muito tempo. Ele não disse nada além de um resmungo baixo indicando que ela poderia continuar, mas ela tampouco continuou. Enquanto observava o estranho garoto de quimono avançar pelos corredores com um sorriso tranquilo, como se não tivesse nada de errado no mundo. Ele era tão bonito e fofo que era difícil acreditar que era uma menina, quando crescesse, arrasaria muitos corações.

-Me diga a verdade, um mero garoto não pode te derrotar, por mais talentoso que ele seja – Ela franziu os olhos ao notar o sorriso debochado do espadachim da névoa – O que?

-Pode até ser que você não acredite, mas cada palavra do que eu disse é verdade. Eu nunca encontrei um espadachim do calibre desse garoto, é muito além do meu nível, chega a ser assustador imaginar.

-Mas jovem assim...

-Eu sei... pratiquei Kenjutsu a minha vida toda, e ainda não estou nem perto dele. Pra me derrotar usando uma mera espada de madeira, fico imaginando qual é realmente a verdadeira força dele...

-Se isso for verdade, esse garoto deve ser um gênio além da imaginação...

-Naru-chan é um gênio mesmo – disse Yugao, que vinha caminhando atrás deles. Mei riu baixinho do arrepio de medo que passou por Zabuza – Os pais dele foram mortos no ataque da Kyuubi, treze anos atrás, e Naruto cresceu no orfanato. Lá, ninguém gostava dele, por razões bem semelhantes a do Yondaime Mizukage...

Ambos os shinobis arregalaram os olhos, e Anko deu uma cotovelada na ANBU.

-Yu-chan! Isso é um segredo rank S!

-Que diferença faz, nós já estamos nessa missão contra as ordens do Hokage-sama, provavelmente vamos ser executados quando voltarmos pra vila...

Anko suspirou, o pior é que era bem provável...

-Enfim, apesar de ser maltratado durante a vida toda, Naruto cresceu dessa forma, eu nunca conheci ninguém mais gentil ou carinhoso que ele – Mei assentiu, olhando o garoto que caminhava bem a frente deles, conversando com os outros gennins com um sorriso – E ainda com oito anos, na academia, ele prometeu que nunca mataria ninguém, não importa o que.

-Um shinobi que não mata... é muito incomum, e ainda sim ele usa uma espada?!

-A espada de Naru-kun não é uma arma comum – Yugao ponderou – Na verdade, eu nunca vi uma igual, ele mesmo que fez, e a chamou de “sakabatou”, que quer dizer...

-Lamina cega.

-Sim, a lamina da espada dele é voltada pro lado oposto do que deveria, isso torna extremamente difícil e perigoso de se usar, apesar disso, nunca vi um shinobi que se sentisse tão a vontade com sua própria lamina, e isso inclui você, Momochi Zabuza-chan...

Zabuza franziu as sobrancelhas, enquanto Mei ria por causa do apelido. Chojuro caminhava junto com os gennins, permanentemente corado por algum motivo, ela só não sabia dizer se era por Naruto ou pela garota de olhos prateados.

-Vocês sabem, se tivermos sucesso com essa guerra – Mei disse – Eu vou fazer o que puder por vocês na sua vila, não é justo que vocês acabem sendo prejudicados por nos ajudar...

-Se saíssemos vivos dessa, seria uma boa ajuda, obrigado.

-Sou eu que devo agradecer – Mei se curvou levemente, logo em seguida cumprimentando um dos shinobis que passava – Nós temos alguns campos de treinamento improvisado, e o que vamos vai estar vazio por hoje. Lá tem bastante espaço, então os garotos vão poder se soltar.

-Hai – Yugao assentiu, então sua feições ficaram sérias de repente – Eu estava na cozinha quando Naruto Zabuza conversavam sobre a guerra...

Mei notou Zabuza se arrepiar todo nesse momento, e olhar ao redor como se esperasse que alguém pulasse pra ataca-lo a qualquer momento. Sem entender bem, ela deu de ombros e voltou a atenção para a ANBU de cabelos roxos

-E ele me disse que Yagura era o seu melhor amigo, antes da terceira guerra terminar...

-Ah sim, eu era bastante jovem naquele tempo, tinha acabado de ser escalado como uma chunnins pra comandar um pelotão de gennins para a linha de frente – Mei suspirou – Yagura... eu não sei dizer exatamente, mas se fosse comparar, ele era muito parecido com o seu irmãozinho. Ele também tinha um sorriso muito gentil, e era extremamente suave pra padrões shinobis. Após a guerra, ele mudou completamente da água pro vinho, e se tornou cruel e obsessivo, eu não sei explicar o que aconteceu. Ele trouxe todos os shinobis com kekkeis gekai diante dele, e ordenou explicitamente que todos se matassem... Eu estava entre todos eles...

-Eu sinto muito...

-Iie... não se importe com isso... – Mei abriu um sorriso triste – Alguns de todos nós se mataram no ato, sem nem pensar duas vezes, e muitos outros foram assassinados por ele. Eu e mais alguns tentamos lutar, e o próprio Zabuza – ela apontou o ex-jounnin que agora sorria envergonhado – Matou muitos de nós também. Por fim, eu e mais alguns conseguimos fugir, e logo mais e mais se juntaram conosco, tantos shinobis com kekkei gekai quantos outros tantos que não concordavam com Yagura. Apesar disso, a maioria dos shinobis ficou na névoa. Alguns não gostavam de nós e viram isso como desculpa pras no caçar, já outros estão presos pelos seus juramentos de servidão ao Mizukage... Zanza é um deles, provavelmente.

Caminhando em silêncio, lado a lado com Zabuza e Ártemis, Zanza deu um sorriso triste também, e mostrou a língua. Nela, um selo negro gravado.

