Notas iniciais
Atenção! Senhoras e Senhores, eu lhes apresento, Taima! Vou deixar aqui o significado dos nomes dos personagens principais: Kenda = Poderes Mágicos Olathe = Belo Taima = Trovão Boa leitura! =)

A menina ainda estava em choque. Segundos atrás, havia um enorme lobo a sua frente, e agora...agora... um homem feito, um guerreiro de pele tocada pelo sol, estava com a mão quente em seu rosto. Ela sabia quem ele era. Pelo menos, já o tinha visto em sua aldeia. Taima. Mas nunca falara com ele. A não ser por um breve momento, uma lembrança quase esquecida de tempos de infância. Seus músculos se endureceram. Ela desviou o rosto de seu toque cálido. Taima sorriu malicioso. Ela fechou a cara e o encarou. Se revestiu de toda sua coragem e brutalidade. Arrancou a faca da cintura e o empurrou com uma mão até que o corpo do guerreiro batesse com força contra uma árvore de tronco áspero. Mesmo assim, Taima não se deixou ficar com medo, afinal, ela era apenas uma garota baixinha que tinha os nervos a flor da pele. Mas ele sabia que não devia brincar muito com ela, pois reconhecia sua reputação na aldeia, e sabia do que ela era capaz.

– Hey, calma aí! — o guerreiro estava com as mãos levantadas enquanto a ponta da faca de Kenda pressionava fracamente seu nariz.

– O que você está fazendo aqui? Ou melhor, o que você é? — a menina estava assustada, talvez até mais assustada que Taima, mas nunca enquanto vivesse, demonstraria medo.

– O que eu sou? Ora, você sabe quem eu sou. Você me conhece.

– Acho que não. — ela pressionou mais sua faca. Claro, que ela sabia quem ele era, mas não queria que ele soubesse disso.

– Pois bem. Sou Taima, filho do trovão. O filho do segundo guerreiro. Mestre do treinamento de luta com lanças.

– Tudo bem, Taima. Me responda agora. O que está fazendo aqui?

– Se a senhorita não viu, nossa aldeia foi morta! — a pronuncia dessa frase, deixou Kenda com dor no coração. — Quero vingança! E também se ainda não percebeu, fui transformado em lobo. A fera que talvez possa ser minha própria desgraça.

Kenda continuou a olhar para Taima, que agora parecia ter fúria e dor em seus olhos. A garota tirou de vagar a faca de seu nariz e soltou sua mão de seu corpo. Continuou a analisar o rosto do guerreiro. Lembrou do passado, aquela pequena lembrança de infância, e por alguns segundos teve receio de acreditar nele. Mas depois, o que ela faria? Ele era um irmão Dacota! Um dos únicos que sobrevivera. Poderia ser útil em sua missão. Mas teria de ser dura com ele. Ela agarrou mais uma vez seu ombro e o empurrou novamente contra o tronco. Para pessoas normais, aquele choque poderia ter rasgado sua pele e feito a pessoa chorar por horas, mas o guerreiro continuou com a face imutável.

– Escute, estou confiando em você. Vejo em você um irmão Dacota. Temos o mesmo sangue e devemos continuar juntos. A partir de agora, nossos espíritos caminharão unidos nesta jornada. Nossas vidas, estarão na mão um do outro. Você jura guerreiro, jura pelos nossos antepassados que será leal?

O guerreiro estava firme em seu posto. Seu ar era sério e totalmente mascarado.

– Sim, irmã guerreira. Eu juro.

Kenda podia jurar que havia visto uma fenda de hesitação em seus olhos. Mas logo se repreendeu por não acreditar no guerreiro. Ele acabara de jurar por seus antepassados, aquilo era algo muito sério.

– Pois bem, então venha. — ela saiu andando em sua frente.

* * *

O guerreiro era surpreendentemente silencioso. Totalmente habilidoso em sua caminhada. Quase não o ouvia atrás de si. As vezes, Kenda dava uma rápida olhada de canto, apenas para ter certeza de que Taima continuava a seguindo. O guerreiro era muito alto. Ao mesmo que muito forte. Uma tatuagem de linhas irregulares traçavam todo seu braço direito. Seus cabelos não muito compridos, estavam amarrados em um firme rabo de cavalo bem no alto de sua cabeça. Estava de calças e sapatos, deixando só seu tronco de fora. Ele era realmente muito bonito, mas Kenda não tinha tempo para reparar nessas coisas agora. Seu objetivo, tinha de ser alcançado antes de qualquer coisa. E era isso que ela pretendia.

Mais tarde, quando pararam para acender uma fogueira, Kenda caçou para si mesma um coelho. Enquanto Taima, se afastou do acampamento para assumir sua fera e estraçalhar um veado.

* * *

– O que houve? — a pergunta pegou Taima de surpresa. Ele mexia com o galho as a madeiras da fogueira.

– Perdão?

– O que houve com você. Por que se transforma em... — ela hesitou para continuar a pergunta.

– Lobo. — ele suspirou. — Talvez, não devesse saber.

– E por que não? — aquilo só aumentou a curiosidade da garota.

– Porque, você morreria.

– Talvez, eu goste dessa idéia.

– O que? Não saber?

– Não, — ela suspirou enquanto deitava sobre o céu estrelado. — a morte.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Obrigada por ter lido! Deixem comentários! =)