Notas iniciais
Yo minna! Ansiosos para o Tri? Ah, quem não né mesmo XD? Bem, mais um cpt ai pra ôces, ficou meio grande(eu acho) mas espero que gostem, alias, próxima semana eu vou estar em semana de provas( D; ), mas tentarei escrever mesmo assim. Enfim, boa leitura!

Após assistirem um jogo de basquete de Takeru, os digiescolhidos se dirigiam até a saída do colégio.

—Hehe, a melhor parte foi quando você esqueceu que não era futebol e chutou a bola bem na cara do técnico!- Miyako ria de Daisuke. -E adivinha? Eu e o Ken-kun filmamos tudo com a câmera da Hikari-chan!

—Espera ai! Ichijouji, você ajudou ela? Achei que éramos amigos cara!- O ruivo fez uma voz chorosa.

—Ah, mas elas nem ficaram tão ruins assim.- Ken coçou a nuca

—Fala a verdade! Você foi o primeiro a rir quando o Takeru-kun fez uma cesta e ele gritou gol enquanto corria igual a um maluco pelo meio da quadra!- Ela falou tirando alguns risos abafados do moreno.

—Ei, dês de quando vocês são tão íntimos assim?- Motomiya sorriu bobo, "Hã? Espera, ele sabe? É tão óbvio assim? Ou será que...".

—Hein? Tá com ciúmes é? Não se preocupe, eu não vou roubar seu precioso Ichijouji.- A garota olhou para o ruivo, que apenas riu.

—Haha, como se fosse difícil ganhar de uma gigante como você!- Ele sorriu confiante.

—Desculpa, mas eu só discuto com pessoas que conseguem no mínimo andar pela quadra sem tropeçar.- Miyako 01, Daisuke 00.

Depois de mais umas risadas e conversas, as crianças finalmente chegaram até o portão onde sempre se despediam, mas algo os chamou a atenção, havia uma pequena multidão do outro lado da rua, então todos decidiram ir verificar. Daisuke gritou enquanto empurrava alguns estranhos, e quando todos abriram passagem, as duas garotas e melhores amigas olharam uma para a outra e por fim deram um clássico gritinho enquanto pulavam.

—Meninas...- Takeru sussurrou e os outros concordaram acenando a cabeça. Havia um rapaz se declarando para uma jovem na frente de todos, os dois pareciam bastante nervosos, mas quando ela aceitou seu pedido, todos aplaudiram e Hikari e Miyako suspiram sorrindo.

—Que lindo!!!- Elas disseram.

—Eca! Que nojo isso sim!- Motomiya mostrou a língua.

—Você que é um nojo...- Ela sussurrou para sí mesma.

—Disse alguma coisa?- Perguntou o ruivo.

—O que? Não, você deve estar ouvindo coisas.- Takeru interferiu evitando outra briga.

Mais tarde, já em sua casa, Inoue Miyako jantava com sua família. Todos contavam sobre seu dia e etc, mas a garota não parecia prestar muita atenção, estava pensando sobre o que aconteceu naquela manhã. Ela fechou os olhos e começou a sonhar... Todos estavam vestidos com uniformes do colegial, a jovem estudante caminhava para sua sala de aula, até que ouviu alguém chamar seu nome. A mesma se virou e deparou-se com Ichijouji Ken, usando um típico uniforme negro de pequeninos botões dourados que combinavam com seu cabelo, ''Ah, ele fica ainda mais gracioso vestido desse jeito'', ela pensou. A jovem estudante olhou de cima para baixo e encontrou algo diferente, ele estava segurando uma caixinha cinza com um laço vermelho. Todos ao redor olharam para os dois, e antes que ela percebesse, o rapaz já estava ajoelhado diante dela, segurando sua mão, fazendo aquela maravilhosa pergunta, e a jovem, claro, não podia dizer nada além de sim. Ela sorriu com algumas lágrimas ameaçando cair, e então o rapaz levantou, se aproximou de seu rosto e...

—Miyako, como foi seu dia?- Sra. Inoue perguntou acordando a filha de seus pensamentos, mas a mesma já estava fazendo biquinho e olhando para o além. Quando percebeu que toda a sua família estava a olhando, ela parou no mesmo instante e voltou a comer com o rosto corado como nunca, ao seu lado, Mantarou ria incontrolavelmente.

—Haha, que cara foi essa? Chizuro, não me diga que você anda assistindo aqueles filmes idiotas e melosos com a Miyako de novo?!- O irmão mais velho continuou a rir.

—Primeiro, não são idiotas e melosos, são lindos e românticos!- Chizuro disse formando um coração com as mãos. -E segundo, não. Eu não vi nenhum filme com ela ultimamente.

—Aconteceu alguma coisa?- Sr. Inoue falou em um tom sério como sempre fazia, enquanto isso, Poromon subiu até a mesa.

