Keskij
3 Roleta-russa
Notas iniciais
[29/08/2014 5:30p.m. — Carina em seu quarto, enviando uma mensagem do celular. Digita um número aleatório.]
"Oi, quem quer que seja. Er.... Quando eu tinha quatro anos, meus pais começaram a me levar em um psicólogo. Era diferente, porque íamos na casa dele e tinham várias outras crianças que o visitavam também. Parecia uma creche. Provavelmente, eles me levavam lá porque eu reclamava de "bichos" que eu via. Não era mentira! Pela noite, no escuro eu podia jurar que tinha algo lá, me observando. Não sou doente, sou diferente... acho. Mas então, o Bruno o visitava também. Ele nunca me contou o porque de ir lá, parece muito traumático para ele, por isso nunca insisti tanto. Ah, o Bruno é meu melhor amigo. Quinze anos. Porte médio. Fofo... e eu amo ele. Amo mesmo, mas ele só me considera como melhor amiga mesmo. Er... olha, não é engano essa mensagem, eu só queria conversar com alguém; esse colégio parece uma prisão. Ontem recebemos um bilhete de excursão. Poxa, para uma gruta e uma mina? É mais apertado ainda, não tem para onde fugir, que aflição. Bem, quero que sejamos amigos. Responda, por favorrrrrrrr!!!!!!!! This, tiau sz".
[Sala de aula do 9º ano — 7:00p.m. — ]
Carina olhava o celular a todo minuto enquanto conversava com Bruno. Ele já estava irritado.
– Com quem você tanto conversa, Rina? — Ele perguntou, se inclinando sobre a mesa para ver o celular dela. Ela deixou e, para sua sorte, não tinha nada incriminador.
– Ninguém, Bruno, oras! — Guardou o celular no bolso exatamente quando o professor entrou na sala. Desajeitado, ajeitando os óculos no nariz, meio apressado... a turma gostava do Senhor Yato.
– Bom dia, professor Yato! — Disseram em coro. No fim das contas. todos eram amigos por ali.... exceto... no canto esquerdo da sala, próximo à janela, estava um garoto jovem demais para aquela classe. Baixo, do cabelo castanho e sua franja habitual. O vento da janela agitava seus cabelos, deixando à mostra seus, ou melhor, seu olho. Ninguém notava sua presença ali, nem em nenhum outro lugar. Não se sentia triste, achava isso perfeito: ele era diferente. O vento se intensificou e, de repente, ele sumiu da cadeira onde estava sentado. Ao mesmo tempo, o celular de Carina vibrou, com uma mensagem:
"Oieee, aqui é o Anonimous11. Que história triste a sua... Mas, sei lá, se confessa para o Bruno. AH, EU TENHO QUINZE ANOS TAMBÉM, IUPI! Então... isso é uma roleta-russa... diferente? Oh, que legal isso! Posso te ligar? Agora? Tá livre? Podíamos nos encontrar *u* Mora onde?"
Ela leu a mensagem e deixou o celular debaixo da carteira, engolindo em seco. "Isso vai ser mais interessante do que eu pensei", pensou ela. sorrindo.
[29/08/2014 — 18P.M. — Carina estava organizando sua bolsa para levar na excursão.]
– Hum.. Hum... — Dizia Carina enquanto colocava qualquer objeto que visse em sua frente na bolsa.
– Porra, Carina.Não precisa arrumar a bolsa agora! Vai demorar um pouco para a excursão! — Gritou Bruno enquanto mexia no computador.
– ME DEIXE SER PRECAVIDA! EU ODEIO ESSA EXCURSÃO! VAMOS MORRER, ESCUTE SÓ. NINGUÉM ME ESCUTA! — Gritou enquanto as lágrimas vinham rápido demais. Todo mundo ia, se ela ficasse sozinha, aquele garoto estranho das aulas poderia vir matá-la. Paranoica? Imagina. Só via coisas que a maioria das pessoas não viam.

Carina 7-7
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