-Esse selo nos obriga a servimos fielmente o Mizukage, não importa a situação. Ele foi desenvolvido durante o início da terceira guerra, pra criar batalhões-suicida.

Muitos dos presentes estremeceram, alguns de medo, alguns de raiva, se bem que todos de raiva. Aquela técnica foi o terror da primeira guerra, batalhões inteiros de shinobis cobertos dos pés a cabeça com papéis bomba de alto nível, eles poderiam explodir uma vila inteira se conseguissem se posicionar corretamente nela, e mesmo que não conseguissem, causavam enormes prejuízos.

-Eu lembro, esse selo foi uma das razões que Uzushiogakure no Sato foi destruída, já que foram os Uzumakis que criaram... me pergunto se aquele garoto sabe disso?! – Mei apontou Naruto com o queixo, que ainda ria tranquilamente.

Ninguém notou, no entanto, o brilho vermelho nos olhos dele.

“Nunca que Uzumakis criaram essa monstruosidade de selamento – ele pensou – Isso é trabalho dos Uchihas. Controlar e manipular sempre foi a especialidade desse clã amaldiçoado”

-Eu lembro disso, apesar de só ter cinco anos na época – Kurenai disse – A notícia que a vila da pedra, do trovão e da Névoa se juntaram pra causar a destruição de Uzu...

-Nani?! – Mei quase gritou, então deu um sorriso bobo quando Chojuro olhou preocupado pra trás – O que você disse?

-Ora... que as vilas da Pedra, do Trovão e da Né...

-O que quer dizer?! Foram as vilas do Trovão, da Pedra e da Areia que fizeram isso, a Névoa estava ocupada demais confrontando os batalhões de ninjas do trovão nas nossas fronteiras...

-Eu já estive na vila da Areia – Ártemis disse – E o que contam lá foi que as vilas da Pedra, da Névoa e da folha que participaram da destruição de Uzu...

-A algum tempo atrás eu estive no País da pedra trabalhando pra um Lorde menor – Zabuza disse, com as sobrancelhas franzidas – E eles dizem que foram a Areia, a Névoa e a Folha que tramaram a destruição de Uzu, é meio que história básica...

Todos ficaram quietos por um longo tempo.

-Então... Cada país tem uma história diferente para a destruição de Uzushiogakure? – Mei respirou fundo – Como pode ser?

-Talvez alguns não queiram assumir a culpa...

-Ou talvez não se saiba realmente quem foi que fez isso...

Mei concordou, olhando pra Naruto muitos metros a frente. Por algum motivo, ela não conseguiu desviar os olhos por um longo momento, sua atenção presa entre o modo como o quimono sacudia conforme ele andava, parecendo leve e gracioso, ou o cabelo, que agitava como se fosse uma cauda...

-Isso é muito estranho – Anko disse de repente, tirando a Líder dos rebeldes de seus denaveios – Alguém se lembra do que aconteceu na época?! Eu era muito jovem...

-Eu também – Yu desviou o rosto, balançando os braços num gesto meio bobo que era a cara dela – Mei-chan também era muito jovem não?!

“Mei-chan...” – Mei sorriu.

-Claro, eu era apenas uma criancinha na época! – ela rasgou uma risada – Apesar de já ser chunnins, eu tinha apenas seis anos!

-Ora, kawaii...

Zabuza bufou irritado, mas acabou engolindo em seco quando todas olharam pra ele:

-Ne, Zabuza-kun, você se lembra né?!

-Pode se dizer isso... – ele suspirou – Apesar de tudo, eu ainda era muito jovem também, mas lembro que Os Senjus foram os primeiros a investigar, sendo parentes próximos dos Uzumakis, eles foram os primeiros a perceber a vila destruída, vários deles, que moravam em Uzushiogakure foram mortos também...

Todos concordaram, até que a expressão de Zabuza ficou sombria.

-No entanto, tem uma lenda sobre isso... – as garotas estremeceram com o tom dele, enquanto Mei, sem perceber, se abraçava com Ártemis, que parecia muito feliz com a situação, e Anko e Yugao se davam as mãos. Kurenai só bufou – Dizem que o Deus das colheitas ficou irritado com os Senjus, por que não foram capazes de proteger seus parentes próximos, e mandou a peste até eles. Todos vocês se lembram como os números do clã Senju foram diminuindo após isso, enquanto todos caíram na desgraça pela Ira de Inari... Hoje, só restam duas pessoas com sangue Senju nas veias, uma delas é Tsunade dos sannins, e a outra, muito provavelmente, é aquele garoto...

Todos olharam pra Naruto por um instante, ignorando o sorriso discreto de Haku atrás deles. Como Chihiro mesmo dizia, não havia nada pior do que ter um dragão irado atrás de você, e o assassinato dos filhos dos filhos de Kenshin foi algo que deixou um certo dragão muito... muito irritado mesmo.

Nunca ninguém descobriu qual peste foi aquela que dizimou tão rapidamente todo o clã dos Senjus, e sumiu logo depois, sem deixar nenhum vestígio pra trás, como um castigo divino. Os únicos que sabiam disso hoje eram Chihiro e o próprio Haku, afinal... teve um motivo pra ele vender seu nome pra uma bruxa pela segunda vez, dado o que ela poderia fazer...