—Eu ainda não me acostumei com essa coisa... EI! NÃO TOQUE NA MINHA COMIDA! A COMIDA DE UM HOMEM É SAGRADA!- Mantarou afastou o prato do pequeno pássaro, que por sua vez tentava pegar um pouco de seu jantar.

—Quantas vezes eu terei de explicar que o Poromon não é uma coisa, é um digimon! Não liga pra ele tá.- Ela colocou o parceiro em seu colo e acariciou sua cabeça. -E eu estou ótima.- A garota voltou a jantar tentando fazer sua família esquecer aquele constrangimento, mas suas irmãs chamaram-lhe a atenção, pois se entreolhavam maliciosamente e então encararam a caçula.

—Qual é a desse sorrisinho?

—Nada... Só acho que já sabemos o que está acontecendo.- Momoe deu uma risadinha.

—E-Eu estou cheia! Boa noite.- A garota de cabelos lilases levantou-se e foi até seu quarto com o rosto vermelho enquanto seu parceiro lhe seguia.

No outro dia, Miyako estava olhando atentamente para o relógio de parede que tinha em sua classe, ela fitou o caderno na mesa e depois o quadro, e repetiu esse processo várias e várias vezes, de novo, de novo e de novo, ''A + X? Se é matemática, por que estamos usando letras?! E o pior de tudo é que essa aula parece que nunca vai acabar! Eu estou com fome, com sede, e hoje... Eu encontrarei o Ken-kun novamente... Ah, Ken-kun...'', a garota suspirou.

—Entenderam alunos?- O professor perguntou.

—Sim!

—Nadinha...- Ela sussurrou para si mesma.

—Disse alguma coisa Inoue?

—Hã? N-Não professor, o senhor está ouvindo coisas! E... Ah, minha nossa! Como o senhor está pálido! Que tal ir para enfermaria? E não se preocupe com a aula, é para um bem maior sabe? Não queremos nosso querido professor doente não é mesmo?- Ela forçou um sorriso.

—Boa piada, mas eu já conheço os seus joguinhos senhorita Inoue. E eu estou bem, obrigado por perguntar.- O homem começou a apagar o quadro. -Certo pessoal, agora vamos ver se vocês estão entendendo mesmo.- Ele guardou o apagador e começou a passar por cada um dos alunos olhando seus cadernos. -Hmm, correto... Correto...

—Ei, Yuhei! Yuhei! Cara, acorda logo se não o professor vai tirar você da sala!- Um aluno ao lado da garota de cabelos lilases sussurrou para alguém atrás dela.

—Ah... Mas eu estou tão cansado... Eu fiquei de recuperação em história e o professor Seiji me ajudou um pouco na prova, e então eu fiquei devendo um trabalho de dez páginas pra ele. Depois de tanto pedir eu só consegui entregar hoje! Fiquei até mais tarde só pesquisando...- Um individuo de cabelos castanhos disse com a voz rouca, em seguida bocejou cruzando os braços sobre a mesa e apoiando a cabeça neles. Era Yoshida Yuhei, o capitão do time de basquete. ''DEZ PÁGINAS?! Caramba, eu quase morri com cinco, imagina dez?! Pobre coitado...'', a garota olhou para frente e percebeu que logo o professor estaria próximo de sua cadeira, ela fitou Yoshida e depois o homem, e repetiu esse processo várias e várias vezes, de novo, de novo e de novo, até que ela decidiu trocar seu caderno com o dele o mais rápido possível sem que o professor percebesse.

—Bem, vejamos Inoue... O que?! Mas você não fez nada! Como pretende estudar para a minha prova senhorita?- Ele lançou um olhar de repreensão para a aluna, que se encolheu em sua cadeira.

—Errr... Internet?- Ela respondeu duvidosa, mas o homem apenas bufou e prosseguiu para a próxima cadeira.

—Hmm, algumas estão erradas mas a maioria está correta, mas fico feliz que tenha se esforçado. Bom trabalho Yoshida. Alias, você tem uma letra bonita, continue assim.- O professor deu continuidade.

—Hein? Hã?- Ele levantou a cabeça rapidamente e esfregou os olhos. -Mas do que é que o senhor está... Ué, cadê o meu caderno?- Yoshida coçou o queixo meio confuso.

—Aqui.- A garota trocou os cadernos mais uma vez. -Olha, eu te livrei de um bom sermão ok? Amanhã eu tenho que ficar até mais tarde pra limpar a sala, então você vai fazer isso no meu lugar!

—Por que?- Ele disse dando outro bocejo.

—Porque caso contrário, eu conto tudo pro professor e o time de basquete vai ficar sem capitão por uma semana!- Ela foi curta e direta e sinal do intervalo tocou.

