Kenome (HIATUS)
1 O Despertar Animal
Notas iniciais
Estou já postando essa fic que me veio quando li a fic Caminhos Entrelaçados (Nora Cipriano)
Talvez venha outro capitulo em Flashback, mas por enquanto, se contentem
- Saia de perto dele Arashi — acho que falei tarde demais.
- Bakuhatsu! — no mesmo instante Arashi foi lançado de onde estava, a margem do lago, para dentro da mata, a uns bons cem metros de Bakudan.
Eu corri na direção de Bakudan e assumi o estilo Tora. Senti o mana do tigre pulsando pelo meu peito, meus movimentos ficando cada vez mais calculistas, minhas unhas se afiando e minha velocidade aprimorada. Saltei sobre ele, abri o peito dele com cortes rápidos e devastadores e pulei para longe exatamente no momento que ele usou o restante do seu mana para lançar o último trunfo.
- Shi ponpu — Bakudan murmurou com um sorriso no rosto pouco antes de explodir e se reduzir a cinzas flutuando no ar.
- Kame — eu falei antes de a explosão acontecer e ainda senti o mana gelado da tartaruga percorrer meu corpo e deixar minha pele dura como sua carapaça, mas a força da explosão era muita e fui lançada contra o tronco que estava caído na estrada, exatamente quando Bakudan apareceu. Ouvi o som de ossos se partindo e a dor percorrendo meu corpo. Se não fosse o mana eu teria me partido ao meio. Levantei-me com cuidado e analisei o local. As árvores próximas à clareira estavam chamuscadas, a terra estava cinzenta devido às explosões de Bakudan e a água ainda estava muito agitada, formando ondas e levando os restos da batalha. Pelo menos Arashi emitia mana suficiente para fazer com que a água reagisse.
— Inútil — balbuciei — Isso realmente é uma missão de classe S. Escoltar um idiota fraco e importante que é o desejo de todos os assassinos de Valtoria.
Alcancei a extremidade da clareira e observei o ponto onde Arashi tinha atravessado as árvores.
— Iguru — minha visão se aguçou e eu enxerguei Arashi caído no chão e também enxerguei outro assassino em cima da árvore. Devia estar esperando Arashi acordar para então pular em cima dele com a adaga.
Arashi tinha cabelos loiros e encaracolados, tinha um bom porte físico, mas agia como um idiota em batalha, pois tinha o juramento de não ferir nada vivo. Era o filho do imperador de Valtoria e estava visitando Salafar para conhecer a cidade. Quando fiquei sabendo que ele precisava de escolta para voltar até Valtoria, me habilitei imediatamente a cumprir, pois eu sabia que uma missão dessas ia me levar a um posto confortável no exército de Salafar.
Já o assassino tinha o rosto de um homem muito velho e experiente. O sobretudo que usava era preto e de imediato não prestei atenção a ele.
— Kamereon — e então eu me camuflei nas árvores e fui na direção do assassino.
Subi no tronco da árvore onde ele estava e minha mão ardeu no mesmo momento. Veneno. Eu me controlei e não gritei. Subi mais um pouco e puxei o pé dele, imediatamente tirando o punhal da bainha e cravando na testa dele.
“Droga", pensei quando olhei para minhas mãos e vi bolhas. Virei-me para o assassino que estava no chão com uma expressão de surpresa, como se ainda não acreditasse que tinha sido pego de surpresa. Entre os olhos um filete de sangue secava, onde eu enfiei o punhal.
— Acho que o acertei Kenome — vi Arashi tentando se levantar — Meu peito dói! — e desabou no chão.
— Arashi! — eu corri até ele e percebi que não estava respirando. Eu entrei no estado de desespero. Minhas mãos estavam doendo por causa do veneno e eu não sabia o que fazer. Empurrei o peito dele várias vezes e não tinha reação. Pressionei meus lábios contra os dele e nada.