Quando o grupo chegou ao campo de treinamento, imediatamente Naruto e Chojuro se separaram, caminhando juntos com Zabuza até o centro dele, enquanto o resto se acomodou pra assistir. Mal Haku se sentou e a loba pulou no colo dela, e logo os filhotes vieram se acomodar junto a pelagem da mãe e do dragão dos rios, que acabou conformado em acariciar todos os quatro até que dormissem. Mei se sentou sem nenhuma cerimônia no colo do arqueiro, e afundou a cabeça dele nos seus seios, fingindo prestar atenção numa borboleta enquanto ele respirava com dificuldade por estar sendo afogado em peitões e estar com uma quantidade quase prejudicial de sangue na cabeça. Anko e Yugao se sentaram lado a lado, e Kurenai se sentou num ponto onde pudesse ficar de olho no seu time, que não desviavam os olhos de Naruto e do garoto de cabelos azuis. Zanza ficou na fileira de trás, ele estava curioso pra saber qual seria o desempenho daquele garoto contra um dos sete espadachins lendários da Névoa, mas se visse e conseguisse escapar, seria obrigado pelo selo a contar tudo pra Yagura, então ele se contentou em observar as nuvens passando pelo céu. Se alguém observasse sua expressão nesse momento, diria que ele tinha uma ligação de sangue com um certo clã de Konoha.

-Muito bem, isso é apenas um teste de habilidades, então eu sugiro que os dois peguem leve – Zabuza disse – Se qualquer um matar o outro, vai ser imediatamente executado, e quem tentar me impedir vai junto... entenderam?!

Ele disse com um tom tão perigoso que mesmo Mei engoliu em seco, e assusta-la não era nada fácil.

-Não precisa se preocupar Zabuza – Naruto abriu um sorriso tranquilo – Isso é apenas um spar amigável, ne, Chojuro-kun?

Chojuro assentiu com as bochechas rosadas, e imediatamente tirou a espada das costas.

-Zabuza-sama... é verdade mesmo que você foi derrotado por uma espada de madeira? – ele perguntou, sem tirar os olhos de Naruto.

-Hai... até quando vão ficar perguntando isso? – ele respondeu envergonhado, mas Chojuro não estava olhando pra ele. Com um novo respeito nos olhos, ele se curvou pra Naruto, que franziu as sobrancelhas.

-Então, Naruto-sama, vai ser uma honra cruzar espadas com você.

Naruto riu baixinho, e se pôs na postura primária do Shigure soen ryu:

-Eu penso o mesmo – ele voltou os olhos pra Zabuza – Ao seu comando, Zabuza...

-Hai... – o espadachim mais velho pulou pra trás, então pareceu considerar algo, e pulou mais pra trás ainda – Ishi... Ni... San... Hajime!

Imediatamente Chojuro girou a espada, e a mandou com tudo para o chão, que quebrou em vários pedaços e rasgou completamente as faixas, liberando a espada pesada em forma de peixe com cabo duplo, chakra azul em ondas sendo liberado dos furos próximo a guarda afiada.

-Então essa é a lendária Hiramekarei, a espada de guardas gêmeas – Naruto sorriu, colocando a mão no cabo da sakabatou, e com um leve movimento do dedão, a fazendo saltar minimamente pra fora – É uma espada impressionante, Chojuro-kun, mas você consegue porta-la direito?

O garoto sorriu, mostrando uma arcada dentária de presas de tubarão, levemente ruborizado.

-Ela ainda é um pouco pesada demais, mas eu estou usando pesos pra resolver isso...

-Eu me apressaria, um espadachim deve sempre estar confortável com sua espada, senão não vai poder usa-la na sua melhor forma – Naruto deslizou ainda mais a sakabatou pra fora – Por exemplo...

Num movimento que pareceu um flash azul e vermelho, ele desapareceu, e encheu o campo com sombras coloridas que, de tão rápido, ficaram roxas, e um barulho alto como o de um trovão soou, enchendo o campo de areia. A plateia toda tampou os olhos enquanto lascas de pedra e poeira choviam sobre todos, e quando tudo se tornou visível, eles arquejaram. Zabuza, num canto qualquer, apenas alargou o sorriso.

-...Isso é o que um espadachim que domina sua espada pode fazer...

Chojuro olhou em volta, e arregalou os olhos, vendo o concreto que formava o campo agora destruído, vários cortes e retalhos de quase meio metro de profundidade riscados ali, e Naruto de pé, do outro lado do campo, segurando Rurouni no seishin em uma só mão, a lamina, mesmo coberta de poeira, brilhando. Ele deu um passo a frente, e com um golpe no ar, tirou toda a poeira da lamina, fazendo um som agudo como um assobio ecoar nas árvores.

Mei observava tudo com um tique nervoso no olho, e mesmo Anko e Yugao pareciam impressionadas. Segundo Gekko, Naruto tinha treinado o bastante pra ser um espadachim capaz, um talentoso, mas ainda sim, sem experiência prática no manuseio de uma katana. O quão distante aquilo estava da realidade. Naruto tranquilamente tinha retalhado todo um campo de concreto em um segundo, e não tinha nem mesmo ficado sem fôlego. Pelo formato rasgado dos cortes no chão, ele usou o lado cego da katana, quebrando o concreto em vez de cortar, o quão forte alguém tinha que ser pra conseguir fazer aquilo?

-Acho que Zabuza não estava mesmo brincando... – Mei alargou um sorriso assim que a confusão passou – Com esse garoto, podemos virar decididamente o rumo da guerra!

E pra comemorar, ela lascou um beijo em Ártemis, que caiu pra trás por não esperar nada do tipo. Kiba riu na fileira de baixo olhando os dois, com uma gota mínima de sangue escorrendo pelo nariz, até levar um tapa de Kurenai que o obrigou a olhar pra frente. Ela se virou, pronta pra dizer alguma coisa, até notar que Yugao e Anko também estavam rindo, coradas e com uma leve hemorragia nasal, ao observar a cena.

-Eu estou cercado de pessoas problemáticas...