—Ok, mas, por que fez isso?

—Eu também fiquei de recuperação na matéria do professor Seiji, então eu te entendo um pouco, até mais.- Ela se levantou e saiu da sala. -Ah, finalmente acabou! Ken-kun, ai vou eu!

—O intervalo mal começou e já tá pensando nele?- Uma voz familiar foi ouvida. Miyako se virou e deu um enorme sorriso.

—Hikari-chan!- As amigas se abraçaram e foram em direção do refeitório. -Então, como foi a aula?

—O de sempre. Daisuke-kun ficou desafiando o Takeru-kun para uma revanche no basquete, mas ele nem ligou.- A castanha deu de ombros. -Já o Ichijouji-kun, bem, ele não mudou nada, só ficou um tempão olhando pra janela sorrindo. Não sei o que se passa na cabeça dele.

—Afe, não o julgue. Cada um tem um jeito de passar o tempo na aula. Eu finjo estar prestando atenção, Iori... Eu realmente não sei... Daisuke e suas briguinhas sem sentido, Takeru rindo da idiotice dele assim como todo mundo, você tentando escolher com qual dos dois vai se casar...- A garota de cabelos lilases sorriu maliciosamente.

—E-E-Eu não penso nisso!- Yagami disse com o rosto corado.

—Hehe, sei...

—MIYAKO-SAN!

—Ok, ok, parei!- Ela levantou as mãos em forma de rendição. -Enfim, você me entendeu. Mas sabe... Eu gostaria de saber no que ele pensa as vezes. Ele é tão misterioso...- Ela suspirou dando um leve sorrisinho.

—Você realmente ama ele né?- Aquela pergunta ficou ecoando na cabeça da herdeira dos brasões do Amor e da Sinceridade, ''E-Eu... Amo ele?''. -Miyako-san? Está escutando?

—Hã? A-Acho que amar é uma palavra muito forte não é? E-Eu só gosto dele... Eu acho...

—Só gosta é?

—Sim...

—Certeza?

—Sim.

—Absoluta?

—SIM! ABSOLUTA! Por acaso você virou um agente da FBI pra ficar fazendo tantas perguntas assim?- A garota retirou alguns risos da castanha. Elas já estavam próximas do refeitório quando ouviram algumas alunas conversando.

—Nossa Nanami-san, como você é corajosa! Aposto que ele vai adorar!- Uma aluna falou.

—E-Eu não sei...- Uma delas disse.

—Acho que vi ele no refeitório com alguns amigos, vai, você consegue!- Outra sorriu.

—Quem são elas?- Miyako perguntou para sua parceira de Jogress.

—Acho que eu as conheço, mas estou tentando me lembrar... Ah, olha eles ali. Pessoal!- Hikari segurou a mão da melhor amiga e a arrastou até as outras crianças.

—Deixa de ser covarde Takeru! Você só tá com medo de perder pra mim! Fala!- Daisuke disse, mas o loiro apenas o ignorou.

—Finalmente vocês chegaram. Miyako-san, pode ajudar o Takeru-san aqui?- Iori disse com uma gotinha na cabeça.

—Ah, mas com muito prazer!- A mesma sorriu como um leão prestes a atacar sua presa. Ela estalou os dedos e em seguida desferiu um soco na cabeça do ruivo, fazendo-o desviar sua atenção furiosamente para a garota.

—EI! POR QUE FEZ ISSO?- Ele gritou.

—PORQUE EU QUIS! ALGUM PROBLEMA?- Ela gritou de volta sorrindo.

—NÃO SE INTROMETA NA CONVERSA DOS OUTROS, SUA GIRAFA DE SALTO ALTO!

—ME INTROMETO ONDE EU QUISER, ANÃO DE JARDIM!- Enquanto os dois discutiam ainda aos gritos, todos na mesa, e logo depois o refeitório inteiro estava rindo dos dois, até mesmo os professores já estavam acostumados com aquilo. Quando eles perceberam que quase toda a escola estava rindo deles, ambos se sentaram cruzando os braços e com o rosto levemente vermelho.

—Ei, vocês não deveriam estar rindo da nossa cara, principalmente você Ichijouji! Primeiro você e essa... Essa...- Motomiya bufou. -Ficam tirando fotos da minha maravilhosa performance na quadra, e agora fica rindo do seu melhor amigo! Isso não é justo!

—Desculpe, mas...- O ex gênio tentava segurar uma risada. -... Vocês dois são muito engraçados!- "Ele me acha engraçada? E-E-Espera... Então ele acha que eu sou uma piada? Ou será que ele acha que tudo o que eu falo é pra rir? É por isso que ele está sempre sorrindo assim quando eu falo com ele? M-Mas... I-Isso é bom... O-Ou r-ruim?!...", ela continuou a mergulhada em seus próprios pensamentos, porém sua amiga a despertou.

