Kepler-452
1 Prólogo
Mary Jones, uma garota de aparência comum. Cabelos e olhos castanhos, pele clara e altura mediana. Usava roupas comuns e até era considerada atraente. Vivia sua vida comum na região mais sem graça de Ohio. Região que, por sua vez, estava no planeta mais sem graça da via láctea.
Seu dia era como o dia de qualquer outro humano, seguindo uma rotina. Ela acordava, tomava banho, escovava os dentes, se arrumava e ia pra sua aula. Como havia se tornado uma universitária, a única coisa diferente era que tinha que compartilhar essa rotina com mais humanos que também tinham uma rotina. Humanos de todos os tipos.
E também tinha a Jessica, uma menina meio... agitada demais. Ela era hiperativa ou coisa assim, mas era legal. Era colega de quarto de Mary. As duas tinham se tornado amigas.
Jessica era estudante de artes, o que fez com que ela ficasse fascinada quando descobriu um aluno chamado Vincent Willem van Gogh. E foi assim que Mary acabou "conhecendo" aquele garoto excêntrico, alto e magro, de cabelos bagunçados e olhos extremamente verdes. Não era exatamente conhecer, eles apenas almoçavam juntos.
Tudo começou quando Jessica tentou conhecer Vincent, mas acabou se decepcionando ao descobrir que o menino nem conhecia o pintor e que ele não sabia desenhar um homem de palito. Mas Jessica gostou de Vincent e o apelidou de Vin. Quando Jessica chamou Vin para almoçar com Mary e ela, Mary se deu conta de que aquele estranho jovem e ela faziam as aulas de matemática juntos... E ele era excepcionalmente brilhante naquilo.
A partir daquele dia, eles começaram a almoçar juntos todos os dias, mas Vin não falava muito e, quando falava, geralmente era uma esquisitice. Ele não costumava falar nem com a Jessica, o que fazia ele ser distante das duas(Jessica gostava dessa característica calada do garoto). No fim, Vin acabou se tornando aquele elemento necessário na paisagem da hora do almoço.
E como Mary sabia que ele era brilhante em matemática? Bom, ele era o garoto que sempre respondia, em uma fração de segundos, as perguntas feitas pelo professor. Aquele aluno sempre a irritava, mas ela nunca tinha olhado para seu rosto, pois ele sempre ficava na frente enquanto ela, no fundo. Quando começaram a almoçar juntos, ela aproveitou para tirar suas dúvidas frequentes e Vincent demonstrara ser brilhante. Tão brilhante que chegava a ser esquisito.
Foi em um dia não tão comum que tudo começou. Na hora do almoço, Jessica começou a tagarelar sobre arquitetura gótica e, sabe-se lá como, entrou em um assunto de uma festa.
—A fraternidade Beta-Iota-Pi vai dar uma festa de Halloween essa noite! — disse ela, parando pra respirar.
—Sério? Quem vai? — perguntou Mary.
—O Bart, Arthur, Angela e...- Jessica fez uma pausa. -...Brian!
As duas deram um gritinho e começaram a falar do cabelo, olhos e do queixo quadrado de Brian.
—Você já tem uma fantasia, Mary? — perguntou Jess. Mary pensou um pouco.
—Tenho uma fantasia de vampira que acho que posso usar!
—Ótimo! E você, Vin?- quando falou isso, Vincent, que estava olhando pra sua comida, levantou sua cabeça em um susto.
—Eu o que? — perguntou.
—Que fantasia vai usar? — perguntou Mary.
—Deveria ir de robô. Combina perfeitamente! — disse Jess, e as duas garotas começaram a sorrir. Elas tinham o costume de fazer piadinhas entre si, dizendo que van Gogh parecia um robô andando, já que o garoto não mexia os braços e geralmente se mantinha na mesma pose ereta de sempre. Mas sempre que ousavam chamar o garoto de robô na frente dele, Vin nunca entendia o porquê e também não entendia os risinhos. Dessa vez não foi diferente.
—Por que as risadas? Rir não é algo que fazem quando acham algo engraçado? — perguntou, enquanto as garotas já paravam de gargalhar.
—Nada, bobinho! E aí? Tem alguma fantasia? — questionou Jessica, uma outra vez.
—Fantasia? Pra que?
—Você tá na lua? Pra festa de Halloween que estamos falando.- Vin ficou sem expressão por uns cinco segundos, e em seguida respondeu.
—Bom, eu estou na Terra. — disse, em resposta a pergunte sobre estar no satélite natural da Terra.
—Ah, esquece! Passe no nosso quarto umas cinco pra seis da tarde! — mandou Jessica.
—Não posso! É um quarto femin...
—Só faça! — disse Jessica, interrompendo o garoto.
Depois disso, elas continuaram falando sobre as fantasias que vestiriam e sobre o perfume que Brian usava.
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