Hinata assentiu, parecendo muito sério, mas quase não conseguindo esconder o rubor ou segurar o sangue que insistia em lhe escorrer pelo nariz.

No centro da arena de treinos, Chojuro ainda parecia em estado de choque. Não só o piso do lugar tinha sido destroçado, mas vários manequins de treino estavam quebrados, cinco... dez... quinze... quase vinte golpes em quanto tempo... dois, três segundos?! Aquilo parecia além da imaginação, nem mesmo Kisame ou Zabuza...

-Eu não tenho chances contra você, Naruto-sama, eu...

-Orusai...

-Nani... – Chojuro olhou nos olhos azuis do ruivo, e os viu cintilarem vermelhos por um momento, as feições tão sérias e neutras agora que ele temeu pela sua vida, não eram os olhos de um gennin, aqueles eram os olhos de alguém que já havia retalhado carne e ossos, e espalhado sangue pelo chão. Ele olhou para a plateia, mas ninguém tinha notado, talvez fosse só imaginação – Naruto-sama...?

-Se não vai usar sua espada, pra que tirou-a das bandagens?!

-Mas...

-Espadas são orgulhosas Chojuro, elas impõe respeito das pessoas que a portam. Se você as usar levianamente, elas vão falhar com você. Talvez seja por isso que você sente Hiramekarei tão pesada...

-Então é isso... – Chojuro olhou pra espada com as sobrancelhas franzidas – Eu sempre pensei que fosse por que ela é feita de vários quilos de metal condensado com chakra...

Naruto sentiu uma gota lhe escorrendo pela cabeça, e o resto da plateia não estava muito diferente.

-Tudo bem, pense dessa forma – ele disse, dessa vez lentamente, como se fosse pra uma criança – Você tem que acreditar em si mesmo, e não desistir.

-Não desistir... entendo... – ele respirou fundo, e no mesmo instante, o fogo azul que cercava a espada de cabo duplo parece se acender com um novo vigor – Então, Naruto-sama... Eu vou te atacar!

-Yoshi! Venha com tudo!

Para os gennins assistindo, foi como se os dois tivessem desaparecido de repente. Hinata ativou o byakugan, e observou como eles se moviam, correndo tão inclinados que pareciam que iam cair, e jogando as espadas uma contra a outra, fazendo choques de vento limparem a poeira da arena aos poucos. Apesar de não poder analisar os movimentos tão bem quanto o sharingan, o byakugan ainda podia dar uma ideia precisa de como eles se moviam, não a ponto de copiar ou mesmo antecipar nada, apenas perceber, e os movimentos fizeram com que ela arregalasse os olhos. Além de ser extremamente rápido, os golpes eram extremamente fortes, a musculatura de ambos parecia relaxada, e mesmo amolecida enquanto brandiam as espadas, mas no momento em que elas estavam prestes a se chocar, os músculos carregavam força explosiva e as laminas se acertavam com tudo. Apesar da sakabatou de Naruto ser consideravelmente fina e mais leve, nem um arranhão tinha ficado contra a lamina quando se chocava com a enorme espada do Ninja da Névoa.

-Impressionante – Chojuro disse depois de um tempo – Você consegue seguir e antecipar todos os meus movimentos, quem te ensinou a lutar dessa forma...?

-Ahh, o nome dele é Hayate Gekko, o especialista de kenjutsu de Konoha – Naruto sorriu – Ele é muito bom, ainda falta muito pra mim chegar no nível dele...

“Falta é o caralho – Yugao pensou consigo mesmo nas arquibancadas – Gekko pode ser bom, mas ele não se manteria um segundo numa luta como essa, talvez contra Zabuza ou Chojuro-kun, mas contra você Naru-chan... ele provavelmente seria derrotado rapidamente se você levasse a sério”.

-Ne, Yugao – Anko sussurrou ao lado dela, a cutucando com o cotovelo – Você esta pensando o mesmo que eu?

-Depende... – a ANBU brincou – Você esta pensando no Naruto, uma cama cheia de pétalas de rosas e...

Anko corou mortalmente, e agarrou a cabeça da ANBU, que ria enquanto levava um croque na cabeça.

-Orusai, Baaka! – Anko chorou, ainda segurando a garota de cabelos roxos – Eu estou pensando no nível de Naruto, o seu namorado é bom, mas isso é... além...

-Gekko-kun não é o meu namorado – Yugao resmungou, saindo do aperto da jounnin – E sim, eu estava pensando em algo do tipo... mas o Naruto com pétalas de rosas...

-Kawaii ne?!

-Hai!

Ambas riram.

-Demo... Ouça, vou te contar uma coisa, mas me prometa que não vai dizer a ninguém, nem ao Hokage-sama...

-Tsc, já estamos nessa missão contra as ordens dele, duvido que nossa situação possa ficar pior, então eu prometo.

-Ok... antes de você chegar, o Naruto e Haku trouxeram aquela espada – Yugao apontou pra Sakabatou nas mãos dele – Só que ela estava toda quebrada e enferrujada, então ele e Zabuza saíram pra concertar.

-Zabuza sabe concertar espadas?

-Não, foi o Naruto que concertou...

-Naru-chan sabe concertar espadas?!

-Anko...

-Gomen, continue...

-Eu estava com Tsunami-dono no momento, quando senti uma onda de chakra tão forte que quase me pôs de joelhos, era o chakra da nove caudas – Yugao murmurou no ouvido de Anko, que arregalou os olhos – Quando perguntei como ele tinha conseguido concertar aquela espada, ele disse que teve uma “ajudinha”. Os olhos dele brilharam vermelhos por um momento, embora eu tivesse pensado que era a minha imaginação...