—Miyako-san? Você está bem?- Hikari perguntou preocupada.

—Hã? O-Oque foi?

—Você parecia meio assustada agora, tá tudo bem?

—Err, c-claro. E-Eu estou ótima...

—Ok... Enfim, lembra daquilo ontem?- A castanha sorriu com os olhos brilhando.

—Daquilo?- Depois de alguns segundos, ela finalmente se lembrou. -Oh, aquele casal?

—Sim! Pareceu uma cena daqueles filmes de romance! Quem poderia imaginar que ele mesmo fez aqueles doces, foi tão fofo!!!- Yagami suspirou suavemente.

—Pois é, aquela garota teve sorte de encontrar alguém como esse cara. Esses garotos de hoje em dia são todos uns ogros insensíveis sem coração.- Disse Inoue revirando os olhos e em seguida olhou para Daisuke.

—Ah, você está exagerando! Nem todos são assim.- Hikari fez outro sinal com o olhar apontando para o moreno ao seu lado, ambas deram uma risadinha.

—Quem me dera se alguém fizesse algo para mim dessa maneira.

—Dessa maneira?

—É. Algo como...- A garota de cabelos lilases foi interrompida por um grito não muito longe.

—Ichijouji-senpai!!!- Uma aluna meio familiar veio correndo até Ichijouji, quando chegou na mesa ela entregou uma pequena caixa cor-de-rosa com vários corações para o ex gênio. -Por favor aceite!

—Err, claro.

Inoue Miyako olhou toda aquela cena perplexa. De repente várias perguntas estranhas vieram a sua cabeça. Quem é aquela pessoa? De onde ela veio? O que ela estava fazendo? E por que esse interesse repentino nela? Porém, o que a garota realmente queria saber era o que era aquilo que estava sentindo naquele momento, um misto de fúria, raiva, rancor, ira, ódio e entre muitos outros ao mesmo tempo, mas, por que? Era algo mais forte do que Daisuke fazendo suas brincadeirinhas, mais forte do que Mantarou e suas pegadinhas até. "O que significa tudo isso?"

—Espera... Essa não é aquela garota de antes?- Ela sussurrou para a castanha ao seu lado.

—Oh, acho que eu me lembro dela agora. Se eu não me engano, ela é a presidente do fã clube do Ichijouji-kun daqui da escola, Yukine Nanami-san.- Yagami sussurrou de volta.

—Presidente? Espera ai, fã clube?!- A digiescolhida perguntou para sua melhor amiga, porém a mesma já estava conversando com o resto do grupo.

O moreno leu um pequeno bilhete que havia na caixa, era uma simples, porém sincera, declaração de amor. A cada palavra que ele lia era um aperto no coração da jovem Miyako, e por fim, o garoto decidiu dividir os chocolates que havia recebido com todos, dando um sereno e gentil sorriso, "Espera... Se ele está sorrindo, significa que ele gostou. Então se ele gostou, quer dizer que... E-E-Ele vai R-Retribuir?!". Ela continuou ponderando em silêncio por mais um tempo, até que a mesma foi acordada pelo próprio Ken, que lhe cutucou levemente no ombro, fazendo a garota virar-se meio assustada.

—Quer um?- Ichijouji perguntou. Ela olhou meio confusa para o ex gênio, iria aceitar, mas aquele sentimento estranho a fez mudar sua maneira de pensar, "Por que você não dá para a Senhorita Presidente?", seu olhar mudou de amoroso e sincero para um olhar de repugnância e ódio.

—Não, obrigada.- A garota respondeu e apenas virou o rosto para o lado contrário, ignorando-o completamente.

No fim do dia, os digiescolhidos estavam indo para seus respectivos lares. Daisuke já havia parado de perturbar Takeru, que estava conversando com Hikari, já Ichijouji Ken permanecia calado como sempre, mas desta vez ele não estava sorrindo. "Com certeza deve estar pensando no que vai dar para a Yukine-san, aposto que amanhã ele vai dar uma caixa de chocolates para ela, depois eles vão ficar juntos e então vão se casar e ter vários filhos enquanto eu serei uma adulta morando com os pais igual ao Mantarou...", ela suspirou meio triste.

—Aconteceu alguma coisa?- Iori perguntou.

—Hã? Por que a pergunta?

—Porque você parecia bastante feliz antes do intervalo, e agora você começa a fazer essa cara estranha, até mesmo quando o Daisuke-san te chamou de arranha-céu agora a pouco, você não deu a mínima. Então eu presumo que tenha algo de errado.- Hida coçou o queixo pensativo.

—Nossa... B-Bem, eu só...- Ela olhou para Ichijouji, e então rapidamente aquele mesmo sentimento de antes veio à tona, fazendo-a olhar com ódio para o moreno mais uma vez. -Eu estou ótima, não precisa se preocupar.