— Idiota! Eu devia saber que se alguém estivesse comigo eu conseguiria, mas não! Eu tinha que resolver sozinha — eu chorei muito, só parei quando já estava a noite e meus olhos estavam doendo. Olhei para o corpo estirado atrás de mim e tive vontade de chorar, mas os olhos estavam secos. Decidi investigar o cadáver do homem e encontrei o mandato do assassinato de Arashi, dinheiro e alguns vidros de veneno. O casaco dele, mais parecido com um sobretudo, era preto com alguns detalhes brancos, ao virar ele contra o sol pude ver através dele o vislumbre de um emblema: uma águia sobre um galho de carvalho. Peguei o casaco e falei para mim mesma que ia lavar o sangue da roupa, pois poderia achar alguma oportunidade em Valtoria.
Lembrei-me de que em Salafar, volta e meia se podia avistar alguns sujeitos com o mesmo casaco preto com detalhes brancos. Pensei também nos garotos, sim, garotos de dezesseis anos no máximo, saindo de Salafar pouco antes de eu iniciar a escolta. Também estavam com o sobretudo. Deviam ser os iniciados na suposta organização, pelas expressões assustadas.
Virei o rosto para o corpo de Arashi e me vieram algumas lágrimas, sequei-as e gastei alguns minutos para montar a cena perfeita: Arashi com uma adaga na mão ao lado do corpo do assassino e um golpe no próprio peito, feito por mim.
Todos que vissem aquela imagem, pensariam que Arashi após uma luta contra o assassino, o matou e não acreditando que havia matado alguém, cometeu suicídio logo em seguida.
— Continuar o caminho — suspirei.
Fui até o lago e lavei o sobretudo juntamente com o meu rosto, parando um pouco para me ver. Cabelos prateados e longos, olhos azuis da cor do mar e pele pálida. Algumas cicatrizes escondiam o fato de eu ser jovem e realçava a experiência que eu possuía.
Andei por longas duas horas sem interrupção alguma, pensando apenas nos últimos momentos de Arashi. Agora que consigo organizar os pensamentos, percebo o quanto a cena foi assustadora. Ele se levantando e então a caixa torácica dele se comprimindo, como se todas as costelas dele tivessem se quebrado e, na tentativa de respirar, penetrassem o peito dele. Algumas outras lágrimas vieram em boa hora.
Já estava à noite e eu não percebi quando duas pessoas vieram ao meu encontro. Em meu pranto desesperado não me atentei ao fato de que eles também vestiam o sobretudo.
— Quem é você? — um deles gritou.
— Meu nome é Kenome — eu consegui dizer entre soluços.
— Cale a boca Sacrer — o outro gritou, passando os braços ao redor do meu corpo — O que aconteceu pequena?
Mesmo diante do desespero, eu não me apegava à ideia de me chamar de pequena. Está certo de que sou a pessoa mais jovem a fazer parte da classe S e tenho apenas 14 anos, mas não consigo aturar isso. Continuei chorando, mas mesmo assim me atentei aos dois homens.
— Eu e um amigo fomos mandados após seu grupo para que nos encontrássemos com vocês, mas então encontramos uma soldada de Salafar cumprindo uma missão de escolta e o idiota quis impedir ela. Ele conseguiu matar o alvo, porém ela o destroçou e eu fugi — eu menti.
— Então Arashi foi morto — o que era chamado de Sacrer colocou a mão no braço da espada — Isso coloca a organização em uma boa posição. Assim que chegarmos a Valtoria, Arathi descobrirá que o filho foi morto e então podemos iniciar o ataque.
— No momento, vamos cuidar de você — disse o outro.
Eles me encaminharam até um emaranhado de árvores onde um acampamento estava montado. Várias fogueiras se espalhavam, umas oito, com homens e mulheres sentados ao redor delas, conversando sem fazer ruído. Algumas barracas estavam montadas, frutas e carne estavam em bacias espalhadas pelas fogueiras.