-Você tem certeza Yu-chan... Será que a Kyuubi...

-Não! – Yugao quase gritou, então chegou mais perto do ouvido da jounnin – Não tem como a Kyuubi o estar controlando, o Naruto nunca demonstrou nenhum traço de malícia ou algo do tipo... Será que ele e a Kyuubi...

-E pétalas de rosa... numa banheira...

-Anko!

-Gomen – a kunoiche riu – Agora não sai da minha cabeça.

-Leve a sério por favor, isso pode ser perigoso pro Naru...

-Você se preocupa demais Yu – Anko sorriu, se recostando pra trás, com os olhos ainda nos garotos, que lutavam – É do Naru-chan que estamos falando, não tem como a Kyuubi conseguir influenciar uma pessoa como ele...

-Você acha...?

-Hai, fique sossegada, e aprecie a luta, é a melhor que eu já vi em muito tempo...

Lá embaixo, Naruto sorriu, ouvindo toda a conversa sem ninguém perceber. Era irônico, e até meio triste se parasse pra pensar. Por um momento, ele considerou contar a verdade àquelas pessoas, sobre quem ele era de verdade, mas tão rápido quanto veio, essa ideia morreu. Quantas vezes ele já não tinha feito aquilo?! Quantas vezes não tinha sofrido por aquilo, Yuriko, Naomi, Kizaro... Quantos mais?! Quantas pessoas que ele tinha confiado, que amou, e ao saber quem era, lhe esfaquearam pelas costas? Por causa disso, Asuha...

Era estranho que ele se sentisse culpado por causa de uma criança que nunca tivera a chance de crescer por que sua própria mãe a matou ao saber quem era seu pai, ele mesmo que havia matado Chihiro ainda no berço e tomado seu lugar... Por um momento Naruto riu tristemente, pego de surpresa com a complexidade que é ser um monstro.

-Seus movimentos estão melhores Chojuro-kun – o garoto sorriu em louvor, erguendo Hiramekarei acima da cabeça, segurando em cada cabo com uma das mãos – Mas te falta muito em determinação. Você não quer proteger a Mei-sama?

-M-Mei...sama... Hai!

-Então, não quer que ela continue sempre sorrindo?

-Hai!

-Como ela pode sorrir, se você acabar morrendo em batalha, ou deixa-la morrer por ser fraco demais?!

-Eu...

-Responda! – Naruto gritou, e com ainda mais velocidade que antes, partiu pra cima do espadachim da névoa, deixando um pedaço de piso quebrado pela pressão dos seus movimentos.

Chojuro só teve tempo de levantar a espada gigante, antes de ser empurrado pra trás por vários metros por um golpe de Naruto. Antes sequer que ele pudesse revidar, veio outro, e outro, e mais outro, cada um mais forte que o anterior. A cada golpe, o piso rachava abaixo dos seus pés, e suor lhe escorria pelos lados do rosto. Como ele podia ser tão forte?! O que era aquela força explosiva que parecia irradiar dele como chakra... era... era chakra?!

-A força de um espadachim não esta apenas na perícia que ele tem com sua espada Chojuro, ou na velocidade com que se move, ou na força física dele – Naruto disse, cada palavra vinda entre um golpe e outro, a última delas seguida de um giro que colocou o garoto de joelhos, levantando lascas do solo quebrado.

Zabuza observava tudo com olhos analíticos, aquele nível de habilidade estava além do que ele tinha demonstrado na floresta da Onda. Mais uma vez, se aquela fosse uma katana afiada, ele tinha certeza que Chojuro já estaria morto. Naruto parecia ser muito limitado por aquela sakabatou, mas algo lhe dizia que nenhuma outra espada no mundo serviria pra ele. Que nenhuma outra estava a altura dele. Era um sentimento estranho esse, o de reconhecer que alguém estava quilômetros acima do seu nível de habilidade, mas de uma certa forma, o inspirava a ficar cada vez mais forte, pra um dia, quem sabe, ele pudesse se equiparar com aquele garoto.

-Eu acho que tenho ficado relaxado, Zambatou... – Zabuza murmurou – Há quanto tempo que não praticamos junto, hein?!

E por um momento, Zabuza pode jurar que sentiu a lamina gigante se aquecer as suas costas, quase como se o respondesse.

Chojuro, no entanto, estava alheio a conversa de Zabuza com sua espada, seus pensamentos estavam pregados apenas em Naruto e na sua própria espada de cabo duplo.

“Você não consegue sequer me segurar direito, até aprender, não tem como bater de frente com esse garoto...”

“Você consegue ouvir?! O canto de Rurouni no Seishin?! Os espíritos deles estão tão entrelaçados juntos que as vezes fica difícil dizer quem é a espada, e quem é o espadachim, esse é o nível que você deve alcaçar comigo, se quiser...”

-...Proteger o sorriso da Mei – Naruto sentenciou com um sorriso, pulando pra longe do garoto caído de joelhos e apoiado na própria espada.

Chojuro respirou fundo, e olhou pra si mesmo, refletido na lamina coberta de azul da Hiramekarei. Por um momento, seu reflexo mudou, e apesar de ainda ser ele mesmo, a sua pele tinha se tornado azul oceano, e os olhos eram de um amarelo tão afiado quanto a lamina da sua espada... Naquele momento, Hiramekarei se tornou leve como uma pluma nas suas mãos, e sem que ele percebesse, o fogo azul aumentou.

Naruto sorriu observando a explosão de chakra azul da lamina de cabo duplo, no outro lado do campo. Mei, nas arquibancadas estava de olhos arregalados, mas logo um sorriso pintou suas feições, Ártemis... bem... Ártemis estava desmaiado por uma hemorragia nasal gigantesca.