—Ok, eu só...- A frase do mais novo dos digiescolhidos foi interrompida por mais um grito desconhecido.

—Inoue-san!!!- A mesma atendeu a aquele chamado virando-se devagar a procura daquela voz, mas ela mal pode dizer uma palavra, pois o atleta saltou até ela, fazendo ambos caírem no chão atraindo olhares de todos ao redor.

—Y-Yoshida-kun! Você está me e-esmagando!- Ela falou sufocada.

—Desculpe.- Ele a ajudou a se levantar. — É que eu não consegui agradecer corretamente durante a aula. Muito obrigado por não me dedurar!

—Ah, relaxa, não foi nada.- Ela coçou a nuca meio envergonhada.

—Yoshida!!!

—Ah, deve ser o treinador querendo falar comigo. Enfim, até amanhã Inoue-san, fico te devendo uma.- Ele deu uma piscadela acompanhada de outro abraço apertado na garota e foi embora.

—Caramba, você conhece Yoshida Yuhei?- Takeru falou surpreso.

—Vocês são amigos?- Perguntou Ken.

—Não. Ele estava dormindo durante a aula e eu só dei cobertura, então como amanhã é meu dia de limpar a sala, ele disse que iria no meu lugar. Mas isso importa?- A garota de cabelos lilases olhou fundo nos olhos de Ichijouji, "Pois é, você já tem a Senhorita Presidente, por que se preocuparia comigo?".

—Não... Quero dizer...- Ele mal conseguiu formular uma frase, mas já era tarde, ela deu as costas e marchou até sua casa. Takeru e Iori olharam para ela sem saber o que fazer, até que a mesma se virou para os dois.

—Vocês vem ou não?

—C-Claro. Até amanhã pessoal!- O loiro acenou e o mais novo do grupo apenas se curvou, ambos foram até a amiga. Depois de um bom tempo em silêncio, Takaishi decide se pronunciar.

—Aconteceu alguma coisa?

—Não precisa perder tempo Takeru-san, a resposta dela será...

—Eu estou ótima, não precisa se preocupar.- Ela completou a frase deixando os amigos com uma gotinha na cabeça.

—Certeza? Você parece meio irritada...- Takeru perguntou receoso.

—EU NÃO ESTOU IRRITADA!- A garota gritou e os dois se encolheram.

—Acho melhor ficarmos quietos...- Iori sussurrou para o parceiro.

—Concordo...- Takaishi sussurrou de volta.

Quando finalmente chegou em casa, Inoue Miyako foi recebida por Poromon com um caloroso abraço, de fato ela estava precisando daquilo. Porém, quando olhou ao redor não encontrou seus irmãos, muito menos seu pai, apenas sua mãe, que corria agitada pela casa

—Mãe? Por que tanta pressa?

—Vou cuidar da loja lá em baixo, eu volto mais tarde.- Sra. Inoue disse enquanto colocava um avental.

—Cadê o resto do pessoal?

—Seu pai foi em uma reunião importante, seu irmão foi no treino de baseball e suas irmãs, bem, elas não avisaram para onde iriam, mas disseram que voltariam logo.

—Espera, eu vou ficar sozinha aqui em casa?

—Sim, algum problema? Você sempre dizia que queria ficar sozinha.- A mulher falou procurando as chaves.

—Não, é só que...

—Ótimo. Até mais tarde querida, a mamãe te ama.- Sra. Inoue finalizou dando um beijo na testa da filha enquanto acariciava levemente o digimon pássaro, e então foi embora.

—Bem-vinda de volta Miyako-san! Como foi seu dia?- Poromon perguntou.

—Péssimo.- Ela disse jogando sua mochila no sofá junto com o digimon e foi até a varanda.

—Hein? Por que? Eu pensava que você estava bem alegre por que iria ver o...- Sua frase foi cortada.

—NÃO, EU NÃO ESTOU!- Miyako gritou fazendo o pequeno pássaro se estremecer com medo, percebendo aquilo, ela rapidamente se acalmou. -Desculpa Poromon, eu não queria gritar com você. É só que, eu...- Ela olhou para as pessoas lá em baixo e encontrou vários casais passeando, se abraçando, conversando... Se beijando. Um enorme rubor surgiu no rosto da garota de cabelos lilases, fazendo ela recuar e voltar para a sala.

—É só que...?- O digimon perguntou.

—É só que...- Ela se sentou no sofá e ligou a televisão e começou a passar os canais procurando algo interessante, mas só haviam programas de romance, filmes de romance, séries de romance, até mesmo mesmo desenhos animados de romance, ''MAS O QUE É QUE...''.

—É só que...?- Poromon perguntou mais uma vez.