Ao passar pelas fogueiras observei uma mulher que tinha olhos leitosos que pareciam se atentar a tudo. O cabelo preto estava amarrado em um coque. Usava roupas verdes minúsculas que a faziam parecer uma das cortesãs que eram vistas na cidade. Quando me aproximei dela, senti correntes de ar se formando ao redor dela. As correntes atravessavam minhas roupas e me faziam cócegas, como se estivessem vasculhando os meus segredos.
— O que fazemos com ela general? — Sacrer se dirigiu a ela.
— Cuide dos ferimentos na mão dela. Arranjem também um modo de imobilizar o peito. Quebrou três costelas. — eu fiquei assustada. Ela nem tinha virado o rosto para mim. Parecia ter sentido o meu corpo inteiro e eu me senti vulnerável perto dela. Tive a sensação de que ela me conhecia há anos, conhecia meus segredos, minhas mágoas.
Continuamos andando. Eu estava bastante incomodada com a general. Ela me parecia intrusiva demais.
— Buraindo Kūki. A general é cega sabe — disse Op, o guarda que veio me socorrer junto a Sacrer — Ela controla o ar à sua volta e tem uma noção do que acontece. Assassinou treze guerreiros de Valtoria, apenas retirando o ar de seus pulmões. Acho que ela sentiu suas costelas do mesmo modo.
Cega? Controla o ar? Não tem como me aproximar sem ser notada. Eu estava começando a bolar um plano e Kūki seria um problema. Eu iria abusar da hospitalidade deles mais um pouco e depois que todos dormirem, eu ataco para exterminá-los.
— A general está indo em frente para limpar o caminho à frente. Elas espera que estejamos prontos para nos defender de qualquer inimigo que venha de Salafar ou Dandriel. – Sacrer apontou simultaneamente para o norte e para o leste – Eles querem que o progresso da Ordem seja arruinado o mais rápido possível, mas nós voltaremos à sede da Ordem antes do anoitecer de amanhã.
Ótimo. Agora sou uma traidora. E das melhores. Vou trair Salafar e o exercito me juntando a Ordem, e estarei traindo a Ordem após a chacina de hoje à noite.
Levaram-me para uma barraca onde cuidaram da minha mão, usando algum tipo de suco de ervas e na minha cintura, foi colocado um colete que me imobilizava completamente. Logo após a isso, fui deixada em outra barraca, onde eu me deitei e fiquei acordada até o momento do golpe.
Quando tive certeza de que ninguém mais estava acordado, me levantei, peguei o punhal e fiz um leve corte no colete. Vesti meu sobretudo e reuni as facas que me entregaram, junto ao dinheiro e decidi que já estava na hora.
- Iguru – sussurrei logo após colocar a cabeça para fora e vi dois guardas entre as árvores e outros dois de pé logo abaixo, com certeza não esperavam ser traídos – Kamereon – eu me movi na direção da árvore, sem fazer o menor ruído. Ao chegar até ela, escalei-a e me joguei sobre os guardas – Tora – cravei minhas garras neles e aterrissei a frente dos outros dois, que me olhavam com uma expressão assustada e eu não perdoei. Lancei-me na direção deles antes mesmo que pudessem gritar.
Fui à direção das barracas onde todos ainda estavam dormindo e decidi o que seria melhor para destruir o restante do acampamento.
- Fenikkusu – senti meu corpo se incendiar e corri na direção das barracas, matando pessoas assustadas e queimando o que mais eu visse. Eu me movia graciosamente através dos guerreiros da Ordem, que estavam desorganizados e assustados – Doragon – minha garganta esquentou e eu senti o liquido vermelho queimar minha boca. Segurei por mais um tempo e expeli o liquido, queimando tudo o que era atingido.
Ao final da batalha apenas se podiam ver cadáveres chamuscados, terra preta e nenhum vestígio de que eu pudesse ter feito aquilo. Queimei algumas partes da minha roupa e me virei ao sul.
- Valtoria, finalmente.
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