-Isso, desperte, acorde, venha pra fora – Naruto murmurou, sentindo o chakra azulado lhe arrepiar os pelos da nuca – Você é mesmo uma espada incrível, Hiramekarei...

E, num segundo, Chojiro estava ao seu lado, com um sorriso largo no rosto, mostrando todos os dentes de tubarão, uma mão no seu ombro e os lábios próximos ao seu ouvido. Naruto não teve qualquer reação, além de sorrir, quando o garoto, ou a espada, murmurou em seu ouvido.

-É muita bondade sua... Inari-sama...

Ninguém ouviu isso, e a cena foi tão rápida que nem mesmo o byakugan teve chance de analisar. No próximo segundo, Chojuro, Naruto, Hiramekarei e Rurouni no seishin estavam lutando juntos. Os movimentos tinham se tornado tão rápidos que faíscas eram lançadas a cada vez que as laminas se chocaram, iluminando a cena e fazendo os dois garotos brilharem, ambos cobertos de suor. O chão tremia com o impacto, e a cada golpe, era mais e mais limpo da poeira que ainda se soltava dos retalhos que Naruto tinha deixado no piso de concreto com seu primeiro golpe. Todos eles continuaram lutando, alheios a tudo ao seu redor, defendendo, esquivando e atacando em super velocidade, enchendo o campo de treinamento com explosões de chakra que, aos poucos, atraíam mais e mais shinobis pra ver a luta. Quanto tudo estava indo longe demais, Mei gritou pra que eles parasse, mas nenhum deles sequer ouviu.

Após muitas tentativas, e revirando os olhos, Mei fez uma sequência de selos e mandou uma onda de lava pra cima dos dois, que perceberam e desviaram antes de serem fritos na pedra derretida.

-Droga... crianças problemáticas... – Mei disse, com um sorriso lascivo enquanto lambia a lava que ainda lhe escorria pelos lábios – Eu disse pra pararem...

Naruto e Chojuro se entreolharam, e se arrepiaram no mesmo instante.

-H-Hai, Mei-sama... – ambos disseram juntos, só pra rirem depois como dois idiotas.

Nas arquibancadas, Haku sorriu. Chihiro tinha o poder de mudar as pessoas, mesmo que negasse isso até a morte, ninguém poderia inspirar os outros tanto quanto ele fazia, e apesar de isso, em parte, ser devido a ela ser manipulativa e astuta como uma raposa, não era apenas isso. Era parte da personalidade dela, tanto quanto o kenjutsu era, e não tinha como ser retirada. Yugao e Anko também sorriram, e Kurenai, e os gennins – principalmente Kiba, que ficou pulando no lugar e comemorando por alguma razão – e Zabuza, e Zanza, que olhou para o campo surpreso tentando entender o que tinha acontecido, e Ártemis, que só agora tinha acordado com o rosto pálido pela falta de sangue.

-Você melhorou bastante Chojuro-kun – Naruto sorriu gentilmente — Omedetou...

O espadachim da névoa respondeu com um aceno de cabeça, e logo em seguida se curvou, com um sorriso no rosto levemente corado.

-Arigato-ne, Naruto-sama.

-Naruto tem razão, Cho-chan – Mei o abraçou por trás, deixando o garoto tonto e a ponto de desmaiar de tão vermelho que ele ficou – Você esta bem mais forte do que quando começou a lutar, a partir de agora, vai estar lutando comigo e Ao na linha de frente, então é bom se empenhar!

-S-Sério?! – ela acenou que sim alegremente – Eu vou me esforçar!

-E você, Naruto-kun – Mei sorriu ao modo como o garoto curvou a cabeça – Vou ficar muito feliz em ter você do meu lado.

-Hai, Arigato.

-Yoshi! – Mei se voltou a todos os outros shinobis que tinham chegado durante o meio da luta, e gritou – Hoje é um dia feliz pra nós, da resistência, vários aliados poderosos se juntaram a nós, e com isso, vamos vencer com certeza!

Apesar da maioria ainda estar meio confuso, Mei estava tão borbulhante de felicidade que logo o som de música enchia o campo de treinamento, e vários shinobis dançavam em torno de uma fogueira feita de vários bonecos de treino – que Chihiro tinha destruído – e um simples jutsu Katon. Haku sorriu ao ver Anko e Yugao brigando pra dançar com ele, até que ambas notaram que Mei já estava o arrastando para a frente da fogueira, e se conformaram em dançar uma com a outra. Como nenhum deles conhecia direito as danças do país da água, elas apenas gritaram e pularam sem nenhuma ordem exata, e logo todos estavam seguindo seu exemplo. Não demorou pra todos estarem cobertos de suor pelo fogo alto, e a maioria um pouco zonza pelo sake que foi passado de mão em mão.

Naruto observou todos dançando com um sorriso no rosto, ele próprio tinha sido passado de mão em mão após Mei lhe dar um beijo no rosto e escapar com o arqueiro pra qualquer canto. Yugao e Anko ainda estavam dançando juntas, e tão agarradas uma a outra que pareciam que iam se beijar a qualquer momento, enquanto Haku estava sendo assediado por vários homens – e mulheres – e tentando se livrar de todos do jeito mais cortês que conseguia. Não dava muito certo por que todos estavam bêbados, então ele se viu sendo arrastado, com os braços presos por um cara e uma garota que formaram um círculo ao redor da fogueira. Chojuro e Zabuza não demoraram a se juntar a ele, e nenhum deles disse nada. Já estava anoitecendo, e o cheiro de suor, vinho e sake enchia a clareira. Apesar de não ser um perfume, propriamente dito, era um cheiro muito bom. Era o cheiro da felicidade. Olhando praquele monte de gente, pulando e dançando juntas, tudo mais parecia deixar de importar.