—É só que...- A garota pegou uma das revistas de Chizuro e começou a folhear, mas tudo o que havia lá era o mesmo conteúdo de antes. Então ela jogou o objeto no chão e gritou para o céu. -POR QUE UNIVERSO?! O QUE FOI QUE EU FIZ PRA VOCÊ?!- Ela deitou no sofá mais uma vez e abraçou uma almofada.

—O que foi que o universo fez pra você?- O pássaro cor de rosa disse confuso.

—Ele está me fazendo lembrar do Ken-kun...

—Mas eu achei que você gostava dele.

—E gosto, mas... E... Ah, eu fui tão má com ele, não deveria tê-lo ignorado, e nem ter falado com ele daquele jeito, aposto que ele deve me odiar agora, deve estar pensando que eu sou uma péssima pessoa e que vou bater nele amanhã como eu sempre faço com o Daisuke...- Miyako suspirou e apertou a almofada. Ela olhou para o lado e viu seu digimon com uma expressão de dúvida. -Foi mal Poromon, não adianta eu falar isso, você nunca vai entender.

—Desculpe, eu queria ser mais útil...- Ele disse com uma voz manhosa.

—Awww! Sua bolinha de penas fofinha! Não precisa se preocupar com isso ok?- Ela se alegrou abraçou o parceiro. -Mas eu ainda tenho que me desculpar com o Ken-kun... Mas como?- Ficou ali mais um tempo pensando, até que uma luz acendeu em sua cabeça. -Já sei!

Inoue Miyako começou a correr alegre de um lado para o outro pela cozinha, naquele momento ela se lembrou de Yukine Nanami e do que ela havia feito durante o intervalo, ''Se ela consegue, por que eu não conseguiria, não é mesmo? Coragem!'', a garota de cabelos lilases estendeu o punho para cima demonstrando confiança, em seguida ela partiu para os armários e prateleiras da cozinha e lá encontrou um livro de receitas, ela abriu e enquanto passava as páginas viu uma receita de cookies com gotas de chocolate, ''Acho que ele vai gostar.'', e então, logo ela já estava pegando os ingredientes.

Na primeira tentativa, os cookies queimaram. Na segunda, o fogão quase ficou em chamas. Na terceira ela errou a receita e quase fez uma torta, e por fim, na quarta, ela esqueceu de colocar o chocolate. Agora, a portadora dos brasões do Amor e da Sinceridade estava sentada no chão de sua cozinha, observando toda a bagunça que havia feito. O chão estava coberto por fermento e mais algumas misturas, a parede parecia ter sido pintada com chocolate, e sem falar na própria Miyako.

—Hmm, até que não está tão ruim.- Poromon falou provando uns dos cookies queimados.

—Poromon, mentir é feio.

—Desculpe...

—É, acho que agora você pode me chamar de Inoue Fracasso Miyako...- Ela fechou os olhos e suspirou triste, mas logo acordou com um estranho barulho de algo caindo, quando ela se levantou, percebeu que suas irmãs haviam chegado.

—MAS O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ AQUI?!- Chizuro gritou assustada.

—A mamãe vai ter um troço quando chegar...- Disse Momoe enquanto apanhava algumas sacolas de compras que havia deixado cair.

—Mas afinal, o que foi que aconteceu?

—Bem... Eu...- Seu rosto começou a corar.

—Oh, acho que eu já sei...- Chizuro olhou maliciosamente para a irmã mais velha. -Vai, diz, qual o nome dele?

—D-D-Dele?- Ela gaguejou.

—Sim, do garoto que você gosta!

—E-Eu não gosto de ninguém!

—Mas você disse que estava fazendo isso para o Ichijouji-san.- Disse o pequeno pássaro ali presente, ''Droga Poromon...''.

—VOCÊ CONHECE ICHIJOUJI KEN?! DÊS DE QUANDO?!- Chizuro gritou enquanto sacudia a caçula.

—Dês do ano passado sua maluca.- Ela se soltou dos braços da mais velha.

—Esse é o motivo dessa bagunça?- Disse Momoe e a mais nova apenas assentiu com a cabeça, fazendo suas irmãs darem um gritinho.

—Ai, meus ouvidos. Do que vocês... Opa, chocolate!- Era Mantarou, que havia chegado de seu treino de baseball.

—Mantarou, Mantarou! Miya-chan conhece Ichijouji Ken!

—Hein? Não é aquele moleque que deixou de ser gênio faz um tempo?- Ele falou enquanto bebia uma lata refrigerante que havia trazido.

—Sim! E ela gosta dele!- Aquela frase fez Mantarou cospir todo o refrigerante que havia em sua boca, em seguida ele deu uma risada.

—É sério? Olha, já vou avisando. Esses caras não se importam de verdade com as meninas, eles só querem elas aos seus pés lhe dando presentes. Então, uma dica... Esqueça-o.