“Humanos... são maravilhosos”.

Zanza notou como todos ficaram bêbados lentamente, e várias pessoas foram se retirando do campo de treinamento, que agora estava completamente destruído, e cheio de gente que pulavam e comemoravam. Alguns não tinham a menor ideia do que estava acontecendo, já que mais e mais pessoas foram se juntando com o passar do tempo, até que de noite, praticamente todos os shinobis que compunham a resistência estavam dançando e festejando juntas. Ele se sentiu meio deslocado ali, sendo um prisioneiro, devia estar trancado, não?!

Ele realmente, realmente deveria estar trancado. Quando o jounnin estava pra se retirar, o selo em sua língua queimou, e a obrigação de servir ao seu kage lhe impulsionou a matar todas aquelas pessoas, tantas quanto conseguisse. Ele tentou lutar contra isso, tentou se afastar, mas era impossível. Naquele momento, a única coisa que ele poderia fazer era achar uma distração, qualquer coisa, qualquer coisa que pudesse distrair o selo.

A resposta veio da forma mais horrível que ele poderia imaginar. Longe de todos, os três gennins estavam sentados sozinhos.

Mate-os.

Não!

Mate-os!

Não!

Caindo de joelhos, ele tentou gritar pra chamar atenção de alguém, mas o selo impediu isso. Quase que rastejando, ele se aproximou dos garotos, enquanto sua visão ficava num misto de vermelho com negro, e sua mão agia quase sozinha, puxando uma kunai da bolsa da perna. Droga... eles foram descuidados, todos eles foram descuidados permitindo que ele permanecesse livre e armado. Sem conseguir mais ir contra o selamento, ele arremessou a kunai na garota, mas conseguiu se impedir de acertar num ponto vital, e ela se cravou no seu ombro.

Os dois gennins se voltaram assustados pra ele. Droga, estavam completamente distraídos, Hinata estava pra gritar de dor, quando o selo voltou com força total, e Zanza acertou uma cotovelada na cabeça dele, a mandando pro chão inconsciente. Kiba e Shino pareceram assustados, mas prontos pra lutar.

-O que você esta fazendo tio?! – Kiba disse, droga, por que ele não gritava logo?! Chamasse alguém, qualquer coisa – Você esta...

Zanza estava caído quase de quatro no chão, com lágrimas nos olhos que, pouco a pouco, se tornaram vermelhas de sangue. Seus músculos doíam e agiam sozinhos, enquanto ele tentava segura-los, e seu rosto estavam banhado em suor. O selo em sua língua queimava feito brasa, e ele não conseguia pensar direito.

-Impeçam...

Os dois pularam pra trás, procurando uma rota de fuga ou algum modo de atacar. Por que diabos tinha que ser os gennins?! Não poderia ter sido alguém mais forte?! Alguém que pudesse detê-lo, mesmo que tivesse que mata-lo?!

O selo queimou novamente, e Zanza avançou, os olhos sangrando junto com o nariz e os ouvidos, pela extrema pressão colocada sobre o seu cérebro. Kiba tentou atacar, mas não durou um minuto. Segurando seu punho, ele o torceu e desmaiou o garoto com um golpe no pescoço. Prisioneiros, sim! Prisioneiros! Prisioneiros eram mais úteis que mortos não?! Se ele os levasse como prisioneiros, ao menos, eles teriam a chance de escapar não?! De serem resgatados.

Isso foi o máximo que Zanza conseguiu argumentar contra o selo, antes que seu mundo apagar completamente. Livre de vontade própria, ele foi implacável. Shino não teve a menor chance nem de gritar, enquanto um soco no estomago lhe tirou completamente o fôlego. O jounnin pegou os três no ombro, delicadamente, mesmo que estivesse adormecido dentro de seu subconsciente, e correu em direção ao país da água. Mesmo que ele ainda estivesse sem nenhuma força, e sendo dominado, ele conseguiu deixar rastros fáceis de serem seguidos, e torceu, rezou, pra que alguém o encontrasse logo. Se aquelas crianças morressem por isso... Ele nunca poderia se perdoar.

Enquanto corria, ele não notou um cachorro branco escondido entre as moitas, que logo saiu correndo em direção ao grupo de ninjas rebeldes. Por mais que ele latisse, nenhum deles parecia entender o que ele dizia:

“Levaram o Kiba! Ajudem! Ajudem!”

“Vocês são surdos?! Eu disse que levaram o Kiba e os outros! Alguém me ajude! Por favor”.

-Que cachorro chato – disse um ninja, pegando um pedaço de pau do chão – Olha garoto, eu vou jogar, por que você não pega?!

E mandou o graveto pra longe. Akamaru rosnou, e tentou achar outras pessoas, mas nenhuma delas era capaz de entende-lo. Por fim, ele deixou seus olhos caírem... nela...

A loba estava descansando encostada numa árvore, seus filhotes brincando por aí, longe de perigo. Akamaru tremeu, e todos seus instintos gritaram pra ele correr o mais longe que pudesse... Mas... Ela poderia entende-lo não?! Será que ela poderia lhe ajudar?!

Engolindo toda a coragem que tinha, ele caminhou rigidamente até ela. No meio do caminho seus passos falharam e ele tropeçou, e isso chamou a atenção da loba, que olhou pra ele com aqueles olhos amarelos afiados, e aqueles dentes enormes. No entanto, ela não se levantou. Ainda tremendo e com lágrimas nos olhos, Akamaru mordeu a própria língua até que sangrasse, e correu na direção dela.