—Não fale assim do Ken-kun, ele não faria isso!

—Ok, depois não diga que eu não avisei.- Ele foi para seu quarto.

—Enfim, o que é que você está... Ou melhor, estava tentando fazer?- Momoe perguntou enquanto tentava limpar a bagunça.

—Eu fui má com ele, então eu decidi fazer algo para me desculpar.- A garota de cabelos lilases suspirou.

—Cookies?- Chizuro olhou para o livro de receitas. -Não é tão dificil. Ok, Momoe, você dá um jeito de limpar a cozinha antes que a mamãe e o papai voltem. E você Miya, vai tomar um banho por que você tá com cheiro de queimado.

—Hein? Espera eu...- Sua irmã a interrompeu empurrando a mesma até o banheiro.

Já era manhã do outro dia, Inoue Miyako corria pelos corredores da escola a procura de sua classe. Não havia conseguido acordar tão cedo pois passou boa parte da noite apenas pensando neste momento, ela teria coragem de entregar aquilo para o ex gênio? ''Eu cheguei até aqui, não vou desistir ainda!''. Quando ela finalmente chegou em sua sala, todos os alunos olharam para ela, principalmente o professor, que apenas cruzou os braços e deu um sorrisinho.

—Olha só quem chegou quinze minutos atrasada, de novo, não é mesmo?- Todos ficaram em silêncio. -Retire-se por favor.

—Mas professor...

—Sem mas Inoue! Essa já é a terceira vez que você atrasa à minha aula! Se isso acontecer novamente você levará uma advertência! Agora vá, e só volte quando o sinal tocar.- Gritou o homem, e ela obedeceu. A porta da sala se fechou e a garota apenas se virou de cabeça abaixada e suspirou, ''Poderia ser pior...''. Quando ela levantou a cabeça, se deparou com um certo garoto de cabelos negros e olhos cor de índigo dando um leve gentil sorriso, ''Eu e minha boca grande...''. De repente, o coração da jovem garota começou a bater rapidamente, como se estivesse prestes a explodir com aquela maravilhosa sensação, aquele estranho sentimento de antes não se comparava nada com este de agora, porém, ela olhou com mais atenção e percebeu que ele também estava com uma pequena caixa em suas mãos, aquilo a fez se lembrar de Yukine Nanami, estaria ele indo retribuir o presente que havia recebido da presidente do fã clube? Será que ele está bravo com ela? Logo sua expressão se tornou mais triste.

—Bom-dia Miyako-san.- Ichijouji a cumprimentou em seu tom calmo e sereno.

—B-Bom-dia Ken-kun.- Ela fez o mesmo.

—Você fez isso para alguém?- Eles disseram ao mesmo tempo, ambos se impressionaram. -Sim!- De novo, dessa vez com os rostos meio corados, "Droga, o que é que eu vou dizer? Que eu fiquei com raiva quando ele recebeu chocolates daquela garota? Vamos, pense! Pense!". -E-Eu trouxe para todos!- Ao mesmo tempo novamente, mas agora eles riram juntos, aquele som era música para os ouvidos da jovem Miyako. Havia um pequeno banco entre as duas salas, eles se sentaram ali, lado a lado, apenas esperando a próxima aula. ''E agora, eu tenho que pedir desculpas pra ele. Mas como? E se eu...'', antes que ela pudesse terminar seu pensamento, foi interrompida pelo moreno a sua direita.

—Miyako-san, eu gostaria de me desculpar com você.- ''Pera, como é que é?!''.

—Desculpar? Pelo que?

—Eu não sei. Ontem você parecia brava comigo, mesmo não sabendo o motivo, eu gostaria de me desculpar.

—Oh Ken-kun... N-Na verdade eu que devo pedir desculpas, eu não estava brava com você, eu só... Só...- ''O QUE É QUE DIGO?! RÁPIDO!'' -... S-Só estava com raiva do meu irmão, ele vive me perturbando.- Ela deu uma risadinha. -Acho que não percebi e terminei descontando isso em você. Espero que me perdoe.

—Não se preocupe. Deve ser legal ter um irmão como o seu, sabe, divertido e alegre. Osamu não fazia muitas dessas coisas comigo, ele passava maior parte do tempo estudando.

''Droga, o que foi que eu fiz?''. -Foi mal, eu não queria fazer você se lembrar dele.

—Tudo bem, a culpa não é sua.

—M-Mas... por que está me contando isso?

—Por que... eu sinto que posso confiar em você.- Ele sorriu levemente, ''E-E-Ele confia em m-m-mim?... Ele confia em mim...'', um rubor surgiu em seu rosto e apenas sorriu de volta, sabendo que agora não precisava mais se preocupar com nada. -Acho que te entendo um pouco, do jeito que você fala do seu irmão, ele deve ser parecido com o Motomiya-kun.

—Ah, nem me lembre desse outro idiota.- Ambos riram juntos mais uma vez e depois ficaram calados por mais um tempo. ''Maldito silêncio!''.

—Miyako-san... Posso te fazer uma pergunta?

—Hum? C-Claro.

—Você me acha insensível e sem coração?- ''Hein? de onde é que ele... Oh...'', a garota de cabelos lilases se lembrou de sua conversa com Yagami, ''Ah, eu não deveria ter dito aquilo...''.

—Hã? Ken-kun, mas que pergunta é essa? Você é totalmente o oposto disso!

—Você acha?

—Sim, você é diferente dos outros garotos. Tipo, você acha que o Daisuke ou o Takeru, talvez o Iori eu acho, fariam algo assim?

—Cozinhar?

—Não, é bem mais que só cozinhar. Outros garotos que eu conheço não teriam o trabalho de fazer isso por alguém, no máximo comprariam uma caixa de chocolates barata. Quero dizer, você ama tanto seus amigos que não se importaria se isso parece idiotice ou se tomaria todo o seu precioso tempo! Eu admiro muito a sua bondade.

—Admira é?

—Sim! Por isso que você é tão legal!- Ela deu um enorme sorriso e Ichijouji apenas abaixou a cabeça e sorriu, e então a garota se lembrou da pergunta que Hikari havia feito para ela, ''Eu amo o Ken-kun?...'', ela deu uma risadinha, ''Eu amo o Ken-kun...'' ela sorriu para si mesma. O sinal para a segunda aula tocou, eles se despediram e foram para suas respectivas salas.

Durante o intervalo, os dois foram juntos sorridentes até os outros digiescolhidos, que estavam sentados na mesa do refeitório.

—O que é isso? É aniversário de alguém?- Daisuke perguntou.

—Não babaca, a gente fez algo pra vocês.- Miyako bufou.

—Sério? o que tem ai?- Iori disse curioso.

—Bem... Eu fiz um bolo.- O moreno desviou o olhar meio corado.

—Eu fiz cookies!- Ela disse sorridente

—Podemos provar?- Hikari sorriu gentilmente.

—Claro.- Eles disseram ao mesmo tempo mais uma vez e todos na mesa riram, em seguida provaram o que os dois haviam trazido. Depois de um tempo a garota e sua amiga voltaram a conversar entre sussurros.

—Ei, o que houve ontem com você? Parecia meio irritada.

—Não se preocupe.- Ela olhou para o lado e viu o ex gênio, que logo sorriu e ela fez o mesmo. -Não foi nada de mais.

Naquele mesmo dia, Inoue Miyako voltou para seu lar sorridente como sempre, enquanto ia em direção de seu quarto, ela esbarrou com seu irmão mais velho.

—Qual o motivo desse sorrisinho hein?- Ele perguntou mas a mesma o ignorou e seguiu cantarolando para o quarto. -Ok né.- Ele foi até a sala quando de repente ele ouviu o telefone tocar, ele foi até o objeto e então atendeu. -Casa da família Inoue, quem fala?

—É a Miyako-san? Eu quero falar com ela!- Uma voz estranha e fina foi ouvida do telefone.

—Não, aqui é o irmão dela, quer deixar um recado?

—Sim, por favor. Diga a ela para não chegar perto do meu parceiro!- Outra voz foi ouvida, parecia estar chamando a pessoa do telefone. -S-Sim Ken-chan, estou indo!

—Hã? Espera, Ichijouji Ken?

—Não, aqui é o digimon dele. Enfim, diga a ela para ficar longe dele!

—E por que eu... Só um segundo, digimon?- Mantarou coçou a nuca meio confuso.

—Por que ela está deixando o Ken-chan muito doente, ele não para de falar na Miyako-san e agora só pensa nela! Eu não sei como vocês humanos chamam isso, mas é melhor ela parar! O aviso está dado, adeus.- Ele desligou o telefone. Inoue Mantarou demorou um pouco para ligar os fatos e raciocinar direito, ''Se a Miyako gosta dele... E o Ichijouji gosta dela... E se eles descobrirem isso... Eles vão...'', e então ele ficou perplexo, ''Mas isso não pode acontecer, ela é nova demais! Ele não pode fazer isso com a minha irmãzinha! E se algo acontecer com ela...''.

—Mantarou? Você tá bem?- A garota de cabelos lilases perguntou.

—S-Sim, melhor do que nunca!

—Ok. Vem! Aquele programa que você gosta vai começar!

—Oh, claro, vamos.- Mantarou sorriu e ambos se sentaram no sofá, e ele não deixaria que ninguém atrapalhasse aqueles pequenos momentos com sua irmãzinha... Ninguém.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.