E correu tanto, que ele acabou dando de cabeça na cabeça dela, caindo pra trás por ser mais leve, enquanto a loba se levantava blasfemando. Quando Akamaru abriu os olhos, ele se viu caído no chão, com uma das patas da Loba o segurando no lugar, e as presas dela escancaradas a dois centímetros dos seu rosto.

“Você é muito irritante cachorrinho... Eu acho que vou matar você...”.

Akamaru tremeu, com lágrimas escorrendo pelos olhos, até que ele conseguiu latir:

“Por favor... por favor... ele pegou o Kiba... e a Hinata, e o Shino... por favor, por favor, me ajude...”.

Os dentes da loba pararam a meio caminho da garganta dele, e ela observou por um tempo o cachorrinho chorando de olhos fechados, tremendo e com o pelo muito branco manchado de terra.

“Que cachorro corajoso – a loba pensou – Mesmo tremendo de medo, ele ainda veio até mim, sabendo que eu poderia mata-lo...”

“Você é um filhote idiota e irritante – ela disse, tirando a pata de cima dele – Então pegaram seu humano né, e daí?!”

“Por favor... me ajude a salva-lo!”

“Que estranho, por que quer salvar um mero humano?”

“Sempre... sempre – Akamaru ganiu, com lágrimas lhe escorrendo pela pelagem branca – Ele sempre brincou comigo, e sempre me alimentou, e sempre treinamos juntos, e ele disse que um dia seriamos fortes e não perderíamos pra mais ninguém... Ele sempre disse que me protegeria, não importa o que acontecesse, então... por favor... ME AJUDE A SALVAR O KIBA!”

O latido de Akamaru veio como um eco fraco entre as copas das árvores, mas foi alto o bastante pra um garoto ruivo perceber. Virando a cabeça na direção do barulho, ele se levantou e apertou o cabo da espada.

A Loba estava sem palavras, lembranças daquele dia, no país do redemoinho lhe voltavam a cabeça. Eles não tinham comido por dias, e seus filhotes estavam chorando de fome, quando ela encontrou aquele garoto, com pelos vermelhos e cheiro de raposa. Ela o atacou sem pensar duas vezes, mas foi derrotada tão rápido que foi até vergonhoso. Ele tinha uma presa longa de madeira que acertou bem na sua cabeça, e quando ela estava pra se levantar e atacar de novo, seus filhotes se meteram. Ela os tinha mandado esperar escondidos, mas os idiotas se colocaram na frente dela, o mais jovem gritou que ia protege-la, e atacou o garoto. Seu coração quase parou ao ver ele levantando aquela presa de madeira, e só relaxou quando ele a guardou novamente. Mesmo que seu filhote estivesse mordendo as patas dele, ele apenas se abaixou, e com alguma magia estranha, conjurou comida direto da terra.

A Loba se lembrava que comeu com o orgulho doído, mas não foi isso que tirou lágrimas dos olhos dela. Ela não conseguia dizer o que era, e pra descobrir, seguiu o humano de pelo vermelho e presas de madeira, e, por algum motivo, ainda estava com ele. Tudo era incompreensível pra ela, mas vendo aquele filhote chorar por um humano, de repente fez tudo fazer sentido.

As vezes, mesmo animais de diferentes espécies podem se importar uns com os outros. Aquele filhote se importava o bastante com aquele humano pra morrer com ele, e de alguma forma, a Loba sabia que isso era recíproco. Por esse motivo, além de qualquer outro, ela concordou com ele, primeiro com um gesto singelo do focinho, e depois, incendiada por uma estranha determinação que corria pelas suas veias, a Loba travou as garras no chão e uivou o mais alto que podia.

No segundo seguinte, o garoto de pelo vermelho estava a seu lado, com uma mão afagando sua cabeça e a presa de madeira-agora-metal embainhada na sua cintura.

-O que aconteceu... Akamaru, onde esta Kiba?!

“Levaram eles! Levaram eles! – o filhote chorou – Levaram o Kiba, a Hinata e o Shino pra longe! Eu te levo até lá, por favor, salve eles!”

Naruto sorriu largamente.

-Sim, me leve até lá.

Akamaru latiu e pulou dentro de sua camisa, e quando ele estava pra correr pra longe dali, Naruto se voltou pra Loba, que por algum motivo, pareceu extremamente envergonhada com o sorriso no focinho dele.

-Você fez muito bem, parando pra pensar... Eu nunca perguntei o seu nome...

“Tso...Tsokoka” – a Loba disse, com um sentimento estranho lhe apertando o peito – “Você é... Naruto, ne?!”

-Isso mesmo, obrigado por me chamar, Tsokoka, eu vou salvar aqueles garotos.

-Hai...

Akamaru latiu o apressando, e no instante seguinte, Naruto tinha sumido.

A Loba, Tsokoka, ficou um bom tempo perdida em pensamentos, examinando seus próprios sentimentos a beira daquela árvore. Ela pensou nos seus filhotes, e depois pensou no humano com pelos vermelhos. Ela sentia o mesmo por ambos, embora de uma forma diferente... Ela se importava com ambos não?! Ela queria proteger a ambos...

“Naruto ne... Eu vou te proteger também, por ter se importado comigo, eu vou fazer o que puder pra te proteger, assim como aquele filhote... Akamaru...”

E olhando pra lua, ela riu consigo mesmo, e uivou mais uma vez. Ao longe, seus filhotes riram e uivaram, enchendo a noite do país da Névoa com a música dos homens e dos lobos.

Notas finais
Ta aí, abraço pra todo mundo, não esqueçam de deixar biscoitos e leite para o Papai Noel, cenouras raladas para o Coelhinho da Páscoa, e rewies pra mim ^ ^